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18 de fevereiro de 2018

Estudando o Episódio do Bezerro de Ouro



Por Everton Edvaldo

Leitura bíblica: Êxodo 32.1-14

Introdução: As passagens bíblicas estão repletas de ensinamentos e de detalhes que revelam verdades a respeito de Deus e de nós. Quando nos dedicamos e nos aprofundamos em estudar as Escrituras, entendemos que aquilo que aconteceu no passado de alguma forma traz impacto para nossa vida no presente. Hoje estudaremos a passagem que fala do "Bezerro de Ouro." Todavia, antes vamos apresentar um panorama do livro de Êxodo afim de elucidar e de nos situarmos dentro da passagem ao qual estudaremos; depois veremos o contexto histórico em que Êxodo 32.-14 está inserido e por fim, quais lições e verdades práticas podemos extrair a partir desta passagem. Boa leitura!

I- PANORAMA DO LIVRO DE ÊXODO:

1. Quem escreveu? (Autor). A tradição judaica aponta Moisés como o escritor da Toráh (os 5 primeiros livros da Bíblia), incluindo Êxodo (Saída).

2. Quando escreveu? (Data). Os estudiosos mais conservadores datam a escrita de Êxodo por volta de mais ou menos 1445-1405 a.C.

3. Para quem escreveu? (Destinatário). Embora atualmente tenha alcançado milhares de pessoas em todo o mundo, é sabido que o público alvo primário de Êxodo eram os judeus e a sua posteridade, isto é, o povo Israelita.

4. Onde Escreveu? (Lugar). É quase unânime entre os estudiosos, a afirmação de que Moisés escreveu o livro de Êxodo no deserto.

5. Porque escreveu? (Propósito). De modo geral, podemos falar que o propósito de Moisés ao escrever o livro de Êxodo foi registrar e revelar a vontade de Deus para os israelitas com o objetivo de que eles passassem a observar as leis que o SENHOR os havia entregado.

6. Assuntos principais. São vários os assuntos abordados por Moisés, entretanto vamos destacar aqui apenas dois:

A) Libertação do povo de Israel (Saída do Egito).

B) Estabelecimento das leis (Cerimoniais, Civis e Morais).

II- CONTEXTO HISTÓRICO:

Entraremos agora em Êxodo 32 propriamente dizendo, e para compreendermos a passagem, vamos pintar um pouco do cenário daquela época, respondendo algumas perguntas:

Onde Moisés estava? O versículo 1 localiza Moisés no monte (chamado de monte Senai em Exôdo 19.18 e Horebe em Deuteronômio 4.10-15).

O que ele estava fazendo no monte? Moisés não estava ali sem razão, mas sim porque Deus o convocou para anunciar aos Israelitas a sua vontade (Êxodo 19.1-25).

E o povo de Israel, onde estava? Êxodo 19.17 informa que Moisés levou o povo para fora do acampamento e eles ficaram na base do monte. (Cf Ex 20.21).

Desde o capítulo 19 até o 32, o cenário gira em torno deste episódio que durou 40 dias e 40 noites (Êxodo 24.18).

A Bíblia diz que vendo que Moisés demorava para descer, o povo de Israel pediu para que Arão (seu irmão) fizesse um deus que fosse à frente deles, pois não sabiam o que havia acontecido a Moisés. Então Arão pediu que entregassem seus brincos de ouro e recebendo-os derreteu, fazendo um bezerro de ouro e declarou que este os havia tirado da terra do Egito. E mais, fez um altar e disse: Amanhã haverá festa ao SENHOR. No outro dia, se levantaram cedo e sacrificaram ao bezerro de ouro e depois se divertiram.

Porque o povo fez isso? A resposta é simples! Lembremo-no de que Israel passou mais de 400 anos no Egito, e apesar de não habitar no meio dos egípcios, sofreu consideráveis influências por parte deste povo. Para Israel, Moisés (o profeta de Deus, ou seja, alguém responsável por trazer a voz de Deus ao povo), representava o próprio Deus entre eles, e uma vez que Moisés havia sumido, eles se viram sem Deus à frente deles, por isso, sem líder e sem Deus, pediram para Arão fazer um deus para si para que fosse à frente deles. Isto porque a mentalidade daquela época era: um povo sem uma divindade é um povo entregue à ruína.

Interessante que nem mesmo as claras leis de Deus contra a idolatria foram obedecidas mas negligenciadas e esquecidas. 

Fazendo um deus para si, Israel:

A) Quebra um acordo oral feito há poucos dias com Deus (Êxodo 19.7).

B) Quebra dois dos dez mandamentos (Êxodo 20.3-5).

C) Quebra a lei de oferecer sacrifícios somente ao Senhor, pecado este inclusive digno de morte (Êxodo 22.20).

III- O DIÁLOGO DE DEUS COM MOISÉS:

Então Deus relata a situação a Moisés (que estava monte e não sabia o que estava acontecendo). Deus fala que Israel havia se corrompido e desviado do caminho que Ele havia ordenado e que este povo era muito obstinado.

O termo usado por Deus para "corrompeu" é sahath e significa aqui "deteriorado", "arruinado", "perdido", "prejudicado", "danificado", "pervertido", "corrupto".

Para "desviado", ele usa sur que significa "rebelado", "afastado", "deixou de lado", "virar-se", "dar as costas", "ir embora", "partir".

Dito isto, Deus propõe a Moisés que deixasse que Ele destruísse Israel e fizesse dele uma grande nação. Quanto a este ponto, não cabe a nós neste estudo, entrar no mérito de como esse tipo de linguagem de Deus de pedir a Moisés que deixasse-o destruir Israel não entra em choque com a soberania dEle. O ponto crucial aqui não é este mas sim: Deus estava para destruir Israel.

Então a Bíblia diz que Moisés suplicou, ou seja, intercedeu ao Senhor seu Deus e agora vamos mostrar quatro argumentos que Moisés usou para que Deus nao destruísse Israel:

1- Moisés pergunta porque Deus destruiria o seu povo? (v. 11). Deus disse no versículo 7 que povo era de Moisés, e no versículo 11 Moisés diz que o povo era de Deus. É como se Moisés tivesse dizendo: porque o SENHOR se ira? O SENHOR é que é o proprietário deles e não eu. Não é qualquer povo que está jogo, é o teu povo! 

2- Moisés pergunta porque Deus destruiria o seu povo que Ele mesmo tirou do Egito com grande força e com mão forte? (v. 11). No versículo 7, Deus diz que Moisés tirou o povo do Egito, mas no versículo 11, Moisés diz que foi o SENHOR quem os tirou de lá com mão forte (cf Êxodo 19.4; 20.2; 29.46). Ou seja, como irás destruir o teu povo que o Senhor mesmo tirou da terra do Egito com mão forte?

