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6 de novembro de 2018

A Segunda Vinda de Cristo de acordo com o apóstolo Pedro




Por Everton Edvaldo.

Leitura Bíblica: (2 Pedro 3.1-18).

Introdução: A “Segunda vinda de Cristo” é um dos assuntos mais falados ao longo de dois milênios do Cristianismo. Juntamente com a doutrina da Ressurreição, este tema foi amplamente ensinado tanto entre os cristãos do primeiro século, como entre os cristãos pós-apostólicos.

O apóstolo Pedro foi um dos responsáveis pela difusão, fundamentação e solidificação desta doutrina na igreja primitiva e a segunda epístola que leva seu nome, talvez seja a principal responsável por esse resultado, haja vista que é uma carta universal e alcançou um vasto público no primeiro e segundo século.

Pois bem, é interessante destacar que na segunda epístola de Pedro, o apóstolo está profundamente preocupado com os salvos em Jesus. Vale salientar que essa preocupação é o reflexo de seu coração de líder e de apóstolo.

Mas para início de conversa, é facilmente verificável que o capítulo 3 de 2 Pedro tem um “assunto principal”. E que assunto é esse? Bem, obviamente, é sobre a segunda vinda de Cristo.

Porém, nesta passagem, Pedro não coloca a questão da vinda de Cristo de forma sistematizada, mas a agrupa de maneira dinâmica e prática. Apesar disso, ele faz o desenvolvimento desse assunto baseado nas necessidades e demandas do seu tempo, aplicadas à realidade. Isto é, o texto em si, que parece mais um aconselhamento pastoral, acaba fazendo uma reflexão do assunto principal, e isso, podemos abordar no mínimo, de quatro formas:

           Primeiro, ao falar da segunda vinda, Pedro tem uma mensagem sobre Cristo.

           Segundo, ao falar da segunda vinda, Pedro tem uma mensagem sobre o mundo.

           Terceiro, ao falar da segunda vinda, Pedro tem uma mensagem sobre o tempo.

           Quarto, ao falar da segunda vinda, Pedro tem uma mensagem para os cristãos.

Nesta postagem, teremos a oportunidade de trabalhar esses quatro desdobramentos da perspectiva de Pedro. Por isso, fique atento, porque Deus certamente irá falar conosco!

I- A MENSAGEM SOBRE CRISTO

1. O Ato de recordar.

O apóstolo começa seu terceiro e último capítulo, informando que esta já é a segunda carta que ele escreve. Ele reitera que em ambas, procura despertar a mente dos cristãos com lembranças.

Pedro não está apenas expondo suas lembranças para os leitores, mas justificando que está fazendo isso para que os cristãos lembrem-se das palavras ditas anteriormente pelos santos profetas e do mandamento do Senhor dado pelos apóstolos. Ele está inserindo nos cristãos, o ato e exercício de recordar!

Isso é engraçado, porque muitas vezes, alguns cristãos tendem a pensar que o assunto da segunda vinda de Cristo, toca primeiramente no futuro, quando na verdade, é no passado. Essa ‘’retrospecção” é necessária para que nós compreendamos “o que virá” e “como acontecerá”.

O Comentário Bíblico Beacon nos faz refletir acerca dessa lembrança da seguinte forma:
“Nenhum estado de graça deste lado do céu isenta as pessoas da necessidade de repetidas lembranças das verdades da mensagem cristã. Tudo isso torna-se tanto mais urgente à luz da iminente volta de Cristo à terra.” (Beacon p. 276).

Ele também explica qual era o contexto em vigor naquela época e ressalta a importância da menção de Pedro à Palavra:
“Nos tempos de Pedro, como hoje, havia diversas reações no que tange à mensagem do retorno de Cristo. Alguns negaram que isso iria acontecer; outros questionavam a demora; ainda outros criam nela, mas talvez falharam em dar a devida atenção à exigência de uma vida santa e zelosa. Pedro tinha uma palavra oportuna para cada um desses aspectos, insistindo que a unidade das Escrituras, com sua centralidade em Cristo, tornava possível recorrer tanto ao Antigo como ao Novo Testamento em termos de autoridade e de urgência.” (Beacon p. 276).

2. Os zombadores

É nesse viés que Pedro revela que nos últimos dias, virão os zombadores. E esses são caracterizados de três formas pelo apóstolo: eles zombam, andam de acordo com seus próprios desejos e são incrédulos.

          Beacon nos explica o que isso significa:
‘Uma das marcas dos últimos dias será o aparecimento de escarnecedores (zombadores), homens que andam segundo as suas próprias concupiscências, “cujo único alvo na vida é o que querem para eles mesmos”, Phillips). Esses homens procurarão destruir a sã doutrina por meio da zombaria. “O que houve com a promessa da sua vinda? Desde que os primeiros cristãos morreram, tudo continua exatamente como era desde o princípio da criação!” (v. 4, Phillips). Esse tipo de comentário é um exemplo do seu escárnio. O ponto essencial do argumento é que, se Cristo não tinha vindo no tempo deles, Ele nunca o faria.” (Beacon p. 277).

Perceba que são homens que vivem de acordo com seus próprios desejos. E aqui é válida a reflexão que o comentário da Cultura cristã faz:
“O hedonismo antropocêntrico sempre zomba da ideia de padrões ulteriores, e uma divisão final entre os salvos e os perdidos. Para homens que vivem no mundo do relativo, a declaração de que o relativo será levado ao fim pelo absoluto é nada menos do que ridícula. Para os homens que nutrem uma crença na auto determinação e perfectibilidade humanas, pois, a própria ideia de que somos dependentes e teremos que prestar contas é uma pílula amarga para engolir. Não é por nada que escarneciam! (Michael Green p. 122).

