4 de julho de 2017

A grandeza da Bíblia.


Por Everton Edvaldo

Quando Deus resolveu inspirar Moisés para que desse os primeiros passos no registro da Sua Palavra, talvez os israelitas contemporâneos de Moisés mal imaginaram que haveria tanta repercussão desse projeto tão glorioso. A partir de Moisés, a Palavra de Deus ganha a forma escrita a ponto de ser inerrante, poderosa e consoladora. Desde o Gênesis ao Apocalipse, Deus se revela ao homem e trata de lhe fornecer tudo quanto é necessário para alimentar seu espírito. Sendo assim, o alvo da Bíblia é alcançar a parte mais essencial do ser humano, isto é, alma. E é através dela que Deus se comunica conosco, revelando seu plano salvífico para o mundo. 

Passemos agora a conhecer um pouco do papel desempenhado por ela ao longo dos séculos.

Um livro diferente de todos os outros.

Conforme a comunicação foi evoluindo e o paganismo também, o homem logo tratou de registrar suas descobertas, experiências e crônicas de heroísmo. No campo da religião, ídolos e deuses também ganharam espaço na literatura, arte e arquitetura da humanidade. A linguagem ficou à serviço daqueles que se rebelaram contra Deus. Não é nada difícil achar na antiguidade algum relato de guerra, catástrofe e conquistas que não tenha relação com deuses pagãos.

Entretanto, a Bíblia trafega numa direção totalmente contrária desse ritmo pagão, pois foi inspirada pelo criador do universo e da terra. É por isso que ela é um livro diferente de todos os outros. Até hoje ninguém jamais conseguiu produzir algo que chegue perto ou que mude a vida de tantas pessoas como faz a Bíblia.

É preciso ter em mente que não estamos lidando com um livro comum, mas sim com a própria Palavra de Deus.

Um guia para a caminhada do homem.

Tente imaginar alguém que precise chegar a determinado lugar mas não sabe o caminho, quais perigos encontrará e como irá enfretá-los de cabeça erguida. Certamente esse alguém irá procurar por vários caminhos que não o levaram ao destino que ele precisa chegar. Estará vulnerável aos perigos e não resistirá a eles por estar despreparado.

A Bíblia aponta um caminho para nossas vidas. Ou melhor, ela é o próprio guia do homem.

Para os judeus, Moisés é o principal responsável pela transição da transmissão da Palavra de Deus oral para escrita. Através Dele e direcionado aos Israelitas, Deus lhes dá a Torá contendo o caminho de conduta que eles deveriam seguir. Ali havia orientação cívica, ética, moral e religiosa. Toda instrução para que a benção do SENHOR não saísse das suas tendas estava ali (Lv 26.3-13; Dt 7.12-24; 11.26,27; 28.1-14).

O próprio Moisés encarava como conduta de vida aquilo que o SENHOR lhe transmitia:

"Agora, pois, ó Israel, ouve os estatutos e os juízos que eu vos ensino, para os cumprirdes, para que vivais, e entreis, e possuais a terra que o SENHOR, Deus de vossos pais, vos dá. Nada acrescentareis à palavra que vos mando, nem diminuireis dela, para que guardeis os mandamentos do SENHOR, vosso Deus, que eu vos mando." (Dt 4.1,2).

E mais:

"Eis que vos tenho ensinado estatutos e juízos, como me mandou o SENHOR, meu Deus, para que assim façais no meio da terra que passais a possuir. Guardai-os, pois, e cumpri-os, porque isto será a vossa sabedoria e o vosso entendimento perante os olhos dos povos que, ouvindo todos estes estatutos, dirão: Certamente, este grande povo é gente sábia e inteligente." (Dt 4.5,6).

E Deus confirma:

"Cuidareis em fazerdes como vos mandou o SENHOR, vosso Deus; não vos desviareis, nem para a direita, nem para a esquerda. Andares em todo o caminho que vos manda o SENHOR, vosso Deus, para que vivais, bem vos suceda, e prolongueis os dias na terra que haveis de possuir." (Dt 5.32,33).

Esse princípio deveria ficar não só com aqueles que estavam ouvindo essas coisas mas deveria ser transmitido aos seus filhos. (Cf Dt 6.1-13; 6.21-25). Veja ainda Dt 11.1,2,6,11.

Não há como viver uma vida abençoada fora da Palavra de Deus. Qualquer país, família e indivíduo que despreza essas Palavras não desfrutam da verdadeira felicidade. Isso acontece porque ela é o verdadeiro caminho e quem por ela não anda está completamente sem rumo.

Altamente confiável.

A precisão bíblica a respeito de qualquer assunto é impressionante. Se você tiver alguma dúvida sobre praticar ou não alguma coisa e a Bíblia lhe desencoraja a fazê-lo, não faça. Há pessoas que mesmo com um pronunciamento claro da Bíblia sobre determinado tema, insistem em não acreditar no que está escrito. Tais pessoas esquecem que a Bíblia é a Palavra de Deus e Deus não mente.

Outras erram em confiar mais nos homens do que nela. Infelizmente, elas não reconhecem a grandeza da Bíblia. Sem dúvida, a Bíblia é o livro mais confiáveis do mundo. Devemos ter em mente que o que a ciência, o homens e os reis da terra dizem são inferiores ao que diz à Palavra de Deus. Com isso não estou desprezando a ciência, os homens e os reis da terra, nem afirmando que tudo quanto falam são mentiras. Estou apenas colocando-os no seu devido lugar. Quando se trata de autoridade e confiabilidade, nada está acima ou de igualdade com a Bíblia.