3- Moisés pergunta porque Deus permitiria que os egípcios dissessem que Ele tirou os israelitas de lá para fazer o mal e matá-los (v. 12). 

Até aqui podemos extrair algumas lições para nossas vidas.

A primeira é no que diz respeito a ausência de Moisés entre o povo de Deus. Ou seja, a ausência de um homem de Deus dá oportunidade para o caminho da corrupção. Este é um princípio válido para os dias de hoje. Porque será que muitas igrejas estão se corrompendo? Porque os homens de Deus estão distante das suas dores e das suas necessidades. Homens de Deus precisam estar perto das suas ovelhas.

Outra coisa: Pior que ter homens de Deus distantes é ter homens por perto que contribuem para a corrupção do povo. Este é o caso de Arão que devia repreender o povo porém satisfez seus desejos. Muitos líderes da atualidade dão ao povo o que eles gostam e não o que Deus quer. Triste este tipo de comportamento porque a vida de um líder influencia a vida dos liderados direta e indiretamente. Este é o caso por exemplo da monarquia de Israel, onde a saúde espiritual do rei refletia na saúde espiritual do povo.

A segunda lição diz respeito a Deus estar observando os atos de Israel enquanto Moisés estava no monte. Isto é, todas as nossas ações são observadas por Deus e nada escapa dos seus olhos. E mais: toda ação humana tem uma reação divina. Atentemos seriamente para esta verdade, pois nada foge dos olhos de Deus.

A terceira lição que podemos extrair, é quando Moisés vai interceder num momento delicado. Mais adiante veremos como a intercessão é importante, mas veja como Moisés se comporta diante de uma situação adversa. Isto vale como exemplo para nós, isto é, devemos  sempre recorrer ao Senhor quando "a coisa ficar preta", principalmente quando algo se levantar para ameaçar nosso futuro.

A quarta lição, é quando Moisés diz que o povo é de Deus e que foi ele que os tirou do Egito e não incentiva Deus a destruir o povo de Israel para fazer dele uma grande nação. Aqui, Moisés abre mão de qualquer mérito e privilégio em razão da ruína dos outros. Apesar de Moisés ter sido chamado para ser líder, claramente podemos notar que ele tinha um coração de servo. Que exemplo memorável! Quantas pessoas hoje em dia que para crescer, estão dispostas a ver o mal e a queda de alguém. Moisés não queria ver a queda do seu povo, mas a sua restauração. 

No final do terceiro argumento Moisés diz para Deus:

"Volta-te da tua ira ardente e arrepende-te desse castigo contra o teu povo." (v. 12).

Isto revela o nível de intimidade que Moisés tinha com Deus. Vale lembrar que esse tipo de linguagem só foi usava por Moisés porque o próprio Deus se colocou a disposição dEle. Isto é totalmente diferente das pessoas que hoje querem ensinar Deus a trabalhar e isto geralmente, é feito da pior maneira possível: não possuem intimidade, não sabem dialogar com Deus e fazem tal prática de forma irreverente.

Então, o que está escrito neste versículo não nos encoraja a ensinarmos Deus a trabalhar, mas a termos um nível de intimidade tão grande com Ele a ponto de quando Ele se colocar à nossa disposição, nós apresentar-mos os nossos argumentos perante Ele. Notou a diferença?

As palavras de Moisés também estão recheadas de um pouco de coragem e também de ousadia. Ao que tudo indica no texto, Deus não se incomodou com as palavras dele.

4- Moisés fala para que Deus lembre-se de Abraão, de Isaque e de Jacó. Ele jurou que multiplicaria a descendência deles como as estrelas do céu. Aqui Moisés está colocando em evidência e como argumento final a questão da incondicionalidade da promessa de Deus feita aos patriarcas. É como se ele estivesse dizendo: foi a eles que o SENHOR jurou que iria multiplicá-los e não a mim, eu estou apenas inserido nesta promessa.

O versículo 14 é incrível! Fala que o Senhor se arrependeu do castigo que disse que traria ao seu povo, derramando mais uma vez a sua misericórdia sobre eles. Ou seja, Deus atendeu a intercessão de Moisés, não primariamente por amor a ele, mas sim em razão do amor pelo seu próprio nome e caráter e por fim e não menos importante, através da súplica do seu servo. 

O que podemos aprender com tudo isso?

Primeiro, que não importa qual seja o problema, quem tem intimidade com Deus encontra solução Nele para todo e qualquer tipo de ameaça que surgir. 

Segundo, a nossa comunhão com Deus gera efeitos em Deus, em nós e nas pessoas que estão ao nosso redor. Lembre-se que a petição de Moisés foi atendida, de maneira que Deus deixou de fazer o que estava para fazer, ou seja, surtiu efeito em Deus. Também surtiu efeito no próprio Moisés que passou a enxergar Deus ainda mais grande e misericordioso e por fim, no povo que iria ser destruído e não foi. Assim é na nossa vida, a oração de um justo pode muito em seus efeitos (Tg 5.16). Portanto, caro leitor, interceda, faça o que está ao seu alcance e deixe os resultados com Deus. As tuas orações (quando atendidas), surtem efeitos em Deus, em você e nas pessoas que estão ao seu redor seja na sua família ou não.

Terceiro, o Deus ao qual nós servimos leva em consideração as nossas palavras e se dispõe a derramar da sua misericórdia sobre nós novamente.

O povo era digno de ser destruído pois havia transgredido os mandamentos de Deus, todavia Ele optou por usar da sua misericórdia sobre eles novamente. Se Deus tivesse destruído Israel e quisesse levantar de Moisés uma grande nação, não estaria incorrendo em nenhum erro, mas satisfazendo a sua justiça imediata. Contudo, sua misericórdia se mostrou ativa no momento em que os israelitas mais careciam dela.

Este é um claro exemplo de que devemos interceder por aqueles que necessitam de misericórdia, principalmente por aqueles que estão no mundo sem salvação e já estão condenados.

A passagem começa com corrupção e termina com misericórdia para mostrar que a restauração de Deus está ao nosso alcance.

Conclusão:  Sem dúvida, o foco dessa passagem está na intercessão. A intercessão de quem tem intimidade abre as portas para que a solução de Deus desça sobre os problemas que surgem. Por isso, não importa qual seja a dificuldade que esteja na sua vida, ore! Deus está de prontidão para te atender e melhorar o seu relacionamento com Ele. Que Deus te abençoe!

7 de janeiro de 2017

Estudo sobre o capítulo 19 de Isaías: Profecia contra o Egito.



