8 de abril de 2018

Entrevista Exclusiva com Pastor Renato Cunha



Por Everton Edvaldo.

O blog Esquina da Teologia Pentecostal entrevista hoje o Pastor Renato Cunha. Ele que é autor do livro "Sob os céus da Escócia" (CPAD), articulista, professor  e diretor da Editora Carisma. 

1) Pastor Renato Cunha, primeiramente gostaríamos de dizer que é uma honra tê- lo aqui conosco, e que admiramos bastante os trabalhos que o senhor têm desenvolvido e feito nesses últimos anos, principalmente no que diz respeito à contribuição literária e teológica para os continuístas, carismáticos e pentecostais. Dito isto, gostaríamos de saber, quando e o que motivou o senhor a dedicar-se e investir na produção/tradução de livros na área da Paracletologia e Soteriologia?

Pastor Renato Cunha: A honra é toda minha, Everton. Minha gratidão a Deus pelo reconhecimento de muitos irmãos ao meu trabalho em honra ao Espírito do Senhor. Bem, entendo que recebi um chamado. Havia uma grande lacuna no cenário teológico brasileiro que desfavorecia alguns setores importantes do evangelicalismo, especialmente o pentecostal. E muitos se aproveitaram disso. Eu entendi que era hora de reagir no sentido de demonstrar que os carismáticos e pentecostais possuem um legado doutrinário especialmente rico e alicerçado nas Sagradas Escrituras. Os cristãos brasileiros precisavam tomar conhecimento disto. 

2) Graças a Editora Carisma, continuístas, carismáticos e pentecostais brasileiros estão acessando em língua portuguesa, muitos livros, autores e posicionamentos que por muito tempo ficaram em oculto. Sem dúvida, é um novo tempo para todos nós e acredito que pelo menos a barreira linguística nós já estamos rompendo. Além deste fato que até então era um desafio, quais outros desafios estão presentes na tradução de um livro para a nossa língua? 

Pastor Renato Cunha: Primeiro, toda glória é de Deus que tem levantado a Carisma para cumprir um propósito. Sem ele não faríamos nada, absolutamente nada. Não tínhamos dinheiro, nem pessoal treinado, nem estrutura física. Mas o Senhor fez tudo para provar que sua mão poderosa tem nos conduzido pelo caminho. Até aqui ele tem nos ajudado. Mas um dos principais desafios é a escassez de tradutores especializados. A teologia pentecostal é riquíssima em expressões teológicas muito próprias do movimento. Não basta saber inglês, tem que conhecer o background da teologia pentecostal. Por exemplo, o termo “Spirit Baptism” não se traduz simplesmente como “batismo espiritual”, mas “batismo no Espírito”. É um neologismo próprio do movimento que se apresenta muito mais que um mero verbete. É muitas vezes o âmago do raciocínio que pode ser perdido se o tradutor desconhecer essas questões. 

3) Desde que foi fundada, a Editora Carisma, tem trabalhado intensamente na tradução de livros que sejam de boa qualidade, relevantes e de linguagem acessível. Além disso, que mais podemos esperar da Editora Carisma? Existem outros projetos? Vocês pretendem investir também em autores nacionais?

Pastor Renato Cunha: Muitas surpresas. Iremos atuar em outras áreas além da pneumatologia. Negociamos grandes títulos nas áreas da soteriologia, escatologia, filosofia, etc. O leitor da Carisma pode esperar a qualificação do debate teológico no país. Por exemplo, iremos publicar em parceria com a Associação Brasileira de Filosofia da Religião a magnum opus do filósofo calvinista William Alston, sistematizador da epistemologia reformada. Mas por que este livro do Alston, lançado em 1991, é importante para movimentos como o Pentecostalsimo? Porque neste livro Alston trata sobre as percepções humanas da realidade divina a partir de experiências sensoriais na experiência religiosa. É um tiro certeiro nas teses que refutam o pentecostalismo em razão de sua ênfase nas experiências religiosas. Iremos publicar obras de Robert Menzies, Roger Stronstad, Harold Hunter, Donald Dayton. Essa gente é peso-pesado no cenário pentecostal.  

4) Na sua obra "Sob os céus da Escócia", o senhor nos mostra detalhadamente, através de um vasto material histórico, como alguns reformados eram continuístas e até como existiram manifestações carismáticas entre muitos destes. Hoje, muitas pessoas associam a reforma ao cessacionismo e o senhor é uma das pessoas aptas para responder esta pergunta: porque no Brasil essa ideia tem se consolidado tanto visto que nos exterior (por exemplo nos Estados Unidos), dezenas de teólogos reformados são continuístas? Seria porque a maioria dos teólogos reformados são cessacionistas ou existe outro motivo? 

Pastor Renato Cunha: Esta associação se dá no Brasil por absoluta ignorância histórica. Até mesmo calvinistas, por exemplo, desconhecem que João Calvino recebeu revelação especial extrabíblica. Como o próprio Calvino relata, ele mesmo não sabia explicar o que acontecera, apenas mencionar que ouviu um som inconfundível de que algo muito importante havia acontecido naquela noite. E tudo foi dito por ele na presença de inúmeros ministros que o visitavam em sua casa em Genebra por ocasião de uma enfermidade que o acometia. Estes relatos foram registrados por Beza e por ele mesmo publicados após a morte de Calvino. Fazia parte de uma biografia anexada às Institutas. Mas por alguma razão sombria, este documento foi extirpado das Institutas. Este livro foi inclusive publicado em inglês pela Calvin Translation Society em 1844, a partir de uma tradução da obra original em latim. Deus está trazendo de volta à lume estas coisas. Isso pode ser notado a partir da publicação de livros como o meu. As pessoas estão sendo esclarecidas pelo Espírito do Senhor. 

