26 de junho de 2019

Lucy Ferrow, a obreira que mais se destacou no início do Movimento Pentecostal





Por Everton Edvaldo

Lucy F. Farrow (1851-1911) foi uma pastora de uma igreja de santidade (Holiness) independente que foi fundamental para os primeiros anos do Pentecostalismo. Pouco se sabe sobre sua infância, e pouco crédito lhe tem sido dado nos estudos sobre as origens do Pentecostalismo, porém alguns livros fazem menção a ela com vários detalhes. O ministério dessa mulher foi tão notável que ela é uma das pessoas mais citadas nos relatórios de Parham,  considerado o pai do Movimento Pentecostal. 

Pois bem, quem foi essa mulher? 

Lucy Ferrow ficou praticamente desconhecida até 1905, quando conheceu Charles Fox Parham, o pioneiro do Movimento Pentecostal. Nesta época, ela pastoreava uma igreja Holiness em Houston, Texas e abriu as portas do seu ministério para Parham que veio à cidade promover cruzadas que atraíram grandes multidões e o respeito do povo e da imprensa. A partir daí ela abraçou a fé Pentecostal.

Ela foi a primeira pessoa negra a ser registrada como tendo recebido o Batismo no Espírito Santo com evidência inicial do falar em línguas nas reuniões de Parham. Nessa época, Parham passou a ter tanta estima por ela, que a convidou para ser governanta dos seus filhos e cozinheira do seu seminário, funções estas que só pode exercer por poucos meses, devido as suas ocupações com a obra de Deus. Durante os dois meses que ficou fora do Texas, deixou William Seymour que já era seu amigo, cuidando da sua congregação.

Quando Parham abriu o seminário, ela incentivou Seymour a matricular-se para as aulas, tendo sido ela quem apresentou o Seymour a Parham. Seymour se interessou pela doutrina que ela o havia transmitido e se matriculou no seminário para as aulas.

Tamanha era a unção de Ferrow, que em Agosto de 1906, ela foi convidada por Parham para pregar no acampamento do Movimento da Fé Apóstolica, onde muitos receberam curas e poder de Deus, sem falar nas inúmeras pessoas que se converteram. 

Ela ficou conhecida como a "escrava ungida" e foi cotada como uma das obreiras mais intensas na companhia de Parham que vivia rodeado de obreiros e obreiras.  Certa vez em Portmouth, ela foi usada pelo SENHOR e cerca de 200 pessoas se converteram e 150 receberam o Batismo no Espírito Santo. 

Parham a enviou para muitos lugares. Tendo ela ministrado em toda a América e dirigido cultos em Louisiana, Carolina do Norte, Virgínia (onde teve um ministério notável), Nova York e até mesmo na Inglaterra.

Mas não parou por aí. Ela também foi enviada para a Libéria, na África. Há relatos que ali, ela recebeu a Xelolalia, pois passou a falar a língua Kru, sem nunca tê-la estudado e que inclusive chegou a pregar para o rei daquele povo. Os relatos também contam que muitos liberianos foram salvos e batizados no Espírito. 

Porém, Ferrow não passou muito tempo na Libéria e logo voltou para a América. 

Ela também desempenhou um papel fundamental nos primeiros anos da Missão Azuza Street. Isto porque, durante os períodos de oração de Seymour, ninguém havia falado em línguas até que Lucy foi convocada por Seymour a ir lá e orar pelas pessoas, e então muitas foram batizadas no Espírito, através da sua imposição de mãos, conforme no livro de Atos, contribuindo desta forma para a centelha inicial naquele lugar. Incansável e intrépida, ela trouxe a Mensagem Pentecostal com poder a Los Angeles, onde a maioria da população era negra.