Também há quem repita o adágio popular: "A voz do povo é a voz de Deus" para dar credibilidade ao que desejam. Porém, isso é uma grande mentira, pois, a voz do  povo é a voz do povo e a voz de Deus é a voz de Deus. Metaforicamente falando, a voz do povo só será a voz de Deus quando a voz do povo estiver pautada na Palavra Dele.
Agostinho de Hipona, ilustra essa verdade com a seguinte frase:

"Senhor, por acaso não será verdadeira a tua Escritura, ditada que foi por ti, que és verdadeiro, ou melhor, que és a própria Verdade? [...] E dizes, falando com voz poderosa ao ouvido do teu servo, rompendo-lhe a surdez e clamando: 'O que a minha Escritura diz, eu digo'." (FERREIRA, p. 89).

Fonte de vida e sabedoria.

Ao longo dos séculos, milhares de livros foram escritos falando sobre a vida e sabedoria, no entanto, é na Bíblia que podemos encontrar essas coisas plenamente. A Bíblia fala da vida aqui na terra e transcende essa esfera revelando que há algo mais após a morte: a vida eterna. Essa, nenhum homem pode dar ou comprar, porém receber. O homem está morto em delitos e pecados e caminha para uma eternidade sem Deus, isto é, a morte eterna. No entanto, a Palavra de Deus apresenta uma solução para esse quadro: Jesus Cristo. Jesus é o verbo de Deus para salvar a humanidade da morte eterna e lhe dar sentido aqui e na eternidade.

Além disso, a Bíblia é a fonte da sabedoria de Deus. Sobre a sabedoria, Deus diz: "Meu é o conselho e a verdadeira sabedoria, eu sou o Entendimento, minha é a fortaleza." (Pv 8.14). Ou seja, Deus é o dono da sabedoria, nada mais lógico que buscá-la na Palavra Dele (Pv 8.17).

Portanto caro leitor, leia a Bíblia, pratique o que ela ensina e estude-a. Você não se arrependerá ao fazer essa escolha que resultará em bençãos incríveis aqui e na eternidade. Amém!

Que Deus abençoe a todos!

22 de junho de 2017

Deus, o principal anunciante da chegada do Salvador ao mundo!



Por Everton Edvaldo 

Durante a leitura dos três primeiros capítulos do evangelho de Lucas, notei algo glorioso nas entrelinhas dessas passagens. Algo que geralmente passa desapercebido aos nossos olhos quando vamos estudar acerda do nascimento de Jesus: o papel primário executado por Deus entre seu povo.

É bastante interessante o método que Deus usou para revelar Jesus ao Seu povo antes mesmo de João Batista. A gente costuma entender que João Batista é a grande jogada de Marketing de Deus para anunciar o Messias. Isso é verdade, no entanto, Batista é só a consumação dessa revelação. Antes dele, Deus foi o primeiro propagador da chegada do Messias ao mundo. Deus revelou a chegada de Jesus de múltiplas formas ao Seu povo e o que eu acho engraçado, ou melhor, gratificante é que todos esses acontecimentos foram marcados com louvor e adoração a Deus. O evangelista Lucas nos apresenta detalhes dessas revelações da seguinte forma:

-Deus usa o anjo Gabriel para anunciar o nascimento de Jesus a Maria. (Lc 1.26-35).

-Deus usa Isabel para Maria, falando acerca do fruto do seu ventre, isto é, Jesus. (Lc 1 .41,42). Detalhe: João Batista ainda no ventre se alegrou e Maria entoou um cântico a Deus. (Lc 1. 44; 46-55).

-Deus envia um anjo e faz brilhar sua glória ao redor de pastores que viviam nos campos. A eles, Deus revela, através do anjo, que nasceu o Salvador. (Lc 2. 8-11). A eles, também aparece uma multidão da milícia celestial de anjos adorando a Deus nas maiores alturas (Lc 2.14). Detalhe: os pastores glorificaram e louvaram a Deus (Lc 2.20).

-Deus revela a Simeão, um homem justo e piedoso que ele não morreria antes de ver o Messias. Quando Jesus foi ser circuncidado, ele o tomou nos braços e louvou a Deus. (Lc 2. 25-30).

- Por fim, Deus usa Ana, uma profetiza e viúva de 84 anos, que dando graças a Deus, falava do menino a todos que esperavam a redenção de Jerusalém (Lc 2. 36-38).

E foi assim que a chegada do Messias foi anunciada: cheia de revelações, alegria e louvor. Nessas passagens, Deus usa anjos, homens/mulheres e circunstâncias a seu favor, mas nenhum deles é adorado, pelo contrário, a adoração é voltada única e exclusivamente para Deus. Creio que o próprio Deus se alegrava com isso, já que toda glorificação estava circulando em torno Dele e para Ele. 

Com isso se ratifica ainda mais a afirmação de que Deus é o maior evangelista de toda a história. Suas ações e intervenções na humanidade sempre resultam em louvor, avivamento e alegria. 

E assim "crescia o menino e se fortalecia, enchendo-se de sabedoria; e a graça de Deus estava sobre ele." (Lc 2. 40).

Essas coisas foram necessárias até que João Batista crescesse e exercesse seu ministério dado por Deus de ser precursor do Messias. João Batista também é fruto dessa obra grandiosa de Deus e um instrumento nas mãos dele. 

O que Deus fez antes de Batista marcou a vida de muitas pessoas. Isto significa que quando João Batista iniciou seu ministério, várias pessoas já tinham conhecimento de que o Salvador havia chegado para eles. Ciente disto, o terreno estava pronto para que a "...voz que clama no deserto" (João 1.23), fizesse a vontade de Deus. Toda essa perfeição e obra iniciada pelo Senhor foi contemplada por João Batista e é por esse motivo que ele pode afirmar com segurança as seguintes verdades: 

"... todos nós temos recebido da sua plenitude e graça sobre graça." (João 1.17).

