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24 de junho de 2019

O Sínodo de Dort não tem autoridade sobre a Bíblia




Por Everton Edvaldo 

Is,to mesmo! É um erro "divinizar" ou "canonizar" esse Sínodo. As pessoas que fazem isso, deveriam repensar sobre suas colocações pessoais.É comum nos diálogos entre calvinistas e arminianos, encontrar frases de pessoas desinformadas. Muitas delas, negligenciando o estudo histórico e sensato dos fatos, afirmam: 

"Os arminianos foram refutados em Dort."
"Os arminianos são hereges". "Arminianismo foi declarado heresia em Dort."

Mal sabem eles que esse Sínodo foi uma grande  jogada política, por demais estratégica. Se soubessem disso, não tratariam esse Sínodo como inerrante.

Como cristãos, devemos entender que a inerrância só deve ser atribuída à Bíblia. É ela que tem autoridade suprema sobre tudo e todos!

Aos calvinistas digo eu: não adianta apelar para Dort, catecismos ou confissões  quando se trata da autoridade divina! É importante ressaltar que esse erro não é moderno. Enquanto vivia, Armínio já enfrentava esses problemas.

Certa vez, o calvinista John Bogerman (1576-1637) participou de uma conferência com Gomaro, Uytenbogaert e  Armínio. Nela, ele afirmou que "as Escrituras devem ser interpretadas de acordo com o catecismo e a confissão." 

Ora, onde fica a "Sola Scriptura"? Anos mais tarde, esse homem foi eleito como presidente do Sínodo de Dort.  A ele, Jacó  Armínio perguntou:

"Como alguém poderia afirmar mais claramente que eles estavam decididos a canonizar estes dois documentos humanos, e instituí-los como os dois bezerros idólatras em Dã e Berseba?"

A Bíblia não precisa de muletas! No que se refere à interpretação de qualquer doutrina, é ela que ilumina.

Se o Presidente do Sínodo, tinha um pensamento desse, imagina os demais representantes? 

Espero que isso seja observado e levado em consideração nos debates.  Qualquer  calvinista que afirmar que o arminianismo foi refutado em Dort,  deixa claro, que não passa de um dado viciado.


13 de dezembro de 2017

"A CPAD publicou a obra de um autor calvinista, e agora?"



Por Everton Edvaldo.

A Casa Publicadora das Assembleias de Deus  (CPAD) publicou a obra " Os Tesouros de Davi", comentário do livro dos Salmos, escrito por C.H. Spurgeon, um autor calvinista, e agora?

Ei, calma! Isto não é o fim do mundo! Sim, não é! Alguns cristãos que há pouco, despertaram a respeito do tema envolvendo a mecânica da Salvação/ Arminianismo x Calvinismo, estão agitados porque a CPAD, uma editora cujo viés doutrinário está amplamente enraizado no Arminianismo-Wesleyano, publicou uma obra de um autor calvinista.

Todavia, será que os motivos que estão sendo apresentados, são sustentáveis à luz da realidade? Porque a CPAD não deveria publicar esta obra? O que estamos temendo? Pois bem, abordamos um pouco desse assunto no artigo de hoje.

Primeiramente, não é a primeira vez que a CPAD publica uma obra cujo autor é calvinista. Vários livros de autores calvinistas, cujo assuntos não abordam necessariamente, o campo doutrinário da Soteriologia, já foram publicados pela CPAD. Darei aqui alguns exemplos:

Pecadores nas Mãos de um Deus Irado e outros Sermões. Jonathan Edwards.

A Segunda vinda. John MacArthur Jr.

Ministério Pastoral. Alcançando a excelência no ministério cristão. John MacArthur Jr.

Segundo, não é a primeira vez que Spurgeon ganha espaço na CPAD.

Há alguns anos, a CPAD publicou a obra: O melhor de Spurgeon. 120 devocionais diários para alimentar seu espírito e refrescar sua alma. 

Sem falar que a tão renomada e reconhecida obra "Heróis da Fé" de Orlando Boyer, tem um capítulo inteiro falando de Spurgeon. Detalhe, essa obra também foi publicada pela CPAD e é bastante estimada por todos nós assembleianos.

