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3 de junho de 2019

Manifestações carismáticas no livro do Êxodo.


Por Everton Edvaldo.

O livro do Êxodo é um tratado sobre os grandes feitos do SENHOR.

É o mais carismático dos livros do Antigo Testamento.

Manifestações "sobrenaturais" é algo que Moisés coloca em jogo, à todo momento. 

Para você ter ideia, de 40 capítulos, 20 deles relatam ou testificam alguma manifestação divina sobre algo/alguém. 

Vejamos agora, quais são essas passagens:

• Moisés e a Sarça (3.1-22).

• Moisés é empoderado por Deus para revelar Sua vontade ao Faraó e trazer juízo à nação (4-12.12).

• Deus é glorificado na milagrosa abertura do Mar e na derrota de Faraó.

• As águas de Mara se tornam boas (15.25). "O Senhor que os cura."

• Deus manda o Maná e as codornizes (16.1-15). "O Senhor os alimenta."

• Água jorra da Rocha (17.1-7). "O Senhor mata sua sede."

• Os amalequitas perdem para Israel (17.8-13). O Senhor concede vitória ao seu povo. 

• A Teofania do Monte Sinai (19.16-19).

• A escolha dos artesãos do tabernáculo (31.1-5).

• A tenda do Encontro (33.7-11).

• O rosto resplandecente de Moisés (34.29).

• Os artesãos do tabernáculo (35.30-35).

• A glória do SENHOR enche o tabernáculo (40.34-38).

15 de abril de 2019

7 curiosidades sobre Moisés no livro de Êxodo.




Por Everton Edvaldo.

1. Quando estava na presença de Faraó, Moisés não o revelou as reais intenções que eram de tirar Israel do Egito para sempre, mas falou ao monarca que:

a) Era para celebrar uma festa no deserto (Ex 5.1; 10.9). b) Era para cultuar (Ex 8.1,20; 9.1,13; 10.3). 

2. Diferente do que muitos pensam, foi a vara de Arão e não de Moisés que: 

a) Transformou-se em serpente na presença de Faraó (Ex 7.9,10). 

b) Transformou as águas dos rios em sangue (Ex 7.19). 

c) Foi usada para trazer a pragas da rãs (Ex 8.5,6). 

d) Foi usada para trazer a praga dos piolhos (Ex 8.17).

3. Moisés não liderava o povo de Israel  sozinho. Conforme o tempo foi passando, Moisés contava com o auxílio de pessoas para liderar o povo, como por exemplo: Arão (Ex 7.1), vários chefes que julgavam as causas simples do povo (Ex 18.24) e Josué (Ex 33.11). 

4. Moisés já tinha vivido 2/3 da sua vida, quando foi falar com o Faraó (80 anos, Ex 7.7).

 5. Moisés era muito importante na terra do Egito, tanto aos olhos do Faraó e de seus subordinados como aos olhos do povo (Ex 11.3). 

6. Várias pessoas pensam que o Tabernáculo foi o primeiro recinto construído afim de abrigar a religião judaica, todavia, antes dele, Moisés pegava uma tenda, armava ela fora e bem longe do acampamento e quando o povo queria buscar ao Senhor ia até ela. Moisés chamou ela de tenda da revelação (Ex 33.7). 

7. Apesar de Deus ter dito que escreveria as palavras na segunda tábua da lei (Ex 34.1), quem escreveu nela foi Moisés (Ex 34.28). 


20 de outubro de 2016

O Egito na época de Moisés: do nascimento ao Faraó do Êxodo.


Por Everton Edvaldo

Leitura Bíblica: (Êxodo 2.2; 2.23; 4.19)

Introdução: A Bíblia está repleta de crônicas localizando nações, reis e governantes. Todos os fatos nela descritos podem ser provados historicamente, entre eles no Egito. Você sabia que o Egito é a segunda nação mais mencionada na Bíblia? Nesse estudo regressaremos à época de Moisés, há 3525 anos. Esse estudo gira em torno de como era o Egito na época de Moisés e a localização do Êxodo dentro da narrativa bíblica. A Bíblia é histórica e os fatos são reais. O Êxodo realmente ocorreu! Os faraós existiram. Nesse estudo responderemos a algumas perguntas, por exemplo: "Como era o Egito na época de Moisés? ",  " Como eram as cidades, e a cultura, a escrita, e a educação?", "Quem foi o Faraó do Êxodo?", "Quem foi a princesa que salvou Moisés do Nilo?". Iremos responder a essas perguntas na medida em que o estudo for sendo desenvolvido. Boa leitura!

COMO ERA O EGITO NA ÉPOCA DE MOISÉS.

Moisés nasceu por volta do ano 1525 a.C. Na época de Moisés, o Egito era a maior potência mundial. Um país rico e poderoso capaz de construir grandes monumentos,pois era cheio de prosperidade material e territorial. Era o centro mundial da engenharia, matemática e astronomia. Na época de Moisés atingiu o seu apogeu militar e econômico. Conforme  escreveu André Daniel Reinke: "Enfim, foi o maior e mais rico império de seu tempo, avançado em muitos aspectos."

Origem do Egito. De acordo com Antônio Gilberto: " O Egito foi fundado por Mizraim, filho de Cão, logo após o dilúvio (Gn 10.6,13)."

A cultura egípcia. O Egito era repleto de cultura. Cheio de artes, retratava nelas a sua vida cotidiana, suas crenças, e sua inteligência. Sobre isso nos diz Charles R. Swindoll: "Pode-se dizer que eram a ‘classe nobre’ daquela época. Na área educacional eles haviam chegado ao ponto máximo." Eles tinham as melhores universidades, a mais alta economia e a cultura mais rica.

As pirâmides. De acordo com André Daniel Reinke: "No tempo do Êxodo, as pirâmides já eram construções muito antigas. As famosas Queóps, Quéfren e Miquerinos já existiam havia mais de 1.300 anos (foram por volta de 2.160 a.C). Todas elas, em qualquer tempo, foram túmulos reais. Nelas estavam enterrados os faraós do Egito, cujas múmias eram acompanhadas de tesouros e jóias, estátuas, máscaras mortuárias de ouro e outras preciosidades." Foi nesse ambiente que Moisés nasceu, cresceu e contemplou dia após dia. Certamente ele conheceu muitas pirâmides.

As jóias egípcias. Os egípcios gostavam de se vestir elegantes, pintados e bem produzidos. Se preocupavam com a beleza externa do seu corpo. Segundo André Daniel Reinke: "Os egípcios produziram jóias fantásticas, lindas e muito bem acabadas, fabricaram todo tipo de pingentes, colares, braceletes, e assim por diante. Eles se preocupavam muito com a aparência, usavam maquiagem para o rosto e adereços com enfeite."

