27 de novembro de 2017

Você foi salvo para que possa salvar! Por C.H. Spurgeon



Por C.H. Spurgeon

"Como homens em um salva-vida remamos em um mar bravio e nos apressamos em direção ao naufrágio ali adiante, onde homens estão perecendo. Se não conseguirmos trazer os restos do navio naufragado à terra, pelo menos, pelo poder de Deus, salvaremos os que estão perecendo, salvaremos vidas e conduziremos os remidos às praias da salvação. Nossa missão, como a de nosso Senhor, é reunir os escolhidos de Deus dentre os homens para que possam viver para a glória de Deus. Todo homem salvo deve ser, sob o comando de Deus, um salvador, e a igreja não está em seu estado certo até que tenha alcançado essa compreensão. A igreja eleita é salva para que possa salvar, purificada para que possa purificar, abençoada para que possa abençoar. O mundo inteiro é o campo, e todos os membros da igreja devem trabalhar nele para o grande Agricultor. Terras incultas serão recuperadas, as improdutivas serão rasgadas pelo arado, até que o lugar solitário comece a florir como a roseira. Não podemos ficar contentes em nos manter os estamos precisando invadir os territórios dos príncipe das trevas."

Trecho extraído do livro: SPURGEON, C.H. Preparado para o combate da fé, as armas do ministério: a igreja, a palavra e o Espírito Santo. São Paulo: Shedd Publicações, 2005. Págs.; 53,54.

23 de novembro de 2017

6 Verdades bíblicas sobre a forma como você fala com os outros




Por Everton Edvaldo

Leitura Bíblica: (2 Reis 1.1-15).

Introdução: Há quem diga que as palavras possuem um potencial incrível sobre as coisas. O modo como você fala diz muito sobre quem nós somos, principalmente nesta era moderna. Nunca se viu uma geração que tem tanto prazer em falar e ser ouvida do que essa que estamos vivendo. As pessoas falam sobre qualquer coisa, as vezes de qualquer jeito, sem pensar nas consequências que isso pode acarretar.

Hoje falaremos um pouco sobre esse aspecto da vida: o da comunicação. Vamos extrair algumas lições a partir de um texto bíblico, que refletem bastante na nossa atualidade. Medite neste texto e meu desejo é que através dele, várias pessoas sejam  abençoadas!

Pois bem, "falar", é uma característica que está no homem desde o Éden (Gn 2.23) e que a humanidade foi desenvolvendo ao longo dos anos. Entretanto, infelizmente, nem toda pessoa sabe se comunicar de forma sábia e prudente com o outro.

No passado, haviam homens conhecidos como mensageiros. Estes, eram responsáveis por levar uma mensagem de uma pessoa para outra. Eram intermediários entre duas pessoas ou mais, e em alguns casos, até mesmo de nações. (Cabe observar que os mensageiros do passado possuíam outras funções que não descreveremos aqui para não sairmos do foco).

Muitos mensageiros do passado serviam aos reis da época, e este, é o caso do texto bíblico que estudaremos hoje. A Bíblia diz que o rei Acazias adoeceu e enviou seus mensageiros para consultar um falso deus, (Baal- Zebube, divindade de Ecrom) sobre sua saúde.

Todavia, o Anjo do SENHOR, usou o profeta Elias para repreender essa atitude de Acazias e lhe anunciar uma sentença. Elias comunicou essa sentença aos mensageiros do rei que logo trataram de informar ao monarquia, o que o profeta disse.

Então, o rei mandou um capitão com 50 soldados para que trouxessem Elias que estava assentado no cimo do monte. Em nome do rei, o capitão ordenou que ele descesse, porém, por conta de Elias, desceu fogo do céu e consumiu aqueles 51 homens.

O rei mandou um segundo grupo de soldados, que também foram consumidos pelo fogo.

Com insistência, o rei enviou um terceiro grupo de soldados que foi poupado e sobreviveu.

Pois bem, aqui cabe-nos fazer a seguinte pergunta:

Porque Elias não foi com o primeiro grupo e sim com terceiro?  Porque o terceiro grupo também não foi consumido como os outros? Por que a forma como o seu capitão falou com o profeta foi diferente.

Quais foram as formas que cada capitão falou com o profeta? O que aconteceu com eles? De que maneira isso fala conosco? Iremos estudar essa passagem detalhadamente, e a partir disso, vamos extrair 6 verdades sobre sobre a forma como você fala com os outros. 

Meu desejo é que de alguma forma você possa melhorar nos seus relacionamentos com o próximo de maneira que isso traga benefícios para sua vida. Boa leitura!

1. A forma como você fala com os outros faz toda a diferença.

O primeiro capitão chegou para Elias e disse: "Homem de Deus, o rei diz: Desce." (ARA, ACF, ARC); "Homem de Deus, o rei mandou você descer daí" (NTLH); "Homem de Deus, o rei ordena que tu desças." (NVI). Este foi consumido pelo fogo juntamente com seus homens.

O segundo capitão foi ainda mais enfático:

"Homem de Deus, assim diz o rei: Desce depressa." (ARA, ACF, ARC); "Homem de Deus, o rei ordenou que você desça daí agora mesmo." (NTLH); "Homem de Deus, o rei ordena que tu desças imediatamente." (NVI). Este também foi consumido pelo fogo juntamente com seus homens.

Já o terceiro capitão disse:

"Homem de Deus, seja, peço-te, preciosa aos teus olhos a minha vida e a vida destes cinquenta, teus servos..." (ARA, ACF, ARC); "Homem de Deus, por favor, não acabe com a minha vida nem com a vida destes homens." (NTLH); "Homem de Deus, tem consideração por minha vida e pela vida destes cinquenta soldados, teus servos." (NVI). Este viveu e conseguiu levar Elias até o rei.

A primeira coisa que aprendemos aqui é que a forma como você fala com os outros faz toda a diferença.

Os dois primeiros capitães disseram quase a mesma coisa, porém com um tom de superioridade e autoridade. Já o terceiro, conseguiu sair vivo, poupar a vida de seus homens e levar Elias até o rei.

Muitas vezes, pensamos que as palavras que usamos não causam impacto na nossa vida. Até mesmo nas coisas mais simples, as palavras que usamos e também o modo como nos pronunciamos com o outro, fará peso na "balança da vida." De um lado da balança estão as coisas que podem nos prejudicar, ou ir contra nós; do outro, a oportunidade de fazer as coisas girarem ao nosso favor de modo que não nos prejudiquem.

Tais coisas afetam todas as áreas da nossa vida: física, espiritual, social, familiar, etc. Faz toda a diferença se na nossa casa temos pais que se comunicam com os filhos de forma sábia ou não. Por exemplo, os filhos sabem quando seus pais lhes dizem coisas para impor medo, sem nenhum diálogo. Infelizmente, isso pode trazer traumas para criança que não encontrará nos pais a oportunidade para se abrir e conversar com eles.

