Por Everton Edvaldo
Nos últimos anos tem havido entre os Pentecostais um grande interesse pela pregação expositiva. Isso é louvável e até mesmo maravilhoso, no entanto, alguns têm caído na falácia do engessamento. A ideia de que somente a pregação expositiva é eficaz e até mesmo correta. Alguns até já teorizam: "Somente a pregação expositiva pode salvar os Pentecostais das ameaças teológicas que assolam seus púlpitos." Tudo bobagem!
Em primeiro lugar, é verdade que a pregação expositiva é em seus muitos aspectos, a melhor e até mesmo a mais eficaz, na hora da pregação. Porém, ela não é a única.
Em segundo lugar, a pregação expositiva é metodológica assim como as outras. Isto significa que todas elas são metódicas e têm o seu valor e papel, e quando bem exploradas podem trazer o mesmo resultado que é o de comunicar a vontade de Deus aos homens.
Em terceiro lugar, a própria Bíblia atesta o uso da variedade de estilos de pregação. O maior exemplo talvez seja a Carta aos Hebreus, ela que é considerada por muitos teólogos como sendo uma Homilia, tem uma estrutura que se aproxima mais da pregação temática, sistemática...
Em quarto lugar, existem passagens das Escrituras que é impossível você pregar expositivamente.
Essa "supremacia da pregação expositiva" no meio reformado e que já é querida por muitos Pentecostais, pode até mesmo ser perigosa para nós. Perigosa? Como? Apesar de na história do Movimento Pentecostal haver pregadores que pregassem expositivamente, é característico do próprio Movimento a pregação textual e temática. É basicamente dessa forma que conduzimos nossas mensagens evangelísticas às massas mais pobres e por incrível que pareça, aliado com outras coisas, é esse estilo de pregação que tem feito com que nós cresçamos assustadoramente como nenhum outro movimento evangelístico do mundo cristão. Substituir isso pela pregação expositiva, talvez seria um tiro no pé! Porque? Porque a pregação expositiva é atípica ao Movimento. Ela é estritamente didática, sendo melhor utilizada para fins de ensino doutrinário, para crentes.
Em última instância, toda pregação é expositiva em algum sentido, porque seja de forma textual, temática ou verso por verso, ela expõe as verdades de Deus. Porém, pregar expositivamente (versículo por versículo) não é tão simples assim.
Não se limita simplesmente a expor versículo por versículo ou palavra por palavra. Isso é apenas uma faceta da laranja. Me admiro quando alguém me diz elaborou uma pregação expositiva em três dias, porque isso é algo trabalhoso e requer tempo de preparação. A pregação (homilia) é apenas o resultado de uma hermenêutica exegética qua analisa não apenas o texto, mas a língua, a linguagem, o autor, a mente do autor, o contexto e uma série de outras coisas. Disse isso porque aqui no Brasil, tem sido vendida uma ideia de pregação expositiva fascinante, simples e que "cola" em que qualquer situação, quando na verdade, a escolha do estilo do sermão deve depender de uma série de fatores. Por exemplo, o público, a liturgia e até mesmo a natureza do culto. Essas coisas devem nortear a nossa decisão sobre que tipo de sermão pregar.
Esse texto não é para frear o interesse dos Pentecostais por ela, mas para que se faça bom uso e não caia no engessamento de alguns reformados. Afinal, uma coisa boa pode se tornar má, não porque seja má em si, mas pela sua má utilização. Nessas horas, o bom senso deve estar aguçado! Espero que tenham entendido que não estou denegrindo-a, mas apenas decentralizando-a para que possamos manusear e explorar também outros estilos de pregação. A oportunidade é agora! Se depois desse texto, você ainda insistir em somente pregar expositivamente, lamentavelmente você está prestando culto a um método. Cuidado!