Por Everton Edvaldo

Leitura Bíblica: (Isaías 19.1-25)

Introdução: O livro de Isaías é sem dúvida bastante emblemático e conhecido pelo povo de Deus. Sua natureza profética nos encanta e nos alegra, entretanto, não devemos ignorar as diversas mensagens de advertência e de juízo que viriam sobre vários povos. Há cerca de 700 a.C; Deus, através de Isaías, revelou o juízo que estava reservado para ser derramado sobre nações, cidades, tribos e reis. Do capítulo 1 ao 24, o livro de Isaías está repleto de profecias em que Deus diz que está contra Judá, Jerusalém, as filhas de Sião, o reino de Israel, os perversos, a Assíria, a Babilônia, os Filisteus, Moabe, Damasco, Efraim, Etiópia, Egito, Dumá, Arábia, Tiro e os transgressores. Hoje estudarenos o capítulo 19 do livro profético de Isaías, veremos o contexto histórico em que a passagem se encontra, a profecia em si (que trata do juízo sobre o Egito e de sua restauração). Por  fim vamos extrair algumas lições importantes que podem ser aplicadas em nossas vidas. Boa leitura!

O CONTEXTO HISTÓRICO DA PASSAGEM.

No início do capítulo 19, Isaías profetiza contra a nação egípcia. Porém, antes de entrarmos na profecia propriamente dita, precisamos entender o contexto que ela se encaixa.

Na época em que Isaías recebeu essa revelação, o Egito era conhecido entre os povos como "refúgio das nações." Ele exercia uma grande influência na economia e no exército dos povos. Era no Egito que haviam cavalos viçosos, fortes e bem treinados, capazes de fortalecer qualquer exército em que fossem colocados. Muitos governantes estrangeiros, importavam a cavalaria egípcia e assim garantiam a segurança das suas cidades e a estabilidade dos seus exércitos. Os egípcios também possuíam um forte armamento de guerra, o que atraía ainda mais a atenção de outros povos. Nessa época, também era comum as nações mais fracas buscarem refúgio no Egito, pedindo ajuda e fazendo aliança com eles. 

Vejamos o que diz Isaías 31.1-3:

"Aí dos que descem ao Egito em busca de socorro e se estribam em cavalos; que confiam em carros, porque são muitos, e em cavaleiros, porque são muito fortes, mas não atentaram para o Santo de Israel, nem buscam ao SENHOR! Todavia, este é sábio, e faz vir o mal, e não retira as suas palavras; ele se levantará contra a casa dos malfeitores e contra a ajuda dos que praticam a iniquidade. Pois os egípcios são homens e não deuses; os seus cavalos, carne e não espírito. Quando o SENHOR estender a mão, cairão por terra tanto o auxiliador como o ajudado, e ambos juntamente serão consumidos."

Outro fato interessante é que o Egito estava sempre de portas abertas para amparar aqueles que tinham suas cidades saqueadas ou estavam debaixo do jugo de alguma outra nação. É caso de Judá. Por ser considerado grande, o Egito acabou se tornando para os líderes de Judá, uma nação que poderia lhes dar assistência contra a ameaça da Assíria. Nesta época, a Assíria era a principal rival do Egito e estava no auge do seu poderio de conquistas. 

Ou seja, ao invés de buscarem ao SENHOR e se refugiarem nele, os judeus colocaram sua confiança no Egito e acabam corrompendo-se com seus ídolos. É por isso que Deus promete abater toda a glória egípcia afim de cumprir seus propósitos e fazer uma grande obra no meio dos três povos: Egito, Assíria e Israel. 

Enquanto isso não acontecia, o Egito se orgulhava de seu status entre os povos. Eles gozava de uma farta prosperidade. Para eles,  estava tudo bem.

I PARTE DA PROFECIA: 3 ABALOS DE DEUS SOBRE A NAÇÃO 

1. O abalo na religião.

Primeiramente, Deus anuncia sua sentença contra o Egito, revelando que viria a esse lugar cavalgando numa nuvem ligeira, denotando assim a velocidade com que o juízo divino seria derramado sobre eles, frustrando toda sua prosperidade. (v.1). O próprio Deus entraria em cena! 

No versículo 2, vemos que seus ídolos estremeceriam na presença de Deus. Sim, Deus viria sobre as nuvens simbolizando sua majestade acima de tudo e de todos. Deus tocaria na raiz da religião egípcia atingindo dessa forma o coração dos egípcios. Eles eram tão apegados aos seus ídolos que repousavam inteiramente sua confiança neles. Ao ter seus ídolos humilhados,  a esperança deles seria conturbada e a fraqueza dos seus deuses exposta.

É interessante observar que a religião pagã aparentemente fornecia uma certa segurança para eles. Vemos também que após o abalo na religião egípcia, haveria uma guerra interna dentro da nação. Deus colocaria egípcio contra egípcio, cidade contra cidade e reino contra reino tirando deles o sôssego que possuíam. Eles até recorreriam aos seus ídolos, encantadores, necromantes e feiticeiros, porém seria tudo em vão  (v. 3). O primeiro colapso seria interno deixando o cenário propício para outra nação lhe conquistar (v. 4). Sim, Deus promete entregar os egípcios nas mãos de um senhor duro, e revela que um rei feroz os dominaria, se referindo a ESAR- HADOM, um poderoso imperador Assírio que conquistou o Egito em 671 a.C.

2. O abalo na economia.

Deus também mexeria com a economia egípcia secando as águas do rio Nilo, um dos maiores do planeta. O Nilo era a fonte de sustento egípcio, graças às suas inundações anuais que deixavam a terra produtiva e fértil para o plantio.

Ao atingir o Nilo, Deus estava abalando as três principais indústrias daquele povo: a agricultura, a pesca e têxteis.

Com os baixos níveis de água do Nilo, os canais não seriam reabastecidos, destruindo por completo a esperança deles. Na época de Isaías, era de se esperar que qualquer outro povo sofresse com uma seca dessa intensidade, menos o Egito. Deus faria algo inédito naquele lugar. 

Sem água não haveria plantação, sem plantação não há colheita, nem comida nem dinheiro. Sem plantação, os animais não se alimentam, ficam desnutridos, não procriam e como consequência não são comprados, prejudicando assim o comércio e as negociações. Sem água, não há peixe, sem peixe, os pescadores não trabalham e ficam sem renda e sustento. É por isso que Deus diz que os pescadores gemerão (v. 8). Com a seca do Nilo, o transporte fluvial não faria mais parte dos projetos de Faraó, visto que naquela época, grandes embarcações transportavam pelo Nilo, mercadorias e até mesmo blocos pesados de pedras , utilizados nas construções. 