A escrita egípcia. A escrita que ficou mais conhecida no Egito foi a Hieroglífica. De acordo com André Daniel Reinke: "Era baseada em sinais, desenhada sobre pergaminhos feitos de papiro uma planta muito comum no rio Nilo, cujo caule era aberto e suas fibras unidas, formando essa folha sobre a qual se podia escrever." Sobre isso escreveu Severino Pedro: "A escrita hieroglífica era também considerada sagrada (hieros, "sagrado" e glyphein, "gravar."). Os antigos egípcios chamavam seus textos escritos de "palavras dos deuses". [...] Havia três modalidades básicas: Hieroglífica, a escrita sagrada dos túmulos e templos; a hierática, uma simplificação da anterior; e a demótica, a escrita popular, usada nos contratos redigidos pelos escribas."

A educação de Moisés no Egito. Moisés recebeu a melhor educação existente nos seus dias. Sobre isso escreveu o erudito Matthew Henry: "Embora seja certo que ele estivesse a desfrutar tudo o que a corte tivesse de melhor no momento devido, neste ínterim Moisés teve a vantagem de receber a melhor educação e o melhor desenvolvimento que a corte podia oferecer. Este preparo, aliado a uma grande capacidade pessoal, fez com que Moisés se tornasse mestre em todo o conhecimento legítimo dos egípcios, At 7.22." Moisés se tornou um dos homens mais educados de sua época, vejamos o que diz o erudito W. W Wiersbe: "O que fazia parte dessa educação? Os egípcios eram uma civilização extremamente desenvolvida para sua época, especialmente nas áreas de engenharia, matemática e astronomia."

O rio Nilo. Esse rio bastante conhecido na história é o segundo maior rio do mundo, só perde para o Amazonas. É importante falar sobre esse rio, pois sem o Nilo o Egito não existiria. O Egito depende dele para sobrevivência. De acordo com Severino Pedro: "O Nilo movia a economia. Era adorado e venerado como sendo a origem de toda a felicidade do povo egípcio. Assim, tanto na adoração como no louvor se dizia: ‘o Egito é uma dádiva do Nilo.’ Alimentava milhares de pessoas numa área de 3.000 quilômetros de comprimento por 15 quilômetros de largura. Garantia unidade à civilização egípcia, mas trabalho, como a construção de diques e canais de irrigação, o que exigia um poder forte e centralizado." O rio Nilo é um dos rios mais extensos do mundo com 5.607 Km. Fora do Nilo o Egito possui poucos acúmulos naturais de água potável. Segundo André Daniel Reinke: " Todas as comunidades egípcias se desenvolveram às margens do Nilo, que irrigava o solo para plantações, e os transportes eram feitos por via fluvial." Moisés cresceu vendo canoas de junco, barcos e até navios de carga navegando pelo Nilo. Vale salientar que foi nesse rio que Joquebede colocou o menino Moisés. Deixo aqui também as palavras do pastor Antônio Gilberto: "Foi no seu delta (terra de Gósen) que o povo Israelita permaneceu no Egito (Gn 47.6). Foi nas águas deste rio que o pequenino Moisés flutuou (Êx 2.3). É portanto um rio ligado à História do povo escolhido."

         As cidades egípcias. De acordo com A. Daniel Reinke: "As cidades egípcias eram grandes, possuíam mercados, escolas, magníficos templos e construções ricamente ornamentadas, estátuas e colunas colossais, oficiantes de charretes, artesãos, ourives, fabricantes de vinho e cerveja, enfim, as mais diversas atividades. Os egípcios eram avançados na medicina: tinham bons ortopedistas, obstretas e até  oftalmologistas. Conheciam muito bem o corpo humano por causa da mumificação que faziam em seus mortos- os nobres, claro."

Religião egípcia. Não quero me deter aqui nesse ponto, por isso serei breve e claro. Até porque a religião egípcia é um assunto extenso e não tenho por objetivo me prender nesse assunto. Bem, na época de Moisés a religião egípcia já era Politeísta, ou seja, eles serviam e acreditavam em vários deuses. Eles eram bem religiosos, mexiam com ocultismo, misticismo e magia. No panteão dos deuses, os mais conhecidos eram Ísis, Osíris, Hórus, Anúbis, Rá, Seth, Toth e etc. Esses deuses assumiam formas humanas, animais e naturais. Adorava-se o Nilo, o Falcão, o Sol e até o próprio Faraó. Enfim, a religião egípcia era totalmente pagã e impura.

O GOVERNO DO FARAÓ NO TEMPO DE MOISÉS:

De acordo com o Pastor Ezequias Soares: "O termo "Faraó" é uma deformação grega de (Pharao) vinda da palavra egípcia Per aa  "a grande casa", empregada para indicar o palácio real. A partir de 1580 a.C; veio a ser usada para designar o próprio soberano. O Egito foi sempre uma monarquia absoluta, cujo topo era ocupado pelo Faraó, que detinha o poder político, religioso e militar. Considerado deus, ostentava o título de filho do Sol."

O Faraó era o poder máximo no Egito. Conforme Severino Pedro: "Tinha por título "filho do Sol", e representava o poder religioso, político e militar de todo o Egito. O nome "Faraó", na realidade é uma deformação grega de uma palavra egípcia que indicava o palácio real. Somente durante o Império Novo é que a palavra "Faraó" passou a designar a pessoa do soberano. Tinha várias mulheres, mas só a primeira podia usar o título de rainha."

O Faraó também era cultuado. Randall Prince em trabalhos de arqueologia egípcia descobriu que o Faraó também era considerado deus. Ele diz: "O que descobrimos é que Faraó era considerado como a encarnação do deus sol Rá e Horus - Osíris, os deuses mais importantes do Egito. Assim, ele era visto como o principal deus do mundo."

O NOVO IMPÉRIO E A DINASTIA:

Qual família real governava na época de Moisés? Bem; a época de Moisés se situa no Novo Império egípcio, uma época de crescimento e apogeu do Egito. Vejamos agora como se desenvolveram esses fatos.

De acordo com o Dicionário Bíblico Wycliffe: "O Novo Reino ou Império (Dinastias XVIII-XX; 1580-1090 a.C.) representou o ponto alto da expansão territorial egípcia, uma era de conquistas e de prosperidade material. Agora, o objetivo real estava dirigido à destreza física do divino rei, para fazer dele um homem de força insuperável e um habilidoso atleta. Dentre os governantes desse período podemos destacar os seguintes (Dinastias XVIII) Hatshepsut, a mulher rainha, possivelmente a princesa que encontrou o bebê Moisés (Êx 2.5-10), bastante conhecida por seu belíssimo templo mortuário em Deir el - Bahri (...)."

Cronologia dos Faraós 18 Dinastia.: (É importante lembrar que as datas são aproximadas, e que essa cronologia não é fixa, nem tampouco definitiva)



1º Amósis I


8° Tutmósis IV


2º Amenotepe I (1546-1525 a.C.)


9° Amenotepe III


3º Tutmósis I [O Faraó que governava quando Moisés nasceu] (1525-1508 a.C.)


10° Amenotepe IV (Akhenaton)


4º Tutmósis II (1508-1504 a.C.)


11° Smenekhare


5° Hatshepsut [a princesa que provavelmente salvou Moisés do Nilo] (1504-1482 a.C.)


12° Tutancâmon


6º  Tumósis III [o Faraó da Opressão da qual Moisés foge. A morte dele está descrita em Êxodo 2.23] (1482-1450 a.C.)