Alguns assembleianos estão temendo, pois,  a CPAD publicou a obra de um calvinista, mas na verdade, tal temor não deveria existir entre nós. 

Primeiro, a obra não se trata de calvinismo. Spurgeon não viveu sua vida inteira pregando apenas calvinismo. A Bíblia está repleta de  outros assuntos que foram abordados pelos teólogos ao longo dos séculos, e que não falam de soteriologia Calvinista ou Arminiana de forma direta ou essencial em suas obras. Este é o caso dos "Tesouros  de Davi" lançado pela CPAD. A natureza do livro não é voltada para esta controvérsia.

Segundo, a obra vai muito além da questão: calvinismo x arminianismo. A importância de termos "Os Tesouros de Davi" traduzido de forma completa pela CPAD aqui no Brasil, significa uma grande vitória para a literatura cristã e teológica brasileira. Sem dúvida, é uma grande conquista!

No Brasil, tínhamos essa obra em língua Portuguesa de forma muito resumida pela editora Shedd. É o livro: "Esboços Bíblicos de Salmos" de C.H. Spurgeon, obra que traz apenas alguns sermões do príncipe dos Pregadores a respeito do livro dos Salmos. 

Terceiro, apesar de ser calvinista e de ter se envolvido em dezenas de controvérsias com arminianos e hiper-calvinistas durante sua vida, Spurgeon foi um homem de Deus e produziu muito material teológico valioso para nós cristãos.

Não é porque ele foi calvinista que devemos repudiar tudo quanto ele escreveu, mas devemos seguir o conselho do apóstolo Paulo: "Examinai tudo. Retende o bem." (1 Tessalonicenses 5.21).

"Os Tesouros de Davi" entra nesta categoria. Devemos ler com cautela, conforme os escritos de todos os homens, pois, qualquer livro que não esteja na Bíblia, está sujeito ao erro e é digno de uma leitura cuidadosa da nossa parte. Mas convém lembrar que: tal fato não se constitui um impedimento para a obra não ser publicada.

Sem falar que, antes de publicar tal obra, a CPAD trabalhou em cima de um objetivo:a edificação do público alvo e constatou que a obra cumpria esse objetivo, fato este que  fez com que o projeto de publicação fosse levado adiante.

Alguns assembleianos não gostaram da publicação feita pela casa, pois Spurgeon não faz parte da confessionalidade da CPAD. Que a CPAD é uma editora confessional, todos nós sabemos, mas se por confessionalidade, entende-se como sendo publicar apenas autores que sejam arminianos e pentecostais, tal pressuposto deve ser reavaliado pelas nossas mentes.  Publicar apenas livros de autores que sejam unânimes nas suas crenças com toda a confessionalidade assembleiana é algo que empobrece e limita as rédeas do conhecimento teológico.

Por exemplo, a publicação de livros escritos pelo Norman Geisler. Geisler acredita que "uma vez salvo, salvo para sempre", e inclusive ele se considera um calvinista moderado, embora sua teologia esteja mais próxima de um entendimento arminiano do que do calvinismo propriamente dito. A CPAD já publicou alguns livros do Geisler e certamente, se fôssemos seguir à risca a confessionalidade, Geisler não deveria ser publicado pela CPAD, haja vista que ele aqui e acolá foge da nossa confessionalidade.

Sendo assim, não existe um motivo verdadeiramente justo que nos faça crer que a CPAD não deveria publicar o "Os Tesouros de Davi" escrito por Spurgeon. Essa obra, agora publicada em língua portuguesa, certamente, será uma fonte de bençãos para nossas vidas. 

Spurgeon passou mais de 20 anos preparando "Os Tesouros de Davi", que é o maior comentário do livro de Salmos já compilado! Quando terminou essa obra, ele exclamou:

"Abençoados foram os dias que passei meditando, condoendo-me, esperando, crendo e escutando com Davi! Poderia eu esperar passar horas mais alegres deste lado do portal de ouro?" (The Theasury of David, vol 7. (Londres, 1890).

Caro leitor, não se deixe intimidar por certas críticas que circulam nas redes sociais. Vale apena adquirir esta obra recém lançada pela CPAD e só depois de lê-la, tirar suas próprias conclusões sobre o que estou dizendo. Se estiver ao seu alcance, compre! Todavia, se não tiver interesse, não fique tecendo comentários maldosos para outras pessoas. 