5) Já que falamos em cessacionismo, bem sabemos que cessacionistas pressupõem que se os dons de revelação vigoram ainda nos dias de hoje, um dos princípios da reforma Protestante, (o Sola Scriptura) é ferido severamente. Isto é verdade? É possível ser reformado e ainda assim acreditar em dons de revelação? 

Pastor Renato Cunha: Muitos reformados já refutaram essa hediondez. Embora atraente de início, a teoria de que o Sola Scriptura é um princípio que afeta qualquer noção de coexistência com os dons de revelação, é esdrúxula, sem qualquer amparo bíblico. D.A. Carson, Vern Poythress, John Frame, Wayne Grudem, Sam Storms, já escreveram diversos livros renegando a interpretação cessacionista de textos como Hebreus 1, 1 Corintios 13, et al.. Puritanos importantes como George Gillespie e Samuel Rutherford, a meu ver os dois mais importantes delegados na Assembleia de Westminister, escreveram livros e artigos defendendo a possibilidade de revelação especial extrabíblica após o encerramento do Cânon. Mas muitos desconhecem isso. E quando digo muitos, refiro-me à quase totalidade de irmãos calvinistas neste país. Além do mais, a Carisma publicou um livro chamado “Sola Scriptura e os Dons de Revelação” de Don Codling. É a dissertação dele no Westminister Theological Seminary. Um trabalho que calou vozes importantes daquele que ficou conhecido como o maior reduto do academicismo reformado norte-americano. Codling é presbiteriano canadense, uma das mentes mais brilhantes que já conheci. Precisa ser lido, conhecido. 

6) É impossível estudar Paracletologia sem enxergar a questão da atuação do Espírito Santo através dos crentes, por exemplo por meios de dons espirituais. Acontece que muitos hoje, tem abusado dos dons espirituais, usando-os de forma irreverente, desequilibrada e sem moderação. Quais recomendações o senhor nos daria para que possamos enfrentar este problema?

Pastor Renato Cunha: É fazer como Paulo fez, porque a mesma autoridade nós temos hoje, ostentamos as mesmas credenciais, seremos cobrados pelas mesmas coisas e princípios. Para isso Deus escolheu uns para pastores, outros para apóstolos, outros para pastores-mestres. Os que ensinam a igreja devem aprender o que a Bíblia diz a respeito dos dons espirituais (todos eles) e ensinar ao povo, sua abrangência, extensão, uso, propósitos. Simples assim. Ora, Paulo não proibiu as manifestações dos dons na igreja de Corinto, que era tão problemática quanto qualquer outra em nossos dias. E olha que os crentes em Corinto precisavam ser ensinados até mesmo sobre as verdades mais básicas da Ceia. Tinha gente abusando em todas as áreas, incluindo na área sexual a ponto de alguém relacionar-se sexualmente com a mulher de seu próprio pai. Mas Paulo fez o que poucos líderes de nosso tempo estão dispostos a fazer. Dedicou seu tempo a ensinar e exercer autoridade entre aqueles que estavam sob sua liderança. Mas isso envolve serviço abnegado, intimidade com o Espírito, paciência com o povo, estudo exaustivo, etc. Entretanto, alguns homens de hoje, que deveriam estar ensinando diligentemente suas igrejas locais, que deveriam jejuar e orar constantemente, que deveriam buscar ardentemente os dons do Espírito, estão mais preocupados com a audiência nas redes sociais. Eu não imagino Paulo perdendo tempo com a maioria das coisas com as quais desperdiçamos tempo hoje. O tempo é um dom gracioso de Deus, especialmente diante da afirmação de que devemos remi-lo para o melhor serviço ao Senhor e sua obra.  

7) Alguns cristãos ainda não estão familiarizados com o termo "carismático". Então, gostaríamos saber do senhor, em rápidas palavras, existe diferença de crença entre carismáticos e pentecostais? Ou ambos são a mesma coisa?

Pastor Renato Cunha: Basicamente, um pentecostal e um carismático creem na contemporaneidade de todos os dons do Espírito. As distinções ocorrem mais significativamente em doutrinas como o batismo no Espírito, evidência inicial desse batismo, etc. Por exemplo, todo carismático crê na contemporaneidade do dom de línguas. Mas nem todo ele crê que este dom é a evidência do batismo no Espírito. Então, grosso modo, todo pentecostal é carismático, mas nem todo carismático é um pentecostal.

8) Infelizmente, muitos jovens pentecostais ao perceberem uma falta de equilíbrio nas manifestações espirituais, estão aderindo ao cessacionismo com o uma alternativa que solucione este problema. Ou seja, estão trocando um buraco por um abismo, e nem de longe isso deveria acontecer. Mas neste caso, o senhor acredita que ainda é possível reverter o quadro? Digo, resgatando o pentecostalismo sadio? Ou teria outra alternativa? 

Pastor Renato Cunha: As defecções que ocorrem no Pentecostalismo em direção ao cessacionismo são naturais e até esperadas. Elas são benção se entendermos que ensinos como este são purificadores em certo sentido. Veja o que Paulo diz em 1Coríntios 11.19. Ou leia o que o Senhor disse sobre a razão de existir dos falsos profetas no antigo Israel (Dt 13.3). A descrença é companheira contumaz no caminho do povo santo. Ela não se revelou apenas às portas de Canaã.