Os tecelões que trabalhavam no linho fino e no pano de algodão ficariam envergonhados. Os jornaleiros (trabalhadores) andariam de alma entristecida.

3. O abalo na ciência.

Deus também diz que são néscios os príncipes de Zoã; e os sábios conselheiros de Faraó, na verdade, davam conselhos estúpidos. Zoã ou Tânis era a capital do Egito naquela época, uma das cidades mais importantes da região nordeste do delta do Nilo. 

Tais sábios (que tinham fama internacional), não seriam capazes de evitar o desastre que o SENHOR tinha determinado contra sua nação. São loucos os príncipes de Zoã e de Mênfis ou Nofe (uma cidade no Baixo Egito e antiga capital do país.)

Seriam tantas calamidades nacionais que esses sábios ficariam loucos, incapazes de dar explicações racionais e de oferecer alguma solução. Eles são comparados pelo profeta com bêbados quando cambaleiam em seu vômito (v. 14).

O cumprimento da primeira parte.

A profecia referente a uma guerra civil presente dos versículos 4 ao 16, provavelmente, foi cumprida em 670 a.C., quando o Egito foi conquistado por Esar-Hadom, rei da Assíria (a principal rival do Egito) e sucessor de Senaqueribe, seu pai (2 Rs 19.37; Is 37. 38). Nesta época, o Egito era governado por Taharka (Tiraca) [01], um faraó da XXV dinastia.

Quem era Esar-Hadom?

Segundo R. N. Champlin: 

"No Acádio, 'Assur deu um irmão.' Foi um poderoso imperador assírio, filho mais jovem de Senaqueribe e seu sucessor. Governou o império assírio de 680 a  669 a.C. (...). Nas páginas do Antigo Testamento, Esar-Hadom é mencionado por três vezes: II Reis 19.37; Esd. 4.2 e Is 37.38." (CHAMPLIN, v.2, p. 432).

A conquista do Egito.

Entre 675-674 a. C, Esar-Hadom (também chamado de Assaradão) voltou sua atenção para o Egito contra o qual enviou duas expedições militares, iniciando a conquista daquele país, chegando a conquistar a cidade de Mênfis em 671 a.C; vencendo o exército egípcio que estava sob o governo do Faraó etíope Tiraca (2 Reis 19.9). Tiraca há muitos anos, vinha incentivando rebeliões na palestina e várias cidades deixaram de seguir a Assíria para se aliarem ao Egito.

Em suas inscrições, Esar-Hadom costumava se  vangloriava das suas conquistas:

"Sou poderoso, sou todo poderoso. Sou herói, sou gigantesco, sou colossal." (Citado por CHAMPLIN, v. 2; p. 432).

Hadom também chegou a se intitular como "Rei dos reis do Egito."

Comentando sobre esse acontecimento, Champlin diz:

"Conquistar o Egito foi um empreendimento fácil para ele. A fim de melhor provar a sua grandeza, entre outras façanhas, ele se tornou eficiente matador em massa: 'Diariamente, sem cessar, matei multidões de seus (de Tiraca) homens. A ele feri por cinco vezes, com a ponta da minha lança, com ferimentos sem recuperação. Mênfis, a sua cidade real, em meio dia, mediante solapagens, túneis, assaltos, eu cerquei, eu capturei, eu destrui, eu derrotei, eu incendiei.'" (CHAMPLIN, v. 2, p. 432).

Ele instalou seu governo em Mênfis obtendo o controle do delta do Nilo. Colocou governantes assírios e organizou o Egito em distritos. Esar- Hadom volta para a Assíria afim de resolver os problemas de Nínive. Entretanto, dentro de dois anos, Tiraca, Faraó do Egito que havia se refugiado em Núbia, promove um contra-ataque no Egito. Esar-Hadom apressou-se em voltar ao Egito para abafar a revolta, mas adoece no caminho e morreu em Harã, vítima de uma doença crônica.

II- PARTE DA PROFECIA: A RESTAURAÇÃO DO EGITO.

A segunda parte da profecia do capítulo 19 de Isaías, engloba os versículos 17 ao 25. Nela, Deus promete a restauração espiritual do Egito, cumprindo dessas forma seus propósitos para esta nação.

Neste tempo prometido por Deus, haverá 5 cidades que falarão a língua de Canaã e farão juramento ao SENHOR. Uma delas se chamará "Cidade do Sol."

Naquele dia, haverá um altar no meio da terra do Egito, indicando que os egípcios adorarão ao SENHOR!  Haverá adoração, livramento, conversão e cura.

Por fim, Deus abençoará o Egito e o chamará  de meu povo, juntamente com a Assíria, obra de suas mãos, e Israel, sua herança.

O cumprimento da profecia.

Essa profecia encontrou o seu primeiro cumprimento quando alguns habitantes do Egito perceberam que o SENHOR (que se utilizou da Assíria como instrumento de julgamento) era maior que seus deuses. Tais egípcios abandonaram seus caminhos ímpios e perversos.

Também quando os israelitas estavam exilados no Egito e alguns habitantes aprenderam sobre Deus com os judeus que viviam em suas terras. Por causa desse acontecimento, muitos egípcios conheceram a Deus e passaram a servi-lo. 

No momento,  ela está se cumprindo gradualmente, na medida em que milhares de egípcios estão se convertendo ao Deus vivo todos os anos. Entretanto, devemos reconhecer que essa profecia terá seu cumprimento pleno no fim dos tempos, quando todas as nações serão abençoadas durante o reinado milenar do Messias.

Deus certamente fará uma grande obra pois dará paz e harmonia a nações que há séculos são inimigas.

Conclusão: Certamente, aprendemos muito com essa passagem bíblica. Deus abateu a glória do Egito com o  objetivo de fazer uma grande obra no meio desse povo. O SENHOR é aquele que fere mas cura. Muitas vezes passamos por situações adversas onde Deus permite que percamos as coisas em que colocamos a nossa confiança. Com essa passagem, aprendemos que só devemos confiar em Deus. Nada nem ninguém deve ocupar o lugar de Dele em nossas vidas. É Nele que encontramos o verdadeiro refúgio e esperança. Ao permitir que passemos por situações adversas, não pensemos que Ele quer ver a nossa derrota, mas a nossa restauração. Que possamos buscar a Deus todos os dias e abandonar as coisas que nos afastam de sua presença. Amém! 