Mas essa zombaria não envolvia apenas questões hedonistas. Michael Green nos informa que já no I e II século o ceticismo com relação à volta de Cristo já era muito grande. Vejamos:
“Escarnecem da volta de Cristo porque anos se passaram e não aconteceu — todas as coisas permanecem como desde o princípio. Destarte, sustentam que a promessa de Deus não é fidedigna, e que o universo de Deus é um sistema estável e imutável onde eventos como a parusia simplesmente não acontecem. (...) A dúvida deve ter surgido na medida em que a primeira geração começava a morrer, tendo em vista as palavras de Jesus em passagens tais como Mateus 10:23; 16:28; 24:34. Que queixas tais como esta eram bastante comuns fica claro numa citação daquilo que 1 Clemente XXIII chama de “Escritura” (graphê) e 2 Clemente 11 “ a palavra profética” A citação é da seguinte forma: “Miseráveis são aqueles de mente dupla que duvidam na sua alma e dizem: ‘Estas coisas ouvimos nos dias dos nossos antepassados (paterõn) também; e eis que ficamos velhos e nenhuma delas nos aconteceu’” (ou, conforme termina a versão de 2 Clemente, “e nós, embora as esperássemos dia após dia, não vimos nenhuma delas” .) Evidentemente, ambos citam algum tipo de profecia ou apocalipse cristão que não sobreviveu, mas que foi criado para lidar com este problema premente da demora da parusia. M. R. James cita um comentário rabínico sobre Salmo 89:50: “ Zombaram da vinda do Messias” e “Ele atrasa tanto que eles dizem: ‘Ele nunca virá’. ” Este fato nos mostra que o tópico estava vivo nos círculos judaicos bem como nos cristãos.” (Michael Green p. 122, 123).

Como se dava essa zombaria? O comentário cultura cristã explica:

‘’ Os escarnecedores apoiavam seu ceticismo quanto à ideia de que Deus irromperia de modo decisivo no meio da história na ocasião da volta de Cristo, ao enfatizarem a imutabilidade do mundo. Se vivessem hoje, teriam falado acerca da cadeia de causa e efeito num universo fechado governado por leis naturais, onde os milagres, quase por definição, não podem ocorrer. “As leis da natureza” , quase podemos ouvi-los dizer, “comprovam a falsidade da sua doutrina tipo deus ex machina da intervenção divina para levar ao fim o decurso da história. ” O erro deles foi esquecer-se de que as leis da natureza são as leis de Deus; a sua previsibilidade surge da fidelidade dEle.’’ (Michael Green p. 123).

Gostaria de abrir um “parêntese” para falar o quão atual tem sido essa palavra. Nunca se viu uma geração que zomba tanto do cristianismo como essa que estamos vivendo. As pessoas perderam totalmente o respeito por símbolos, nomes, objetos e personagens ligados ao cristianismo.

Eles duvidam da promessa da sua vinda, diz Pedro e ignoram que pela Palavra de Deus, existiram os céus e a terra.    

O que Pedro está colocando em ‘jogo’ aqui é a questão da vinda de Cristo. E ao usar o argumento de que foi pela Palavra de Deus que os céus existiram, o apóstolo está na verdade, dizendo que pela mesma Palavra, é certo que os céus e a terra têm sidos guardados para o fogo e destruição dos homens.  Esse artificio é usado para garantir que a vinda de Cristo ocorrerá conforme o que está escrito, logo, a zombaria não invalida a promessa.

Ou como explica o comentário da Cultura cristã:

‘’ Pedro argumenta na base da história (3:5-7). Pedro trata do último argumento deles em primeiro lugar. À premissa deles (de que este é um mundo estável, imutável) é falsa; daí a conclusão deles (que permanecerá assim, e que não haverá parusia) ser falsa também. Deliberadamente deixaram despercebido o dilúvio, quando Deus realmente interveio em julgamento. A lição ensinada pelo dilúvio é que este é um universo moral, e que o pecado não continuará para sempre impune; e o próprio Jesus citou o dilúvio para ensinar esta moral (Mt 24:37-39). Estes homens, no entanto, acharam por bem negligenciá-lo. Estavam resolutos de que perderiam de vista o fato de que existiam céus há muito tempo, e que foi criada uma terra pelo fiat divino a partir das águas, e que era sustentada pela água. Tal parece ser o significado; mas é um versículo difícil. Pedro se refere, naturalmente, ao caos de água (Gn 1:2-6) do qual foi formado o mundo mediante a palavra repetida de Deus, “Haja... ” Foi do meio das águas que a terra emergiu; era por meio da água (chuva, etc.) que a vida na terra era sustentada; e mesmo assim, esta mesma água a engolfou, quando a palavra do juízo de Deus foi pronunciada no dilúvio.(Michael Green p. 124, 125).

Desta forma, os crentes estariam ainda mais certos da vinda de Cristo, e prevenidos contra os zombadores incrédulos.  

É por isso que ele diz: “Mas vós, amados, não ignoreis uma coisa: um dia para o Senhor é como mil anos, e mil anos, como um dia.”  (v. 8).

Muitos de nós, costumamos colocar as coisas de Deus debaixo de números, fórmulas, etc, todavia, esse versículo nos prova que a forma como Deus vê o tempo transcende demais os nossos conceitos.

3. O Senhor não retarda sua promessa.

Debaixo desse prisma, Pedro vai dizer que na verdade, o Senhor não está retardando sua promessa, mas sendo paciente conosco e não quer que ninguém pereça, mas que todos venham a se arrepender.

O que o homem vê como demora, Pedro vai explicar que Deus não está demorando, mas sendo paciente. A paciência de Deus é misteriosa e por vezes, nos assusta. O homem nunca vai entender os métodos de Deus e a forma como ele trabalha no tempo. No máximo, podemos tatear como um homem que anda no escuro.

Apesar de todas essas coisas, Pedro nos dá uma pista: ‘O dia do Senhor virá como o  ladrão...” (v. 10; cf Mt 24.43; 1 Ts 5.2,4; Ap 3.3; 16.15). Ninguém espera um ladrão vir em sua casa. A gente não costuma se preparar para isso, porém nesse dia, os céus e terra serão descortinados.   

II- A MENSAGEM SOBRE O MUNDO.