Em uma das edições do jornal: "A Fé Apostólica", Parham diz o seguinte sobre ela:


''Sra. Lucy F. Farrow, serva ungida de Deus, que veio há quatro meses de Houston, Texas, para Los Angeles, trazendo o Evangelho completo, e a quem Deus usou grandemente ao impor as mãos a muitos que receberam o Pentecostes e o dom de línguas, agora retornou a Houston, a caminho de Norfolk, Va. Ela voltou para sua antiga casa que ela deixou quando era menina,  sendo vendida como escrava no sul. Ela sente que o SENHOR agora a está chamando de volta. Irmã Farrow, irmão W. J Seymour e irmão  J.A. Warren foram os três que o Senhor enviou de Houston como mensageiros do Evangelho completo." (Edição 1, página 01).

Num trecho do mesmo jornal, também é possível lermos um trecho escrito por Farrow sobre o trabalho que ela desenvolveu na Virgínia. Ela diz:

''Tivemos uma reunião gloriosa ontem à noite.Foi a sexta noite e seis pessoas falaram em línguas. É maravilhoso ver como o Senhor está trabalhando com Seus filhos crentes, mas há muito a ser feito aqui. Há um grupo de santos que não lê a Bíblia como santos. Eles dizem que a Bíblia é para incrédulos, então eles não a leem. (...) Deus está fazendo um pequeno trabalho na terra hoje. Logo, logo, Ele estará voltando à terra novamente. Ele disse que não devemos ultrapassar as cidades até que o Filho do Homem venha, por isso não temos muito tempo a perder. Lembre-se de mim e por todos os santos. Diga-lhes que orem por mim.Eu não posso escrever para todos, então você se lembre de mim como um todo. Peça-lhes para orar pelo trabalho na Virgínia. É muito necessário. Eu não sei quanto tempo o Senhor vai me manter aqui. Há muito a ser feito. Eu não passei por Danville, mas vou para lá assim que puder sair desse lugar. Passei por Nova Orleans e mudei de carro para lá, e coloquei as mãos em duas famílias doentes no caminho de Houston aqui'' - Lucy Farrow. (Edição 2, página 03).

Em outra edição, o jornal também diz:

"Deus fez um trabalho maravilhoso em Portsmouth, Virgínia. É relatado que cerca de 150 receberam o Pentecostes. Todo o país a respeito é agitado pelo poder de Deus. O Senhor enviou a irmã Lucy Farrow de Los Angeles e a usou para pregar este evangelho.Ela sente um chamado de Deus para ir a Monróvia, Libéria, África, e quer que alguém venha e ajude a continuar o trabalho. Ela diz: “Dê a todos os santos amor de mim. Diga-lhes que tenho muitos filhos aqui também. Eles não querem que eu vá embora, mas todos sabem quando o Senhor diz para eu ir, eu devo ir. Eu me movo quando o Senhor diz que devo me mexer. Não há tempo para visitar apenas para o Senhor. Eu vou noite e dia na chuva e no sol.Não há tempo para parar. Jesus está chegando em breve. Ore por mim e pelo trabalho aqui." (Edição 4, página 01).

Sobre ela, uma testemunha de Portmouth fala:

"Agradou a Deus por Seu poder Todo-Poderoso nos enviar a Irmã Lúcia Farrow para nos trazer a luz como não a vimos. O poder de Deus caiu sobre nós. Eu O louvo por ser uma testemunha em Jerusalém, Samaria, Judéia e até os confins da terra. Eu O louvo pelo poder no sinal que Ele me deu de falar em línguas e interpretar o mesmo e cantar em línguas. Eu louvo a Deus pelo poder de cura. Ele me curou da minha cabeça aos meus pés. --- Georgetta Jeffries, Portsmouth, Va. (Edição 4, página 01).