"Ninguém jamais viu a Deus; o Deus unigênito, que está no seio do Pai, é quem o revelou." (João 1.18).

"Eis o cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!" (João 1.29).

E por fim dizer: "Convém que ele cresça e que eu diminua." (João 3.30).

Amém! 

14 de junho de 2017

20 frases de Armínio sobre Romanos 9



Por Everton Edvaldo

"Eu confesso, francamente, que este capítulo sempre me pareceu estar envolvido na maior obscuridade e sua explicação tem se mostrado difícil..." (p. 14).

"... a justiça e a salvação devem ser obtidas pela fé em Cristo, não pelas obras da lei." (p. 16).

"Mas os filhos da promessa são aqueles que buscam a justiça e a salvação pela fé em Cristo." (p. 24)

"... Deus colocou a condição do pacto da graça, não em uma perfeita obediência à lei, como previamente visto, mas na fé em Cristo." (p. 36).

"...  Deus ama aqueles que buscam a justiça e a salvação pela fé em Cristo, mas odeia aqueles que buscam a mesma coisa pelas obras da lei." (p. 37).

"... todos aqueles que buscam a salvação pelas obras da lei, estão condenados à servidão e são odiados por Deus." (p. 38).

"Deus tem determinado salvar, imutavelmente , desde a eternidade, aqueles que creem em Cristo..." (p. 42).

"... não devemos de modo algum admitir o pensamento de que há injustiça em Deus."(p. 48).

"... por culpa do homem, a aliança, firmada na criação, foi anulada, e, portanto, Deus, livre de sua obrigação, poderia ter punido o homem de acordo com o seu demérito, ou ter instituído outro propósito em Sua própria mente. Para que isso pudesse ser para o bem do homem, era necessário que a misericórdia devesse intervir, a qual deveria perdoar o pecado e organizar uma condição que Ele pode, pelo auxílio da própria misericórdia, ser capaz de executar." (p. 48).

"Um ato que é inevitável por causa da determinação de qualquer decreto, não merece o nome de pecado." (p. 57, 58).

"Nada é mais comum na Escritura, do que [o fato de que] os pecadores, ao perseverarem em seus pecados contra a longanimidade de Deus, que os convida ao arrependimento, são aqueles a quem Deus quer endurecer." (p. 62).

"... Deus é Aquele que te fez e que te formou." (p. 67).

"... Deus tem o mesmo direito sobre a Sua própria criatura que o oleiro tem sobre aquilo que ele faz." (p. 68).

"Deus fez o homem para a Sua própria glória, isto é, não que Ele devesse receber glória do homem, mas para que Ele pudesse demostrar Sua própria glória de uma forma muito mais distinta, pelo homem, do que por Suas outras criaturas." (p. 75).

"Mas o homem foi feito, apenas, para que ele pudesse ser um vaso daquela bondade, justiça, sabedoria e poder, e, assim, ele foi um vaso para demostrar a gloria divina." (p. 77).

"Deus não fez o homem para que ele pudesse ser somente aquilo para o qual ele foi feito, mas para que ele pudesse tender à maior perfeição." (p. 77).

"... Deus faz o homem um vaso; O homem faz a si mesmo um vaso mau, ou um pecador, Deus determina fazer o homem, de acordo com as condições, satisfatórias para Si mesmo, um vaso de ira ou de misericórdia, e isso Ele na verdade faz, quando a condição é ou cumprida, ou perseveradamente negligenciada."(p. 82).

"Se alguém disser que Deus tem poder absolutamente ou incondicionalmente para tornar um homem um vaso para desonra e ira, ele fará a maior injustiça à Divindade, e irá contradizer a clara declaração da Escritura." (p. 83).

"Pois Ele não está irado com eles, [os endurecidos] a menos que eles já tenham se tornado vasos de ira; nem Ele, quando, por seus próprios méritos, eles foram preparados para a destruição, imediatamente, de acordo com o Seu próprio direito, leva a cabo a Sua ira na sua destruição, mas Ele os suporta, com muita longanimidade e paciência, convidando-os à penitência e esperando por seu arrependimento..." (p. 92).

"Se alguém me mostrar que essas coisas não estão em conformidade com o sentimento de Paulo, eu estarei pronto para dar a questão por vencida; e, se alguém provar que elas são incompatíveis com a analogia da fé, eu estarei pronto para reconhecer a falha e abandonar o erro." (p. 96).

Bibliografia: 

ARMÍNIO, Jacó. Uma análise de Romanos 9. [tradução e notas de Carlos Augusto Vailatti]. São Paulo: Reflexão, 2016.

23 de março de 2017

A genuína Predestinação Bíblica



Por ​Claudionor de Andrade

​INTRODUÇÃO:

​João não precisou de muitas palavras, para mostrar que Deus jamais predestinaria alguém à perdição eterna. No prólogo de seu evangelho, ele deixa bem patente que o amor divino não contempla exclusões; é sempre inclusivo. Mais adiante, descreve a ação salvadora do amoroso Pai com esta belíssima declaração do Cristo: “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3.16). Logo, se o pecador receber Jesus, herdará a bem-aventurança eterna. Mas, recusando-o, será condenado ao eterno e indescritível suplício. Isso significa, que, até o momento da recusa consciente, nenhuma pré-condenação há contra esse pecador. Ele tanto pode salvar-se, crendo em Jesus, como perder-se, rejeitando-o.

Este é o Plano da Salvação que Jesus, por amar-nos singularmente, consumou no Calvário. Tendo a predestinação como uma de suas principais colunas, é eficaz para livrar-nos do pecado e da ira vindoura. Neste artigo, mostrarei, com a ajuda de Deus, que a predestinação ensinada nas Escrituras Sagradas é sempre salvadora. Os que Deus predestina, predestina-os sempre à salvação. E, quando alguém se perde, perde-se por não haver se curvado ao senhorio de Jesus Cristo.