Eu discordo do calvinismo de Spurgeon, e de vários outros pontos que ele veio a defender enquanto vida, mas isso não me impede de lê-lo, nem de admirá-lo. Contudo, ficar tentando boicotar a obra por motivos frívolos não é uma atitude madura. 

Que o SENHOR continue trabalhando através da boa literatura cristã e que nós venhamos desfrutar de tais bençãos!

Que Deus nos ajude!

14 de fevereiro de 2017

Por que não devo me tornar calvinista




Por Everton Edvaldo.

Introdução: Nas últimas décadas, o interesse pelo calvinismo tem crescido bastante por parte daqueles que professam o cristianismo. Esse interesse pode ser constatado principalmente nos jovens que estão cada vez mais tendo acesso a livros, vídeos e material calvinista. 

Aqui no Brasil, o bombardeio de lançamentos de obras reformadas, o grande alcance nas redes sociais e o investimento intenso na propagação do calvinismo tem favorecido o aumento do número de adeptos inclusive por irmãos de igrejas pentecostais (que possuem uma herança histórica armínio-wesleyana).

Neste breve artigo, gostaria de enfatizar o por que você não deve se tornar calvinista. Veremos quais motivos nos fazem crer que esse sistema de interpretação não pode representar com precisão aquilo que ensinou o nosso Senhor e os apóstolos, ou seja, o Evangelho. 

É bem verdade que o calvinismo hoje está multifacetado, com várias interpretações e abrangendo outros assuntos, por isso, quando me referir ao calvinismo estarei me limitando apenas aos cinco pontos da soteriologia reformada, conhecidos como eleição incondicional, expiação limitada, graça irresistível, depravação total e perseverança dos santos. Boa leitura!

I- O CALVINISMO NÃO É UMA DOUTRINA BÍBLICA.

Parece óbvio abordar isso no primeiro ponto. O primeiro motivo pelo qual não alguém não deve se tornar calvinista é porque ele não é bíblico, isto é, não é ensinado nas Escrituras. Com isso,  gostaria de esclarecer duas coisas:

Primeiro, não estou afirmando que não haja nada no calvinismo que não seja bíblico. Há muitas coisas que o calvinismo defende que a Bíblia dá apoio como por exemplo a depravação total em virtude da queda da humanidade e sua consequência herdada de uma natureza corrupta e escrava do pecado. Aliás, não é só no calvininismo que existe esse tipo de situação. Ao longo dos séculos, seitas e heresias também tiveram algumas crenças comuns à Bíblia.

Segundo, não estou afirmando que o calvinismo não usa a Bíblia para apoiar seus ensinos. É claro que a Bíblia é usada para apoiá-lo sendo que isso é feito na maioria das vezes de forma equivocada e forçada. O simples fato de o calvinismo alegar passagens bíblicas para seu sistema não quer dizer que elas estejam de fato dizendo aquilo que eles ensinam. 

Por exemplo, a Bíblia tem sido usada com frequência para apoiar a eleição incondicional calvinista. São usados versículos tanto do Antigo Testamento quanto do Novo. Entretanto, será mesmo que a Bíblia ensina que Deus escolheu uns e não outros para a salvação da forma como o calvinismo entende? 

Vamos a uma simples demonstração começando pelo Antigo Testamento na questão da Eleição. A doutrina da Eleição é bíblica e nas Escrituras ela é usada para descrever Deus escolhendo alguém ou um povo para serviço ou para a salvação. Até aqui tudo bem.

O problema surge quando se faz a seguinte pergunta: como Deus faz essa escolha? Existe condição para que alguém seja um escolhido para a salvação? Se existe, qual é? Os calvinistas usam diversos versículos do Antigo Testamento para apoiarem a eleição incondicional para a salvação.

Entretanto, a verdade é que a maioria dos versículos do A.T (que tratam sobre eleição) não estão se referindo à uma eleição para a salvação mas sim para uma tarefa específica ou serviço. 

Isso mesmo! São passagens que falam da escolha de Israel ou de algum profeta para executar uma tarefa específica. Então, como os calvinistas reagem? Distorcem os versos para apoiar seus ensinos, usando-os como refúgio e abrigo. 