13° Eje


7° Amenotepe II [O Faraó do Êxodo, que perseguiu o povo até o mar.] (1450-1425 a.C.)


14° Horemheb


FARAÓ TUTMÓSIS I.

 Muitos fazem a seguinte pergunta: "Quando Moisés nasceu, qual era o Faraó que governava?", ou então " Qual o nome do Faraó que mandou jogar os bebês no rio Nilo?". Esse tópico pretende localizar essas respostas dentro da História.
Já vimos que Moisés nasceu por volta do ano 1525 a.C, no mesmo ano em que Tutmósis I assumiu o trono. Logo, ele era o Faraó que governava na época em que Moisés nasceu.

Era um homem que assim como Amenotepe I (seu sogro) e Amósis I preocupou-se em expandir o Egito, e ele fez isso dedicando -se a conquistas e expedições militares. Seu sogro Amenotepe I quando morreu deixou o Egito como o país mais rico e mais poderoso do mundo. Amenotepe I era casado com sua irmã, (acreditava-se que casando-se os parentes a linhagem real seria preservada, porém na prática isso falhou.)  Amenotepe I não teve filhos do sexo masculino para sucedê-lo no trono, então Amósis sua filha primogênita casou com um militar chamado Tumósis I. Após a morte de Amenotepe I, o militar Tutmósis I herdou o trono.

 Esse Tutmósis I, foi o Faraó que mandou jogar os bebês hebreus no rio Nilo. Ele não teve filho homem com sua mulher legítima para subir no trono. Ele foi Pai de Hatshepsut, a princesa que salvou Moisés do rio Nilo (Êx 2.5-10). Tumósis I também teve uma mulher no harém chamada Mutnofre, e teve com ela um filho que se chamava Tutmósis II. Hatshepsut filha de Tumósis I  foi destinada a casar com seu meio-irmão Tutmósis II. Tumósis I morreu quando Moisés tinha mais ou menos 17 anos. Sendo assim Tutmósis II assumiu o trono.

Sobre tudo isso comentou Merril F. Unger: "Visto que Tumósis I não deixou herdeiro legítimo do sexo masculino que ocupasse o trono, sua filha Hatshepsute era herdeira presuntiva. Sendo impedida, contudo, devido ao sexo, de sucedê-lo, a única solução que lhe restava era transmitir a coroa a seu marido, através do casamento, e assegurar a sucessão para seu filho. Afim de frustar um dilema para a dinastia, e impedir a perda da coroa em favor de outra família, Tutmósis I foi obrigado a casar sua filha com seu meio-irmão mais novo, filho de um casamento menos importante, que assumiu o trono como Tutmósis II."

 HATSHEPSUTE, A PRINCESA QUE ADOTOU MOISÉS:

Tutmósis II não ficou tão conhecido na história, o que se sabe é que ele teve um reinado curto de apenas 4 anos. Teve apenas uma filha com Hatshepsute. E possuía uma amante da qual lhe nasceu um filho. Antes de morrer legitimou o filho (que não possuía sangue real) ao trono. Sobre isso escreveu Ezequias Soares: "Hatshepsut e Tutmósis II governaram juntos o país, mas ele sofreu morte prematura.

O casal teve só uma menina, mas ele moribundo, se apressou em legitimar um filho que havia tido com uma concubina do harém, para que herdasse o trono como Faraó. Esse futuro Tutmósis III era enteado e ao mesmo tempo sobrinho de Hatshepsute. Era ainda criança quando ela assumiu o trono. De fato, foi ela quem governou o Egito. Embora ela não quisesse ser rainha, mas o próprio Faraó e conseguiu isso com o apoio dos sacerdotes do deus Amom, de Tebas. Ela assumiu características e atributos masculinos, usou vestes reais masculinas e barbas postiças comum ao Faraó."

 Hatshepute era uma mulher de punho forte, inteligente, rejeitou ser rainha. Ela era o próprio Faraó. Foi a única mulher na história egípcia a se tornar Faraó. Quando ia se pronunciar em público vestia vestes masculinas, e até foi enterrada como Faraó. Nunca deixou de ser mulher, nem mãe, mas tinha um espírito aventureiro, de governo, domínio e astúcia. Sobre ela escreveu Severino Pedro: "Neste período se destaca a rainha Hatsepsut, que se proclama regente do trono egípcio após depor seu sobrinho Tutmósis III e reina 22 anos, usando barba e vestindo trajes de homem.

 De acordo com Merril F. Unger: "Hatshepsut, (...) não apenas assumiu o reinado durante a minoridade de Tutmósis III, mas recusou-se a entregar-lhe a regência, mesmo depois da sua maioridade." E ele continua: "Logo de começo, a enérgica rainha anunciou sua intenção de reinar como homem. Seu brilhante reinado foi caracterizado por notável prosperidade e grandes construções, e não chegou ao fim antes de cerca de 1486 a.C., quando em seguida à sua morte, o impaciente e invejoso Tutmósis III subiu ao trono e, imediatamente, destruiu ou obliterou todos os monumentos dela." De acordo com Severino Pedro: "Depois de sua morte, Tutmósis III recuperou o trono e ordena que sejam apagados todos os monumentos que continham o nome de Hatshepute, reinando então por 34 anos." Segundo Ezequias Soares: "Só depois da morte de Hatshepute é que Tutmósis III finalmente conseguiu assumir o trono do Egito."

TUTMÓSIS III, O FARAÓ DA OPRESSÃO.

Muitas pessoas perguntam: "Quem foi o Faraó da Opressão, de quem Moisés fugiu?" e "Quem foi o Faraó do Êxodo?". Atualmente há duas posições sobre quem seria o Faraó do Êxodo. Uma é mais conservadora e mais antiga, a outra moderna. Apesar de tantas discussões em torno disso, não há nenhum indício fiel, sério e definitivo que prove que Ramsés II e Mernepta são os Faraós descritos em Êxodo. Creio que a posição mais conservadora é convincente quando o assunto é datas, cronologia, Dinastias, etc. Por isso creio que o Faraó da Opressão foi Tutmósis III e o do Êxodo: Amenotepe II. Vejamos agora alguns indícios:

Vejamos agora alguns indício segundo Merril F. Unger: " A História contemporânea Egípcia permite calcular a data do Êxodo em torno de 1441 a.C. esta data cai bem provavelmente, nos primeiros anos do reinado de Amenotepe II (1450-1425 a.C), filho do famoso conquistador e imperador Tutmósis III (1482-1450 a.C). Um dos mais notáveis dentre os Faraós da Opressão.

De acordo com o registro Bíblico, Moisés esperou a morte do grande opressor para voltar ao Egito, de seu refúgio em Midiã (Ex 2.23). O Êxodo teve lugar não muito depois, no reinado de Amenotepe II, que era, evidentemente, o rei que endureceu o coração e não queria deixar os filhos de Israel saírem. A morte de Hatshepsut e a ascensão de Tutmósis III inaugurou, sem dúvida, a última e mais severa fase da opressão de Israel. O novo monarca foi um dos maiores conquistadores da história do Egito."