I. UMA DEFINIÇÃO TRANQUILIZADORA

Se não fosse o rigor extremado da escolástica protestante do século 17, não estaríamos a debater, hoje, com tanta ênfase e desamor, a doutrina da predestinação. Para certos grupos, Agostinho e Calvino têm mais voz do que Paulo, e são mais ouvidos do que o próprio Cristo. Mas isso não deve levar-nos à guerra teológica ou à guerrilha hermenêutica. Deixemos, pois, a Palavra de Deus falar livremente, para que o Deus da Palavra fale com liberdade e redenção.

1. Definição etimológica. A palavra predestinação significa, etimologicamente, destinar antecipadamente. Em o Novo Testamento, o vocábulo grego proorizō, traduzido em nossas Bíblias como o verbo predestinar, traz a ideia de uma ação determinada, ou decidida, de antemão pelo amoroso e presciente Deus. O termo é usado por Paulo, a fim de ressaltar a beleza da salvação em Jesus Cristo (Rm 8.29,30; Ef 1.5, 11).

2. Definição teológica. O predestinacionismo é definido como a doutrina segundo a qual Deus, em sua inquestionável soberania, predestinou uma parte dos seres humano à salvação eterna, e outra, à eterna perdição. Assim entendia o teólogo francês João Calvino (1509-1564). Em cima dessa proposição, os protestantes, conhecidos como reformados, alicerçaram a sua soteriologia; é a pedra de esquina de todo o seu edifício teológico.

O predestinacionismo é conhecido também como a dupla predestinação.

A predestinação genuinamente bíblica, porém, é o ensino de acordo com o qual Deus, com base em seu amor e presciência, elege para a vida eterna os que, ouvindo o chamamento da graça, não a resistem, mas, pela fé, recebem Jesus Cristo como o seu redentor pessoal (1 Pe 1.2; Ef 2:8,9). Logo, os que não atendem ao chamamento do Evangelho destinam-se, a si próprios, à condenação eterna (Jo 16:8-11).

Conforme já dissemos, a predestinação divina é sempre positiva. Deus jamais pré-condenaria alguém ao lago de fogo. Se, por um lado, é soberano, por outro, é amoroso, justo e bom. Quem se perde, perde-se por desprezar o Filho de Deus.

III. A PREDESTINAÇÃO DIVINA É SALVADORA

Na Bíblia Sagrada, não encontramos um versículo sequer, que nos autorize a afirmar ter o amoro Deus predestinado, quer um gentio, quer um judeu, ao lago de fogo. Em todos os casos em que aparece o verbo predestinar, contemplamos o Pai Celeste sempre a eleger, em seu pré-conhecimento, os que se predispõem, ao ouvir o Evangelho, a crer em Jesus Cristo e a recebê-lo como Redentor.

1.​ Eleitos na presciência de Deus. Em sua primeira epístola, Pedro descreve admiravelmente como se dá a nossa predestinação: “eleitos, segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a obediência e a aspersão do sangue de Jesus Cristo, graça e paz vos sejam multiplicadas” (1Pe 1.2).

Desta passagem, infere-se logo que Deus predestinou-nos à vida eterna com base em seu amor presciente, tendo como parâmetro a nossa atitude frente ao Evangelho. Conhecendo-nos previamente a propensão à sua graça, aplainou-nos o caminho, para que, no trecho mais oportuno de nossa jornada, viéssemos a encontrar-nos com o Senhor Jesus. Haja vista o ocorrido com Paulo nas proximidades de Damasco (At 9.1-15). Já converso, o apóstolo reconhece haver sido escolhido pelo Senhor desde os seus antepassados (Gl 1:15; 2Tm 1:3).

2. Predestinados pelo conhecimento prévio de Deus. Na Carta aos Romanos, Paulo explica-nos de que maneira Deus nos predestinou à salvação: “Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos” (Rm 8.28).

Tão clara é esta passagem, que ela, por si só, é suficiente para deitar por terra todo o edifício da dupla predestinação. Segundo ensina claramente o apóstolo, Deus, antes de predestinar-nos, conheceu-nos. E, só depois de conhecer-nos, foi que nos elegeu à salvação com base nos méritos de seu Filho, Jesus Cristo. O que experimentamos aqui? A atuação do amor presciente do Pai Celeste.

3. Predestinados para Deus por meio de Cristo. Ao predestinar-nos à vida eterna, Deus não foi movido apenas por sua inquestionável soberania; moveu-o também, antes e acima de tudo, o seu inexplicável amor, conforme realça o apóstolo: “nos predestinou para ele, para a adoção de filhos, por meio de Jesus Cristo, segundo o beneplácito de sua vontade” (Ef 1.5).

Deus não nos predestinou meramente à salvação; ao predestinar-nos, adotou-nos como filhos em seu Filho. E, de forma tão carinhosa e terna, sempre fomos vistos pelo Pai Celeste. Pode haver maravilha maior que esta?

4. O chamamento dos predestinados. Num primeiro momento, Deus nos predestina à vida eterna; num segundo, chama-nos à revelação de Cristo através da proclamação do Evangelho. Ato contínuo, justifica-nos e, quando do arrebatamento, glorificar-nos-á, conforme acentua o apóstolo Paulo: “E aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e aos que justificou, a esses também glorificou” (Rm 8.29).