9) Alguns Pentecostais defendem que a evidência inicial do Batismo com o Espírito Santo é o falar em línguas. Particularmente, o senhor defende esta posição, ou alguma outra? 

Pastor Renato Cunha: Eu defendo que é um dom paradigmático, mas não normativo como sinalizador exclusivo do batismo no Espírito. Eu creio que o batismo pode se revelar até mesmo na potencialização de algum dom já recebido. Precisamos entender que os dons têm um propósito, isto é, o de edificar o povo de Deus. Então, a meu ver, o dom de línguas está vinculado a outro dom, o de interpretação, com um propósito: edificar, seja o falante, seja a comunidade de remidos reunida em assembleia. Paulo recomenda a que o falante de línguas ore para que não apenas fale em línguas, mas especialmente para que interprete. O dom de interpretação de línguas, especialmente no culto, serve para validar se tal ou qual pessoa se apresenta falando em línguas, realmente está falando pelo Espírito do Senhor. E com isso, a igreja atente para o que está sendo dito. Mas hoje, qual o teste para confirmar que alguém realmente fala em línguas? Quem hoje pode atestar que a tal ou qual declaração do falante é de fato verdadeira? Logo, muitos obreiros estão sendo ordenados ao ministério sagrado endossados por um testemunho exclusivo daquele que diz falar em línguas. E nem sempre os que dizem falar em línguas, realmente falam em línguas a partir de um dom genuíno do Senhor. No NT os apóstolos certificavam que o dom de línguas era legítimo. Eles expressavam isso claramente. Mas e hoje? Quem está atestando isso? Precisamos de gente santa, guiada pelo Espírito do Senhor, com dom de discernir espíritos, a fim de governar a igreja.

10) Quanto aos dons ministeriais, atualmente, alguns cristãos são chamados de "profetas do Senhor". Então, de um lado, os críticos dizem que não existem mais profetas, e que é errado chamar alguém assim. O que o senhor pensa sobre isso, tendo em vista que no Novo Testamento encontramos o termo "profeta" também sendo atribuído a cristãos? 

Pastor Renato Cunha: As pessoas focam demasiadamente no mensageiro, não na mensagem. Há muito desentendimento porque não se tem dado atenção ao que realmente importa. A busca das pessoas também está centrada em ouvir respostas aos seus anseios, não necessariamente ao que o Senhor deseja dizer ou fazer. Quem, dentre nós hoje, tem a mesma disposição de Habacuque? (Hb 2.1). É preciso entender que rotular alguém como profeta do Senhor não há mal algum. O mal está quando prestigiamos mais o mensageiro em detrimento do Senhor da mensagem. É isto que aprendo do texto em que a glória do Senhor fazia resplandecer o rosto de Moisés. Eu penso que era para que as pessoas não idolatrassem Moisés, mas que temessem ao Senhor, que atentassem para sua glória, não que ela desvanecia revelando a dissipação da glória celeste. Por isso Moisés encobria o rosto com um véu para que os israelitas quando vissem seu rosto, vissem a glória resplandecente. Moisés sabia que a percepção visual da glória de Deus manteria animados os israelitas; em razão disto ele cobria o rosto com o véu, a fim de que o povo não visse a glória se desvanecer (Gn 34.33, 35). É a glória do Senhor, não Moisés (nem qualquer outro agente humano), que renova o espírito do povo. 

16 de março de 2018

Você já conhece a Holy Box?



Que tal receber todo mês uma caixa com itens super exclusivos? Então, agora temos a Holy Box, um clube de assinatura mensal com itens decorativos/colecionáveis e um livro lançamento com o conteúdo é puramente Pentecostal/Carismático e Arminiano! Na minha opinião, nenhum Pentecostal devia ficar de fora da Holy Box, pois é uma caixa genial pensada para nós Pentecostais e Arminianos. Por isso, nós da Esquina da Teologia Pentecostal também apoiamos este projeto e recomendamos! Conheça já a Holy Box e faça você também a sua assinatura!

Vou deixar o site aqui pra vocês acessar e lá vocês podem obter mais informações e também fazer sua assinatura:



13 de março de 2018

20 jargões usados no púlpito por pregadores sem mensagem



Por Everton Edvaldo

Hoje veremos 20 jargões que são ditos em púlpitos frequentemente por pregadores que não têm mensagem. (Obs: não é que quem usa tais frases não tem mensagem, pois pode acontecer de pregadores estarem cheios de conteúdo, e por algum motivo falar alguma delas; mas sim, aquele pregador que previamente já não tem mensagem e as usa durante o momento da Palavra).

1- "Olhe para o irmão que tá do seu lado e diga..."

2- "O melhor de Deus está por vir!"

3- "A ciência diz que quem repete, grava, então repita comigo."

4- "Cada glória que você dá, é um demônio que cai na sua casa."

5- "Hoje eu tô no óleo."

6- "Faça estremecer o inferno com seu brado".

7- "Começa a dar uma rajada de línguas estranhas onde tu estás."

8- "Ah, você não entendeu, senão teria dado um glória."

9- "Receba, Receba, Recebaaaaa..."

10- "O fogo vai pegar aqui nessa noite."

11- "Quem diz amém por isso?"

12- "Mas nesta noite eu vim aqui te dizer..."

13- "Perdeu a oportunidade de dar um glória, eu vou repetir pra você entender."