"Falar" é necessário para chegarmos a algum lugar aqui nesta terra. Porém, falar errado, ainda que no tempo certo, acarreta uma série de consequências. Somos seres tão inteligentes, porém tantas vezes, fracassamos no modo como devemos se comunicar com o outro. Seja no relacionamento dos pais com os filhos, ou do esposo com sua esposa. Seja entre o chefe de trabalho com seu funcionário, ou entre dois vizinhos, a forma como se pronunciamos fará toda a diferença.

No caso da passagem que estamos estudando, foi a vida do capitão e dos 50 homens que sofreu o juízo de Deus e morreram, entretanto, há  casos em que não é a nossa vida que corre risco, mas sim a do outro. Podemos melhorar o dia de alguém com uma palavra, ou podemos piorar o que já não estava bem nela. Tudo com uma palavra.

No caso dos capitães, bastou apenas uma frase. Pouco mais de 20 letras, em nossa Língua Portuguesa, para que suas vidas fossem consumidas pelo fogo.

Onde este capitão errou? Primeiro diremos onde ele acertou! Primeiro, acertou quando foi obediente ao sei rei e segundo, acertou quando foi verdadeiro dizendo: "Homem de Deus..." Já seu erro, foi ter sido insensível à este mesmo homem que ele chamara de homem de Deus, se comunicando com o profeta com autoritarismo, imposição e quem sabe, arrogância. Perceba que o capitão não deixou os 50 soldados próximo ao monte para ir dialogar com Elias (o que seria mais louvável da parte dele), mas subiu ao profeta com todos os seus soldados (v 9), certamente para impressionar ou intimidar o profeta. Ao que parece, a intenção do capitão ou mesmo do rei, não era trazer Elias na conversa, mas à força.

Trazer Elias era sua tarefa, isto é, seu objetivo, mas o modo como ele se aproximou do profeta, pôs tudo à perder. Acabou que atraindo o juízo de Deus!

Veja, há certas ocasiões que acertar 50% da trajetória não fará com que alcancemos nossos objetivos. E pior: se falharmos com as palavras, de alguma maneira, elas nos trarão retorno. Esse retorno pode ser negativo e até mesmo grave. Por isso, devemos ter cuidado.

O segundo capitão também teve seus acertos, mas errou em cometer os erros do primeiro. Errou quando teve oportunidade de fazer diferente e não fez, muito pelo contrário, ainda foi além do que fez seu companheiro. Quando disse: "... Assim diz o rei: Desce depressa!" (v. 11), este segundo capitão jogou tudo por água abaixo.

Às vezes, cometemos um erro duplo. Erramos em cometer os mesmos erros dos outros, somando eles com os nossos próprios erros. Erramos quando vemos que o que fulano fez ou disse, deu errado, e achamos que conosco vai dar certo. Parafraseando a passagem, erramos quando achamos que com a "nossa tropa", com as nossas palavras e modo, conseguiremos o que precisamos. Erramos quando colocamos mais combustível no fogo.

Para finalizar esse ponto: não se chega de qualquer jeito à um profeta, principalmente, quando este profeta se chama Elias, um homem comum, porém de muita intimidade com Deus. Nessas horas e circunstâncias, o que a gente diz para o outro no presente faz toda a diferença, seja positiva ou negativa, seja no presente ou no futuro. Por isso devemos estar atentos!

2. A forma como você fala com os outros diz muito sobre quem é você.

Palavras podem ser responsáveis não só pelo que acontece, como também podem refletir aquilo que somos. A boca fala do que o coração está cheio (Mt 12.34). Isto significa que falamos de nós mesmos quando dizemos alguma coisa para outra pessoa. Não foi diferente no caso destes capitães que foram até Elias.

O termo hebraico usado para capitão é "sar" que significa um dirigente, chefe, capitão, general, comandante, oficial, capitão, príncipe. No sentido de que essa pessoa possui autoridade imediata como líder. Naquela ocasião, o capitão era o próprio representante do rei nas proximidades do profeta Elias.

Isso certamente dá mais vigor às palavras de qualquer líder. Vamos parafrasear mais ou menos a situação dos dois primeiros capitães.

"Devo falar dessa maneira, estou cumprindo as ordens do rei, não posso relaxar, mas falar no nível que possuo. Eu sou um capitão, meus soldados estão aqui, posso usá-los a qualquer momento."

O capitão tinha naquela ocasião, a autoridade, o poder, a força, e as palavras, mas faltou-lhes uma coisa: a sensibilidade para com o homem de Deus. A forma como ele falou, revelou sua insensibilidade. Estava ali apenas para cumprir as ordens do seu monarca. Nada mais que isso! Que pena! A forma como ele falou, revelou que ele tinha apenas essa "carta na manga",  acompanhado pela carcaça do poder e do prestígio. Só a roupagem de um líder pairava naquele momento. Sua posição ficou intocável o tempo todo e por conta disso, não escapou do juízo divino. Foi isso que aconteceu não só com o primeiro, mas também com o segundo.

Ambos estavam cegos, não enxergaram que quem estava no monte era Elias, que tinha ao seu lado, o Anjo do Senhor!

Elias está no monte, aparentemente desprotegido e só. Mas só aparentemente... Elias responde aos dois primeiros capitães, cada um a seu tempo, que se ele era homem de Deus, haveria de descer fogo do céu e consumi-los. De fato: Elias era um homem de Deus, e a forma como ele falou, testificou quem ele era. Elias era um homem de Deus, e se ele era um homem de Deus, suas palavras deveriam refletir isso!

A forma como o terceiro capitão falou com Elias, também revelou quem ele era: um homem! Não qualquer homem! Um homem humilde, temente, sensível; ou nas palavras dele, "servo de Elias." O terceiro capitão era um homem de visão, sobretudo, sincero. Os outros falaram "homem de Deus" da boca para fora, mas este reconheceu verdadeiramente que Elias era um homem de Deus e provou isso não só com palavras mas também com atitudes.

O terceiro capitão nada mandou, nem ordenou nem impôs, apenas pediu misericórdia para si e para seus companheiros. Isto revela sua preocupação com seus soldados. O terceiro capitão verdadeiramente tinha um coração de líder. Um líder que ainda desejava que seus companheiros vissem seus filhos e esposa no fim do dia. Ele podia ter pedido misericórdia só para si, mas não fez isso (v. 14).

O terceiro capitão estava no mesmo nível dos dois capitães anteriores, mas isso só do lado de fora. Por dentro, tinha um coração de servo. Rebaixou-se perante o profeta! A forma como ele falou, revelou muito quem era que estava por trás daquela "farda."

Quer saber quem é alguém verdadeiramente? Observe a forma como ele fala com o outro. Existem pessoas que estudam para identificar quando há ou não verdade nas palavras de uma pessoa, e isso tem sido tão importante na nossa sociedade que até tem sido usado para perícias criminais.