Diante dessa cadeia de ouro, o que fazer? Proclamemos o Evangelho a todos, em todo o tempo e lugar, por todos os meios disponíveis. Ouçam-no todos, indistintamente. Muitos, constrangidos pela mensagem da cruz, receberão o Cordeiro. Quanto aos rebeldes, que se conscientizem do Juízo Final. De posse de um arbítrio livre, desimpedido, mas contumaz e soberbo, rejeitaram o Salvador de todos os homens (1Tm 4:10). Agora, resta-lhes a terrível expectativa do castigo eterno: o lago de fogo (Ap 20:15).  

5. A predestinação no conselho da vontade divina. A base da predestinação genuinamente bíblica é o amor de Deus. Amando-nos com um amor ainda inexplicável, estabeleceu um plano para a salvação de toda a humanidade antes mesmo que viéssemos a existir. Atentemos ao que escreveu Paulo aos irmãos de Éfeso: “Nele, digo, no qual fomos também feitos herança, predestinados segundo o propósito daquele que faz todas as coisas conforme o conselho da sua vontade” (Ef 1.11).

O maravilhoso conselho mencionado pelo apóstolo contemplava a criação do mundo, a formação do ser humano, a redenção deste e a nossa união eterna com o Pai através do Filho. E, para que o Plano de Salvação se efetivasse, Deus chamou, santificou e preparou dois povos (Gn 12:1-3). No Antigo Testamento, Israel. E, no Testamento Novo, a Igreja (Ef 3:9-11).

IV. A PREDESTINAÇÃO DE ISRAEL E DA IGREJA

Coletivamente, tanto Israel quanto a Igreja foram predestinados a serem povo de Deus. Eles jamais deixarão de ser a herança peculiar do Senhor. Individualmente, porém, cada um, de per si, deve perseverar até o fim, para que seja glorificado com o Senhor Jesus.

1. A predestinação de Israel. Em Abraão, o Senhor predestinou Israel a ser o povo escolhido e santo, por excelência, através do qual todas as famílias da terra seriam abençoadas (Gn 12:1-3). Moisés destaca os israelitas como a propriedade mui particular do Senhor (Dt 7.6). Mais adiante, já no tempo de Isaías, o Deus de Abraão declara amor eterno à progênie de Jacó (Is 44:21; 49:3). O apóstolo Paulo, inspirado pelo Espírito Santo, confirma a predestinação dos hebreus como povo sacerdotal e profético do Senhor. No fechamento da História Sagrada, todo o Israel (o remanescente fiel e piedoso) será redimido, salvo e glorificado (Rm 11:26).

Se Israel, coletivamente, está predestinado a ser povo de Deus, individualmente, cada israelita é chamado a perseverar nos caminhos divinos até o fim. Por intermédio de Ezequiel, o Senhor é categórico quanto à responsabilidade de cada indivíduo: “A alma que pecar, essa morrerá; o filho não levará a iniquidade do pai, nem o pai, a iniquidade do filho; a justiça do justo ficará sobre ele, e a perversidade do perverso cairá sobre este” (Ez 18:20).

Logo, apesar da predestinação coletiva de Israel, como povo de Deus, ser um fato inquestionável, cada israelita é exortado a permanecer no caminho divino. Caso contrário, não será contato como propriedade do Senhor.

2. A predestinação da Igreja de Cristo.  A Igreja, quer você persevere no caminho da santíssima fé, quer dele se desvie, jamais deixará de ser o povo Deus. Formada por judeus e gentios, ela foi predestinada, na mais remota eternidade, a ser a Noiva do Cordeiro (Ef 3.1-21). Por esse motivo, o próprio Senhor instiga-nos a ir até o fim, para que jamais venhamos a perder a salvação (Mt 24:13; Ap 2:10).

Infelizmente, não são poucos os que, apesar de haverem experimentado a salvação, vêm a desprezar o Cordeiro de Deus e a pisar o sangue da Nova Aliança (Hb 10.26-30). Mencionemos, também, os que, nestes últimos dias, apostatam da fé, ignorando por completo o Crucificado (1Tm 4.1). Os tais, apesar de terem feito, um dia, parte da Igreja de Cristo, de Cristo se desviaram. E, assim, deixaram de fazer parte de seu corpo místico.

Tendo em vista o que acima expusemos, uma pergunta faz-se imperiosa: Pode o predestinado vir a perder a salvação? Antes de a respondermos, vejamos como se dá o processo salvador na vida de quem recebe Jesus como o seu Salvador.

V. O PROCESSO DE SALVAÇÃO

1. A salvação na presciência divina. Deus conhece todas as coisas antes mesmo de estas tornarem-se fatos e proposições. Através de Isaías, Ele fala de sua presciência: “Lembrai-vos das coisas passadas da antiguidade: que eu sou Deus, e não há outro, eu sou Deus, e não há outro semelhante a mim; que desde o princípio anuncio o que há de acontecer e desde a antiguidade, as coisas que ainda não sucederam; que digo: o meu conselho permanecerá de pé, farei toda a minha vontade” (Is 46.9,10).

Em sua amorosa presciência, Deus já sabia, desde a mais impensada eternidade, quem haveria de receber o Senhor Jesus Cristo. Por esse motivo, alcançou, através do Evangelho, cada alma disposta a crer. Nós, portanto, fomos eleitos pelo Pai Celeste antes de virmos ao mundo, conforme enfatiza Pedro: “eleitos, segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a obediência e a aspersão do sangue de Jesus Cristo, graça e paz vos sejam multiplicadas” (1Pe 1.2).

A declaração do apóstolo acha-se em perfeita consonância com a de Paulo: “Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos” (Rm 8.29).