1. Mundo antigo x Mundo presente.

Essa relação que Pedro faz entre a vinda de Cristo e o que acontecerá no mundo, além de não ser por acaso, é muito interessante. Qualquer pessoa que faça uma leitura atenta do versículo 5 ao 10, vai perceber que Pedro está traçando uma exposição do que aconteceu no mundo antigo e o que acontecerá com o mundo presente (cf. v.12).

Segundo ele, o mundo antigo foi destruído pelas águas do dilúvio. Já o mundo presente será castigado pelo fogo. A questão que é levantada aqui é a do juízo divino. E isso é muito importante, pois, além de informar que a vinda de Cristo traz consigo um juízo sobre os céus e a terra, mostra que não haverá impunidade para os homens ímpios, assim como não houve no passado. 

2. O Mundo vindouro.

Pedro afirma no versículo 13: “Nós, porém, segundo a sua promessa, aguardamos novos céus e nova terra, nos quais habita a justiça.” Segundo Beacon:
‘’ Nosso labor também é estimulado na promessa que devemos crer — a promessa de um mundo em que habita a justiça. Quaisquer que sejam as perplexidades no presente, o futuro “tem o seu lar” na justiça (Is 65.17ss; 66.22; Ap 21.1). Crer nisso torna mais fácil suportar as aflições da injustiça agora. Assim, como Strachan ressalta: “a parousia é o julgamento para o ímpio e o triunfo para o Reino”. (Beacon p. 279).

Vale lembrar que o verbo “aguardar”, tanto a vinda, como a nova criação, é o mais usado por Pedro nessa passagem.

Essa transição de Pedro entre os “mundos’’, nos convoca para uma criação onde todas as coisas estarão conforme a ‘’boa vontade de Deus”.

 ‘’Novos céus e terra”, devem ser a ânsia de todo cristão. Nesse mundo vindouro, não haverá mais ímpios, nem zombadores, pois lá, habita a justiça.

III- A MENSAGEM SOBRE O TEMPO.

Para Pedro, nós não devemos interpretar o “tempo de Deus” como o nosso (v.  8).

Ao que parece, ele esta ensinando que nós não devemos nos preocupar com isso, pois, há um motivo e um propósito em tudo que acontece, ou deixa de acontecer aqui  terra.
No caso de Jesus não ter voltado ainda, ele explica o porque nos versículos 9 e 10. Lembre-se de que estamos falando do primeiro século da era cristã, onde muitos crentes tinham uma expectativa enorme de que Jesus voltaria ainda em seus dias. Pedro, como um bom líder, remedia esses irmãos na fé e vai direcionar o foco, do âmbito celestial para o âmbito terrestre.

Ou seja, é como se Pedro dissesse assim: “Vocês não devem ficar preocupados com as ações de Deus. Se ele prometeu e garantiu, então elas acontecerão! Agora, vocês devem aguardar e esperar a vinda do dia de Deus.”

Creio que isso seja de suma importância pra nós hoje. Dois mil anos se passaram e hoje, se precisa ouvir isso mais do que nunca. A nossa geração tem uma expectativa muito grande para a vinda de Cristo a qualquer momento, pois, os sinais, apontam e convergem para isso. Todavia, perdemos muito tempo quando passamos a especular o que não era para ser especulado. Precisamos acalmar nossos corações, sabendo de que aquele que prometeu, é fiel para cumprir o que disse. Como bem disse Jesus: ‘’Daquele dia e hoje, ninguém sabe, exceto o Pai...’’

Não adianta perdemos tempo com isso. O que precisamos é aguardar e esperar!

IV- MENSAGEM PARA OS CRISTÃOS

Perdoem-me a redundância nesse título, pois todo o capítulo na verdade, é uma mensagem para os cristãos.

Todavia, Pedro aproveita as últimas palavras da sua carta, para dizer como os cristãos devem viver. Interessante que “Como ocorre em todas as partes das Escrituras, o objetivo de Pedro é fazer mais do que informar a mente ou satisfazer a curiosidade humana; ele busca estimular o esforço ético, inculcar as reações altamente morais à fé — ação em termos de amor obediente. Por isso Pedro diz: Havendo, pois, de perecer todas estas coisas (luomenon, particípio presente passivo, mas usado para descrever algo no futuro), que pessoas (que tipo de homens) vos convém ser em santo trato (maneira de viver) e piedade? Aqui está mais uma ilustração da íntima ligação entre a crença na vinda do Senhor e o chamado para a santidade. Qualquer coisa que não seja santidade de coração e vida é inadequado na preparação para a vinda do Dia de Deus (12).” (Beacon p. 278).

Nesse ponto, ele vai nos ensinar um perfil de vida, a partir do versículo 11. Vejamos:

1. Os cristãos devem ser pessoas que vivem e santidade e piedade; que aguardam e esperam a vinda do dia de Deus. (V. 13)

“Que tipo de pessoas, deveis ser?” Ele mesmo responde: ‘’Pessoas que vivem em santidade e piedade, aguardando e esperando ansiosamente a vinda do dia de Deus.”

Só com essas quatro características daria para fazer um livro. Mas como esse não é nosso objetivo, ficaremos limitados apenas ao conceito que já temos desses termos.

Viver uma vida com Deus aqui na terra é essencial para o cristão que aguarda e espera o retorno de Cristo. Nosso papel aqui na terra é de fazer a diferença e deixar o aroma de nosso Senhor onde quer que passemos. Um detalhe que o apóstolo frisa no versículo 13, é que nós aguardamos segundo a sua promessa. É a confiança nas promessas de Deus que nos faz descansar e viver de modo tranquilo.

2. Os cristãos devem ser pessoas que aguardam a volta de Cristo em paz, de forma imaculada e irrepreensível. (v. 14).

Nos dias apostólicos, os cristãos sofriam muitas perseguições. As dificuldades eram imensas e os bombardeios vinham de todos os lados. Dessa forma, aqueles que eram fiéis a Deus almejavam com todas as suas forças a volta de Cristo. Acontece que conforme o tempo foi passando, muitos falsos mestres passaram a distorcer as Escrituras, fazendo com que os cristãos entrassem em desespero.