Todos nós temos uma identidade, e passamos ela quando falamos. O modo como nos comunicamos com o outro é o cartão postal que as pessoas terão de nós. Há um ditado popular que alega: "A primeira impressão é a que fica." Infelizmente, a primeira impressão pode se tornar a última. Foi justamente isso que aconteceu com estes dois primeiros capitães e devemos fazer de tudo para que nas nossas vidas, não aconteça a mesma coisa.

3. A forma como você fala com os outros pode colocar sua vida em risco e também a dos outros que estão próximos de você.

A Bíblia está repleta de exemplos de personagens que colocaram sua vida em risco por causa da forma como falaram algo para outra pessoa. Algumas, até mesmo perderam a vida.

Isto é muito sério! No caso da passagem que estamos estudando, usar a força era desnecessária e dizer uma frase de forma errada, foi fatal.

É verdade que quando se coloca em risco, ainda existe esperança, todavia se vier a morte, só Deus pode intervir! Às vezes, essa morte é espiritual e contamina.

Não ande por terrenos perigosos se você tem a oportunidade de evitá-los! Não coloque em risco sua família, seus amigos, sua igreja. Existem pessoas que tratam sua família como recurso para usar contra o outro. Os dois primeiros capitães não se utilizaram de sua família, mas sim de seus homens de confiança. Homens que eram companheiros, amigos, pessoas que certamente tinham as suas famílias. Foi uma atitude tola! Colocou em risco sua tropa...

Também aprendemos algumas coisas nesta passagem, como por exemplo: existem coisas que não se resolvem pela força mas sim pelas forma como você fala. Como disse acima: a forma como você fala com os outros fará toda a diferença!

Os lares estão cheios de esposos que usam a força para resolver os problemas dentro de casa quando na verdade, uma comunicação prudente já bastava. Porém não para por aí, o mundo está cheio de pessoas que não dominam a arte da comunicação e preferem usar uma arma para impor sua vontade em tudo. O que poderia ser resolvido com a comunicação, acaba sendo tratado como um grande problema.

Alguém pode dizer: mas o que o capitão disse com Elias foi algo tão simples, afinal, ele estava apenas reproduzindo o mandato do rei. Não precisa de muita coisa para que grandes problemas surjam na nossa vida em razão de termos se expressado verbalmente de forma errada.

Conforme já tivemos a oportunidade de ver, as poucas palavras do capitão revelou quem ele era, e está claro de que ele próprio estava tratando a situação como se fosse um grande desafio. Por que se aproximar de Elias com 50 homens? Qual a necessidade disso? Ou seja, o capitão tornou todo o terreno propício e favorável para si, e quando ia dar o "xeque-mate", fracassou. A forma como ele falou, descortinou todo o seu exército, deixando-os vulneráveis.

Assim, entendemos que poucas palavras, ainda mais expressadas de forma errada, na verdade pode revelar grandes consequências para nossa vida e na daqueles que estão conosco!

Não adianta preparar todo o terreno e fracassar na comunicação. Ou melhor, vamos falar numa linguagem mais moderna: Não adianta ter posição social, força e autoridade. Bons líderes costumam falhar, não porquê não têm recursos, mas sim porquê estão falando de forma errada.

Grandes igrejas estão morrendo, templos suntuosos, repletos de obreiros preparados e cheios de recurso. Qual motivo de seu fracasso? Líderes que falham na comunicação. Estão comunicando a Palavra de Deus de forma errada. Essa é a única, se não a principal razão, haja vista que a boa Palavra de Deus quando é plantada, germina, cresce e dá frutos. Tais líderes estão colocando a vida de suas ovelhas em risco, infelizmente.

Os capitães apostaram tudo que tinha. Ei, vai com calma... Na hora de resolver algum problema não mostre todos os seus recursos. Poupe-os... Não coloque as melhores cartas na mesa quando não se precisa. Fazer isso numa ocasião desnecessária é desgastante, cansativo e perigoso.

Abaixe um pouco a visão e se aos teus olhos, o que você precisa é visto com grande dificuldade, experimente enxergar a situação com simplicidade e humildade, e assim, poderá conquistar seus objetivos.

4. A forma como você fala com os outros pode preservar sua vida e também a dos que estão próximos de você.

Sim, é verdade. A Bíblia fala que o terceiro capitão pôs-se de joelhos diante de Elias e disse: "Homem de Deus, peço-te, preciosa aos teus olhos a minha vida e a vida destes cinquenta, teus servos." (v. 13).

Veja o que ele fez:

a) colocou-se de joelhos perante Elias.

b) suplicou-lhe, (hb. Hanan que significa curvar-se para com alguém inferior, implorar, falar suavemente. Strong diz: "Na literatura da sabedoria, este verbo é usado principalmente nas relações humanas, para indicar atos de benevolência para com alguém necessitado." (CHAVE, p. 1646).

c) pediu-lhe para viver.

"Então, o Anjo do Senhor disse a Elias: Desce com este, não temas. Levantou-se e desceu com ele ao rei." (v. 15).

Perceba que diferença!

Primeiramente, graças à benevolência de Deus, este homem viveu, todavia não devemos descartar a idea de que este capitão era diferente do outros.

Ele não falou com o profeta de qualquer jeito, mas desceu o degrau do cargo que ele tinha naquele momento. Se despiu e falou com Elias como se fosse seu servo.

Este capitão verdadeiramente reconhecia que Elias era um homem de Deus. Por isso, soube enxergar que não deveria cometer os mesmos erros dos outros. Ele foi inteligente!

Veja como é importante a forma como falamos com os outros. Podemos evitar graves consequências usando as palavras adequadas. 

Outra coisa, observe bem, o capitão estava num lugar que não fazia parte da sua rotina, treinamento, etc. Porque se aproximaria de um homem de Deus, como se fosse "dono daquele pedaço?"

Pior que errar na forma como se fala com os outro, é errar na forma como se fala com o outro em um ambiente em que este tem domínio e você não. Se não entendeu, leia de novo.

Existem pessoas que se acham no direito de chegar em qualquer lugar e dizer o que quiser só porque têm posição social. Que engano! 

Está num lugar onde uma pessoa tem mais domínio sobre ele do que você? Olhe bem como vai falar com ela. Medalhas, honras e soldados não resolvem muita coisa quando se está diante de um profeta como Elias.

Me parece que este terceiro capitão enxergou essas coisas e com isso preservou sua vida e a dos seus soldados. Que percepção das coisas! Captou todo o cenário que estava ao seu redor, filtrou tudo e deixou fluir em formato de linguagem piedosa.

Uma boa conversa, pode salvar um relacionamento, um casamento. Pode tirar um filho dos maus caminhos. Quem afronta com a língua traz sobre si grande mal, mas quem sabe usá-la com sabedoria atrai a benção do SENHOR!