Ele ainda fala: "A descrição de Tutmósis III como o grande opressor dos Israelitas, é plenamente digna de crédito. Ele era um grande construtor, e empregava cativos semitas em seus vastos projetos de construções."

De acordo com o Dicionário Bíblico Wycliffe: "A combinação de Tutmósis III e de Amenotepe II ajusta-se bem às exigências do Faraó da Opressão e às do Faraó do Êxodo, respectivamente. Tutmósis seria o governante cuja morte está registrada em Êxodo 2.23, o mesmo de quem Moisés fugiu em 2.15 (cf 4.19). Ele reinou sozinho por 34 anos (1483-1450 a.C). Em outra parte do dicionário está escrito que: " Tutmósis (1504-1450 a.C) foi um hábil veterano cujas 17 expedições para a Palestina-Síria serviram para realmente estruturar o império." Severino Pedro diz: " Durante seu reinado, o Egito experimentou um período de maior esplendor e prosperidade."

Vale salientar que Moisés cresceu convivendo com Tutmósis III. Imagine agora Moisés criado como um príncipe, com a melhor educação. Fazia parte da Nobreza. Havia possibilidade de Moisés herdar o trono do Egito, caso Tutmósis II o legitimasse. Imagine: "Faraó Moisés". Mas os planos de Deus eram outros. De acordo com Matthew Henry: "A tradição dos judeus diz que a filha de Faraó não tinha filhos, e que era filha única de seu pai, de forma que quando ele foi adotado como seu filho, passou a ter direito à coroa."

Já Lawrence O. Richards diz que: "(...) Moisés, achado por uma princesa, foi adotado pela família real do Egito. Como filho da princesa, Moisés pode até mesmo ter reivindicado o trono do Egito!" Isso só seria possível enquanto Hatshepsut estivesse viva.

De acordo com Ezequias Soares: "Enquanto viveu, Hatshepsut conseguiu inutilizar Tutmósis III. Parece que Moisés representava uma ameaça para o enteado e sobrinho da rainha. É estranho que o Faraó estivesse procurando matar Moisés, um príncipe do Egito, por causa da morte da morte de um egípcio, a ponto de fazê-lo fugir para Midiã (Ex 2.15). Era algo pessoal, pois o Faraó tentava se livrar de Moisés. A essa altura, Hatshepute era a única pessoa do Egito capaz de quebrar as regras e colocar o trono do Egito ao alcance de Moisés."

Essa perseguição com Moisés era motivada por inveja, Tutmósis III tinha inveja de Moisés. A Bíblia diz que Moisés era instruído em toda a ciência dos egípcios e era poderoso em suas palavras e obras (At 7.22).

No período em que ele governou Moisés fugiu para o Egito, após a sua morte, Moisés regressa ao Egito após obedecer à chamada de Deus. Tutmósis morre por volta de 1450 a.C. Conforme escreveu Ezequias Soares: "Tutmósis III é o único Faraó do período que reinou tanto tempo desde a fuga de Moisés do Egito até a Teofania do Sinai."

Segundo Antônio Gilberto: "Totmés III foi um dos maiores reis do Egito. Seu túmulo está em Tebas e sua múmia no museu do Cairo." Após a morte de Tutmósis III, seu filho Amenotepe II assumiu o trono e se tornou o novo Faraó.

AMENOTEPE II O FARAÓ DO ÊXODO.

 Esse tópico não tem como objetivo ser extenso, nem de expor todas as provas existentes que afirme a veracidade de Amenotepe II ter sido o Faraó do Êxodo. Também não tem por objetivo discorrer sobre todas as informações desse Faraó, nem entrar no assunto das pragas ou derrota no mar vermelho.

 A maioria dos teólogos afirmam que o Faraó do Êxodo foi Amenotepe II, ou põem o Êxodo em 1445 a.C, que é uma data bem confiável. Entre eles estão: Alexandre Coelho, Silas Daniel, Severino Pedro, Claudionor de Andrade, Antônio Gilberto, W.W. Wiersbe, Lawrence O. Richards, Randall Price, Merril F. Unger.

Governou o Egito por cerca de 25 anos. O Dicionário Wycliffe afirma: "De acordo com a data inicial que se assume para o Êxodo (cerca de 1445 a.C.) ele [Tutmósis III, grifo meu] teria sido o Faraó da Opressão (Êx 2.15,13). e seu filho Amenotepe II, teria sido o Faraó do Êxodo (Êz 5-14)." Ou seja, em Êxodo do capítulo 5 ao 14 o Faraó foi Amenotepe II. Ezequias Soares confirma isso quando escreveu: "O Faraó do Êxodo, que experimentou as dez pragas e mais a derrota no mar vermelho, foi seu filho, Amenotepe II, cuja múmia se encontra ainda hoje no museu do Cairo, Egito."

 Seu filho primogênito morreu na 10° praga do Egito, cedendo espaço assim para Tutmósis IV, seu filho mais novo. O Dicionário Bíblico Wycliffe diz: "Tutmósis IV ( 1425-1417 a.C), filho e sucessor de Amenotepe II, deixou uma impressionante estela entre as pernas da esfinge de Gizé. Em um sonho, foi-lhe dito que ele receberia o reino (ANET, p. 449). Se ele fosse o primogênito do seu pai, não teria sentido uma promessa divina de que ele seria rei um dia. Podemos inferir que o filho mais velho de Amenotepe deva ter morrido antes de seu pai, deixando assim a sucessão para seu irmão mais novo. Isto está de acordo com a morte dos primogênitos, na última praga (Êx 12.29)."


Conclusão: Em meio à tanta especulação no terreno da história bíblica, precisamos de fatos convincentes que nos levem a ter em mente que o livro do Êxodo é um livro histórico. O Egito foi palco de uma boa parte do crescimento de Israel. Enquanto o povo de Deus vivia nele, o Egito alcançou poder , glória, e força. Depois do juízo de Deus sobre o Egito com as dez pragas e a derrota de Amenotepe II no mar vermelho, o Egito perdeu seu status mundial. Segundo Ezequias Soares: "Depois do Êxodo, o Egito nunca mais conseguiu manter a sua glória passando a ser uma potência de segunda categoria."

19 de outubro de 2016

Opressão: ferramenta usada por Deus para abençoar o seu povo.



Por Everton Edvaldo

Leitura Bíblica: (Êxodo 1.6-14)

 Introdução: Ao longo dos séculos, o Povo de Deus tem sido oprimido e maltratado por várias nações e reis; já foram pisoteados, maltratados e até escravizados, entretanto a poderosa mão de Deus fez eles sobreviverem! Os egípcios foram os primeiros a explorá-los em massa; nesse estudo, vamos aprender com o primeiro capítulo do Êxodo, verdadeiras lições de fé em meio à opressão, mas antes disso, veremos as condições sociais vividas pelo povo de Israel após a morte de José, a mudança no governo do Egito, a transição de um Novo Império, o novo Faraó que se levantou, e também o trabalho escravo realizado pelos hebreus. Depois de tudo isso, vamos identificar as estratégias de Deus para o seu povo, a fim de que eles crescessem e se multiplicassem em meio à opressão. Por fim, iremos extrair reflexões devocionais para nossa vida! O leitor tem em à disposição, um belo estudo Histórico, Doutrinário e Ortodoxo que vai lhe ajudar a entender melhor os fatos que ocorreram antes do nascimento de Moisés. Boa leitura!