Um relatório de missionários pentecostais também fala:

"Nossa querida irmã Farrow, que foi uma das primeiras a trazer Pentecostes para Los Angeles, foi para a África e passou sete meses em Johnsonville, a 40 quilômetros de Monróvia, na Libéria, naquele clima mais mortal. Ela agora voltou e tem uma história maravilhosa para contar. Vinte almas receberam seu Pentecostes, e inúmeros foram salvos, santificados e curados. O Senhor lhe dera o dom da língua Kru e ela foi autorizada a pregar dois sermões ao povo em sua própria língua. Os pagãos, alguns deles depois de receber o Pentecostes, falaram em inglês e alguns em outras línguas. Louve a Deus. O Senhor mostrou a ela quando ela foi, a hora em que ela voltaria e lhe enviou a passagem a tempo, trouxe-a para casa em segurança e a usou na Virgínia e no sul ao longo do caminho.' (Edição 11, página 01).

Após voltar da África em 1907,  Deus continuou usando sua serva na parte de trás da missão da Azuza Street, onde muitas pessoas que a procuraram foram curadas, batizadas no Espírito Santo e relatavam ter tido experiências maiores com Deus. Esses foram os últimos anos dela.

Em 1911, ela contraiu tuberculose e morreu com a idade de 60 anos. Foi provavelmente, a mulher mais determinante no movimento pré Rua Azuza e possivelmente, a personalidade mais influente na formação do Pentecostalismo. 


Foto de Ferrow ao lado de William Seymour

24 de junho de 2019

O Sínodo de Dort não tem autoridade sobre a Bíblia




Por Everton Edvaldo 

Is,to mesmo! É um erro "divinizar" ou "canonizar" esse Sínodo. As pessoas que fazem isso, deveriam repensar sobre suas colocações pessoais.É comum nos diálogos entre calvinistas e arminianos, encontrar frases de pessoas desinformadas. Muitas delas, negligenciando o estudo histórico e sensato dos fatos, afirmam: 

"Os arminianos foram refutados em Dort."
"Os arminianos são hereges". "Arminianismo foi declarado heresia em Dort."

Mal sabem eles que esse Sínodo foi uma grande  jogada política, por demais estratégica. Se soubessem disso, não tratariam esse Sínodo como inerrante.

Como cristãos, devemos entender que a inerrância só deve ser atribuída à Bíblia. É ela que tem autoridade suprema sobre tudo e todos!

Aos calvinistas digo eu: não adianta apelar para Dort, catecismos ou confissões  quando se trata da autoridade divina! É importante ressaltar que esse erro não é moderno. Enquanto vivia, Armínio já enfrentava esses problemas.

Certa vez, o calvinista John Bogerman (1576-1637) participou de uma conferência com Gomaro, Uytenbogaert e  Armínio. Nela, ele afirmou que "as Escrituras devem ser interpretadas de acordo com o catecismo e a confissão." 

Ora, onde fica a "Sola Scriptura"? Anos mais tarde, esse homem foi eleito como presidente do Sínodo de Dort.  A ele, Jacó  Armínio perguntou:

"Como alguém poderia afirmar mais claramente que eles estavam decididos a canonizar estes dois documentos humanos, e instituí-los como os dois bezerros idólatras em Dã e Berseba?"

A Bíblia não precisa de muletas! No que se refere à interpretação de qualquer doutrina, é ela que ilumina.

Se o Presidente do Sínodo, tinha um pensamento desse, imagina os demais representantes? 

Espero que isso seja observado e levado em consideração nos debates.  Qualquer  calvinista que afirmar que o arminianismo foi refutado em Dort,  deixa claro, que não passa de um dado viciado.


22 de junho de 2019

Afinal de contas, quantos livros os pais da igreja escreveram?



Por Everton Edvaldo

Quem de nós nunca sonhou em ter a coleção completa de 44 volumes da Paulus sobre a Patrística? Pra quem não sabe, a Patrística foi um grande período da história da igreja, em que os pais ou padres da igreja, consolidaram muitas das doutrinas cristãs que temos hoje. Eles fizeram parte da igreja primitiva e deixaram para nós um vasto material escrito, tratando sobre diversos assuntos e corrigindo dezenas de erros. Às vezes, errando, às vezes acertando, a Patrística é digna de ser estudada. Porém, conhecer seus escritos é um grande desafio.