Palavras ditas de forma errada, podem arruinar tudo, mas as palavras que são ditas de forma sábia, podem evitar uma catástrofe (Pv. 11.14).

O terceiro capitão ofuscou-se e viveu. E no fim do dia, certamente viu sua família e filhos. Nunca mais esse homem seria o mesmo. Viu diante de sua face um homem de Deus e pôde escapar da morte que certamente lhe aguardava se ele tivesse feito as mesmas coisas que os dois primeiros capitães.

Use as palavras de forma sábia. Saiba falar com as pessoas. Você pode livrar a vida delas de vários problemas, ainda que por conta deste ato, não te tornes digno de uma pessoa louvável, pois todo mérito deve ser direcionado a Deus.

Desde as coisas simples, às mais complexas. Um simples "Eu te amo" dito para alguém que está do nosso lado, pode mudar o dia ruim dela para melhor. Entretanto, a ausência desse "Eu te amo" no dia-a-dia dela, pode matá-la silenciosamente (Pv 12.25).

O teu lema é: Se você pode fazer o bem, faça! Se você pode evitar o mal, evite! Se não pode melhoras as coisas, também não piore! Suas palavras devem ser ditas de forma inteligente e para isso, você não precisa mentir, enfeitar as palavras ou algo parecido. Só basta ser sincero!

5. A forma como você fala com os outros revela quem tem poder de verdade.

O contraste entre as expressões: "... O rei ordena: Desce/ Desce depressa."  ditas pelos capitães e "Se eu sou um homem de Deus, desça foto do céu e te consuma a ti e a teus cinquenta.", revela quem tem poder de verdade.

Vale lembrar que quem tem mais poder, obtém a vitória. Em certo sentido, os capitães tinham poder.

Veja, de um lado temos: um capitão, uma ordem, cinquenta homens. Do outro, só temos Elias, vestido de pêlos, com lombos cingidos de um cinto de couro (2 Reis 1.8).

Em quem você apostaria se tivesse uma mente natural e não soubesse desta narrativa? Certamente nos capitães. Eles tinham a força, e geralmente quem tem a força, consegue o que quer. Isto é segundo o prisma natural, pois quem disse que no mundo espiritual as coisas funcionam da mesma maneira? Observe que falei "geralmente". Geralmente, não quer dizer sempre... Ou seja, nem sempre quem tem a força, consegue o que quer.

Olhando de cima pra baixo, Elias tem mais poder! Poder outorgado por Deus. Esse poder não era propriamente dEle, mas de Deus. Elias tem o Anjo do Senhor ao lado. O Anjo do SENHOR é uma das figuras mais emblemáticas e poderosas da Bíblia. É visto como sendo a personificação angelical do próprio Deus! Esse mesmo anjo do SENHOR matou 185.000 homens em 2 Reis 19.35. O que seria 50 homens para ele? Todavia, observe bem a passagem que estamos estudando. Nem precisou da intervenção direta do Anjo do SENHOR. A palavra de Elias foi o instrumento pelo qual o juízo divino desceu.

A forma como você fala com os outros revela quem tem poder de verdade! Por isso, não meça o "poder" de alguém pela aparência dela. Muito menos deixe que a forma como você fala, coloque tudo à perder. Nunca subestime as coisas simples e desprezíveis.

Lembre-se: "O meu poder se aperfeiçoa na fraqueza." (2 Co 12.9). Elias é fraco, mas Deus está com Ele. Conclusão: Elias é fraco, mas Deus é Todo-Poderoso. Na verdade, quem não estiver do lado de Deus, está vulnerável e mais frágil ainda. Devemos lutar para que as nossas palavras não atraiam a ira de Deus, muito menos revelem que não estamos do lado de dEle. Se a forma como falamos com os outros, revelam que não estamos do lado de Deus, alguma coisa vai dar errado, então não insista!

Outra coisa, os capitães e seus homens também são fracos. O rei também é fraco. Detalhe: são muito mais fracos do que Elias, do ponto de vista espiritual. São eles que precisam de misericórdia. É o seu rei que está em rebelião contra Deus. 

Os dois primeiros capitães não perceberam isso, mas o terceiro sim. Foi isso que mudou suas palavras e comportamento diante do profeta Elias. Sua humildade foi sincera e acabou sendo devolvida em forma de misericórdia divina.

6. A forma como você fala com os outros dirá muito sobre se você alcançará ou não teus objetivos e conquistas.

Todos os três capitães tinham um único objetivo: trazer o profeta Elias à presença do rei. Mas somente ao terceiro, foi que o anjo do Senhor disse: "Desce com este; não tenhas medo." (v. 15).

Os dois primeiros fracassaram, mas o terceiro conseguiu! O terceiro capitão continuou com vida, preservou a de seus soldados, cumpriu com seu objetivo e manteve sua posição de capitão.

Todos temos objetivos e conquistas para alcançarmos. E parece até que é insignificante, mas a forma como falamos dirá muito sobre nossas conquistas e fracassos. Palavras ditas de forma errada podem frustar nossos projetos.

Às vezes, o ser humano se perde pela língua. De Gênesis à Apocalipse , a Bíblia fala a respeito de como a língua tem impacto na vida das pessoas (ex: Tg 3.1-10).

Por isso, é importante estarmos atentos quanto à isso. Fazer planos e lutar para alcançar nossos objetivos e anseios não adiantará de nada se você não souber lidar com ele. Assim como a tragédia já é certa para quem trafega numa avenida de olhos vendados, também já é certo que o fracasso virá sobre aqueles que não têm uma forma prudente de se expressar perante as pessoas.

Conclusão: Na passagem que estudamos hoje, os detalhes nos impressiona pela quantidade de lições que nos traz. Há quem diga que devemos pensar duas vezes antes de dizer uma bobagem, mas eu não partilho desse entendimento. Nem sequer pense em falar bobagens! Que o terceiro capitão seja exemplo para nós! Que possamos usar seu exemplo de humildade para crescermos na benção de Deus. É o SENHOR quem "dá graça aos humildes." (Pv 3.34). Temos muito o que melhorar na forma como nos relacionamos verbalmente com os outros. Se colocarmos em prática as orientações das Escrituras quanto a esse assunto, em certos casos, evitaremos alguns problemas e em outros casos, podemos até resolver os problemas que já existem. Lembre-se: "A resposta branda desvia o furor, mas a palavra dura suscita a ira." (Pv 15.1). Se você quiser uma pista para estudar mais à fundo sobre esse assunto na Bíblia, comece pelo livro de Provérbios. Fora os versículos que já foram citados, gostaria de deixar mais alguns outros: Pv 15.2,23; 18.13,21; 25.11. Pois bem, espero que essa palavra possa entrar no seu coração e que venha à sua mente os princípios que aqui foram ditos, nos momentos que você precise!