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NOTA:

[01]- "Taharka foi um faraó da XXV dinastia egípcia que reinou entre 690 a.C. e 664 a.C.. De origem núbia ou cuchita, sucedeu ao seu irmão Chabataka. É mencionado em Isaías como Tiraca, rei da Etiópia. Ele foi o terceiro faraó etíope, e sua mãe era negra. Coroado em Mênfis, cidade que também funcionaria como a sua sede de governo, o seu reinado é o mais esplêndido de todos os reinados cuchitas no Egipto. Após um período de secas, no ano 6 do seu reinado o Egipto conheceu uma cheia que gerou grandes colheitas agrícolas, muito celebrada na época em inscrições realizadas em Coptos, Tânis e Kaua. Nestas inscrições pode ler-se como o evento das cheias foi interpretado como uma intervenção divina de Amon-Ré, que o teria escolhido como rei. Apoiou rebeliões na região da Palestina com o objectivo de debilitar o poder dos Assírios, que tinham penetrado na região. Ele se aliou a Luli, rei de Tiro, e a Ezequias, rei de Judá. Em 673 a.C. Taharka e os seus aliados alcançam ali uma vitória, que se traduz na expulsão dos Assírios. Em 671 a.C., o rei assírio Assaradão invade o Egipto dividindo-o entre cerca de vinte príncipes, o chefe dos quais era o meio-líbio Necho de Sais. Alguns príncipes do Baixo Egipto aproveitam o acontecimento para se revoltar, outros continuaram a apoiar Taharka, que conseguiria reconquistar brevemente o Baixo Egipto em 669. Assaradão enviou uma força para lutar contra Taharka, mas morreu no caminho. Alguns anos mais tarde, ele foi derrotado, em Mênfis, por Assurbanípal. Necho de Sais, que havia conspirado com Taharka, foi perdoado, e se tornou o governador do Egito, reduzido a uma província assíria. Taharka parte então para Napata, onde morre em 663 a.C.. Seu sucessor na Etiópia foi Tanutamon, que pretendeu recuperar o Egito. Ordenou um vasto programa de construções na Núbia, em Napata, Guebel Barkal, Meroé, Semna, entre outros locais. No templo de Amon em Karnak destaca-se uma alta colunata mandada por si edificar. Perto do templo de Amon, Taharka patrocinou a construção de várias capelas para Osíris, dedicadas ao deus pelo rei e pela adoradora divina de Amon, Chepenuepet II.Foi sepultado num túmulo que apresenta uma forma piramidal, situado em Nuri, a norte de Napata, onde foram encontradas mais de 10 000 estatuetas funerárias." (https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Taharka.).

Bibliografia:

CHAMPLIN, R. N. Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. Hagnos: 1991.

Site consultado: 

https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Taharka. Acessado dia 07/01/2017.

20 de outubro de 2016

O Egito na época de Moisés: do nascimento ao Faraó do Êxodo.


Por Everton Edvaldo

Leitura Bíblica: (Êxodo 2.2; 2.23; 4.19)

Introdução: A Bíblia está repleta de crônicas localizando nações, reis e governantes. Todos os fatos nela descritos podem ser provados historicamente, entre eles no Egito. Você sabia que o Egito é a segunda nação mais mencionada na Bíblia? Nesse estudo regressaremos à época de Moisés, há 3525 anos. Esse estudo gira em torno de como era o Egito na época de Moisés e a localização do Êxodo dentro da narrativa bíblica. A Bíblia é histórica e os fatos são reais. O Êxodo realmente ocorreu! Os faraós existiram. Nesse estudo responderemos a algumas perguntas, por exemplo: "Como era o Egito na época de Moisés? ",  " Como eram as cidades, e a cultura, a escrita, e a educação?", "Quem foi o Faraó do Êxodo?", "Quem foi a princesa que salvou Moisés do Nilo?". Iremos responder a essas perguntas na medida em que o estudo for sendo desenvolvido. Boa leitura!

COMO ERA O EGITO NA ÉPOCA DE MOISÉS.

Moisés nasceu por volta do ano 1525 a.C. Na época de Moisés, o Egito era a maior potência mundial. Um país rico e poderoso capaz de construir grandes monumentos,pois era cheio de prosperidade material e territorial. Era o centro mundial da engenharia, matemática e astronomia. Na época de Moisés atingiu o seu apogeu militar e econômico. Conforme  escreveu André Daniel Reinke: "Enfim, foi o maior e mais rico império de seu tempo, avançado em muitos aspectos."

Origem do Egito. De acordo com Antônio Gilberto: " O Egito foi fundado por Mizraim, filho de Cão, logo após o dilúvio (Gn 10.6,13)."

A cultura egípcia. O Egito era repleto de cultura. Cheio de artes, retratava nelas a sua vida cotidiana, suas crenças, e sua inteligência. Sobre isso nos diz Charles R. Swindoll: "Pode-se dizer que eram a ‘classe nobre’ daquela época. Na área educacional eles haviam chegado ao ponto máximo." Eles tinham as melhores universidades, a mais alta economia e a cultura mais rica.

As pirâmides. De acordo com André Daniel Reinke: "No tempo do Êxodo, as pirâmides já eram construções muito antigas. As famosas Queóps, Quéfren e Miquerinos já existiam havia mais de 1.300 anos (foram por volta de 2.160 a.C). Todas elas, em qualquer tempo, foram túmulos reais. Nelas estavam enterrados os faraós do Egito, cujas múmias eram acompanhadas de tesouros e jóias, estátuas, máscaras mortuárias de ouro e outras preciosidades." Foi nesse ambiente que Moisés nasceu, cresceu e contemplou dia após dia. Certamente ele conheceu muitas pirâmides.

As jóias egípcias. Os egípcios gostavam de se vestir elegantes, pintados e bem produzidos. Se preocupavam com a beleza externa do seu corpo. Segundo André Daniel Reinke: "Os egípcios produziram jóias fantásticas, lindas e muito bem acabadas, fabricaram todo tipo de pingentes, colares, braceletes, e assim por diante. Eles se preocupavam muito com a aparência, usavam maquiagem para o rosto e adereços com enfeite."

A escrita egípcia. A escrita que ficou mais conhecida no Egito foi a Hieroglífica. De acordo com André Daniel Reinke: "Era baseada em sinais, desenhada sobre pergaminhos feitos de papiro uma planta muito comum no rio Nilo, cujo caule era aberto e suas fibras unidas, formando essa folha sobre a qual se podia escrever." Sobre isso escreveu Severino Pedro: "A escrita hieroglífica era também considerada sagrada (hieros, "sagrado" e glyphein, "gravar."). Os antigos egípcios chamavam seus textos escritos de "palavras dos deuses". [...] Havia três modalidades básicas: Hieroglífica, a escrita sagrada dos túmulos e templos; a hierática, uma simplificação da anterior; e a demótica, a escrita popular, usada nos contratos redigidos pelos escribas."