O primeiro é o da tradução. Das centenas de volumes que existem, apenas poucas dezenas foram traduzidas para a língua portuguesa. O segundo é o da linguagem. Os patrísticos são exaustivos e possuem uma linguagem bem peculiar. Lê-los na maioria das vezes é maçante, cansativo e desmotivador para um público que não tem o hábito da leitura.

A coleção mais completa que temos em nosso país, é a da Editora Paulus. São 44 volumes bem resumidos e trazem alguns escritos de pais como Orígenes, Agostinho de Hipona, Leão Magno, Ambrósio, João Crisóstomo, Irineu de Lyon, Justino de Roma, Hilário de Poitiers, Gregório de Nissa, Gregório Magno, Eusébio de Cesaréia, Cipriano de Cartago, Ambrósio de Milão, entre outros. Ela custa atualmente: 3.320,00 R$.

Porém, o catálogo da Patrística é muito maior que isso.

Para você ter ideia, entre 1844 e 1864, um abade e padre francês chamado Jacques Paul Migne, publicou a coleção de Patrologia Latina. Ela é a maior e mais exaustiva coleção já publicada dos escritos existentes dos pais e doutores latinos da igreja primitiva e medieval. Ela cobre um período de tempo de Tertuliano (200 d.C) e vai até o Papa Inocêncio III em 1216. No total, são 221 volumes e cerca de 150.000 páginas escritas em latim.

Porém, não para por aí...

Entre 1857 e 1866, J.P. Migne também lançou a maior coleção já publicada dos escritos existentes dos pais e doutores gregos da igreja primitiva e medieval. Com a coleção da Patrologia Grega, nós podemos ter acesso aos escritos dos pais capadócios cujos trabalhos foram tão importantes para a formulação precisa da doutrina da Trindade contra o Sabelianismo por um lado, e o triteismo, por outro. São 161 volumes e 110.000 páginas.

Em 1886, o professor Rene Graffin embarcou na grandiosa tarefa de compilar os escritos dos pais que não foram incluídos nas obras monumentais de J.P. Migne. Ela resultou na coleção de Patrologia Siríaca e Oriental. São escritos dos pais da igreja em árabe, armênio, copta, etíope, grego, georgiano, eslavo e siríaco. Nela, há escritos teológicos, cartas e homilias dos primeiros pais orientais. Ela nos revela qual era o pensamento deles sobre as Escrituras, as doutrinas cristãs e as heresias que os assolavam. São 17 volumes e um total de 12.725 páginas.

Ainda hoje, várias outras obras dos pais da igreja estão sendo publicadas de forma independente. O trabalho não para. Além disso, se sabe que o possui um acervo gigantesco de obras da Patrística que poucas pessoas ou quase ninguém tem acesso. Muitas dessas obras, nós talvez nunca conheçamos. Sem contar naqueles que se perderam ao longo dos anos e que nunca teremos a oportunidade de ler. Sem dúvida, o período da Patrística foi riquíssimo em produção teológica e abastado de muito conhecimento.

No final das contas, nunca saberemos ao certo quanto livros a Patrística possui, mas é certo que ela foi incomparável e singular.

21 de junho de 2019

Quem são os teólogos de uma nota só?


Por Everton Edvaldo

Teólogos de uma são aqueles que passam a vida toda batendo numa mesma tecla. É o famoso teólogo clichê. Apesar de serem conhecidos como teólogos e até mesmo estar em alta na mídia, pouco produzem de significativo. Não são autênticos, nem originais, mas recitadores de teologia sistemática. Eles também são agressores de "cachorro morto". Muitos deles estão entre aqueles que batem no Neopentecostalismo que é um circo e tem data e hora para acabar. E através disso, ganham fama e prestígio entre aqueles que também se incomodam com esse movimento herético.