Nesse versículo, Pedro nos diz que devemos esperar a volta de Cristo em paz! Em nosso século, muitos cristãos têm se desesperado diante das afrontas e obstáculos que se levantam. É como se tudo fosse motivo para desfalecer o coração. Ei, deixa eu lhe dizer uma coisa: A Palavra da Salvação nos traz paz! Hoje circulam muitas “escatologias baratas” por aí. Dezenas de teorias da conspiração são propagadas e lamentavelmente deixam os cristãos em desespero. Basta apenas ter um eclipse aqui ou ali, e já surgem matérias fomentando que Jesus está voltando. Que Jesus está voltando é um fato! Mas nós, devemos ser achados por ele em paz! Viver de forma irrepreensível e imaculada é um desafio, mas jamais nos tirará o gozo e a paz de ir morar com Cristo!

3. Os cristãos devem ser pessoas que se guardam do engano dos homens sem princípios. (vv. 15-17).

Pedro diz que Paulo também concorda com ele nessas coisas. Infelizmente, as cartas de Paulo que têm pontos difíceis de entender, estavam sendo distorcidas por homens ignorantes e inconstantes. Esses faziam isso não só com Paulo, mas também com as demais Escrituras para sua própria destruição.

Perceba que o apostolo sai em defesa da verdade. Aqui sua mensagem ganha um foco mais apologético-prático, se é que podemos assim chamar. Esse alerta é para que tenhamos cuidado com os homens sem princípios, que se forem ouvidos irão disseminar engano, e fazer com que os cristãos percam a firmeza.

Muitas igrejas têm perdido o alvo da doutrina e da verdade por causa de tais homens que até hoje insistem em espalhar suas mentiras. Em nossa geração, a intensidade com que a apostasia teológica tem ocorrido só faz aumentar.

Uma coisa que deve ser enfatizada aqui é que a apostasia da verdade faz com que percamos a firmeza no Evangelho. É impossível ficar firme no Evangelho, dando ouvidos aos apóstatas da verdade.

Esse desprezo e distorção pela verdade são feitos com o intuito de confundir a mente dos santos. Por isso, tenhamos cuidado, pois essa, com certeza e cada vez mais, será uma circunstância presente em nossos dias.

4. Os cristãos devem ser pessoas que crescem na graça e no conhecimento do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.

Por último, Pedro remedia a apostasia teológica (ou doutrinária, como gosto de chamar), no último versículo dizendo que os cristãos devem crescer na graça e no conhecimento de Jesus. Essa é a única maneira de nós nos desenvolvermos espiritualmente. É impossível crescer saudavelmente na caminhada cristã sem ser na graça e no conhecimento do Senhor Jesus.

Crescer na graça exige maturidade, tempo e esforço. Crescer no conhecimento é um processo que envolve renúncia, amor e dedicação.

Portanto, nós devemos abraçar essa causa se quisermos estar preparados quando Cristo voltar.

Conclusão: Estamos acostumados a abordagens sistemáticas sobre os determinados temas da Bíblia, por isso, não conseguimos enxergar que os apóstolos de Jesus geralmente não tratavam esses assuntos à parte de várias outras questões do Evangelho. Hoje vimos a visão de Pedro acerca da volta do Senhor e quais questões importantes ele destaca e que fazem parte desse tema. Pedro foi um dos mais qualificados apóstolos para falar desse tema, pois, além de ter sido um dos 12 apóstolos de Jesus, fazia parte do círculo íntimo e pôde ver vários discursos escatológicos de Jesus. Ele também foi um dos que mais teve tempo para amadurecer suas ideias, por isso, trouxe uma contribuição gigantesca para o Cristianismo. O que aprendermos com esse tema? Que a volta de Jesus é real e certa, apesar de tardar, que Deus tem um plano para esse mundo, que Jesus é misericordioso, e que nós temos um papel aqui na terra até que ele volte. A volta de Cristo é apenas o desfecho de uma era e o início de outra, onde os propósitos de Deus serão alcançados. Que Deus nos ajude para que naquele grande dia, nós possamos estar preparados. Maranata!

22 de dezembro de 2017

Jesus, o maior Evangelista de Todos os Tempos.


Por Everton Edvaldo. 

Introdução: Nunca foi tão fácil ser escutado pelas pessoas como na atualidade. Atualmente, ter um público, ser ouvido, notado e ter a oportunidade de compartilhar suas ideias é algo que está bem mais acessível às pessoas simples. Grande parte desta conquista se deve  à internet. A internet deu voz aos pobres e notoriedade a pessoas que não tem uma boa formação acadêmica,  coisa que antes do advento das redes sociais, era bem mais difícil de se obter. Todavia, nem sempre foi assim. Poucos homens do passado, influenciaram tanto o mundo como se tem a oportunidade hoje, mas teve um, que dividiu a história e ainda consegue marcar gerações. Seu nome é Jesus e neste artigo, eu gostaria de falar um pouco sobre o ministério deste homem tão incrível! À princípio, vamos analisar o ministério de Cristo, e o seu contato com o público, de uma perspectiva social. Depois, veremos os principais aparatos que favorecia e dava suporte à trajetória de Cristo, isto é, as pessoas e as estratégias. Faremos isso com pintadas teológicas, práticas e devocionais, sempre que possível, trazendo para nosso contexto moderno e mostrando de que forma isso afeta nossa vida. Porém, antes de começar, permita-me deixar claro que limitaremos a análise da proposta desse estudo apenas ao Evangelho de Lucas. Logo, o artigo que leitor tem em vista, não é exaustivo, mas exclusivo a partir do contexto abordado pelo evangelista Lucas. Isto, porque a ideia de escrever este artigo surgiu durante minha leitura deste evangelho. Esboçado isto, vamos ao nosso texto! Boa leitura!