A educação de Moisés no Egito. Moisés recebeu a melhor educação existente nos seus dias. Sobre isso escreveu o erudito Matthew Henry: "Embora seja certo que ele estivesse a desfrutar tudo o que a corte tivesse de melhor no momento devido, neste ínterim Moisés teve a vantagem de receber a melhor educação e o melhor desenvolvimento que a corte podia oferecer. Este preparo, aliado a uma grande capacidade pessoal, fez com que Moisés se tornasse mestre em todo o conhecimento legítimo dos egípcios, At 7.22." Moisés se tornou um dos homens mais educados de sua época, vejamos o que diz o erudito W. W Wiersbe: "O que fazia parte dessa educação? Os egípcios eram uma civilização extremamente desenvolvida para sua época, especialmente nas áreas de engenharia, matemática e astronomia."

O rio Nilo. Esse rio bastante conhecido na história é o segundo maior rio do mundo, só perde para o Amazonas. É importante falar sobre esse rio, pois sem o Nilo o Egito não existiria. O Egito depende dele para sobrevivência. De acordo com Severino Pedro: "O Nilo movia a economia. Era adorado e venerado como sendo a origem de toda a felicidade do povo egípcio. Assim, tanto na adoração como no louvor se dizia: ‘o Egito é uma dádiva do Nilo.’ Alimentava milhares de pessoas numa área de 3.000 quilômetros de comprimento por 15 quilômetros de largura. Garantia unidade à civilização egípcia, mas trabalho, como a construção de diques e canais de irrigação, o que exigia um poder forte e centralizado." O rio Nilo é um dos rios mais extensos do mundo com 5.607 Km. Fora do Nilo o Egito possui poucos acúmulos naturais de água potável. Segundo André Daniel Reinke: " Todas as comunidades egípcias se desenvolveram às margens do Nilo, que irrigava o solo para plantações, e os transportes eram feitos por via fluvial." Moisés cresceu vendo canoas de junco, barcos e até navios de carga navegando pelo Nilo. Vale salientar que foi nesse rio que Joquebede colocou o menino Moisés. Deixo aqui também as palavras do pastor Antônio Gilberto: "Foi no seu delta (terra de Gósen) que o povo Israelita permaneceu no Egito (Gn 47.6). Foi nas águas deste rio que o pequenino Moisés flutuou (Êx 2.3). É portanto um rio ligado à História do povo escolhido."

         As cidades egípcias. De acordo com A. Daniel Reinke: "As cidades egípcias eram grandes, possuíam mercados, escolas, magníficos templos e construções ricamente ornamentadas, estátuas e colunas colossais, oficiantes de charretes, artesãos, ourives, fabricantes de vinho e cerveja, enfim, as mais diversas atividades. Os egípcios eram avançados na medicina: tinham bons ortopedistas, obstretas e até  oftalmologistas. Conheciam muito bem o corpo humano por causa da mumificação que faziam em seus mortos- os nobres, claro."

Religião egípcia. Não quero me deter aqui nesse ponto, por isso serei breve e claro. Até porque a religião egípcia é um assunto extenso e não tenho por objetivo me prender nesse assunto. Bem, na época de Moisés a religião egípcia já era Politeísta, ou seja, eles serviam e acreditavam em vários deuses. Eles eram bem religiosos, mexiam com ocultismo, misticismo e magia. No panteão dos deuses, os mais conhecidos eram Ísis, Osíris, Hórus, Anúbis, Rá, Seth, Toth e etc. Esses deuses assumiam formas humanas, animais e naturais. Adorava-se o Nilo, o Falcão, o Sol e até o próprio Faraó. Enfim, a religião egípcia era totalmente pagã e impura.

O GOVERNO DO FARAÓ NO TEMPO DE MOISÉS:

De acordo com o Pastor Ezequias Soares: "O termo "Faraó" é uma deformação grega de (Pharao) vinda da palavra egípcia Per aa  "a grande casa", empregada para indicar o palácio real. A partir de 1580 a.C; veio a ser usada para designar o próprio soberano. O Egito foi sempre uma monarquia absoluta, cujo topo era ocupado pelo Faraó, que detinha o poder político, religioso e militar. Considerado deus, ostentava o título de filho do Sol."

O Faraó era o poder máximo no Egito. Conforme Severino Pedro: "Tinha por título "filho do Sol", e representava o poder religioso, político e militar de todo o Egito. O nome "Faraó", na realidade é uma deformação grega de uma palavra egípcia que indicava o palácio real. Somente durante o Império Novo é que a palavra "Faraó" passou a designar a pessoa do soberano. Tinha várias mulheres, mas só a primeira podia usar o título de rainha."

O Faraó também era cultuado. Randall Prince em trabalhos de arqueologia egípcia descobriu que o Faraó também era considerado deus. Ele diz: "O que descobrimos é que Faraó era considerado como a encarnação do deus sol Rá e Horus - Osíris, os deuses mais importantes do Egito. Assim, ele era visto como o principal deus do mundo."

O NOVO IMPÉRIO E A DINASTIA:

Qual família real governava na época de Moisés? Bem; a época de Moisés se situa no Novo Império egípcio, uma época de crescimento e apogeu do Egito. Vejamos agora como se desenvolveram esses fatos.

De acordo com o Dicionário Bíblico Wycliffe: "O Novo Reino ou Império (Dinastias XVIII-XX; 1580-1090 a.C.) representou o ponto alto da expansão territorial egípcia, uma era de conquistas e de prosperidade material. Agora, o objetivo real estava dirigido à destreza física do divino rei, para fazer dele um homem de força insuperável e um habilidoso atleta. Dentre os governantes desse período podemos destacar os seguintes (Dinastias XVIII) Hatshepsut, a mulher rainha, possivelmente a princesa que encontrou o bebê Moisés (Êx 2.5-10), bastante conhecida por seu belíssimo templo mortuário em Deir el - Bahri (...)."

Cronologia dos Faraós 18 Dinastia.: (É importante lembrar que as datas são aproximadas, e que essa cronologia não é fixa, nem tampouco definitiva)



1º Amósis I


8° Tutmósis IV


2º Amenotepe I (1546-1525 a.C.)


9° Amenotepe III


3º Tutmósis I [O Faraó que governava quando Moisés nasceu] (1525-1508 a.C.)


10° Amenotepe IV (Akhenaton)


4º Tutmósis II (1508-1504 a.C.)


11° Smenekhare


5° Hatshepsut [a princesa que provavelmente salvou Moisés do Nilo] (1504-1482 a.C.)


12° Tutancâmon


6º  Tumósis III [o Faraó da Opressão da qual Moisés foge. A morte dele está descrita em Êxodo 2.23] (1482-1450 a.C.)