Os teólogos de uma nota só, criticam os ''apóstolos modernos'', no entanto, são tratados pelos seus seguidores como pessoas inerrantes. Eles criticam os neopentecostais que enriquecem às custas dos fiéis e fazem comércio da fé, porém, quando são chamados para pregar ou palestrar em eventos, cobram altíssimos valores. 

Eles vendem milhares de livros, mesmo a qualidade dos seus livros não acompanhando a quantidade. Eles são rápidos para criticar os neopentecostais, mas quando algum dos seus fala "besteira", são desonestos e encobrem seus erros, criando para si mesmo um telhado de vidro.

São pregadores do óbvio que quando estão num dia bom, tudo tá dando certo, falam coisas do tipo: essa parede branca é branca. Eles são vistos pelos seus seguidores como expositores da Palavra e realmente o são, em algum sentido  do termo. Porém, apesar de serem teólogos, não produzem teologia de fato... Eles não estão atentos às demandas do seu tempo e dialogam apenas com teólogos da sua própria tradição. 

Apesar de terem diplomas de "mestre", "doutor", ''Phd", eles são completamente desconhecidos no mundo acadêmico secular. Eles defendem o sola scriptura, no entanto, quando se trata de defender algo que eles concordam, são os primeiros a recorrer à tradição, à história da igreja, aos catecismos, sínodos e concílios. Eles criticam aqueles que levam em consideração a experiência cristã, porém, usam da sua não-experiencia para validar suas crenças.

Tais são os teólogos de uma nota só que muitas vezes são aclamados pelos seus ouvintes e que são vistos como verdadeiros modelos de mestres da Palavra. 

Que Deus nos ajude a não sermos como os tais...

17 de junho de 2019

Cristianismo em ascensão no mundo e em decadência nos Estados Unidos e na Europa





 (Por Everton Edvaldo)

Lembro-me que há alguns anos, uma das maiores preocupações das igrejas evangélicas e dos cristãos, era acerca da ascensão do Islamismo no mundo todo. Estimava-se que em poucos anos, a religião muçulmana ultrapassaria a cristã e seria a religião predominante no globo. Essa preocupação fez com que os cristãos investissem mais em missões. Isto é, acordaram para o mandamento de Jesus que disse: “Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura.” (Marcos 16.15, ARC).

O resultado já pode ser visto hoje. De acordo com os estudos do pastor J. D. King (um instrutor no Centro de Treinamento Revival e pesquisador independente), “o cristianismo está avançando rapidamente em todo o mundo.”[1]

Até este ano (2018), estima-se que em torno de 2,2 a 3,2 bilhões de pessoas se identificam com Jesus.[2] Sem dúvida, isto é um grande avanço! Segundo King ‘’o crescimento protestante de 1960 a 2000 foi três vezes maior que a população mundial e o dobro do Islã.”[3]