I- O DESENVOLVIMENTO DOS HEBREUS EM GÓSEN (v. 6,7)

1. O primeiro capítulo do livro do Êxodo está recheado de detalhes preciosos. Nele, Moisés resume os séculos que se passaram após a morte de José em apenas 1 capítulo. A Bíblia diz que após a morte deste patriarca, o povo de Israel cresceu, multiplicou e frutificou no Egito. Os hebreus descendentes de José se fixaram na região do Gósen. Essa terra ficava no delta do Nilo e era muito próspera. Um ambiente propício para que eles pudessem se desenvolver e crescer. Foi nessa terra que eles permaneceram por 430 anos. (Veja Gn 47.6).

2. De acordo com o Pastor Claudionor de Andrade : "Localizada no delta oriental do Egito, era Gósen uma terra de excelências. Ampla, fértil e mui receptiva, mostrava-se ideal a quem se entregava às lides do campo e à pecuária. Sendo os Israelitas dados à agricultura e afeitos ao gado, receberam a oferenda do Faraó como algo providencial e divino."

3. Sendo assim, os hebreus logo trataram de plantar, cultivar, construir e edificar na terra. Deus fez o seu povo habitar na melhor região egípcia.

4. Até aí, o Egito era governado pelos hicsos, como bem escreveu o Pastor Antônio Gilberto: "O Egito era então um império universal governado por uma dinastia de reis-semitas, da mesma origem de José -os hicsos-."

II- QUEM ERAM OS HICSOS?

1. Segundo o Pastor Antônio Gilberto: "Os hicsos eram tribos asiáticas, notadamente semitas, que dominaram o Egito durante o tempo em que os Israelitas permaneceram lá."

 2. Eles também eram pastores e criadores de animais. O erudito teólogo R.N Champlin nos informa em uma das suas obras que: "Esses povos asiáticos eram chamados de hicsos, nome esse que vem de duas palavras egípcias, KIHAU KHASUT, isto é "governantes de terras estrangeiras." Eles estabeleceram-se principalmente no delta do Nilo, embora também tivessem podido controlar áreas no extremo sul do Egito, incluindo a cidade de Tebas. Não eram culturalmente tão avançadas quanto os egípcios, mas tinham criado habilidades militares superiores, incluindo o uso do cavalo, dos carros de guerra, de armaduras de proteção do corpo e de arcos bem elaborados."

III- O NOVO IMPÉRIO EGÍPCIO: (v.8)

1. O rei que não conheceu José. Diz a Bíblia no versículo 8 que levantou-se um novo rei no Egito que não conhecia José. Esse rei é identificado pelos teólogos com Amósis I, príncipe tebano. Ele expulsou os hicsos do país e se tornou o primeiro Faraó da 18° dinastia. Antônio Gilberto confirma essa informação dizendo: "O rei que não conhecia José (Ex 1.8) é apontado por todos os orientalistas como sendo Amósis I, da 18° dinastia, príncipe tebano." Já o Pastor Ezequias Soares afirma que "As evidências históricas e arqueológicas apontam um monarca da casa de Amósis I como o Faraó mencionado em Êxodo 1.8."

 2. O Novo Império Egípcio. Essa fase se constituiu no ápice do governo egípcio. Nesse período se inicia o Novo Império Egípcio. O Pastor Severino Pedro nos explica que: " O Império Novo começa em 1580 a.C. e marca o triunfo do egípcio sobre todo o mundo até então conhecido. É um período de poderio militar fundado em uma política de defesa e de conquistas e de máximo esplendor artístico e cultural. A capital é Tebas e os sacerdotes do deus Amon têm muita influência."

 3. Ezequias Soares completa os detalhes do Novo Império dizendo: "A era de Moisés se situa no Novo Império Egípcio, mais precisamente na 18° dinastia, fundada por Amósis I. É o período do apogeu militar e econômico do Egito. Esta dinastia teve 14 monarcas que governaram entre 1580 e 1308 a.C. Amósis I, vindo de Tebas, sul do Egito, atual Carnaque, unificou o Alto e o Baixo Egito e expulsou os hicsos do país, perseguindo-os até o Eufrates. Esse mesmo fez de Canaã tributário do Egito."

IV- A OPRESSÃO DE FARAÓ: (vv. 9-11,13,14)

 1. O governo do Egito passou pra uma família que não conhecia José. Esse novo rei, tinha medo do crescimento dos hebreus. Medo de quando chegasse a guerra, eles se juntassem com o inimigos para lutar contra os egípcios. O rei logo percebeu que havia em seu território um povo que criava rebanhos e que cuidava de gado, assim como os hicsos. Charles R. Swindoll explica que: "Esse novo Faraó desprezava a população judia crescente."

 2. Então, ele arquitetou um projeto astucioso, que deixasse os Israelitas sobrecarregados e cansados! Faraó pôs cargas sobre o povo de Israel, construiu monumentos e cidades às custas do povo de Deus. Ainda hoje, essa é a estratégia do inimigo: sufocar o povo de Deus, nos deixar cansado, para impedir o nosso crescimento.

 3. Segundo Charles R. Swindoll: "Um novo estilo de vida passou então a vigorar para os hebreus... Os egípcios puseram sobre eles feitores de obras, para os afligirem com suas cargas. E os Israelitas edificaram a Faraó as cidades-celeiros, Pitom e Ramessés (Ex 1.11). Sai: facilidades, abundância e prosperidade. Entra: feitores e chibatas."

4. O trabalho dos hebreus era bastante cansativo. Flávio Josefo, historiador judeu comentou sobre esse trabalho escravo: "Como os egípcios são naturalmente preguiçosos e voluptuosos e só pensam no que lhes pode proporcionar prazer e proveito, eles olhavam com inveja a prosperidade dos hebreus e as riquezas que estes conquistavam com o trabalho. Conceberam certo temor pelo aumento do número deles. Tendo o tempo apagado a memória das obrigações que todo o Egito devia a José e tendo o reino passado a outra família, eles começaram a maltratar os Israelitas e oprimi-los com trabalhos [...] Empregaram-nos em cavar vários diques para deter as águas do Nilo e diversos canais para conduzi-las. Faziam-nos trabalhar na construção de muralhas para cercar as cidades e levantar pirâmides de altura prodigiosa, obrigando-os até mesmo a aprender, com dificuldade, artes e diversos ofícios."

  5. Não só os hebreus, como também outros estrangeiros eram explorados pelo Faraó. O Teólogo R.N. Champlin nos revela o cenário daquela época: "A arqueologia tem descoberto excelente pinturas que retratam os semitas e outros fabricando tijolos, no túmulo da capela de Recmire, um governador subordinado a Tutmés III. [...] Estrangeiros também eram empregados em outras obras, como pastores, tecelões, fabricantes de cerveja, mercadores de vinho, porteiros, soldados, ou seja, em todas as atividades da sociedade. O sistema econômico dependia do trabalho escravo para sobreviver, o que demonstra porque razão o Faraó tanto ansiava por impedir a partida do povo de Israel."