Tendo em vista as passagens acima transcritas, concluímos que, para eleger-nos à vida eterna, Deus utilizou, em primeiro lugar, o amor, que jamais deixou de ser eterno, e a sua presciência, que sempre foi infalível. Ele não usaria nenhum critério que viesse a ferir os próprios atributos morais como o amor, a justiça, a benignidade e a misericórdia. Sua soberania, embora absoluta e inquestionável, é regida por tais virtudes. Portanto, o Deus dos santos profetas e dos apóstolos de Jesus Cristo jamais redigiria o chamado decreto horrível. Ou seja: a predestinação de uma parte de suas criaturas morais, quer anjos, quer homens, ao lago de fogo.

2. O chamamento à salvação. Sabendo, pois, de antemão quem receberia a Cristo, providenciou-nos Deus o chamamento através da pregação evangélica, conforme muito bem explicita Paulo: “E aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e aos que justificou, a esses também glorificou” (Rm 8.30).

Vejamos dois exemplos bastante emblemáticos extraídos dos Atos dos Apóstolos que nos ilustram o texto paulino.
O primeiro é o caso do oficial de Candace, rainha dos etíopes. Do texto sagrado, depreendemos que esse homem ia regularmente a Jerusalém, a fim de adorar a Deus. E, sabendo o Senhor que ele ansiava por salvação, ordenou a Filipe que o evangelizasse (At 8.26-30). Ouvida a palavra da fé, o etíope, recebendo prontamente a Jesus, requer o batismo (At 8.26-30).

Eis, agora, o caso do centurião romano. Este homem austero e grave, fazia continuas orações ao Senhor e, para agradá-lo, socorria os pobres. Sabendo Deus que o seu coração estava predisposto a aceitar Jesus, ordenou que Pedro o evangelizasse. Diante da proclamação do Evangelho, recebeu a fé, e, de imediato, foi batizado no Espírito Santo e até línguas falou (At 10.44-48).

Todavia, não devemos evitar a pergunta: Mesmo conhecido, eleito e predestinado, pode o crente vir a perder a salvação? Busquemos elucidar a questão que tem incomodado tanta gente.

VI A PERDA DA SALVAÇÃO

Para respondermos a essa pergunta, evoquemos o episódio de Atos que narra o naufrágio do navio que levava Paulo a Roma. O apóstolo, ante a iminência do desastre, exorta tripulantes e passageiros a permanecerem a bordo. Se o escutassem, ninguém pereceria. Caso contrário, perder-se-iam. Que todos estavam predestinados a se salvar, não resta dúvida. Contudo, havia uma condição: conservar-se a bordo (At 27;30,31).

De igual forma, dá-se com o salvo. Que ele está predestinado a salvar-se, não há dúvida. Entrementes, deve perseverar até o fim, conforme recomenda o Senhor Jesus (Mc 13:13). Isso não significa que a perda da salvação é algo corriqueiro e banal na vida do povo de Deus, pois temos a consolar-nos a doutrina da perseverança dos santos.

1. A perseverança dos santos. Embora rejeitemos o ensino da segurança absoluta e incondicional de salvação, temos a consolar-nos a doutrina da perseverança do crente neste mundo que jaz no maligno. Eis como Judas, irmão de Tiago, alenta-nos ante as vicissitudes de nossa jornada: “Ora, àquele que é poderoso para vos guardar de tropeços e para vos apresentar com exultação, imaculados diante da sua glória, ao único Deus, nosso Salvador, mediante Jesus Cristo, Senhor nosso, glória, majestade, império e soberania, antes de todas as eras, e agora, e por todos os séculos. Amém!” (Jd 1.24,25).

Não obstante os perigos que nos cercam a peregrinação à Nova Jerusalém, a Bíblia Sagrada garante-nos que é possível ter, neste mundo, uma vida santa, irrepreensível, testemunhal e confessante, sem tropeços, até chegarmos à presença de Deus. Afiança-nos Paulo: “Estou plenamente certo de que aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até ao Dia de Cristo Jesus” (Fp 1:6). Logo, a nossa trajetória espiritual, à semelhança da luz da aurora, vai brilhando cada vez mais, até ser dia perfeito (Pv 4.18).

2. A salvação exige perseverança até o fim. A mesma Bíblia que nos alenta com a doutrina da perseverança, persuade-nos à responsabilidade pessoal. Em suas páginas, o Espírito Santo desperta-nos a perseverar até o fim (Hb 10.38). Ouçamos o Senhor Jesus. Em seus discursos e alocuções, encoraja cada discípulo a ir até o fim, para que seja total, plena e eternamente salvo (Mt 10.22; 24.13; Mc 13.13).

Já que temos as promessas da eleição e as bem-aventuranças da predestinação, vivamos em permanente oração e vigilância (Mt 26.41). Caso contrário, perderemos a coroa da vida eterna (Tg 1,12; Ap 2.10).  

CONCLUSÃO:

Predestinados à eternidade com Deus, não tenhamos uma espiritualidade desleixada e leniente. Esforcemo-nos, então, por alcançar a excelência cristã, pois o Pai Celeste espera sempre o melhor de seus filhos. Eis o que nos recomenda o apóstolo na Epístola aos Hebreus: “Quanto a vós outros, todavia, ó amados, estamos persuadidos das coisas que são melhores e pertencentes à salvação, ainda que falamos desta maneira” (Hb 6.9).

Quanto à possibilidade de o crente predestinado vir a perder a salvação, como alguns de fato a perderam, não vivamos amedrontados, pois temos a ajudar-nos o Espírito Santo. Eis o que Ele promete-nos através do apóstolo: “Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito” (Rm 8: 28).

Que o Senhor nos ajude a permanecer firmes em seus caminhos, pois, em breve, virá Ele buscar-nos para vivermos na Jerusalém Celeste.