13° Eje


7° Amenotepe II [O Faraó do Êxodo, que perseguiu o povo até o mar.] (1450-1425 a.C.)


14° Horemheb


FARAÓ TUTMÓSIS I.

 Muitos fazem a seguinte pergunta: "Quando Moisés nasceu, qual era o Faraó que governava?", ou então " Qual o nome do Faraó que mandou jogar os bebês no rio Nilo?". Esse tópico pretende localizar essas respostas dentro da História.
Já vimos que Moisés nasceu por volta do ano 1525 a.C, no mesmo ano em que Tutmósis I assumiu o trono. Logo, ele era o Faraó que governava na época em que Moisés nasceu.

Era um homem que assim como Amenotepe I (seu sogro) e Amósis I preocupou-se em expandir o Egito, e ele fez isso dedicando -se a conquistas e expedições militares. Seu sogro Amenotepe I quando morreu deixou o Egito como o país mais rico e mais poderoso do mundo. Amenotepe I era casado com sua irmã, (acreditava-se que casando-se os parentes a linhagem real seria preservada, porém na prática isso falhou.)  Amenotepe I não teve filhos do sexo masculino para sucedê-lo no trono, então Amósis sua filha primogênita casou com um militar chamado Tumósis I. Após a morte de Amenotepe I, o militar Tutmósis I herdou o trono.

 Esse Tutmósis I, foi o Faraó que mandou jogar os bebês hebreus no rio Nilo. Ele não teve filho homem com sua mulher legítima para subir no trono. Ele foi Pai de Hatshepsut, a princesa que salvou Moisés do rio Nilo (Êx 2.5-10). Tumósis I também teve uma mulher no harém chamada Mutnofre, e teve com ela um filho que se chamava Tutmósis II. Hatshepsut filha de Tumósis I  foi destinada a casar com seu meio-irmão Tutmósis II. Tumósis I morreu quando Moisés tinha mais ou menos 17 anos. Sendo assim Tutmósis II assumiu o trono.

Sobre tudo isso comentou Merril F. Unger: "Visto que Tumósis I não deixou herdeiro legítimo do sexo masculino que ocupasse o trono, sua filha Hatshepsute era herdeira presuntiva. Sendo impedida, contudo, devido ao sexo, de sucedê-lo, a única solução que lhe restava era transmitir a coroa a seu marido, através do casamento, e assegurar a sucessão para seu filho. Afim de frustar um dilema para a dinastia, e impedir a perda da coroa em favor de outra família, Tutmósis I foi obrigado a casar sua filha com seu meio-irmão mais novo, filho de um casamento menos importante, que assumiu o trono como Tutmósis II."

 HATSHEPSUTE, A PRINCESA QUE ADOTOU MOISÉS:

Tutmósis II não ficou tão conhecido na história, o que se sabe é que ele teve um reinado curto de apenas 4 anos. Teve apenas uma filha com Hatshepsute. E possuía uma amante da qual lhe nasceu um filho. Antes de morrer legitimou o filho (que não possuía sangue real) ao trono. Sobre isso escreveu Ezequias Soares: "Hatshepsut e Tutmósis II governaram juntos o país, mas ele sofreu morte prematura.

O casal teve só uma menina, mas ele moribundo, se apressou em legitimar um filho que havia tido com uma concubina do harém, para que herdasse o trono como Faraó. Esse futuro Tutmósis III era enteado e ao mesmo tempo sobrinho de Hatshepsute. Era ainda criança quando ela assumiu o trono. De fato, foi ela quem governou o Egito. Embora ela não quisesse ser rainha, mas o próprio Faraó e conseguiu isso com o apoio dos sacerdotes do deus Amom, de Tebas. Ela assumiu características e atributos masculinos, usou vestes reais masculinas e barbas postiças comum ao Faraó."

 Hatshepute era uma mulher de punho forte, inteligente, rejeitou ser rainha. Ela era o próprio Faraó. Foi a única mulher na história egípcia a se tornar Faraó. Quando ia se pronunciar em público vestia vestes masculinas, e até foi enterrada como Faraó. Nunca deixou de ser mulher, nem mãe, mas tinha um espírito aventureiro, de governo, domínio e astúcia. Sobre ela escreveu Severino Pedro: "Neste período se destaca a rainha Hatsepsut, que se proclama regente do trono egípcio após depor seu sobrinho Tutmósis III e reina 22 anos, usando barba e vestindo trajes de homem.

 De acordo com Merril F. Unger: "Hatshepsut, (...) não apenas assumiu o reinado durante a minoridade de Tutmósis III, mas recusou-se a entregar-lhe a regência, mesmo depois da sua maioridade." E ele continua: "Logo de começo, a enérgica rainha anunciou sua intenção de reinar como homem. Seu brilhante reinado foi caracterizado por notável prosperidade e grandes construções, e não chegou ao fim antes de cerca de 1486 a.C., quando em seguida à sua morte, o impaciente e invejoso Tutmósis III subiu ao trono e, imediatamente, destruiu ou obliterou todos os monumentos dela." De acordo com Severino Pedro: "Depois de sua morte, Tutmósis III recuperou o trono e ordena que sejam apagados todos os monumentos que continham o nome de Hatshepute, reinando então por 34 anos." Segundo Ezequias Soares: "Só depois da morte de Hatshepute é que Tutmósis III finalmente conseguiu assumir o trono do Egito."

TUTMÓSIS III, O FARAÓ DA OPRESSÃO.

Muitas pessoas perguntam: "Quem foi o Faraó da Opressão, de quem Moisés fugiu?" e "Quem foi o Faraó do Êxodo?". Atualmente há duas posições sobre quem seria o Faraó do Êxodo. Uma é mais conservadora e mais antiga, a outra moderna. Apesar de tantas discussões em torno disso, não há nenhum indício fiel, sério e definitivo que prove que Ramsés II e Mernepta são os Faraós descritos em Êxodo. Creio que a posição mais conservadora é convincente quando o assunto é datas, cronologia, Dinastias, etc. Por isso creio que o Faraó da Opressão foi Tutmósis III e o do Êxodo: Amenotepe II. Vejamos agora alguns indícios:

Vejamos agora alguns indício segundo Merril F. Unger: " A História contemporânea Egípcia permite calcular a data do Êxodo em torno de 1441 a.C. esta data cai bem provavelmente, nos primeiros anos do reinado de Amenotepe II (1450-1425 a.C), filho do famoso conquistador e imperador Tutmósis III (1482-1450 a.C). Um dos mais notáveis dentre os Faraós da Opressão.