V- ESTRATÉGIA DE FARAÓ X ESTRATÉGIA DE DEUS: (v.12)

1. Moisés escreveu no versículo 12: "Mas, quanto mais os afligiam, tanto mais se multiplicavam e tanto mais se espalhavam; de maneira que se inquietavam por causa dos filhos de Israel."

 2. Apesar de tanto sofrimento, tanta angústia, Deus honrou o seu povo. O desejo de Faraó era de sufocar Israel, entretanto, quanto mais ele oprimia, mais Israel crescia. Deus se utilizou da opressão de faraó para abençoar o seu povo. É assim que acontece em nossos dias; somos afligidos, oprimidos e até massacrados, porém existe uma diferença entre o Egito e Israel. Sabe qual? É no Deus! Embora o Egito tivesse à sua disposição milhares de deuses; esses, de nada lhes servia. Já Israel tinha um único Deus, o Deus verdadeiro, Todo-Poderoso, que usa a crise para nos fazer crescer.

 3. Na mente de Faraó, a opressão impediria o crescimento de Israel; já Deus, transformou a opressão numa ferramenta benéfica para o crescimento do seu povo. Muitas vezes, o Senhor permite situações de opressão na nossa vida, para aperfeiçoar nosso caráter e fortificar a nossa resistência.

4. A resposta de Deus foi: multiplicação, crescimento e extensão para o seu povo. Vejamos:

a) Multiplicação- Imagine quantas famílias judias foram separadas pelos egípcios. Os filhos eram tirados das suas casas e eram levados para a construção. Dia após dia, eles trabalhavam em obras pesadas. A tendência natural era diminuírem, mas Deus contrariou a lógica humana, e fez eles se multiplicarem.

b) Crescimento/Extensão- Faraó queria encurralar os hebreus, mas Deus fez eles se espalharem por toda a terra de Gósen, de maneira que eles se tornaram numerosos.

5. Faraó tinha suas estratégias, e Deus também tinha as suas. A estratégia de Faraó era de fracassar aquele povo. Já a de Deus era de prepará-los para Canaã. Os homens agora, estavam prontos para não só cuidar de gado, como também construir, sobreviver e crescer. Deus fez o hebreus saberem da sua força, pois eles não eram simples escravos, e sim, herdeiros da promessa de Abraão: "De ti farei uma grande nação, e te abençoarei o nome. Sê tu uma bênção! Abençoarei os que te abençoarem e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; em ti serão benditas todas as famílias da terra." (Gn 12. 2,3).

Conclusão: Que essa mensagem venha trazer esperança para o nosso coração. Assim como o bom Deus cuidou de Israel, ele cuida de nós! As estratégias humanas não são fortes o suficiente para aniquilar o povo de Deus. Quanto mais alguém nos oprime, mais crescemos. Foi assim que ocorreu na Igreja Primitiva. Os Cristãos foram perseguidos, assassinados, e até dispersos; mas o Evangelho só fez crescer! Creia que Deus vai usar a opressão humana para te abençoar em nome do Senhor Jesus.
        





8 de outubro de 2016

TIRADO DAS ÁGUAS- (Fatos quase desconhecidos sobre a narrativa do bebê Moisés no rio Nilo).


Por Everton Edvaldo

Leitura Bíblica: Êxodo 2.1-10

Introdução: É muito comum no meio evangélico o entendimento de que no nascimento de Moisés, o cesto onde sua mãe lhe colocou, se locomoveu pela correnteza do rio até o local próximo onde se banhava a filha de Faraó com suas donzelas. Existem até hinos relatando como teria sido essa cena. Os mais atrevidos, dão espaço à imaginação e inclusive, pregam acaloradamente mensagens em torno disso. Já ouvi sermões onde o pregador descrevia o bebê Moisés sendo levado pela correnteza saindo ileso dos ataques dos crocodilos. Embora seja algo simples, esse tipo de entendimento tem sido transmitido, propagado e repetido no púlpito das igrejas, sendo absorvido por muitos. É bem verdade que alguns pregam dessa forma por que lhe ensinaram assim. Infelizmente, não são todos os pregadores que se debruçam para examinar as Sagradas Escrituras. Nesse breve texto, pretendo fornecer algumas provas de que esse tipo de entendimento não é bíblico e mostrar o que as Escrituras realmente fala sobre o episódio relatado em Êxodo 2.1-10. Também abordarei algumas lições para nossas vidas. Boa leitura!

I- SITUANDO-SE NA NARRATIVA:

Ao estudarmos Êxodo 2.1-10, precisaremos dar algumas informações a fim de facilitar a compreensão da passagem. Por exemplo, a data do nascimento de Moisés. Alguns estudiosos afirmam que Moisés nasceu em 1525 a.C.

1. Contexto da passagem.

Moisés registra que o novo Faraó que se levantou no Egito viu o crescimento do povo de Israel, e temendo que se tornassem numerosos e se rebelassem contra o império, decidiu afligir os Israelitas com cargas, trabalhos pesados, etc. Porém, o seu plano foi frustrado pois o povo de Israel crescia, se espalhava e se multiplicava. Então ordenou que as parteiras hebréias matassem os meninos recém-nascidos hebreus. Entretanto, Moisés informa que as parteiras temeram a Deus e não obedeceu ao rei do Egito.

Insistindo em seu plano maligno, Faraó ordenou que todos os filhos que nascessem aos hebreus, fossem lançados no Nilo, porém as filhas deviam deixar viver.

2. Personagens envolvidos.

Nesses 10 versículos da passagem em foco, podemos identificar as pessoas envolvidas na narrativa. Temos o pai de Moisés, sua Mãe (Joquebede), o bebê Moisés, a irmã de Moisés (Miriã), a filha de Faraó (alguns estudiosos a identificam como sendo Hatshepsut) e as donzelas que acompanhavam a princesa.

3. A atitude dos pais de Moisés diante do decreto.

Diz a Bíblia que os pais de Moisés o esconderam durante três meses. Os pais não queriam ver seu filho sendo devorado pelos crocodilos. Eles o escondem pela fé conforme diz o autor aos Hebreus: "Pela fé, Moisés, apenas nascido, foi ocultado por seus pais, durante três meses, porque viram que a criança era formosa; também não ficaram amedrontados pelo decreto do rei." (Hebreus 11.23). Esconder Moisés exigia cautela e prudência! "Se não o tivessem escondido cuidadosamente, as tropas de Faraó teriam pego o menino e o lançando aos crocodilos, preciso ordem do rei." (SWINDOLL, p. 39).

Como podem ver, eles não ficaram amedrontados com o decreto do rei, porém tiveram fé em Deus. Eram da família de Levi e conheciam o Deus do seu povo.

Muitas vezes, o que nos impede de confiar em Deus é o medo. O medo é um dos obstáculos espirituais bastante usado pelo maligno para nos amedrontar. Quando o perigo bater à nossa porta, devemos lançar o medo fora e confiar exclusivamente em Deus.