Fonte: https://m.facebook.com/story.php?story_fbid=414557822229819&id=100010268147141

7 de março de 2017

Três perguntas que as pessoas fazem sobre o batismo com o Espírito Santo



Por George O. Wood 

A família mundial das Assembleias de Deus hoje totaliza cerca de 68 milhões de pessoas, louvando em mais de 365.000 igrejas! O que o Senhor tem feito ao redor do mundo através de crentes e líderes cheios do Espírito Santo é absolutamente incrível. É vital que não percamos o fator distintivo que tem alimentado este crescimento: nossa dependência do Espírito Santo e nossa doutrina do batismo com o Espírito Santo, com evidência física inicial de falar em outras línguas. 

Pensei que seria útil rever três questões que são frequentemente levantadas por pessoas, dentro e fora de nossa Associação¹, acerca de nosso foco no batismo com o Espírito. Acredito que estas três questões serão benéficas para você. 

O que é o batismo com o Espírito Santo?

O Novo Testamento aponta três batismos. O primeiro é quando o Espírito nos batiza em Cristo (I Coríntios 12:13); isto se chama conversão. O segundo batismo é em águas, a evidência externa de nossa conversão (Atos 2:38,41). O terceiro é quando Cristo nos batiza com o Espírito (Mateus 3:11).

Em cada caso, o batismo representa imersão: imersão em Cristo, imersão em águas, e imersão no Espírito Santo. O agente do batismo é diferente em cada caso: o Espírito na conversão, a pessoa que batiza a outra em águas e Cristo que batiza com o Espírito. Eu amo me referir ao batismo com o Espírito como ser "submerso no Espírito." Esta submersão pode ser subsequente à conversão (Atos 2:4) ou contemporâneo à conversão (Atos 10:44-46). Todos os três batismos devem ser unidos como parte do que chamamos de "grupo de conversão".

Qual é a relação entre falar em línguas e batismo com o Espírito?

Como as pessoas sabem que são batizadas em águas? Bem, elas estão molhadas. Em outras palavras, o batismo em águas tem um componente físico. O batismo com o Espírito também tem um componente físico: falar em outras línguas. A formulação doutrinária para isto é simplesmente que as línguas são a evidência inicial do batismo com o Espírito Santo. Perceba estes três termos descritivos: 

(1) É inicial. É um portão de entrada à vida capacitada pelo Espírito. Ao longo de nossa jornada cristã, falar em outras línguas torna-se um componente vital da oração ao prover o louvor a Deus que vai além de nossos limites de vocabulário e intercessão naqueles momentos em que não sabemos como traçar nossos pedidos numa linguagem aprendida. 

(2) É físico. Isto significa que a fala sobrenatural está envolvida quando falamos numa língua que não aprendemos.

(3) É evidência. Isto é, assim como as pessoas sabem que foram batizadas nas águas porque estão molhadas, nós sabemos que recebemos o batismo com o Espírito Santo porque falamos em outras línguas.

Como recebemos o batismo com o Espírito Santo? 

Jesus disse que deveríamos pedir para receber (Lucas 11:13). Isto é, deve haver uma fome ou um desejo em nossos corações. Nós também devemos lembrar que estamos falando do Espírito Santo; Assim, devemos analisar conscientemente nossas vidas e pedir a Ele para limpar nossos corações.

Muitas vezes ajuda encontrar alguém que tenha recebido o batismo no Espírito colocar as mãos sobre nós e orar para que possamos receber.

Finalmente, quando o Espírito começa a formar palavras desconhecidas em nossos pensamentos, devemos expressá-los: o Espírito está querendo orar através de nós em uma língua que não entendemos. No entanto, devemos lembrar que o batismo com o Espírito é um ponto de partida para viver todos os nossos dias na plenitude do Espírito e em Sua capacitação para nossas vidas.

Texto original: Three Questions People Ask About the Baptism in the Holy Spirit. 

Extraído de HYPERLINK http://penews.org/features/three-questions-people-ask-about-the-baptism-in-the-holy-spirit http://penews.org/features/three-questions-people-ask-about-the-baptism-in-the-holy-spirit. Acesso em 07/03/2017

1. Associação Mundial das Assembleias de Deus. 

Tradução: Thiago Fidelis (fb.com/thiagomfidelis)

Sobre o autor: George O. Wood (B.A., Ph. D., J. D.) é Superintendente Geral das Assembleias de Deus dos Estados Unidos (2007 - )  e Secretário Geral da Aliança Mundial das Assembleias de Deus (2008 - ).

6 de março de 2017

O jovem cristão e o cuidado com as leituras.




Por Everton Edvaldo

Há algumas décadas passadas, estimava-se que 90% dos cristãos não tinham o hábito de ler a Bíblia nem de investir na literatura teológica. O estudo contínuo e sistemático da Bíblia era pouco incentivado e o anti-intelectualismo pairava sobre muitos.

Certamente, existia uma série de fatores que influenciavam esse desinteresse por estudar a Bíblia.

Primeiramente, o fator social. Grande parte dos cristãos que viveram em décadas passadas pertenciam à classe baixa da população, não tendo uma boa educação, sendo muitas vezes analfabetos funcionais.

Tais cristãos não se preocuparam em investir em cursos de teologia, compra de livros e leitura por causa da situação social em que se encontravam.

Um segundo fator que influenciou esse desinteresse pelo conhecimento bíblico deve-se as ocupações dos cristãos no passado.

A mulher era mais restrita ao lar e ficava responsável pelos afazeres da casa, assim como cuidar dos filhos. Os homens se dedicavam ao trabalho e se preocupavam em sustentar sua família. Isto fez com que o conhecimento deles dependesse basicamente daquilo que aprendiam nos cultos de ensino/doutrina, pregações e na Escola Dominical.

Um terceiro fator que gostaria de pontuar é o da disponibilidade e qualidade de livros no mercado. Antigamente, os livros não estavam disponíveis na mesma proporção que existem hoje.