Que Deus te abençoe!

6 de novembro de 2017

Jovens de Visão- Palestras sobre Juventude e Pentecostalismo para baixar.




Baixe gratuitamente em PDF a série de palestras que ministrei no Congresso de Jovens no Estado do Espírito Santo que teve como tema: "Jovem de Visão."

Sumário:

1° Introdução ao Pentecostalismo- Conceito, História e como a Juventude Cristã se enquadra nesse assunto.

2° O que não é Pentecostalismo- Desconstruindo Mitos e algumas respostas a questões difíceis.

3° Cessacionismo X Continuísmo- Qual o impacto desse assunto para a igreja moderna.

4° Vivendo o Pentecostalismo das Escrituras- A geração que não se intimida em  propagar o que crê!

Clique no link abaixo e compartilhe com seus amigos!

https://docs.google.com/uc?export=download&id=1C4a8vIAFNpNpceoHIO_5YwdWlvyxKy_3

27 de agosto de 2017

Marcos, um cristão muito útil para o Reino de Deus



Por Everton Edvaldo

Leitura Bíblica: (Atos 12.25; 13.1-5, 13; 15.36,37; 2 Timóteo 4.11).

Introdução: Hoje iremos falar sobre um personagem bastante esquecido no seio da cristandade: João Marcos. Muitos só sabem de sua existência, por causa do Evangelho que leva seu nome, entretanto, a Bíblia nos traz detalhes suficientes para que entendamos um pouco quem foi este homem. Vamos falar acerca de sua vida, ministério, quedas e utilidades dentro da obra de Deus. Também falaremos de como Deus agiu nas circunstâncias difíceis envolvendo Marcos, revertendo qualquer rastro de fracasso em objeto de glória ao Seu nome. Porém, antes disso, permita-me falar acerca de alguns detalhes  para que facilitem a compreensão da jornada deste personagem.

I- QUEM ERA JOÃO MARCOS:

1. Seu nome. Das vezes que a Bíblia fala sobre Marcos, ela se refere a ele como "Marcos" simplesmente, ou de modo geral, como "João Marcos." João significa "Yahweh mostrou graça" e Marcos é seu nome latino adotado. Naquela época, era comum muitas famílias judaicas ter dois nomes, um hebraico e outro grego ou latino.

2. Sua família e seu lar. A Bíblia não traz muitos detalhes sobre a família de João Marcos. Ela fala apenas que ele era filho de Maria, "uma mulher rica e importante em Jerusalém (At 12.12)" (RYRIE, p. 954), (Obs: não era Maria, a mãe de Jesus); e primo do "apóstolo" José Barnabé (Cl 4.10), (para mais detalhes sobre Barnabé, veja At 4.36-37). As Escrituras não falam do pai de João Marcos. Sobre esse fato, comenta R.N. Champlin:

"O pai de João Marcos não é mencionado em porção alguma, e a maioria dos intérpretes pensa, por esse motivo, que Maria era viúva. Isso parece ser consubstanciado pelo fato de que a casa onde uma das congregações da igreja de Jerusalém se reunia é chamada de casa de Maria. Se seu esposo ainda vivesse, certamente não seria assim denominada." (CHAMPLIN, p. 129). 

De maneira bem simples, era uma família judia convertida e que fez parte da primeira geração de cristãos.

Sobre seu lar, Champlin comenta:

"Nada sabemos sobre o lar original de Marcos, quanto à sua localização, mas, na primeira vez que o encontramos, vemo-lo em Jerusalém, e talvez seja boa opinião que aquela era sua terra natal, ou, pelo menos, o lar central da família em geral." (CHAMPLIN, p. 129).

Ou seja, provavelmente, a terra natal de Marcos era a cidade de Jerusalém.

3. Curiosidades. A Bíblia não fala como Marcos se converteu, nem através de quem conheceu o Evangelho. Alguns estudiosos inferem que foi através de Pedro, todavia essa informação é apenas uma conjectura. Outra coisa que deve ser dita, é que Marcos não era apóstolo conforme muitos cristãos pensam que era. Em nenhuma passagem da Bíblia, Marcos é chamado de apóstolo. É quase unânime a afirmação de que Marcos nunca andou, viu ou conheceu Jesus pessoalmente. Contudo, "teve a oportunidade ímpar de colaborar no ministério de três apóstolos: Paulo (At 13.1-13; Cl 4.10; Fm 24), Barnabé (At 15.39) e Pedro (1 Pe 5.13)." (STAMPS, p. 1459). Por fim, Marcos é o autor do segundo Evangelho do Novo Testamento (escrito na década de 50 ou 60 d.C). Obviamente, essa é a curiosidade mais popular sobre ele.

II- A TRAJETÓRIA DE MARCOS:

1.Como começou.

Inicialmente, a jornada de Marcos está situada e descrita em Atos 12.25 e em Atos 13.5-15.

Tudo começa quando Paulo e Barnabé voltam de sua missão de socorro realizada em Jerusalém, e trazem consigo João, apelidado Marcos (Atos 12.25). Outrora, Barnabé e Paulo estivera na igreja em Jerusalém que se reunia na casa de Maria, mãe de Marcos. Eles devem ter conhecido o jovem num dos cultos realizados naquela casa. Certamente, viram alguma disposição no jovem para fazer a obra de Deus e o levaram para Antioquia da Síria.

Isto se tornou numa grande oportunidade para Marcos, pois, a igreja de Antioquia era um importante celeiro de cristãos, onde também haviam profetas e mestres/doutores (Atos 13.1). Perceba que Marcos saiu de sua terra, e agora, não estava mais em Jerusalém debaixo dos cuidados e do conforto da sua mãe. Em Antioquia, há muito trabalho a ser feito!

Aconteceu que na igreja antioquiana, o Espírito Santo disse aos seus servos: "Separai-me, agora, Barnabé a Saulo para a obra a que os tenho chamado." (At 13.2). Após jejuarem,  orarem, e impor as mãos sobre eles, os cristãos que ali haviam, despediram Paulo e Barnabé para proclamarem a Palavra de Deus. Os teólogos chamam esse evento de "A primeira viagem missionária."

"Paulo e Barnabé foram chamados para pregar o evangelho e conduzir homens e mulheres à salvação em Cristo." (STAMPS, p. 1659) de modo que, o alvo deles, "era conduzir pessoas a Cristo (16.31; 20.21), livrá-las do poder de Satanás (26.18), levá-las a receber o Espírito Santo (19.6) e organizá-las em igrejas." (STAMPS, p.1659).

Nessa viagem missionária, eles decidem levar João Marcos como auxiliar. É ai que sua trajetória ganha um novo rumo.