Estando ciente disso, Joquebede tomou um cesto de junco, o preparou e após colocar Moisés dentro, leva-o à beira do rio onde larga-o.

Primeiro vamos desconstruir alguns entendimentos que as pessoas têm da passagem (apresentando argumentos) para depois voltar a abordar o episódio com mais claridade.

II- O ARGUMENTO GEOGRÁFICO:

Não precisa ser um "expert" em Bíblia para saber que caso Moisés tivesse sido colocado na correnteza do rio, era natural que o cestinho onde ele estava deveria seguir o curso natural do Nilo. O problema não está no rio, mas sim na direção da sua correnteza. Você pode pegar qualquer mapa (que em geral vem impresso nas Bíblias) e encaixar as informações que fornecerei abaixo.

O povo de Israel residia em Gósen, no delta do Nilo, uma região bastante fértil do Egito. A população israelita se estabeleceu ao redor do rio Nilo e lá se desenvolveram. O rio Nilo deságua no Mar Mediterrâneo ao Norte do Egito. Se o cestinho (onde Moisés estava) tivesse sido lançado na correnteza do rio, conforme alguns pregadores afirmam, seria natural que seu destino fosse o Mar Mediterrâneo e não o palácio de Faraó, já que este ficava no sul do Egito. Não duvido que Deus tenha poder para isso, mas supor que o cestinho teria navegado contra a correnteza é um absurdo.

III- ARGUMENTO BÍBLICO:

Certamente, esse entendimento equivocado que estamos analisando no presente texto, não tem base bíblica. O nascimento de Moisés está registrado em Êxodo 2.1-10. Vamos fazer uma explanação da passagem.

Primeiramente, a Bíblia não diz que o cesto de junco foi colocado no meio do rio. O versículo 3 nos informa que a mãe de Moisés "largou-o no carriçal À BEIRA DO RIO." Moisés não nos revela a intenção dela, mas podemos inferir os reais motivos e a partir deles, desconstruir alguns mitos. Por exemplo:

a) Joquebede não sabia que a filha de Faraó se banharia naquele dia. Os israelitas comuns não tinham acesso à agenda real.

b) Mesmo se soubesse, a probabilidade dela colocar Moisés no rio é mínima, pois estaria correndo o risco de ser denunciada pela filha de Faraó.

c) Ela também tinha a noção que a princesa ao encontrar o menino no cesto, poderia lançá-lo aos crocodilos, visto que essa era a ordem de seu pai. Ou conforme pontou Charles Swindoll: "A princesa poderia muito bem obedecer ao decreto severo do pai, mergulhando o bebê na água, afogando-o bem ali. Não havia segurança." (SWINDOLL, p. 42).

d) Não era comum as filhas de Faraó se banharem no rio Nilo. Era perigoso pois o rio tinha muitos crocodilos. Além disso, o palácio estava repleto de piscinas e lugares para banhar-se. No dia em que encontrou Moisés, a filha de Faraó estava possivelmente fazendo algum ritual aos deuses pagãos.
Logo, não podemos concluir que Joquebede colocou Moisés ali com a intenção de que a princesa o salva-se.

IV- A INTENÇÃO, O CUIDADO E O PLANO DE JOQUEBEDE:

Qual era a intenção de Joquebede? Lançar Moisés no rio para que morresse conforme a ordem de Faraó? Também não! Joquebede era uma mulher de fé! Se intenção fosse de matá-lo, ela teria realmente o lançado no para que fosse devorado pelos crocodilos. Porém ela não fez isso, pois tinha a intenção de salvá-lo, preservá-lo e protegê-lo. Sua casa já não podia esconder o recém nascido. Nessa época, Arão (irmão de Moisés), tinha pouco mais de 3 anos. Já Miriã (também sua irmã), tinha aproximadamente 12 anos, afirmam os estudiosos.

É provável que existisse uma perícia periodicamente nas casas, feita pelos soldados ou empregados de faraó, a fim de ver se os hebreus estavam obedecendo o decreto de lançar todo menino recém-nascido no Nilo. "Os egípcios talvez tivessem instituído buscas de casa em casa por causa do boatos de bebês escondidos." (SWINDOLL, p. 40).

Voltando à passagem, Joquebede conseguiu conter o menino por três meses. Sabendo que não demoraria muito para que descobrissem, resolveu fazer o cesto de junco (Tēbhāh = cesto, arca, caixa.) e colocar a criança dentro.

Acredito que foi no dia de uma dessas perícias que ela colocou Moisés entre os juncos à beira do rio (Śāphāh = margem, borda, beira, lado, extremidade, orla), e deixou Miriã observando de longe o que haveria de acontecer com o menino. Então Moisés fica escondido entre os juncos à beira do rio. "O junco era uma planta alta, com colmo fino, que cresce nos alagadiços e que o vento facilmente dobra. Além do papel, a planta também era usada para o fabrico de pequenas embarcações e cestos (Êxo. 2:3)." (CHAMPLIN, p. 668.). "Apesar de muito flexíveis, são plantas fortes. A mãe de Moisés provavelmente entrou na água e prendeu o cesto num lugar especial. Ela não o empurrou simplesmente na correnteza, cantando "o que será será...", mas colocou-o exatamente onde queria." (SWINDOLL, p. 41).

V- A RESPONSABILIDADE DE MIRIÃ COMO OBSERVADORA:

Nesse momento, Miriã fazia o papel de vigilante da criança! Estava encarregada de observar o haveria de acontecer. "Observar" foi a tradução do vocábulo hebraico Yādha, raiz primitiva que significa: "conhecer", "saber" (constatar pela visão), "observar", "cuidado", "espiar", "experimentar", "vivenciar", "sentir", etc.

Ao que parece, Joquebede volta para casa, e o plano seria mais ou menos esse: voltar para casa e aguardar juntamente com seu esposo, a perícia das tropas egípcias. Depois que fossem embora, ela regressaria para buscar Moisés! Era um plano arriscado, mas essa era a alternativa que ela encontrou. Joquebede além de ser uma mulher de fé, era estratégica!

À essa altura da análise da passagem, nenhum detalhe fornecido não pode passar desapercebido. É no versículo 4 que Miriã é descrita como expectadora de todo aquele episódio. Ela só tinha 12 anos, não devia estar tão distante de onde morava! Moisés estava escondido entre os juncos à beira do rio.

Não há registros de que Miriã tenha acompanhado o cestinho navegando pelo rio. Caso tivesse acontecido assim, Joquebede estaria arriscando a vida dos seus dois filhos.

VI- A FILHA DE FARAÓ ENCONTRA MOISÉS E SE COMPADECE DELE:

Por outro lado, a filha de Faraó DESCE para se banhar no rio (veja que em momento algum o texto diz que o cestinho saiu navegando pelo rio em direção à princesa). Ela estava acompanhada por suas donzelas, que passeavam pela beira do rio.

Essa descrição do verso 5 foi comunicada pela própria Miriã que via tudo de longe. Inferimos que ela contou a sua família, e que lá na frente, relatou ao próprio Moisés como aconteceu.