A verdade é: não há sequer um rastro da eleição incondicional no Antigo Testamento. Já no N.T, eles não encontram muita dificuldade para sustentar sua visão de eleição. Isso exige daqueles que ensinam o contrário, uma exegese e explicação de cada passagem abordada. Feito isso, veremos que a eleição incondicional não passa de um erro de interpretação bíblica. 

II. O CALVINISMO NÃO É CONHECIDO PELA IGREJA PRIMITIVA NEM ENSINADO PELOS PAIS DA IGREJA.

Pelo contrário, determinadas seitas e heresias da igreja primitiva é que foram  pioneiras nos equívocos soteriológicos que os calvinistas cometem e por isso foram severamente combatidas pelos pais da igreja. Não se trata apenas de ausência do calvinismo por parte da ortodoxia patrística como também hostilidade aos seus princípios.

É bem verdade que não existe um compêndio patrístico contra o calvinismo mas isso acontece porque o calvinismo nem sequer existia como nos moldes atuais. Em geral, os pais da igreja ensinaram muitas coisas que são contrárias ao calvinismo e isso já é suficiente para concluirmos que o atual calvinismo disfarçando de ortodoxia não tem apoio bíblico nem dos pais da igreja mais próximos dos período neotestamentário.

É com o velho Agostinho (354- 430 d.C) que o embrião começa a desenvolver-se na medida em que as controvérsias iam aumentando. É importante enfatizar que o "calvinismo de Agostinho" (se é que podemos chamar assim) é diferente do calvinismo de Calvino em muitos aspectos, o que prova que até mesmo Agostinho não reconheceu como bíblico aquilo que mais na frente João Calvino e seus seguidores irão ensinar. 

Digo isso porque há uma tendência moderna em afirmar que o calvinismo atual sempre foi crido e ensinado ao longo da história da igreja sendo que isso não passa de uma falácia. 

III. O CALVINISMO É CONHECIDO HISTORICAMENTE COMO PROPAGADOR DE INTOLERÂNCIA.

Começando por João Calvino seu principal representante. Embora tenha sido um erudito bíblico e prestado grande contribuição para o cristianismo, Calvino era intolerante com aqueles que pensavam diferente dele. Falando sobre Calvino, R.N. Champlin afirma que após ter se mudado para Genebra, em 1541, Calvino estabeleceu uma teocracia. 

"Havia uma completa mistura de Igreja e estado, e regras rígidas e ferozes governavam toda a vida e pensamento. Ofensas como jogos de azar, alcoolismo e até mesmo danças ou uso de linguagem irreverente eram severamente punidas. No começo, houve oposição a Calvino, e sua posição não era muito segura. Porém, por volta de 1555, ele já havia obtido uma vitória permanente. Houve vítimas de sua duríssima liderança. Ao humanista Sebastião Castellio, professor, foi recusada a admissão ao ministério, por causa de certo ponto de vista que expressa em seu comentário sobre Cantares de Salomão. Finalmente, Castellio deixou Genebra. Jacques Gruet foi decapitado acusado de blasfêmia. Jerônimo Bolsec, que havia feito oposição à rígida doutrina da predestinação, de Calvino, foi banido. O renomado antitrinitariano, Miguel Serveto, foi queimado na fogueira em 1553. Calvino e Serveto se haviam correspondido, debatendo diversos pontos. Calvino ordens para deter Serveto, se viesse a Genebra, já sabendo que ia o matar, se pudesse. Ele preferiu morte à espada, mas o conselho que julgou a Serveto ansiava por mostrar-se ainda mais feroz que seu mestre. Castellio escreveu um tratado contra a perseguição, mas sua voz perdeu-se em meio a gritos pedindo sangue. Calvino defendia a pena de morte para os hereges. Ele era conhecido por suas explosões de ira, que eles mesmo denominava de 'a fera'." (CHAMPLIN, Vol. 1; p. 606).

Como é de esperar que os discípulos sigam seu mestre, não aconteceu diferente com aqueles que aderiram ao calvinismo. Não todos, claro, mas boa parte dos calvinistas são intolerantes quando se trata de defender seus ideais. 