2. O Trabalho do jovem.

Nesse trio missionário, Marcos desempenhava o papel de cooperador de Barnabé e de Paulo. Segundo Charles Ryrie: "Fazia tudo o que Paulo e Barnabé lhe pediam- talvez ajudando a batizar e ensinar os recém-convertidos." (RYRIE, p. 1066). Sem falar que possivelmente, devia ajudar na prática, carregando a bagagem dos dois missionários, haja vista que ele era jovem, em pleno vigor da idade. De qualquer maneira, Marcos estava nessa viagem para prestar assistência.

3. A viagem em si.

Marcos desce juntamente com Barnabé e Paulo, ao porto marítimo de Selêucida  (25 Km de Antioquia), com o propósito de navegarem até Chipre, terra natal de Barnabé e ali, o Evangelho seria anunciado. De Selêucida, eles navegaram até Salamina, uma cidade marítima na costa oriental de Chipre, rica em mineral e agrícola, e que era um centro comercial importante naqueles dias.

Barnabé e Paulo, estrategicamente, anunciavam o Evangelho nas sinagogas judaicas dali (Atos 13.5). A cidade possuía uma quantidade considerável de judeus. Lá, o trio missionário encontrou um ambiente ideal para iniciar o trabalho de evangelização. Então a obra começou a ser desenvolvida!

O versículo 6 de Atos 13, diz que eles atravessaram toda a ilha até Pafos... Pare para refletir nos obstáculos que eles tiveram que enfrentar. Tiveram que passar por terrenos montanhosos, irregulares, de noite e de dia, no perigo, na insegurança e no risco de cair nas mãos de salteadores; dormindo no frio e por vezes andando no sol quente. Certamente, Marcos estava surpreso com tudo quanto estava passando. Isto porque uma coisa é você estar rodeado de irmãos na fé, com a família presente e perto de casa; outra coisa é você estar longe da sua família, em terra estranha, tendo que começar tudo do zero.

Naquela época, não havia ônibus, carros, bondes, trens, nem avião para se deslocar até o lugar desejado na ilha de Chipre. A caminhada era feita andando ou à cavalo. As dificuldades eram normas! Talvez a única vantagem que tivesse ali, era que Barnabé era natural desta ilha, fato este que possivelmente deve ter facilitado ao menos, a locomoção de um lugar para o outro.

Chegando em Pafos, o trio missionário não perdeu a oportunidade de pregar o evangelho ali (Atos 13.6-12).

Nesta época, Pafos era "centro de uma imprudente idolatria, uma cidade dedicada à deusa do amor Vênus e submersa nas mais abjeta superstição, depravação e libertinagem. Ao pregar o evangelho nessa cidade cipriota, Paulo enfrentou obstáculos e contou com ajuda sobrenatural para superá-los. Pafos era a capital e residência do procônsul Sérgio Paulo, um homem instruído que estava sedento por salvação. Mas um judeu mágico, Elimas (Barjesus), torcia o Paulo pregava. Este, cheio do Espírito Santo, repreendeu o referido falso profeta, que ficou temporariamente cego. 'Então, o procônsul, vendo o que havia acontecido, creu, maravilhado da doutrina do Senhor.' (Atos 13.6-12)." (ZIBORDI, p. 66).

Este foi um dos grandes desafios que Marcos presenciou. Nesta ocasião, ele viu Paulo cheio do Espírito Santo e com autoridade, pregando o poderoso Evangelho de Deus! Bem, depois de Pafos, agora era a vez de navegarem até Perge da Panfília.

A respeito desta viagem, Ciro Sanches Zibordi nos informa:

"A viagem por terra, para o interior da Panfília, não foi nada fácil; tiveram de passar por estreitos desfiladeiros, onde havia grupos de salteadores prontos para atacar os viajantes." (ZIBORDI, p. 67).

A Bíblia não relata, porém alguns estudiosos acreditam que foi ali que "Paulo contraiu Malária ou alguma outra perigosa doença da região litorânea." (SWINDOLL, p. 174).

É nesta cidade que acontece algo inusitado: Marcos abandona a obra (v. 13).

Zibordi comenta que: "Deus guardou os pregadores do perigo, mas parece que João Marcos ficou assustado com o que viu e decidiu desertar da expedição. Ele era ainda muito jovem, mas muito útil aos pregadores itinerantes." (ZIBORDI, p. 67).

4. Por que Marcos volta para Jerusalém?

A Bíblia diz que apartando-se deles, Marcos volta para Jerusalém. Ela não nos informa quais foram os motivos que fizeram o jovem cooperador abandonar a expedição missionária, porém refletindo cuidadosamente, podemos inferir alguns baseado nas circunstâncias as quais ele estava sujeito. Exemplo:

a) Saudades da família. Embora estivesse com seu primo, Marcos talvez não tinha se acostumado ainda em ficar longe de sua mãe e do calor da majestosa Jerusalém, por isso, decidiu voltar para casa.

b) Choque de cultura. Marcos nasceu numa cultura judia e após se converter ao Evangelho, passou a viver uma vida de constante consagração e devoção a Deus. Em Jerusalém, sua casa era uma igreja e seu dia a dia era rodeado de cristãos. Depois que passou a acompanhar Paulo e Barnabé, não conseguiu adaptar-se aos ambientes pagãos por onde andavam e devido a isso, resolveu voltar para casa. Lembre-se que era pouco tempo para acostumar-se em ver tantas pessoas impuras vivendo publicamente de forma impiedosa.

c) Medo. Cada vez mais, os missionários estavam se arriscando por causa do  Evangelho. Quem sabe, o jovem apesar de confiar em Deus não tomou a atitude de abandonar Paulo e Barnabé num momento de desespero? R.N. Champlin comenta que: "os rigores da viagem talvez tenham sido demasiados para João Marcos e por isso ele resolveu voltar a Jerusalém. Os missionários estavam cruzando muitos trechos montanhosos, e estariam em perigo constante de serem assaltados por bandidos, que costumavam infestar essas regiões." (CHAMPLIN, p. 129).

Estas são apenas algumas hipóteses, entretanto, seja como for, uma coisa é certa: Marcos voltou para Jerusalém. Ele poderia ter voltado à Antioquia, para dar notícias aos cristãos antioquianos de como estava a expedição, mas não o fez. Porque não fez isso? Não sabemos, não está escrito. Também não sabemos se ele partiu ou não sem avisar/conversar com Paulo e Barnabé. Eu particularmente estou favorável a especular que ele deve ter conversado com os dois. Ambos devem ter relutado muito, até porque Marcos além de ser jovem, iria voltar sozinho, o que seria um risco maior, e traria mais uma preocupação para os dois missionários. Não adiantou! Ele os deixou e voltou para Jerusalém.

Muitas vezes, nós não resistimos ao árduo labor que possui a obra de Deus. Hoje, embora sejam contextos e circunstâncias diferentes e menores, muitos servos de Deus deixam de fazer a obra. Param em algum ponto, desistem e tiram a mão do arado. O que aconteceu com Marcos, é um retrato vivo do que acontece na igreja contemporânea. Estamos sempre preocupados com nosso conforto, família, desejos e futuro e só basta aparecer um obstáculo na nossa frente que logo desistimos de tudo.