14- "Eis que te falo nessa noite..."

15- "Começa a dar Glóriaaa..."

16- "Manda glória para o alto, que Deus manda bênção para baixo."

17- "Hoje você está por baixo, mas amanhã você estará por cima, porque a roda gigante gira."

18- "É forte demais esse negócio".

19- "Hoje é noite de mistério."

20- "Apartir de hoje a tua vida nunca mais será a mesma."

Dons de Poder: Fé, Curar e Operação de Maravilhas- Uma perspectiva Pentecostal



Por Everton Edvaldo.

Leitura bíblica: (1 Coríntios 12.9,10)

Introdução: Quando estudamos as Escrituras, observamos que existem muitos assuntos para serem compreendidos. Entre eles, encontramos a temática que trata acerca da atuação do Espírito Santo. Entender à luz da Bíblia, como o Espírito de Deus atua, é crucial para nossa vida, haja vista que uma má compreensão resulta em conclusões erradas ou desfocadas e esses resultados geram implicações práticas erradas para nós. Por isso, estudar esse assunto é bastante importante! Hoje falaremos um pouco da atuação do Espírito Santo por meio de crentes, todavia, no presente texto, nos limitaremos a falar apenas a respeito do tema proposto pelo título.

Vejamos um quadro informativo afim de nos situarmos dentro dos Estudos Teológicos. 

Teologia Sistemática > Pneumatologia/
Paracletologia > Dons do Espírito Santo > Dons Espirituais > Dons de Poder

Pois bem, falaremos sobre os dons espirituais, especificamente sobre os dons de poder, isto é, dom da Fé, dons de curar e dom de operação de maravilhas.

Questões que serão abordadas sobre o tema:

• O que são dons de poder?
• Quais são eles? 
• Como funcionam? 
• A quem são dados?  
• Para que servem? 
• De onde eles vem? 
• Porque devemos buscá-los?  
• Quais cuidados devemos ter?

I- O que são dons de poder e quais são eles?

São dádivas divinas concedidas aos crentes com o objetivo de manifestar a glória e o poder de Deus entre os homens. 

Segundo o pastor e escritor Elienai Cabral, os dons de poder “são capacitações extraordinárias concedidas à Igreja de Cristo para a realização da missão proclamadora do evangelho da graça.” (CABRAL, p. 49). E diz mais:

“Sem dúvida, por meio desses dons, a Igreja de Cristo habilita-se a realizar o sobrenatural no reino natural, levando os pecadores a aceitar o evangelho e demonstrar ao mundo o poder de Deus.” (CABRAL, p. 50).

São eles: dom da Fé, dons de curar e dom de operação de maravilhas. 

II- O dom da fé. 

Em primeiro lugar, é preciso dizer que a fé como dom, se distingue da fé salvífica e da fé como fruto do Espírito. Segundo a declaração de fé das Assembleias de Deus: “trata-se de uma fé especial usada num momento específico.” (SILVA, p. 174). O pastor Enaldo Brito acrescenta que além dos outros dois tipos de fé citados pela declaração de fé, também “não deve ser confundida com a fé humana comum.” (BRITO, p. 73). Ou seja, o dom da fé não é nem a fé salvadora, nem a fé comum, nem a fé como Fruto do Espírito.

Em segundo lugar, esse dom nos serve como equipamento espiritual para sobreviver às mais cruéis tempestades malignas. Segundo Gordon Chown, “é o equipamento espiritual e sobrenatural do crente, para lhe conceder o poder sobrenatural de confiar em Deus nas ocasiões nas quais só um milagre glorioso poderia alterar a situação. (Apud CABRAL, p. 51).

De acordo com David Lim, na Teologia Sistemática- Uma perspectiva Pentecostal, esse dom é acompanhado de “oração fervorosa, alegria extraordinária e coragem incomum.” (HORTON, p. 474).

Em terceiro lugar, nem todos os crentes possuem tal dom. Para o pastor Elienai Cabral: “Deus não discrimina nenhum crente, mas concede um dom que possa ser exercitado para a sua glória e para o crescimento espiritual da igreja. (...) Esse dom permitiu que os cristãos primitivos se tornassem testemunhas desinibidas e mártires destemidos.” (CABRAL, p. 50). 

“Alguns o definem como 'a fé que remove montanhas' trazendo manifestações incomuns ou extraordinárias do poder de Deus.” (apud LIMA, p. 45). 

Exemplos bíblicos: 

• Moisés perante o mar vermelho (Êx 14.13 14).

• Daniel quando ameaçado de ser jogado na cova dos leões (Dn 6.16,23).

• Elias quando propôs um desafio aos profetas de Baal (1 Rs 18. 22-39). 

• Paulo quando foi vítima de um grande naufrágio (Até 28. 1-6). 

Hoje mais do que nunca precisamos do dom da fé. Na nossa era, muitos crentes vivem desanimados, desencorajados e sensíveis a qualquer tipo de adversidade. Infelizmente, boa parta da geração de hoje é uma geração frouxa. Deus está disposto a derramar do dom da fé sobre aqueles que buscarem. Esse dom irá se manifestar no momento certo, podendo ser instrumento de uma intervenção divina para te livrar de algo ameaçador. Através do dom da fé, e depressão não tem vez e a tristeza crônica e constante não cria raízes mas bate em retirada. 

III- Os dons de curar. 