Rodney Stark nos informa que: ‘’Em abril de 2015, o Pew Research Center declarou que os muçulmanos logo ultrapassariam os cristãos por meio de fertilidade superior. Eles não vão… O islamismo gera muito pouco crescimento por meio de conversões, enquanto o cristianismo desfruta de uma taxa de conversão substancial, especialmente em países localizados no “sul global” - Ásia, África Subsaariana e América Latina. E essas conversões não incluem milhares de conversões que estão sendo obtidas na China. Assim, as tendências atuais de crescimento projetam um mundo cada vez mais cristão.”  [4]
Por outro lado, a nossa preocupação dessa vez deve estar voltada para os Estados Unidos e para a Europa. O pastor King nos traz dados alarmantes quando diz: “Enquanto a glória de Deus está em exibição em todo o mundo, nem todas as nações estão experimentando o mesmo grau de impacto. O cristianismo está, sem dúvida, ultrapassando o crescimento da população internacionalmente. No entanto, está estagnado no Ocidente. Segundo Lamin Sanneh, cerca de 4.300 pessoas estão deixando por dia, a igreja na América do Norte e na Europa.”[5]
Pois bem, o que estaria por trás disso? Falta-me espaço para discorrer sobre todas as causas deste “fenômeno”. Porém, o próprio King nos dá uma pista: “Parece que esta declinação pode ser atribuída a um ceticismo permeável. Durante séculos, o cristianismo ocidental questionou a viabilidade do sobrenatural. E Embora os indivíduos apreciem os estupendos relatos bíblicos, muitos estão convencidos de que esses encontros não são replicáveis.” [6] 
Em outras palavras, o cristão norte americano e europeu se tornou cético em muitos aspectos. Para o Dr. Roger E. Olson “em geral, o cristianismo evangélico americano, incluindo a maioria dos batistas, também se acomodou ao racionalismo e ao naturalismo da modernidade.”[7] Ele discorre que “a maioria dos cristãos evangélicos americanos contemporâneos apenas fala da boca para fora sobre o sobrenatural, enquanto a Bíblia está saturada com isso. Em grande parte, os evangélicos e batistas americanos absorveram a visão de mundo da modernidade que relega o sobrenatural, os milagres e as intervenções cientificamente inexplicáveis ​​de Deus, ao passado (“tempos bíblicos”) e em outros lugares (“os campos missionários”).’’[8]
É difícil imaginar que a América do Norte, que no início do século XX foi varrida por um grande avivamento espiritual, está beirando ao ceticismo. Entretanto, infelizmente esta é a realidade.
Lamentavelmente, o ceticismo é uma porta que atrai inúmeros males para o cristianismo. Não é à toa que ao se tornar cético, o cristão tende geralmente, a abraçar dois caminhos. Ou ele se torna um cristão nominal que flerta com o ateísmo e que apesar de frequentar alguma denominação, no fundo não crê mais nas Escrituras, ou então se torna um desigrejado.
Penso que nós devemos reagir a essa condição e fortalecer nossas bases, pois, caso isso se expanda para outros países e regiões do mundo, o cristianismo estará caminhando para um grande abismo.
Isto significa que não podemos deixar que o ceticismo prejudique o evangelho de Cristo e acredito que o remédio para esta enfermidade não está muito longe dos nossos olhos. Reflita bem... Porque o evangelho tem crescido tanto na África e na Ásia? Por acaso, não é porque eles se permitem acreditar no sobrenatural tão bem documentado e encorajado pelas Escrituras? Isso é de extrema importância para nós, pois tendo em vista que o evangelho é o poder de Deus para os que creem, então crer é o primeiro passo! Precisamos ter fé no que está escrito nas Escrituras. O que vem depois é apenas o resultado dessa confiança em Deus.
Pastor King acredita que a ‘’razão pela qual os líderes ocidentais não estão acompanhando seus equivalentes no leste e no sul global é que eles estão hesitantes em relação aos charismata. Na maior parte, os cristãos no mundo industrializado se opõem ao sobrenatural.” [9] De fato, isso tem sido muito nocivo ao evangelho, pois o cristianismo na América do Norte e na Europa além de ter parado de crescer, está diminuindo. Todos os anos, milhares de igrejas são fechadas e dão lugar a bares, boates e cassinos.