I- O  EVANGELHO DE LUCAS E O MINISTÉRIO DE JESUS: 

Dos quatro Evangelhos, Lucas é sem dúvida, aquele que se destaca por sua linguística refinada, riqueza de detalhes e ensinos. Há quem diga que é o mais completo, não menosprezando ou diminuindo o trabalho e a importância dos outros, mas reconhecendo suas devidas características, estilos e peculiaridades.

Pois bem, Lucas era gentio. Por sinal, o único gentio que escreveu dois livros do Novo Testamento. Não viu a Cristo, mas falou dele tão bem quanto aqueles que o viram. Lucas era médico, cooperador e porque não dizer, teólogo também! Um homem extremamente preparado tanto intelectual quanto espiritualmente para fazer o que fez. E o resultado está nas nossas Bíblias: o Evangelho que leva seu nome e Atos dos Apóstolos.

Graças à sua obra, podemos contemplar mais de perto, o ministério majestosamente exercido por Cristo. 

Lendo Lucas, conclui que Jesus foi o Maior Evangelista de todos os tempos, talvez nem tanto pela quantidade de pessoas que lhe ouviram enquanto ele andava por esta terra (embora "os números" não sejam insignificantes), mas pela forma como ele impactava quem lhe ouvia. Jesus tirou o sono de muita gente! A outros, ele devolveu o sono e o sossego que há muito tempo precisavam! 

Todas as dificuldades sociais que você puder imaginar, Jesus também esteve sujeito, como por exemplo:

1. Jesus era economicamente pobre. Se tivermos que classificar uma classe econômica para enquadrar Jesus, podemos afirmar com segurança que ele era pobre (Lc 2.24; Lv 12.8).

2. O lugar que ele morava era desprezado pelas pessoas. Sua família era de Nazaré, na Galiléia (Lc 1.26,27) e Jesus foi criado neste lugar (Lc 2.39,40; 3.16). Uma região bastante ignorada e desprezada pelas pessoas (Jo 1.45,46).

3. Jesus foi rejeitado em sua própria terra (Lc 4. 24, 29,30).

Aos olhos humanos, era improvável que Jesus tivesse êxito em sua trajetória de vida, mas o improvável aconteceu! Como isto aconteceu?  O que Ele fez? Porque Ele conseguia atrair tantas multidões? É o que verificaremos a partir de agora!

II- CARACTERÍSTICAS DE JESUS COMO PREGADOR:

Oficialmente, o ministério itinerante de Jesus só começou aos 30 anos (3.23), na Galiléia (Lc 4.14).  Vejamos agora, algumas características do seu ministério.

1. Jesus enfrentava os obstáculos. Foi nesta região que pela primeira vez propagou seus ensinos. Também é na Galiléia que Jesus enfrentou seus primeiros desafios, isto porque ele foi expulso da cidade de Nazaré onde fora criado (Lc 4.29,30). Pois bem, se em Nazaré Jesus não teve êxito, em Cafarnaum, o quadro é outro. É em Cafarnaum que Jesus deu passos importantes e tomou atitudes que mudaram drasticamente o rumo das coisas.

Entretanto, antes do êxito, veio a rejeição. Aliás, a rejeição foi uma característica que percorreu todo o ministério de Jesus (Lc 8.35-37; 9.51-53), porém, Jesus reagiu à rejeição com perseverança. Imagina se Jesus tivesse desistido de pregar o Evangelho ainda em Nazaré quando foi expulso da cidade? 

Pois bem, perseverar é uma atitude crucial para quem deseja crescer em qualquer área da vida. Tanto profissionalmente, quanto espiritualmente. A rejeição veio, mas Jesus não se deixou levar por ela. Alguém pode até fechar uma porta para você aqui, mas ali, haverá outra aberta para você.

Tenha consciência disso: sempre haverá pessoas que te ouvirão, e outras que não querem nem imaginar cruzando com você no caminho. Jesus passou por isso. Não estamos isentos de tal acontecimento.

Em Cafarnaum, a fama de Jesus corria por todos os lugares da circunvizinhança (Lc 4.37), pelo modo como ele transmitia sua mensagem. Lá, a mensagem de Cristo encontrou ampla guarida!

Eu poderia apontar várias conquistas de Jesus em Cafarnaum, mas isso tomaria um bom espaço neste capítulo de modo que ficaria muito longo. Por isso, não farei isto aqui, mas de modo geral, em Cafarnaum é onde Jesus encontra abrigo (Lc 4.38). Lá, também moram Simão (Pedro) (Lc 5.5), Tiago, João (Lc 5.10,11) e Levi (Mateus) (Lc 5.27,28), homens que se tornariam apóstolos de Cristo,  sem falar no público de Jesus que cresceu significativamente (Lc 4.40-42). Jesus esteve várias vezes em Cafarnaum, mas não se restringiu a essa região.

Desde então, o carpinteiro de Nazaré passou a usar algumas estratégias para lidar com o público, de modo que também podemos concluir que Jesus foi o maior comunicador da História. Há dois mil anos, Jesus usava com maestria os conceitos básicos de Marketing e publicidade. O modo como Jesus lidava e se comportava perante as pessoas, era algo que fazia toda a diferença. Jesus era diferente! 

2. Além de não se deixar abater pela rejeição, Jesus não fazia acepção de pessoas. Ele ganhou muitas pessoas com este gesto. Classes sociais criadas pelo homem, não se tornaram uma barreira para o ministério de Cristo. Sua mensagem era útil e sincera para qualquer ser humano que estivesse à sua frente.

Em Lucas, vemos Jesus entrando em contato com várias pessoas. Entre elas, o assistente da sinagoga (4.20), endemoniado (4.33), mulheres (4.38), multidões (4.42), excluídos da sociedade (5.12,13), fariseus e intérpretes da lei (5.17), enfermos (5.17; 6.6), viúvas (7.12), publicanos e pecadores (15.1), sacerdotes (19.47), saduceus (20.27), crianças (18.15-17) e governantes (23.1-3).

Jesus dizia: "Arrependei-vos" tanto para ricos quanto para pobres. Era uma mensagem sem discriminação. 