Segundo a Declaração de Fé das Assembleias de Deus: “Quanto aos dons de curas, são manifestações do poder do Espírito Santo que operam de maneira multiforme para cura de doenças e enfermidades do corpo, da alma ou psicossomáticas, sempre concedidas pelo Espírito Santo à pessoa que irá ministrá-la, pois é Deus quem cura e somente a seleção pertence a glória.” (SILVA, p. 174). 

O ministério de Jesus foi repleto de manifestações de curas! O Senhor livrou muitas pessoas de moléstias e enfermidades. Quando enviou seus discípulos para pregarem o evangelho, ele disse: 

“E disse-lhes: "Vão pelo mundo todo e preguem o evangelho a todas as pessoas. Quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será condenado. Estes sinais acompanharão os que crerem: em meu nome expulsarão demônios; falarão novas línguas;pegarão em serpentes; e, se beberem algum veneno mortal, não lhes fará mal nenhum; imporão as mãos sobre os doentes, e estes ficarão curados". (Marcos 16:15-18).

Ou seja, o Senhor quis usar seus servos para manifestar seu poder entre as pessoas que vivem escravizadas com o pecado. Por isso, os dons de curar são tão importantes. 

Como diz o pastor Elinaldo Renovato: “É interessante notar que todos os outros dons estão no singular. Mas os dons de curar estão no plural. Não há, portanto, um ‘dom de curar', mas uma variedade deles.” (LIMA, p. 47). Para David Lim, “muitos dons de cura estão à disposição para satisfazer as necessidades de casos específicos em ocasiões específicas.” (HORTON, p. 474). Elienai Cabral afirma: “A palavra 'curas' no plural indica que a pessoa dotada de dons de curas tem a graça do Espírito para orar pela cura de tipos distintos de enfermidades em todos o tempo em que a Igreja estiver na terra.” (CABRAL, p. 52). 

Curiosidades sobre os dons de curar:

• Os dons de curar não ficaram restritos aos dias apostólicos. (Segundo a Bíblia e segundo a história). 

• Os dons de curar fazem parte das dádivas de Deus concedidas à igreja. 

• É uma ação especial do Espírito Santo.

• Tem o objetivo de amenizar o sofrimento humano. 

• Mostra o poder de Deus aos incrédulos de modo que muitos se quebrantam e creem em Jesus. 

Cuidados:

• Não devem ser usados para auto-promoção humana, mas divina.

• Deve ser exercido com moderação e conforme os parâmetros bíblicos. 

• Deve ser exercido com discernimento. 

• Não se deve desprezar o auxílio da medicina por conta deste recurso espiritual. 

IV- Dons de Operações de Maravilhas. 

Do grego energemata dunameõn, operação de maravilhas são  da parte de intervenções extraordináriasDeus na esfera espiritual e física. 

David Lim, explica que esse dom “consiste em dois plurais: de dunamis (façanhas de grande poder sobrenatural) e energêma (resultados eficazes). Esse dom pode estar relacionado à proteção, provisão, expulsão de demônios, alteração de circunstâncias ou juízo.” (HORTON, p. 474).

 Segundo Elinaldo Renovato: “ Desses termos gregos derivam as palavras 'energia' é ‘dinamite’. (...) Assim como a dinamite explode rochas consideradas impenetráveis, o dom de milagres anula a ordem natural das coisas. Muitas vezes, é uma verdadeira explosão do poder de Deus, no mundo natural ou na esfera natural.” (LIMA, p. 48, 49).

A declaração de fé das Assembleias de Deus afirma:
“A expressão 'operação de maravilhas' está no plural em grego e significa 'obras poderosas' ou 'de poder', o que sugere grande variedade de milagres.” (SILVA, p. 174).

É quando os recursos do homem acabam, que os de Deus entram em ação.

Vale ressaltar que é um dom muito próximo dos dons de curar, mas diferem na demonstração, os dons de curar são intervenções divinas no corpo físico das pessoas doentes, enquanto que o dom de operação de maravilhas podem extrapolar a esfera física, para a esfera espiritual, natural, (isto é, da natureza), etc. 

Exemplos: A sombra de Pedro “curava” as pessoas (At 15.15). A imunidade de Paulo ao ser picado por uma víbora (At 28.3-6), A vara de Arão se transformando em serpente na presença de Faraó (Ex 7.12). Outros exemplos: expulsão de demônios e ressurreições.  

V- Porque devemos buscar esses dons? 

Poderia enumerar várias razões para isso, todavia falarei apenas de algumas:

• Porque são úteis.

• Porque não devemos nos acomodar com os dons que já possuímos. 

• Porque Deus tem um arsenal celestial aberto para nós. 

• Porque Deus quer nos usar para a edificação da sua igreja e o poder de Deus na proclamação do evangelho. 

VI- Verdades práticas:

• Os dons de poder devem ser exercidos com amor.

• Os portadores dos dons de Poder não são superiores aos que não os possuem.

• A manifestação destes dons não é termômetro para medir a espiritualidade de um crente. 

Conclusão:  Sem dúvida, é da vontade de Deus derramar dons de poder na vida dos crentes. Hoje mais do que nunca, precisamos do poder de Deus para vencer as barreiras que nos sobrevém. Poder! Poder para vencer, poder para perseverar, poder para ter coragem! Por isso, precisamos buscar os dons de poder para nossa vida, afim de que Deus nos use para sua glória, amém! 

Bibliografia:

BRITO, Enaldo. Espírito Santo- lições bíblicas. 