Nas palavras de Theodore P. Ferris:

"Grande número de pessoas inicia a sua carreira na direção certa, com todas as melhores intenções do mundo; porém, quando as coisas se lhes tornam difíceis, quando não podem conseguir que as coisas corram da sua maneira, quando o caminho se torna áspero, então retrocedem... (...) João Marcos, auxiliar de Barnabé e Paulo, por uma razão ou outra, de natureza boa ou má, não foi capaz de resistir até o fim (...)." (Apud CHAMPLIN, p. 129).

Segundo A.T. Robertson:

"Foi uma falha séria na obra, embora Paulo e Barnabé continuassem aferrados ao trabalho." (Apud CHAMPLIN, p. 129).

Apesar disso, Paulo e Barnabé não recuaram! Agora, sem a assistência e auxílio de Marcos, tiveram que atravessar sozinhos de Perge até a Antioquia da Panfília (Atos 13.14) e dali, foram ainda pregar em Icônio, Listra, Derbe e por outros lugares até retornarem à Antioquia da Síria, alguns anos depois.

Nada é dito sobre Marcos ter naufragado na fé. Ao que parece, ele continuou servindo a Cristo em Jerusalém.

Contudo, aqui cabe uma pergunta que devemos fazer para nossas vidas: qual lugar é menos doloroso para estar, em Jerusalém ou em Perge? Será que o Senhor só pode contar com você quando estás rodeado pela sua família, perto de casa? Estás disposto a servir a Deus fora dos muros de Jerusalém, nas piores adversidades e condições?

No próximo ponto, vamos ver o que aconteceu com o jovem João Marcos. Será que foi o fim da sua jornada na obra? O que houve com ele?

III- O FIM DE UM MINISTÉRIO?

Teria Marcos mais alguma utilidade para o Evangelho? Vamos tratar disso nesse tópico. Algum tempo depois de retornarem da primeira viagem missionária, Barnabé e Paulo vieram novamente à Jerusalém por ocasião do Concílio da igreja (Atos 15.2-29). Nesta ocasião, é provável que Marcos estivesse naquela multidão que se silenciou quando Barnabé e Paulo contaram quantos sinais e prodígios Deus havia realizado entre os gentios (Atos 15.12).

Ao regressarem para Antioquia, depois de ter passado alguns dias, Paulo e Barnabé acham por bem visitar os cristãos que se converteram durante a primeira viagem missionária. Eles queriam saber como esses cristãos estavam (Atos 15.36).

Então a Bíblia relata algo interessante:

"E Barnabé queria levar também a João, chamado Marcos. Mas Paulo não achava justo levarem aquele que se afastara desde a Panfília, não os acompanhando no trabalho. Houve entre eles tal desavença, que vieram a separar-se. Então, Barnabé, levando consigo a Marcos, navegou-se para Chipre. Mas Paulo, tendo escolhido Silas, partiu encomendado pelos irmãos à graça do Senhor. E passou pela Síria e Cilícia, confirmando as igrejas." (Atos 15. 37-41).

Barnabé queria dar outra oportunidade a seu primo de fazer a obra de Deus, de tê-lo ao lado para que visse as maravilhas que Cristo estava fazendo através deles. Porém, Paulo, lembrando que Marcos havia se afastado da obra (do grego: aphistemi, significando aqui que ele desistiu, desertou, retirou-se, abandonou), não achou por bem levá-lo e então discutiu com Barnabé.

Charles Swindoll nos dá uma ilustração magnífica dessa passagem:

"Essa palavra 'queria' aparece no grego no imperfeito, significando 'desejar fortemente algo'. Barnabé não só queria isso, mas o texto sugere que pode ter exigido. 'O jovem vai'. Ele tem todo o direito de viajar conosco. Sim, ele falhou. Admito que nos abandonou. Ninguém está negando isso. Mas, Paulo, ninguém é perfeito. Ele era jovem e inexperiente. Lembre-se, porém, que a missão foi completada. Ele nos deixou, mas mesmo assim, nós a cumprimos. A ausência dele tornou as coisas mais difíceis para nós, confesso. Ele não só precisa do nosso encorajamento agora, como também se beneficiaria da nossa aprovação. Para que servem os conselhos, se não para dar encorajamento e afirmação para os fracos?" (SWINDOLL, p. 204, 205).

Não teve jeito, Paulo não aceitou a proposta. Para essa desavença, Swindoll explica que "Lucas usou a palavra grega parouxumós. Parouxuno significa 'afiar', como se faz com a lâmina de uma faca. (...) Estamos falando de uma briga memorável. (...) Isso levou finalmente a uma separação, uma ruptura permanente do time dos sonhos de Antioquia. Não lemos mais sobre o companheirismo de Paulo com seu amigo de longa data, Barnabé." (SWINDOLL, p. 207).

Não dá para dizer quem está certo ou errado. Paulo está com a razão, mas Barnabé quer salvar João Marcos da improdutividade. Ele sabia do potencial do primo e de como importante o seu auxílio. Parece que naquele momento, Paulo não conseguiu enxergar isso.

Acontece que Deus se utilizou deste fato para fazer uma coisa gloriosa. Aos olhos humanos, o ministério de ambos estava fadado ao fracasso. Os dois tinham discutido e se separado. O que seria das igrejas que foram fundadas? O que seria de Marcos? Talvez Marcos tenha pensado que não havia mais lugar para ele na obra. Porém Deus, não deixou que isto prejudicasse o Evangelho. Barnabé navegou para Chipre com Marcos e Paulo escolheu Silas como seu novo companheiro e iniciou sua segunda viagem Missionária. Dois grupos poderosos nas mãos de Deus se formam. Charles Swindoll nos chama atenção para o que Deus fez: "Não perca algo muito importante aqui: Deus multiplicou dividindo." (SWINDOLL, p. 208).

Muitas vezes, por um vacilo da nossa parte, parece que tudo que Deus projetou para nós, foi por água abaixo. Paulo estava coberto de razão, porém para que serve a razão, quando se trata de uma vida que saiu da rota, mas, que pode ser restituída? Pedro também errou quando negou Jesus! Jesus estava coberto de razão caso não quisesse mais contar com Pedro, mas não! Após ressuscitar, ele faz questão de ir atrás de Pedro, e dizer-lhe que devia apascentar suas ovelhas (João 21.15-17). Paulo não queria levar Marcos, porém Barnabé insistiu no jovem e ficou com ele. Em seus propósitos, Deus levanta alguém que acredita em nossa chamada. Alguém que não desiste da gente, que ora e que toma uma atitude assim como fez Barnabé. Não basta orar, seja como Barnabé, vá em busca de alguém que já não está na rota, que abandonou a obra; ainda há muita coisa a ser feita.