Muitas pessoas fracassam neste ponto no seu percurso porque não sabem lidar com o público ao qual se dirigem. Jesus sabia! Outras até dizem a verdade, porém fazem isto  de qualquer forma. Geralmente, dizer a verdade de forma errada pode até ganhar os ouvidos, mas jamais o coração. É preciso ser estratégico. 

Além disso, Jesus conhecia seu público. Ele sabia quando estava falando com um sacerdote altamente instruído e quando estava falando com simples galileus de pouca instrução. 

Atualmente, muitas pessoas falham neste ponto. Desconhecem e por desconhecer não sabem lidar com seu público, seja numa congregação, na rede social ou em algum outro ambiente. Precisamos conhecer as pessoas e suas necessidades. O que elas precisam ouvir? E de que forma podemos alcançá-las? Jesus sabia como! 

Jesus entrava na casa de publicanos e de pecadores para comer (Lc 5.29, 15.1,2). Ele sabia que se fizesse isso, seria questionado pelos religiosos hipócritas do seu tempo e  então teria a oportunidade expor sua mensagem naquele lugar (Lc 5.30-32). Jesus criava suas próprias oportunidades!

Lucas 7.36 e 11.37 são claros exemplos de que Jesus também era uma pessoa acessível e que ia às pessoas. Quando chamado para participar de alguma refeição, Jesus não recusava o convite. Aqui aprendemos três coisas:

Primeiro, Jesus nos ensina que um bom líder sempre está acessível a quem precisa.

Segundo,  Jesus nos ensina que não é insignificante ir às pessoas indignas da nossa atenção.

Terceiro, Jesus nos ensina que quando não existirem oportunidades, nós podemos criá-las e usá-las para expor o que temos.

Essas estratégias de Jesus aproximavam as pessoas dele (Lc 15.1). Havia praticidade e eficácia! Duas coisas altamente frequentes na trajetória de Cristo.

3. Jesus não era estático. Altamente ativo e dinâmico, o mestre de Nazaré não ficava apenas num lugar (Lc 4.43,44), mas percorria cidades e aldeias (Lc 9.6; 13.22).

Vejam os lugares que Jesus passou:

Jordão (4.1); Galiléia (4.14), Nazaré (4.16), Cafarnaum (4.31), deserto (4.42), Judéia (4.44), lago de Genesaré (5.1), monte (6.12; 21.37), casa de Levi (5.29-31), casa de Pedro (4.38), casa de Fariseu (7.36; 11.37; 14.1), casa de Zaqueu (19.5), casa de Marta (10.38), Samaria (17.11), Jericó (18.35, 19.1), Betfagé e Betânia (19.29), Jerusalém (19.28,41), Calvário (23.33), Betânia (24.50), Naim (7.11),  aldeia dos samaritanos (9.52), aldeia não identificada (9.56), aldeia de Emaús (24.13), povoado (10.38), cenáculo da páscoa (22.10), cidade não identificada (5.12), Genesaré (8.36), Betsaida (9.10). 

Alguns desses lugares Jesus passou mais de uma vez, sem falar que essa lista que citei nem é exaustiva. Se somarmos os detalhes geográficos de Lucas com os de Mateus, Marcos e João, as informações serão ainda mais extensas.

Isto é, Jesus expandiu sua mensagem, entrando nas sinagogas, casas, ruas, etc. O mestre de Nazaré além de estratégico, também era visionário. 

4. Jesus era um homem de oração. É a característica do ministério de Jesus que Lucas dá mais destaque. É importante ressaltar que desde o começo do seu ministério, Jesus estava envolvido com a oração (Lc 3.21). 

Isto significa que até mesmo Jesus tinha seus momentos de devoção com Deus, de modo que pudesse recompor sua espiritualidade, equilíbrio e direção (Lc 5.16). É o que falta em muitos pregadores da atualidade. Querem ser ouvidos, mas não buscam em Deus, a graça que precisam para suportar os desafios e transmitir aquilo que Deus quer. Muitos pregadores itinerantes pregam mais do que oram, mas Jesus nos deu exemplo de que não basta se dedicar fisicamente, é preciso buscar a Deus (Lc 6.12). É Ele quem dá as estratégias! 

Em Lucas, Jesus nos ensina que: 

Primeiro, é na oração que a mente se revigora para liderar (Lc 9.18). 

Segundo, é na oração que coisas sobrenaturais acontecem (Lc 9.28,29).

Terceiro, a nossa vida de oração influência as pessoas que estão perto de nós (Lc 11.1-4).

Quarto, através da oração recebemos bençãos da parte de Deus (Lc 11.9-13).

Quinto, a oração deve ser uma constante na nossa vida (Lc 18.1).

Sexto, que a casa de Deus é lugar de oração (Lc 19.46).

Sétimo, que através da oração ficamos de pé (firme) na presença de Jesus (Lc 21.36).

Oitavo, a oração nos livra de entrarmos em muitas tentações (Lc 22.40).

Nono, pela oração nos rendemos aos pés de Deus (Lc 22.41) e à sua vontade (Lc 22.42).

Décimo, que a oração intensa é a melhor alternativa para quem está em agonia (Lc 22.44).

Por fim, a oração nos faz ficar de pé e pronto para enfrentarmos qualquer adversidade que vier (Lc 22.45). 

Tal característica certamente é um distintivo no ministério de Jesus, isto porque quem tem uma boa relação com Deus, certamente vai ter sabedoria e discernimento para se relacionar com seu público, seja ele o de casa, faculdade, trabalho ou igreja.

5. Jesus tinha mensagem! Na época de Jesus, os ensinamentos sobre Deus geralmente, estavam confinados aos sacerdotes e ministros das sinagogas daquele tempo. Tais pessoas ora falavam da Palavra de Deus, ora falavam de seus próprios preceitos. Além disso, as pessoas comuns não tinham acesso às Escrituras com tanta facilidade. 