A intolerância também foi a marca de Francisco Gomaro, contemporâneo de Jacó Armínio, do Sínodo de Dort (calvinista) e de muitos outros. É assustadora a maneira como Spurgeon se refere aos que pensam diferente dele: "deus dos arminianos".

Isso pode ser verificado com visibilidade aqui no Brasil. A cada dez calvinistas que conheço, seis ou sete são intolerantes, não admitem serem questionados e quando isso acontece partem para o ataque da pessoa, do nível teológico ou da igreja que faz parte. 

É lamentável esse tipo de atitude que acontece principalmente nas redes sociais. Não sei até que ponto brincadeiras desse tipo são levadas a sério, mas já vi dezenas de vezes calvinistas afirmando a seguinte frase: "saudade da época que calava-se herege na fogueira."

Além disso, eles são majoritariamente responsáveis pela prática do proselitismo em outras igrejas, confundindo a mente das pessoas e fazendo-as se rebelar contra sua igreja e pastor de maneira que muitas se tornam desigrejadas. 

Nessa altura do campeonato é bom deixar claro que existem calvinistas que são servos de Deus. No entanto, são pessoas que não se deixaram moldar completamente pelo sistema, sendo muitas vezes incoerentes entre o que creem e o que fazem.

É o caso dos calvinistas de quatro pontos. São incoerentes com seu sistema em alguns pontos, acreditando que estão mais perto do que a Bíblia ensina. Uma coisa curiosa nisso é que o calvinismo de quatro pontos é rejeitado inclusive por vários calvinistas tradicionais e rígidos, demonstrando intolerância até mesmo com seus irmãos. 

Não tem escapatória, o calvinismo favorece a formação de cristãos intolerantes. São mínimas as probabilidades de fugir dessa realidade tendo em vista que a intolerância é o alicerce desse sistema. Jamais deixe ser conduzido por um sistema duvidoso em si mesmo que traz mais perturbação do que união. 

IV. O CALVINISMO NÃO É A ÚNICA ALTERNATIVA TEOLÓGICA PARA A MECÂNICA DA SALVAÇÃO.

Existem outras interpretações bíblicas sobre a mecânica da salvação que são dignas de atenção. Se enganam aqueles que aderem ao calvinismo apenas por ele ser uma tendência do momento ou porque a maioria dos reformados também o são. 

É verdade que não são perfeitas, porém, se aproximam da Bíblia sem muita dificuldade e sem forçar a barra. Além disso, tem amplo apoio da patrística, de teólogos eruditíssimos ao longo da história eclesiástica (incluindo reformados) e da ortodoxia. É o caso da expiação ilimitada (ou universal). Sem falar que não há  intolerância e tem trazido crescimento e frutos para o reino de Deus. 

Não é porque determinada teologia é pouco conhecida ou que não haja em nosso país tanto material sobre ela que tal teologia deve ser desprezada. Um bom estudante é aquele guiado pelas diretrizes da Bíblia e não por seus próprios interesses teológicos.

Conclusão: Não há motivos suficientes para alguém se tornar calvinista e se orgulhar disso. O calvinismo é apenas mais um sistema de interpretação das Escrituras, sujeito a erros e equívocos. 

Nunca vi alguém que tenha se tornado calvinista sem ter tido nenhum contato com material reformado mas apenas e exclusivamente lendo a Bíblia. 

Ninguém se torna calvinista lendo a Bíblia por um motivo óbvio: ele não está lá. As pessoas se tornam calvinistas ao serem atraídas pelo material reformado através de livros, confissões, etc. Calvino bebeu de Agostinho e usou a Bíblia apenas para fundamentar suas interpretações pessoais. E nem mesmo Agostinho retirou seus ideais agostinianos das Escrituras, mas foi forjado pelas controvérsias a formulá-los. Não estou dizendo que tudo quanto ele disse tenha sido extra-bíblico, porém, quem conhece Agostinho sabe que unanimidade bíblica não é uma palavra que o define.  

Por fim, o calvinismo não é sinônimo de tolerância e nem é a única alternativa dentro da teologia. É por esses e outros motivos que você não deve ser calvinista.

Que Deus abençoe a todos!

Bibliografia

CHAMPLIN, R. N. Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. Hagnos: 1991.