Hoje, podemos comprá-los até mesmo pelas plataformas digitais e a quantidade de livrarias é bem maior. O marketing, a publicidade e a internet contribui bastante para a disponibilidade desses livros. Os seminários também não possuíam a qualidade atual.

Atualmente,  o quadro está positivamente diferente e eu louvo a Deus por isso. A nova geração de jovens cristãos é bombardeada diariamente com conteúdo bíblico.

Obviamente isso é uma boa notícia! Os jovens gostam de ler e estão lendo!  Entretanto, esse excesso de exposição à informação literária-teológica pode ser prejudicial à juventude cristã, quando feito de forma errada. Isso porque falta maturidade em alguns jovens para a leitura. 

O ponto chave da questão é que precisamos ler, mas sobretudo ler com qualidade e, para ler com qualidade, devemos ser seletivos.

Um dos principais erros cometidos por alguns jovens que se apaixonam pela leitura é a busca prioritária e desenfreada por livros de teologia sem o hábito de ler a Bíblia. Alguns conhecem mais o que os teólogos dizem sobre Deus do que a Bíblia.

Uma observação que gostaria de fazer é que não estou querendo reprimir a leitura de livros, mas sim encorajar a leitura prioritária da Bíblia, pois foi esse o conselho que o apóstolo Paulo deu a Timóteo:

"Até a minha chegada, dedique-se à leitura pública da Escritura, à exortação e ao ensino." (1 Timóteo 4:13).

É ela que deve ser nosso objeto primário de estudo. Os livros nos servem como auxílio e boas ferramentas para que venhamos compreendê-la bem. 
 
Um dos perigos de ler livros sem ter o hábito constante de ler a Bíblia, é que o leitor terá sua construção de pensamento escriturística influenciada diretamente pelo livro. Bem, se essa influência for heterodoxa e herética, certamente será nociva à mente daquele jovem.

Só quando estivermos fundamentados na Palavra de Deus, teremos maturidade para lermos qualquer livro de teologia  e reter apenas aquilo que for bom, saudável e edificante. Infelizmente, há jovens que leem livros de teologia sem nunca terem lido a Bíblia toda.

A consequência disso, é que aquela visão teológica por trás desses livros é que será o óculos usado para enxergar as doutrinas cristãs. Claro, isso só acontece aqueles jovens que acreditam em tudo que leem sem ao menos examinarem as Escrituras.

Permita-me falar um pouco sobre minha experiência como estudante da Bíblia.

Quando comecei a ler a Bíblia, não me preocupei em estudá-la simplesmente para obter conhecimento. Eu a lia (como ainda faço), por necessidade, pois ela é o nosso alimento diário. Coloquei em meu coração o propósito de ler toda a Bíblia de Gênesis à Apocalipse e com a ajuda de Deus, a li toda por três vezes. Até então nunca tinha lido um livro de teologia. 

Nesse período, várias dúvidas surgiram na minha mente e eu orava a Deus em busca das respostas. Como prioridade, eu procurava ajuda na própria Bíblia e só depois (caso fosse um assunto intrigante) eu recorria aos professores que tinha na Escola Dominical. Tudo isso aconteceu durante dois anos.

Depois disso, lembro-me de criar o hábito de ler as lições da Escola Dominical e me apaixonar em pela leitura delas. Eu lia as lições da Escola Dominical da minha congregação e também comprava lições de outras denominações. Foi aí que tive o contato com a livraria evangélica e passei a comprar livros. Desde então, sou apaixonado por livros de teologia, apologética e outras categorias. Leio de tudo um pouco, e submeto esse conhecimento à Palavra de Deus.

Portanto caro jovem cristão, gostaria de dar algumas dicas para os que também  sentem desejo de estudar a Palavra de Deus:

1. Leia a Bíblia continuamente. Peça para que o Espírito Santo te ajude a compreender o que está sendo dito e te direcione a aplicar na sua vida diária. Leia meditando e com amor (cf Josué 1.8;  Salmo 119).

2. Não se deixe vencer pelas dificuldades que estão ao teu redor. Se você sente alguma dificuldade durante a leitura da Bíblia como: sono, problemas na visão ou no ambiente em que vive, te aconselho a buscar um lugar da casa, da escola ou da faculdade que tenha uma boa iluminação e que você sabe que poderá se concentrar ali. Durante a leitura, marque com uma caneta/lápis, as partes importantes do texto que está lendo.

3. Seja seletivo na compra de livros teológicos. Procure boas referências nas livrarias. Autores que tenham compromisso com a Palavra de Deus e com o Deus da Palavra. Também é bom busque conhecer o que sua igreja crê e ler livros e autores que esclareçam isso. Por exemplo, se você é um jovem pentecostal, busque conhecer quais são as bases desse movimento. Não desconheça suas raízes! Isso é bom, pois, não correrá o risco de criticar algo que desconhece.

4. Cuidado com as heresias. Há livros de teologias repletos de ensinos que são totalmente contrários à Palavra de Deus. Sendo assim, não deixe de examinar as Escrituras. (Mateus 22.29; João 5.39; At 17.11).

5. Reconheça a supremacia das Escrituras  (2 Timóteo 3:15-17). Saiba que ela é inerrante, poderosa, transformadora e é a Palavra de Deus. Por isso, nenhum outro livro humano pode ser equiparado com ela, mesmo que seja de natureza teológica. Tudo quanto você lê e ouve deve ser submetido à ela.

Seguindo esses conselhos, o jovem cristão estará fundamentado na verdade e apto para combater os falsos ensinos, cuidando de si mesmo e da doutrina (1 Timóteo 4.16).

Deus abençoe a todos!