Daí aparece um Mestre que leva a Palavra de Deus até às pessoas e que fala dela com autoridade (Lc 4.36, 37). Este alguém era Jesus. As pessoas estavam famintas e só o bom pasto (que é a Palavra de Deus) podia saciá-las. Cristo falou sobre diversos assuntos, mas entre eles, um dos que mais se destacam no Evangelho de Lucas é a respeito do Reino de Deus (Lc 8.1). São inúmeras passagens que falam dele e que eu recomendo aos leitores deste artigo que leiam todo o Evangelho de Lucas para que possam entender com mais propriedade o que estou dizendo.

O tema da "Salvação pela fé" também é frequente neste Evangelho (cf. 7.50; 8.12; 8.48,50; 17.19; 18.42). Estava constantemente na boca de Jesus e na sua mensagem.

Era uma mensagem inteiramente direcionada ao povo, despertando em algumas curiosidade, comoção e em outras, milagres e conversão. Outro diferencial é que Jesus passava segurança no que dizia. Comunicar a verdade com segurança é algo fundamental!

No nosso século, o que falta em muitos pregadores é mensagem! Mensagem do céu, mensagem de Deus! Outros, tem mensagem, todavia transmitem-na com insegurança! Devemos fazer como Jesus, pregar com autoridade, crendo no que estamos pregando! Se nós não cremos no que está na Bíblia, como queremos que os outros acreditem em Deus, visto que ela é a única que testifica perfeitamente a respeito dele?

III- O RESULTADO DO SEU MINISTÉRIO E ALGUMAS ESTRATÉGIAS USADAS POR ELE: 

Graças ao esforço espiritual e físico de Jesus, multidões se aglomeravam para vê-lo, a ponto de Lucas dizer que elas o apertavam (Lc 8.42) e se atropelavam (Lc 12.1). Numa destas ocasiões, a Bíblia registra que estavam reunidos cerca de 5.000 homens (Lc 9.14) fora mulheres e crianças (Mt 14.21) e noutra, mais 4.000 homens (Mc 8.9). Enquanto lia Lucas, eu contabilizei o contato pessoal e individual de Jesus com cerca de 155 pessoas, fora os 5.000 que já tivemos oportunidade de falar. Os estudiosos afirmam que a quantidade de pessoas que compunham as multidões que seguiam a Jesus, variavam e podiam chegar até 15.000! Eu me arrisco a dizer que desde o início de seu ministério até sua morte (cerca de 3 anos), Jesus foi visto por mais ou menos 20.000 pessoas, um número assustador para a época.

Como Jesus conseguiu atrair multidões em tão pouco tempo?

Basicamente, Jesus atraia multidões de duas formas.

Primeiro, através de sua fama que se espalhava pelos lugares rapidamente (Lc 4.14, 37, 40; 5.15; 7.17; 8.39) por intermédio de algum ato que ele fazia. Geralmente, por causa das curas e milagres que ele efetuava (Lc 11.14).

Por exemplo, quando curava alguém... a pessoa que foi curada ou recebeu algum milagre da parte de Jesus, ficava tão maravilhada que anunciava aos habitantes das regiões próximas o que tinha acontecido (Lc 8.39). As pessoas que ouviam, eram impactadas com os relatos e procuravam ir até Jesus (Lc 8.40).

Isto acontecendo com uma só pessoa já era glorioso, imagina com várias? O Evangelista Lucas relata que Jesus era muito atencioso com cada enfermo que lhe procurava impondo a mãos sobre cada um e curando a todos (cf. 4.40; 6.19). Ele era especialista em marcar as pessoas! 

Desta forma, sua fama se espalhava e as multidões se  reuniam para ir até ele.

Segundo, através dos seus produtores evangelísticos. Como assim produtores evangelísticos? Deixe-me explicar...

Aqui no Brasil, antes de um artista levar seu show ou qualquer outro evento para determinada cidade, algum produtor regional ou uma equipe interessada, entra em contato com os empresários do artista para consolidar o evento. Feito isto, o produtor, por exemplo, se for um show, se encarrega de divulgar a vinda do artista, conseguir patrocínios, etc. 

Há dois mil anos, Jesus já utilizava esse método. Claro que não da mesma maneira,  nem com o mesmo objetivo, mas girando em torno de preparar o povo para sua chegada. 

O primeiro produtor de Jesus foi João Batista (Lc 3.15-18). Ele preparou o caminho para a chegada do Messias. Algum tempo depois,  o próprio Jesus utilizou-se disto para os mesmos fins. 

É preciso enfatizar que Jesus primeiramente montou uma equipe, conhecida teologicamente como "colégio apostólico." São os 12 apóstolos separados e escolhidos pelo próprio Cristo. Serviam como cooperadores e auxiliavam o ministério de Jesus. Cristo os dotou de poder e os enviou para que também pregassem o reino de Deus e curassem os enfermos. A estes, Jesus também deu-lhes estratégias (veja Lc 9.1-5). "Então, saindo, percorriam todas as aldeias, anunciando o evangelho e efetuando curas por toda a parte." (Lc 9.6). 

O resultado era que com o regresso dos apóstolos, muitas pessoas os seguiam de volta e Jesus as acolhia, pregava para elas e curava as que precisavam de cura (Lc 9.10,11).

Isso foi tão eficaz que em outra ocasião Jesus designou 70 discípulos para irem nas cidades e lugares que ele havia de ir. Estrategicamente, Jesus os enviou de dois em dois (Lc 10.1,2). A estes, Jesus também deu autoridade, poder e recomendações (Lc 10.3-12, 16).

No nome de Jesus, eles expulsavam os demônios e desfaziam as obras das trevas (Lc 10.17), de modo que as pessoas passavam a ouvir sobre Jesus e quando ele entrava nesta cidade, sua fama já estava consolidada e muitas pessoas vinham ao seu encontro.

Chamo os discípulos que antecediam a chegada de Cristo de produtores evangelísticos e estes eram responsáveis também por prover pousada para Cristo (Lc 9.52), preparar determinado lugar para uma celebração (Lc 22.8-10), ou ir em busca de qualquer outra coisa que Jesus precisasse (Lc 19.29). 