CABRAL, Elienai. Movimento Pentecostal- As doutrinas da nossa fé. Rio de Janeiro: CPAD, 2011.

HORTON, STANLEY. Teologia Sistemática- Uma Perspectiva Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2005.

LIMA, Elinaldo Renovato de. Dons Espirituais e Ministeriais. Rio de Janeiro: CPAD, 2014.

SILVA, Ezequias Soares da. Declaração de Faturamento das Assembleias de Deus. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.

18 de fevereiro de 2018

Estudando o Episódio do Bezerro de Ouro



Por Everton Edvaldo

Leitura bíblica: Êxodo 32.1-14

Introdução: As passagens bíblicas estão repletas de ensinamentos e de detalhes que revelam verdades a respeito de Deus e de nós. Quando nos dedicamos e nos aprofundamos em estudar as Escrituras, entendemos que aquilo que aconteceu no passado de alguma forma traz impacto para nossa vida no presente. Hoje estudaremos a passagem que fala do "Bezerro de Ouro." Todavia, antes vamos apresentar um panorama do livro de Êxodo afim de elucidar e de nos situarmos dentro da passagem ao qual estudaremos; depois veremos o contexto histórico em que Êxodo 32.-14 está inserido e por fim, quais lições e verdades práticas podemos extrair a partir desta passagem. Boa leitura!

I- PANORAMA DO LIVRO DE ÊXODO:

1. Quem escreveu? (Autor). A tradição judaica aponta Moisés como o escritor da Toráh (os 5 primeiros livros da Bíblia), incluindo Êxodo (Saída).

2. Quando escreveu? (Data). Os estudiosos mais conservadores datam a escrita de Êxodo por volta de mais ou menos 1445-1405 a.C.

3. Para quem escreveu? (Destinatário). Embora atualmente tenha alcançado milhares de pessoas em todo o mundo, é sabido que o público alvo primário de Êxodo eram os judeus e a sua posteridade, isto é, o povo Israelita.

4. Onde Escreveu? (Lugar). É quase unânime entre os estudiosos, a afirmação de que Moisés escreveu o livro de Êxodo no deserto.

5. Porque escreveu? (Propósito). De modo geral, podemos falar que o propósito de Moisés ao escrever o livro de Êxodo foi registrar e revelar a vontade de Deus para os israelitas com o objetivo de que eles passassem a observar as leis que o SENHOR os havia entregado.

6. Assuntos principais. São vários os assuntos abordados por Moisés, entretanto vamos destacar aqui apenas dois:

A) Libertação do povo de Israel (Saída do Egito).

B) Estabelecimento das leis (Cerimoniais, Civis e Morais).

II- CONTEXTO HISTÓRICO:

Entraremos agora em Êxodo 32 propriamente dizendo, e para compreendermos a passagem, vamos pintar um pouco do cenário daquela época, respondendo algumas perguntas:

Onde Moisés estava? O versículo 1 localiza Moisés no monte (chamado de monte Senai em Exôdo 19.18 e Horebe em Deuteronômio 4.10-15).

O que ele estava fazendo no monte? Moisés não estava ali sem razão, mas sim porque Deus o convocou para anunciar aos Israelitas a sua vontade (Êxodo 19.1-25).

E o povo de Israel, onde estava? Êxodo 19.17 informa que Moisés levou o povo para fora do acampamento e eles ficaram na base do monte. (Cf Ex 20.21).

Desde o capítulo 19 até o 32, o cenário gira em torno deste episódio que durou 40 dias e 40 noites (Êxodo 24.18).

A Bíblia diz que vendo que Moisés demorava para descer, o povo de Israel pediu para que Arão (seu irmão) fizesse um deus que fosse à frente deles, pois não sabiam o que havia acontecido a Moisés. Então Arão pediu que entregassem seus brincos de ouro e recebendo-os derreteu, fazendo um bezerro de ouro e declarou que este os havia tirado da terra do Egito. E mais, fez um altar e disse: Amanhã haverá festa ao SENHOR. No outro dia, se levantaram cedo e sacrificaram ao bezerro de ouro e depois se divertiram.

Porque o povo fez isso? A resposta é simples! Lembremo-no de que Israel passou mais de 400 anos no Egito, e apesar de não habitar no meio dos egípcios, sofreu consideráveis influências por parte deste povo. Para Israel, Moisés (o profeta de Deus, ou seja, alguém responsável por trazer a voz de Deus ao povo), representava o próprio Deus entre eles, e uma vez que Moisés havia sumido, eles se viram sem Deus à frente deles, por isso, sem líder e sem Deus, pediram para Arão fazer um deus para si para que fosse à frente deles. Isto porque a mentalidade daquela época era: um povo sem uma divindade é um povo entregue à ruína.

Interessante que nem mesmo as claras leis de Deus contra a idolatria foram obedecidas mas negligenciadas e esquecidas. 

Fazendo um deus para si, Israel:

A) Quebra um acordo oral feito há poucos dias com Deus (Êxodo 19.7).

B) Quebra dois dos dez mandamentos (Êxodo 20.3-5).

C) Quebra a lei de oferecer sacrifícios somente ao Senhor, pecado este inclusive digno de morte (Êxodo 22.20).

III- O DIÁLOGO DE DEUS COM MOISÉS:

Então Deus relata a situação a Moisés (que estava monte e não sabia o que estava acontecendo). Deus fala que Israel havia se corrompido e desviado do caminho que Ele havia ordenado e que este povo era muito obstinado.