Então a princesa vê o cesto no carriçal (veja que ele está no mesmo local onde foi colocado), envia uma criada e o toma. Ao abrir se deparou com a criança. Moisés chorava! Essa cena ficou marcada na memória de Miriã. Sua mãe cercou o cesto de tal modo que ali os insetos não perturbassem seu filho. Isso não impediu que Moisés chorasse. Estava agoniado naquele cesto escuro, longe de sua família.

Não é Moisés que vai até à princesa, é a princesa que vai até o local perto onde ele estava, e ali manda trazê-lo!

Nessa hora, talvez Miriã estivesse trêmula por dois motivos: primeiro, seu irmão estava em perigo; segundo, ela não podia fazer nada com as mãos. A reação de Miriã não foi registrada na Bíblia, entretanto, imagine comigo: Joquebede livrou seu filho das tropas de Faraó por três meses, e agora Moisés estava ali nas mãos da filha do homem mais cruel daquele império!

Enquanto isso, supomos que Joquebede estava em casa. Não sabia o que estava acontecendo! A Bíblia diz que a filha de Faraó teve compaixão do menino. O ódio de seu pai não transpareceu naquele momento. Ela logo reconheceu a identidade da criança.

Moisés chorava, parecia estar faminto! Precisava ser amamentado! Sendo assim, a filha de Faraó ainda não o levaria para o palácio. A princesa se encantou com o menino a tal ponto de não querer matá-lo. O versículo 2 informa que Moisés era formoso (hb. Tôbh: "formoso", "belo", "agradável").

É interessante que o rio Nilo era um ambiente de morte, muitos bebês eram lançados ao Nilo para serem consumidos pelos crocodilos. A atitude da princesa devia ser a mesma. Porém, Deus contraria a lógica humana e traz vida àquele ambiente. O que Moisés tinha que encantou a filha de Faraó? Não sabemos! Não era ele um simples recém-nascido hebreu? Aparentemente sim! A princesa jamais imaginava que ali estava diante de si, aquele que libertaria Israel do Egito! Naquele momento, o que estava planejado para dar errado, deu certo. "Este é menino dos hebreus." disse a princesa às donzelas.

Possivelmente, a princesa identificou que era um menino hebreu pelas vestes do menino, típica de israelitas. Sim, as vestes dos hebreus eram diferentes das vestes egípcias!

VII- A ATITUDE ESTRATÉGICA DE MIRIÃ TRAZ MOISÉS DE VOLTA PARA JOQUEBEDE:

Miriã que de longe observava tudo, precisava tomar uma atitude, não tinha muito tempo. Ficar, fugir ou ir buscar ajuda? Era isso que se passava em sua mente. Se Miriã tivesse ido embora buscar ajuda ou fugir, talvez nunca mais veria Moisés. Ela não sabia o que faria a princesa com seu irmão.

A narrativa bíblica continua: "Então a irmã do menino aproximou-se e perguntou à filha de Faraó: 'A senhora quer que eu vá chamar uma mulher dos hebreus para amamentar e criar o menino?' 'Quero', respondeu ela. E a moça foi chamar a mãe do menino. Então a filha de faraó disse à mulher: 'leve este menino e amamente-o para mim, e eu pagarei você por isso.' A mulher levou o menino e o amamentou." (Êxodo 2.7-9 NVI).

Miriã entra em cena com um plano! Entretanto, foi preciso coragem para executá-lo. Saiu de onde estava com uma sugestão e se direciona à princesa. Quem sabe não lhe vieram dúvidas à mente? "Eu só tenho doze anos, será que ela vai me ouvir?"

Com coragem, Miriã apresenta sua sugestão e a princesa se agrada. Sem perder tempo, ela chama sua mãe Joquebede. Seja correndo ou andando, a moça chega em casa. Com coração acelerado, Miriã conta o episódio e Joquebede prontamente vai ao local. Algo extraordinário estava acontecendo!

Joquebede recebeu autorização real para amamentar e criar seu filho livremente, e ainda seria paga por isso! Deus lhe deu três coisas: seu filho, autorização e remuneração.

A expressão "cria-mo" usada no versículo 9, vem do hebraico Yānaq, raiz primitiva que significa: "dar leite", "amamentar", "criança de peito", "sugar." Provavelmente, Moisés ficou com Joquebede até os três ou quatro anos, tempo suficiente para criá-lo no temor de Deus!

"Tendo o menino crescido, ela o levou à filha do faraó, que o adotou e lhe deu o nome de Moisés, dizendo: 'Porque eu o tirei das águas'." (Êxodo 2.10 NVI). Moisés (hb. Mošeh: tirar da água, isto é, resgatado).

Conclusão: Diante de tudo que foi abordado acima, podemos compreender a grandeza de Deus na preservação da vida de Moisés. Hoje, o Senhor continua cuidando dos seus, dando-nos estratégias para viver nesse mundo maligno.

Com Joquebede eu aprendo a confiar em Deus e não temer as afrontas do adversário. Ainda que não estejamos entendendo as tempestades que estão nos cercando, devemos confiar em Deus assim como Joquebede. Preserve, cuide, ame, faça tudo que estiver ao alcance para proteger sua família e as pessoas que você ama.

Com Moisés eu aprendo e a esperar em Deus e a ter convicção de que dele vem o nosso socorro. O socorro de Moisés foi enviado pela próprio Deus. Não era só a vida de um menino que estava sendo salva. 80 anos depois, toda a nação de Israel estaria sendo liberta do Egito, pelo poder de Deus através de Moisés. Quando repousamos sob os cuidados de Deus o mal pode até nós cercas, porém a vitória é certa!

Com Miriã eu aprendo a observar o meu irmão, independente da idade. Miriã é a prova viva de que a maturidade se demostra nas mais simples atitudes. Miriã sentiu de perto a dor da sua mãe e sua preocupação. Era uma moça responsável e obediente. Não se desesperou com as dificuldades. Em vez de fugir, ficou, pensou e elaborou uma solução. Precisamos de pessoas como Miriã nessa vida. Já temos muita gente que identificam o problema, mas não providenciam a solução.

Com a filha do Faraó, eu aprendo que Deus também trabalha no coração daquelas pessoas que menos esperamos. Ninguém imaginava que a princesa reagiria daquela maneira. O ódio deu lugar à compaixão. Poucas pessoas percebem isso, mas a princesa desobedeceu seu próprio pai. Ela reconheceu que o menino era hebreu e mesmo assim insistiu em deixá-lo viver.

Por fim, eu aprendo com Deus, o único digno de todo mérito nesse acontecimento. Que possamos ser gratos a Deus por tudo que tem ele tem feito por nós, em nome de Jesus! Amém!

BIBLIOGRAFIA:

Bíblia de Estudo Palavras-Chave Hebraico e Grego. Rio de Janeiro: CPAD, 2010.
CHAMPLIN, R.N. Enciclopédia de Bíblia, teologia e filosofia. Vol 3. São Paulo: HAGNOS, 2004.
SWINDOLL, Charles. Moisés: um homem dedicado e generoso. São Paulo: Mundo Cristão, 2000.