Interessante que Lucas os chama de "mensageiros" em 9.52. Neste versículo, mensageiros também foram enviados à Samaria, mas os samaritanos não o receberam. Aqui se evidencia o que eu afirmei lá em cima, isto é, que a rejeição continuou sendo um desafio para o ministério de Cristo. Contudo, Jesus não se deixava abater por tais coisas. Ele sabia aproveitar todas as alternativas e acredite, muitas surgiam. Sempre há uma alternativa, sempre há! Existem os que fecham a porta e os que abrem, bata na porta tanto de um como de outro e entre naquela que lhe for aberta.

Bem sabemos que não parou por aí, quando ressuscitou Jesus disse que "em seu nome se pregasse arrependimento para remissão dos pecados a todas as nações, começando de Jerusalém." (Lc 24.47). Estes são chamados por Cristo de "testemunhas" (Lc 24.48). Hoje, os apóstolos não estão mais vivos, mas nós que somos seguidores de Cristo, estamos! Nós somos os produtores de Jesus nesta geração e devemos levar o Evangelho a toda criatura, aprendendo em tudo com o Mestre e honrando o Seu nome. 

Voltando à nossa análise do contexto em que Jesus viveu, o Mestre de Nazaré agora tinha dezenas de trabalhadores, porém ele ainda os considerava como poucos. Jesus disse: "A seara é grande, mas os trabalhadores são poucos." (Lc 10.2). Ele alguém visionário e nunca se conformava com aquilo que já tinha conquistado. A visão de Jesus era ampla e ele desejava alcançar muito mais pessoas.

Pois bem, com o público perto de si, Jesus agora podia desenvolver ainda mais seu ministério. Ele se relacionava com as multidões de modo muito pessoal, como já tivemos a oportunidade de vermos lá em cima, e anunciava-as a verdade, ora os repreendendo (Lc 11.29), ora os ensinando (Lc 14.25) e em algumas ocasiões até lhes alimentando (Lc 9.11-17). Não só as palavras de Jesus como também seus atos causava-lhes admiração (Lc 11.14).

Embora não fosse muita coisa, o ministério de Jesus também contava com um patrocínio (Lc 8.1-3). Sim, podemos chamar de patrocínio por que havia um investimento no reino Deus. A diferença deste patrocínio, para os da atualidade, é que esse investimento não visava lucro financeiro, mas sim vidas para Deus.

É verdade que o ministério de Jesus tinha um custo, mas ele não  explorava ninguém, nem exigia luxo nos lugares que chegava. Por exemplo, Lucas registra que grande parte do transporte de Jesus era feito à pé, isto é, andando (Lc 8.1) e quando necessário, ele se utilizava dos barcos que estivessem à disposição (cf. Lc 5.3; 8.22, 37). Já para entrar em Jerusalém, ele o fez através de um jumentinho (Lc 19.30). Vejam que Jesus aproveitava os recursos que lhe eram acessíveis. 

Devido ao seu ministério itinerante, Jesus não tinha morada fixa (Lc 9.58), porém, onde chegava, procurava se hospedar em alguma casa, quando lhe era concedido (Lc 4.38; 10.38; 19.5). Isso evitava gastos com hospedaria, etc. Que estratégico não é mesmo?

Por fim, Jesus ganhou muitas vidas sem defraudar ninguém, por meio da verdade e da honestidade, sem muito dinheiro, porém com muito trabalho, dedicação e estratégia. Até mesmo os lugares que geralmente Jesus pregava, eram estratégicos. 

Vou dar aqui dois exemplos:

Primeiro, a sinagoga. Lucas registra que Jesus pregou em várias sinagogas da Galiléia (4.15) e da Judéia (4.44). Ele pregou na sinagoga de Nazaré (4.16), Cafarnaum (4.33) e muitas outras que não são identificadas (6.6; 13.10). Em Jerusalém, ele usava o Templo para ensinar (19.47; 21.37).

Na época de Jesus, as sinagogas tinham um fluxo grande de pessoas. Jesus sabia que no sábado, muita gente estaria presente ali; logo, o que ele fazia? Ia para lá. Vejam que jogada sensacional! 

Segundo, geralmente (não todas as vezes), Jesus pregava em lugares espaçosos, como por exemplo os montes ou regiões planas. Tendo conhecimento do alcance da sua mensagem, Jesus não ficava confinado às ruas das cidades. Por vezes, a Bíblia registra que as multidões iam até ele, e ele estava em algum monte. Se refletirmos bem, montes são lugares mais tranquilos, onde o ar é mais puro e o ambiente é propício até mesmo para lhes transmitir seus ensinamentos. Me responda, é mais desgastante pregar para pessoas dentro dos centros da cidade onde se concentra as agitações ou fora deles? Fora deles não é mesmo? Quando não era no monte, era próximo a eles, num lugar plano (Lc 6.17), apto para caber grande quantidade de pessoas. Mais uma evidência de que Cristo não era irracional em suas atitudes. Ele pensava em tudo e tudo saía conforme Deus lhe abençoava.

Conclusão: Hoje vimos o quanto que Jesus era incrível! Era um pregador fora de série! Nem mesmo Sócrates, Aristóteles e Platão com todas as suas técnicas de pedagogia e oratória, viveram o que Jesus viveu. Com certeza foi, é e deve ser para nós um espelho de como impactar as pessoas com a mensagem de Deus. Ele próprio veio até nós e não apenas nos mostrou o modelo, mas executou ele, nos provando que é possível triunfar em meio às dificuldades. Antes de fazer essa análise do ministério de Jesus a partir do Evangelho de Lucas, eu mal conseguia imaginar como Paulo (o maior líder do Cristianismo depois de Jesus), propagava o Evangelho com tanta maestria. A única explicação para isto é Jesus! Jesus é o exemplo vivo disso. Sendo assim, não se intimide perante os desafios. Ore a Deus, dedique-se, busque estratégias da parte dEle e contemple o reino de Deus crescendo através de você

Que Deus continue nos abençoando!