Outra coisa que aprendo, é que Deus pode usar circunstâncias difíceis para a glória do Seu nome e reino. Deus multiplicou dividindo! Talvez você esteja perdendo agora, talvez esteja tudo fora do lugar na sua casa, porém Deus está trabalhando em todos sentidos. Descanse em Deus, Ele há de dar resposta e solução para os problemas que estão tirando seu sossego.

IV- FINALMENTE, UM GRANDE OBREIRO:

Segundo R.N. Champlin: "Parece, portanto, que Barnabé fora capaz de aquilatar melhor o caráter de Marcos do que Paulo..." (CHAMPLIN, p. 130).

A companhia de Barnabé, amadureceu João Marcos. Depois do episódio de Atos 15, só vamos ver seu nome, sendo citado ao lado de grandes nomes do Cristianismo!  Não só com Barnabé, como também com Pedro e até mesmo Paulo.

Cerca de 12 anos mais tarde, não sabemos como, todavia, Marcos estava novamente com Paulo quando este esteve aprisionado em Roma (Cl 4.10).

Em Filemom 24, ele está na lista dos cooperadores de Paulo. E, poucos antes de ser morto, Paulo pede a Timóteo para trazer Marcos, pois lhe era muito útil para o ministério (2 Tm 4.13). Paulo usa a palavra grega (euchrēstos) que significa: "útil", "muito útil", "proveitoso", "adequado para o uso", "lucrativo."

Ao que parece, depois de um tempo, João Marcos, quando já era um homem maduro, fixou sua residência em Roma. A Bíblia dá a entender que Pedro tinha uma afeição enorme por ele, chamando-o inclusive de filho (1 Pedro 5.13). Claro, um filho na fé, e não biologicamente. Marcos passou um bom tempo com o apóstolo Pedro, experiência essa que lhe proporcionou um grande aprendizado para seu ministério.

Ele ainda trouxe importantes contribuições para o cristianismo. Por exemplo, hoje, é quase unânime a crença de que seu Evangelho foi o primeiro a ser escrito, tendo sido usado como fonte, inclusive por Lucas e Mateus.

Apesar de não ter conhecido Jesus pessoalmente, "com base no livro de Atos sabemos que Marcos, por algum tempo, foi companheiro de viagem do apóstolo Paulo e, deve ter sido elemento bem conhecido no círculo apostólico, por isso mesmo pode ter tido amplas oportunidades de conferenciar com Pedro e com outras testemunhas oculares, acerca da vida e dos ensinamentos de Jesus." (CHAMPLIN, p. 125).

Alguns chegam a dizer que o Evangelho Marcos é o próprio Evangelho de Pedro, sendo que escrito por Marcos. Seja como for, historicamente, Pedro deu muita contribuição para este trabalho, quer direta ou indiretamente.

A tradição além de dar crédito a Marcos pela autoria do Evangelho, também costuma afirmar que ele se tornou o primeiro intérprete pessoal de Pedro. Na História Eclesiástica de Eusébio de Cesaréia, encontramos uma citação de Papias, Bispo de Hierápolis em cerca de 140 d.C. Vejamos:
"Isto o presbítero também costumava dizer: 'Marcos, que realmente se tornou o primeiro intérprete de Pedro, escreveu com exatidão, tanto quanto podia relembrar, sobre as coisas feitas ou ditas pelo Senhor, embora não em ordem. Pois ele nem ouvira ao Senhor nem fora seu seguidor pessoal, mas em período posterior, conforme eu disse, passara a seguir Pedro, que costumava adaptar os ensinamentos às necessidades do momento, mas não como se estivesse traçando uma narrativa corrente dos oráculos do Senhor, de tal forma que Marcos não incorreu em equívoco ao escrever certas questões, conforme podia lembrar-se delas. Pois tinha apenas um objetivo em mira, a saber, não deixar de fora coisa alguma das coisas que ouvira e não incluir entre elas qualquer declaração falsa."  (Apud CHAMPLIN, p. 122).
A tradição ainda apresenta Marcos como sendo fundador da igreja em Alexandria, no Egito. Eusébio de Cesaréia (263-340 d.C) nos informa:

"Dizem que esse Marcos, sendo o primeiro a ser enviado ao Egito, ali proclamou o evangelho que também pusera por escrito e foi o primeiro a estabelecer igrejas na cidade de Alexandria. O número de homens e mulheres convertidos desde o início foi tão grande, e tão extraordinária a disciplina e a austeridade filosófica deles, que Filo achou por bem descrever a conduta, as assembléias e todo o modo de viver deles." (CESARÉIA, p. 63).

Não existe qualquer afirmação bíblica quanto a isso, nem apoio sólido, entretanto, também não temos como confirmar ou descredibilizar estas informações.

Finalizando, "as tradições também registram que em Alexandria, Marcos se tornou pastor, e ali, finalmente, foi martirizado." (CHAMPLIN, p. 130).

Conclusão: Por fim, veja que obra grandiosa Deus fez através de Marcos. Se Barnabé tivesse desistido do jovem, talvez ele não teria chegado aonde chegou. Mais tarde, o apóstolo Paulo que também estava mais maduro, enxergou a grande utilidade que Marcos tinha para o ministério da igreja. A lição que aprendemos com tudo isso que aconteceu com o jovem é a seguinte: no tempo de abandono, aja como Barnabé! No tempo de necessidade, aja como Paulo (2 Timóteo 4.11). Quando somos sensíveis ao Espírito Santo, ele desfaz todo rastro de contenda e mágoa que ficou no passado. Agora há um tempo; um bom obreiro não nasce de uma hora para outra. É preciso tempo, oportunidades e experiências. João Marcos nos ensina que não são os nossos erros que dão a palavra final sobre a nossa trajetória. Ainda há espaço para você na obra. Se porventura, você abriu mão da sua chamada ou deixou de cooperar para o Evangelho, saiba que Deus conta com você! Ele fez grandes coisas através de Marcos e tem o mesmo poder que tinha no passado para fazer conosco! Deus irá fazer grandes coisas através da sua vida, apenas creia e fique à disposição. Outras oportunidades virão!

Que Deus abençoe a sua vida poderosamente!

Bibliografia:

CESARÉIA, Eusébio. História Eclesiástica. Rio de Janeiro: CPAD, 2014.

CHAMPLIN, R.N. Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. Vol 4. São Paulo: HAGNOS, 2004.

RYRIE, Charles C. A Bíblia de Estudo Anotada e Expandida. São Paulo: Mundo Cristão, 2006.

STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2002.

SWINDOLL, Charles R. Paulo, um homem de coragem e graça. São Paulo: Mundo Cristão, 2012.

ZIBORDI, Ciro Sanches. Procuram-se pregadores como Paulo. Rio de Janeiro: CPAD, 2015.