De acordo com o registro Bíblico, Moisés esperou a morte do grande opressor para voltar ao Egito, de seu refúgio em Midiã (Ex 2.23). O Êxodo teve lugar não muito depois, no reinado de Amenotepe II, que era, evidentemente, o rei que endureceu o coração e não queria deixar os filhos de Israel saírem. A morte de Hatshepsut e a ascensão de Tutmósis III inaugurou, sem dúvida, a última e mais severa fase da opressão de Israel. O novo monarca foi um dos maiores conquistadores da história do Egito."

Ele ainda fala: "A descrição de Tutmósis III como o grande opressor dos Israelitas, é plenamente digna de crédito. Ele era um grande construtor, e empregava cativos semitas em seus vastos projetos de construções."

De acordo com o Dicionário Bíblico Wycliffe: "A combinação de Tutmósis III e de Amenotepe II ajusta-se bem às exigências do Faraó da Opressão e às do Faraó do Êxodo, respectivamente. Tutmósis seria o governante cuja morte está registrada em Êxodo 2.23, o mesmo de quem Moisés fugiu em 2.15 (cf 4.19). Ele reinou sozinho por 34 anos (1483-1450 a.C). Em outra parte do dicionário está escrito que: " Tutmósis (1504-1450 a.C) foi um hábil veterano cujas 17 expedições para a Palestina-Síria serviram para realmente estruturar o império." Severino Pedro diz: " Durante seu reinado, o Egito experimentou um período de maior esplendor e prosperidade."

Vale salientar que Moisés cresceu convivendo com Tutmósis III. Imagine agora Moisés criado como um príncipe, com a melhor educação. Fazia parte da Nobreza. Havia possibilidade de Moisés herdar o trono do Egito, caso Tutmósis II o legitimasse. Imagine: "Faraó Moisés". Mas os planos de Deus eram outros. De acordo com Matthew Henry: "A tradição dos judeus diz que a filha de Faraó não tinha filhos, e que era filha única de seu pai, de forma que quando ele foi adotado como seu filho, passou a ter direito à coroa."

Já Lawrence O. Richards diz que: "(...) Moisés, achado por uma princesa, foi adotado pela família real do Egito. Como filho da princesa, Moisés pode até mesmo ter reivindicado o trono do Egito!" Isso só seria possível enquanto Hatshepsut estivesse viva.

De acordo com Ezequias Soares: "Enquanto viveu, Hatshepsut conseguiu inutilizar Tutmósis III. Parece que Moisés representava uma ameaça para o enteado e sobrinho da rainha. É estranho que o Faraó estivesse procurando matar Moisés, um príncipe do Egito, por causa da morte da morte de um egípcio, a ponto de fazê-lo fugir para Midiã (Ex 2.15). Era algo pessoal, pois o Faraó tentava se livrar de Moisés. A essa altura, Hatshepute era a única pessoa do Egito capaz de quebrar as regras e colocar o trono do Egito ao alcance de Moisés."

Essa perseguição com Moisés era motivada por inveja, Tutmósis III tinha inveja de Moisés. A Bíblia diz que Moisés era instruído em toda a ciência dos egípcios e era poderoso em suas palavras e obras (At 7.22).

No período em que ele governou Moisés fugiu para o Egito, após a sua morte, Moisés regressa ao Egito após obedecer à chamada de Deus. Tutmósis morre por volta de 1450 a.C. Conforme escreveu Ezequias Soares: "Tutmósis III é o único Faraó do período que reinou tanto tempo desde a fuga de Moisés do Egito até a Teofania do Sinai."

Segundo Antônio Gilberto: "Totmés III foi um dos maiores reis do Egito. Seu túmulo está em Tebas e sua múmia no museu do Cairo." Após a morte de Tutmósis III, seu filho Amenotepe II assumiu o trono e se tornou o novo Faraó.

AMENOTEPE II O FARAÓ DO ÊXODO.

 Esse tópico não tem como objetivo ser extenso, nem de expor todas as provas existentes que afirme a veracidade de Amenotepe II ter sido o Faraó do Êxodo. Também não tem por objetivo discorrer sobre todas as informações desse Faraó, nem entrar no assunto das pragas ou derrota no mar vermelho.

 A maioria dos teólogos afirmam que o Faraó do Êxodo foi Amenotepe II, ou põem o Êxodo em 1445 a.C, que é uma data bem confiável. Entre eles estão: Alexandre Coelho, Silas Daniel, Severino Pedro, Claudionor de Andrade, Antônio Gilberto, W.W. Wiersbe, Lawrence O. Richards, Randall Price, Merril F. Unger.

Governou o Egito por cerca de 25 anos. O Dicionário Wycliffe afirma: "De acordo com a data inicial que se assume para o Êxodo (cerca de 1445 a.C.) ele [Tutmósis III, grifo meu] teria sido o Faraó da Opressão (Êx 2.15,13). e seu filho Amenotepe II, teria sido o Faraó do Êxodo (Êz 5-14)." Ou seja, em Êxodo do capítulo 5 ao 14 o Faraó foi Amenotepe II. Ezequias Soares confirma isso quando escreveu: "O Faraó do Êxodo, que experimentou as dez pragas e mais a derrota no mar vermelho, foi seu filho, Amenotepe II, cuja múmia se encontra ainda hoje no museu do Cairo, Egito."

 Seu filho primogênito morreu na 10° praga do Egito, cedendo espaço assim para Tutmósis IV, seu filho mais novo. O Dicionário Bíblico Wycliffe diz: "Tutmósis IV ( 1425-1417 a.C), filho e sucessor de Amenotepe II, deixou uma impressionante estela entre as pernas da esfinge de Gizé. Em um sonho, foi-lhe dito que ele receberia o reino (ANET, p. 449). Se ele fosse o primogênito do seu pai, não teria sentido uma promessa divina de que ele seria rei um dia. Podemos inferir que o filho mais velho de Amenotepe deva ter morrido antes de seu pai, deixando assim a sucessão para seu irmão mais novo. Isto está de acordo com a morte dos primogênitos, na última praga (Êx 12.29)."


Conclusão: Em meio à tanta especulação no terreno da história bíblica, precisamos de fatos convincentes que nos levem a ter em mente que o livro do Êxodo é um livro histórico. O Egito foi palco de uma boa parte do crescimento de Israel. Enquanto o povo de Deus vivia nele, o Egito alcançou poder , glória, e força. Depois do juízo de Deus sobre o Egito com as dez pragas e a derrota de Amenotepe II no mar vermelho, o Egito perdeu seu status mundial. Segundo Ezequias Soares: "Depois do Êxodo, o Egito nunca mais conseguiu manter a sua glória passando a ser uma potência de segunda categoria."