O termo usado por Deus para "corrompeu" é sahath e significa aqui "deteriorado", "arruinado", "perdido", "prejudicado", "danificado", "pervertido", "corrupto".

Para "desviado", ele usa sur que significa "rebelado", "afastado", "deixou de lado", "virar-se", "dar as costas", "ir embora", "partir".

Dito isto, Deus propõe a Moisés que deixasse que Ele destruísse Israel e fizesse dele uma grande nação. Quanto a este ponto, não cabe a nós neste estudo, entrar no mérito de como esse tipo de linguagem de Deus de pedir a Moisés que deixasse-o destruir Israel não entra em choque com a soberania dEle. O ponto crucial aqui não é este mas sim: Deus estava para destruir Israel.

Então a Bíblia diz que Moisés suplicou, ou seja, intercedeu ao Senhor seu Deus e agora vamos mostrar quatro argumentos que Moisés usou para que Deus nao destruísse Israel:

1- Moisés pergunta porque Deus destruiria o seu povo? (v. 11). Deus disse no versículo 7 que povo era de Moisés, e no versículo 11 Moisés diz que o povo era de Deus. É como se Moisés tivesse dizendo: porque o SENHOR se ira? O SENHOR é que é o proprietário deles e não eu. Não é qualquer povo que está jogo, é o teu povo! 

2- Moisés pergunta porque Deus destruiria o seu povo que Ele mesmo tirou do Egito com grande força e com mão forte? (v. 11). No versículo 7, Deus diz que Moisés tirou o povo do Egito, mas no versículo 11, Moisés diz que foi o SENHOR quem os tirou de lá com mão forte (cf Êxodo 19.4; 20.2; 29.46). Ou seja, como irás destruir o teu povo que o Senhor mesmo tirou da terra do Egito com mão forte?

3- Moisés pergunta porque Deus permitiria que os egípcios dissessem que Ele tirou os israelitas de lá para fazer o mal e matá-los (v. 12). 

Até aqui podemos extrair algumas lições para nossas vidas.

A primeira é no que diz respeito a ausência de Moisés entre o povo de Deus. Ou seja, a ausência de um homem de Deus dá oportunidade para o caminho da corrupção. Este é um princípio válido para os dias de hoje. Porque será que muitas igrejas estão se corrompendo? Porque os homens de Deus estão distante das suas dores e das suas necessidades. Homens de Deus precisam estar perto das suas ovelhas.

Outra coisa: Pior que ter homens de Deus distantes é ter homens por perto que contribuem para a corrupção do povo. Este é o caso de Arão que devia repreender o povo porém satisfez seus desejos. Muitos líderes da atualidade dão ao povo o que eles gostam e não o que Deus quer. Triste este tipo de comportamento porque a vida de um líder influencia a vida dos liderados direta e indiretamente. Este é o caso por exemplo da monarquia de Israel, onde a saúde espiritual do rei refletia na saúde espiritual do povo.

A segunda lição diz respeito a Deus estar observando os atos de Israel enquanto Moisés estava no monte. Isto é, todas as nossas ações são observadas por Deus e nada escapa dos seus olhos. E mais: toda ação humana tem uma reação divina. Atentemos seriamente para esta verdade, pois nada foge dos olhos de Deus.

A terceira lição que podemos extrair, é quando Moisés vai interceder num momento delicado. Mais adiante veremos como a intercessão é importante, mas veja como Moisés se comporta diante de uma situação adversa. Isto vale como exemplo para nós, isto é, devemos  sempre recorrer ao Senhor quando "a coisa ficar preta", principalmente quando algo se levantar para ameaçar nosso futuro.

A quarta lição, é quando Moisés diz que o povo é de Deus e que foi ele que os tirou do Egito e não incentiva Deus a destruir o povo de Israel para fazer dele uma grande nação. Aqui, Moisés abre mão de qualquer mérito e privilégio em razão da ruína dos outros. Apesar de Moisés ter sido chamado para ser líder, claramente podemos notar que ele tinha um coração de servo. Que exemplo memorável! Quantas pessoas hoje em dia que para crescer, estão dispostas a ver o mal e a queda de alguém. Moisés não queria ver a queda do seu povo, mas a sua restauração. 

No final do terceiro argumento Moisés diz para Deus:

"Volta-te da tua ira ardente e arrepende-te desse castigo contra o teu povo." (v. 12).

Isto revela o nível de intimidade que Moisés tinha com Deus. Vale lembrar que esse tipo de linguagem só foi usava por Moisés porque o próprio Deus se colocou a disposição dEle. Isto é totalmente diferente das pessoas que hoje querem ensinar Deus a trabalhar e isto geralmente, é feito da pior maneira possível: não possuem intimidade, não sabem dialogar com Deus e fazem tal prática de forma irreverente.

Então, o que está escrito neste versículo não nos encoraja a ensinarmos Deus a trabalhar, mas a termos um nível de intimidade tão grande com Ele a ponto de quando Ele se colocar à nossa disposição, nós apresentar-mos os nossos argumentos perante Ele. Notou a diferença?

As palavras de Moisés também estão recheadas de um pouco de coragem e também de ousadia. Ao que tudo indica no texto, Deus não se incomodou com as palavras dele.

4- Moisés fala para que Deus lembre-se de Abraão, de Isaque e de Jacó. Ele jurou que multiplicaria a descendência deles como as estrelas do céu. Aqui Moisés está colocando em evidência e como argumento final a questão da incondicionalidade da promessa de Deus feita aos patriarcas. É como se ele estivesse dizendo: foi a eles que o SENHOR jurou que iria multiplicá-los e não a mim, eu estou apenas inserido nesta promessa.

O versículo 14 é incrível! Fala que o Senhor se arrependeu do castigo que disse que traria ao seu povo, derramando mais uma vez a sua misericórdia sobre eles. Ou seja, Deus atendeu a intercessão de Moisés, não primariamente por amor a ele, mas sim em razão do amor pelo seu próprio nome e caráter e por fim e não menos importante, através da súplica do seu servo. 

O que podemos aprender com tudo isso?

Primeiro, que não importa qual seja o problema, quem tem intimidade com Deus encontra solução Nele para todo e qualquer tipo de ameaça que surgir. 

Segundo, a nossa comunhão com Deus gera efeitos em Deus, em nós e nas pessoas que estão ao nosso redor. Lembre-se que a petição de Moisés foi atendida, de maneira que Deus deixou de fazer o que estava para fazer, ou seja, surtiu efeito em Deus. Também surtiu efeito no próprio Moisés que passou a enxergar Deus ainda mais grande e misericordioso e por fim, no povo que iria ser destruído e não foi. Assim é na nossa vida, a oração de um justo pode muito em seus efeitos (Tg 5.16). Portanto, caro leitor, interceda, faça o que está ao seu alcance e deixe os resultados com Deus. As tuas orações (quando atendidas), surtem efeitos em Deus, em você e nas pessoas que estão ao seu redor seja na sua família ou não.

Terceiro, o Deus ao qual nós servimos leva em consideração as nossas palavras e se dispõe a derramar da sua misericórdia sobre nós novamente.

O povo era digno de ser destruído pois havia transgredido os mandamentos de Deus, todavia Ele optou por usar da sua misericórdia sobre eles novamente. Se Deus tivesse destruído Israel e quisesse levantar de Moisés uma grande nação, não estaria incorrendo em nenhum erro, mas satisfazendo a sua justiça imediata. Contudo, sua misericórdia se mostrou ativa no momento em que os israelitas mais careciam dela.

Este é um claro exemplo de que devemos interceder por aqueles que necessitam de misericórdia, principalmente por aqueles que estão no mundo sem salvação e já estão condenados.

A passagem começa com corrupção e termina com misericórdia para mostrar que a restauração de Deus está ao nosso alcance.

Conclusão:  Sem dúvida, o foco dessa passagem está na intercessão. A intercessão de quem tem intimidade abre as portas para que a solução de Deus desça sobre os problemas que surgem. Por isso, não importa qual seja a dificuldade que esteja na sua vida, ore! Deus está de prontidão para te atender e melhorar o seu relacionamento com Ele. Que Deus te abençoe!

20 de janeiro de 2018

3 Verdades Extraídas a partir de Genesis I



Por Everton Edvaldo.

Meditando em Gênesis 1, texto que relata a respeito a criação dos céus e da terra, percebi que existem expressões que se repetem com frequência em vários momentos do ato criacional de Deus. Por exemplo, a expressão "E disse Deus", aparece 10 vezes nesta passagem. Usada para indicar que Deus criou as coisas pelo poder da sua Palavra. A expressão "assim foi" se repete 4 vezes neste capítulo, indicando que tudo que Deus ia falando, vinha à tona. Já a expressão "Viu de Deus que era bom/muito bom" se repete 7 vezes neste capítulo. Sem dúvida, as repetições destas expressões quando analisadas mais profundamente tem algo a nos ensinar. A partir destas três expressões, vamos extrair três verdades que podem ser aplicadas na nossa vida.

I- DEUS FALA:

É o que concluímos a partir da expressão "E disse Deus." Gênesis nos fornece algumas pistas de como Deus fala, por exemplo.

1. Deus fala de modo inédito. A primeira vez que encontramos Deus falando algo na Bíblia é em Gênesis 1.3: "Haja luz e houve luz."

2. Deus fala de modo soberano. Não é qualquer pessoa quem está falando, é Deus. O próprio termo "Elohim" traduzido como Deus em Gênesis 1, implica nessa conclusão. Deus é soberano e sua fala também.

3. Deus fala de modo constante. Conforme já vimos nesta introdução, a expressão "E disse Deus" se repete 10 vezes no capítulo 1.

II- O DEUS QUE FALA É O MESMO DEUS QUE FAZ ACONTECER:

1. Ele faz acontecer para cumprir sua palavra. "E assim foi" é o cumprimento do que Deus havia dito. Deus cumpre tudo o que fala de modo soberano.

2. Ele faz acontecer coisas extraordinárias (v. 6). Isto é, coisas surpreendentes. Ele traz à existência aquilo que não existe. Todas as coisas que estão em Gênesis 1, não existiam antes.

3. Ele faz acontecer coisas grandes (v. 14). Por exemplo, quando criou o Sol e a Lua.

III- O QUE DEUS FAZ ACONTECER E SURGIR É BOM:

É o podemos concluir a partir da expressão: "E viu Deus que era bom." O que ele faz acontecer é:

1. Bom para Ele (v. 31). Ele se apraz nas coisas que realiza.

2. Bom para nós (v. 12). Todas as coisas que Deus criou na terra são para o nosso benefício.

3. Bom para as demais coisas (v. 18). As coisas que Deus criou funcionam de forma que toda a criação desfrute bondosamente deste poder maravilhoso. Isto é, tudo que Deus criou é bom para a sua criação.