No Brasil, algo muito próximo do que abordamos acima tem tentado se instalar nas igrejas evangélicas. Isto acontece da seguinte maneira: a maioria dos evangélicos brasileiros gosta do contato com aquilo que é sobrenatural, místico e metafísico. Logo, estão mais propensos a embarcar num extremo chamado “excesso”. Hoje, é claramente notável que alguns desses cristãos, lidam com o sobrenatural de forma incorreta, sem bom-senso e discernimento.
Nos últimos anos, um grupo de evangélicos tem despertado para este fato e estão tentando solucionar este problema recorrendo a outro extremo: o ceticismo. Acontece que esse ceticismo não é apresentado com esse nome, mas sim com uma linguagem mais branda e alega se fundamentar nas Escrituras e na Ortodoxia. Contudo, é o mesmo ceticismo que têm destruído os Estados Unidos e Europa, e que cada vez mais procura se distanciar do sobrenatural de Deus.
Dr Roger E. Olson pontua: “Eu suspeito que a prática evangélica contemporânea de evitar o sobrenatural no reino físico, na realidade tem pouco a ver com questões intelectuais. Suspeito que tenha mais a ver com querer que nossa religião seja respeitável; pois acima de tudo, não queremos ser vistos pelo mundo ao nosso redor como fanáticos. Os abusos do sobrenatural visto na televisão a cabo nos fazem abandoná-lo completamente. Mas, como diz o velho ditado, ‘a cura para o abuso não é o desuso, mas uso adequado.’ Nós jogamos o bebê para fora com a água do banho.[10]
O que Olson está dizendo é que o fanatismo de alguns não deve servir de pretexto para abandonarmos o sobrenatural. Não se joga “o bebê fora” com a água suja do banho. Quando se perde esse contato com o sobrenatural, a vitalidade da igreja desaparece e entra em decadência.
Eu particularmente penso que essa resistência ao sobrenatural não permite que as pessoas vivam num “degrau à mais” com Deus e o resultado disso, é um evangelho cada vez mais distante daquele apresentado pelas Escrituras. Pastor King conclui seu artigo dizendo o seguinte:
‘’Enquanto os evangelistas no mundo majoritário provocam a imaginação das massas, os pregadores ocidentais estão tentando persuadir com a política, o moralismo, e argumentos filosóficos vazios. Líderes do mundo emergente dão às pessoas algo para elas ver e ouvir, e tudo o que fazemos é aplacar e conversar. Até que a Igreja Ocidental esteja disposta a abraçar o sobrenatural, nossas igrejas não corresponderão ao crescimento na África, Ásia e América Latina. Deus está à altura de coisas inexplicáveis e, na maioria das vezes, estamos perdendo. Nesta hora única, os ocidentais não podem mais se permitir desencantar. ”[11]
Sim, não devemos nos desencantar e ainda podemos mudar esse quadro! Um cristão que deseja ver o cristianismo crescendo na América do Norte e na Europa novamente precisa ir mais além e não simplesmente dizer ao enfermo, por exemplo, que “Deus tem poder para lhe curar”. Não adianta dizer isso e não orar, e não ter fé que após sua intercessão, Deus irá manifestar Seu poder para Sua glória.
Interessante que Olson nos informa de maneira detalhada como o cristão norte-americano tem lidado com essa questão do sobrenatural e pontua um fato sobre a oração. Ele diz:
“Nós oramos pelos enfermos - para que Deus os conforte e “esteja com eles” em sua miséria. Oramos para que Deus dê aos seus médicos as habilidades deles. Mas evitamos pedir a Deus para curá-los. Evitamos qualquer menção a demônios ou possessão demoníaca e evitamos estritamente o exorcismo como algo primitivo e supersticioso - exceto quando Jesus o fez. Nós também desprezamos as igrejas que ungem os doentes com óleo e oram por sua cura física. Nós suspeitamos que eles são "cultistas" e provavelmente, encorajam as pessoas doentes a não procurarem tratamento médico. Nós (talvez com razão) ridicularizamos os evangelistas que afirmam ter orado a Deus para redirecionar os furacões, mas nunca oramos a Deus para salvar as pessoas de desastres naturais. A verdade é que adotamos gradualmente a ideia de que “a oração não muda as coisas;  muda a mim” e, consideramos a oração peticionária como algo "infantil", conforme gostava de chamar Friedrich Schleiermacher.’’[12]
Bem, enquanto continuarmos com esse tipo de postura diante das adversidades e dos problemas, seremos cristãos inseguros e propensos a abandonar a fé a qualquer momento, e infelizmente, estaremos de fora das estatísticas crescentes de um cristianismo poderoso, atuante e livre no mundo, mas que é preso e impotente em nosso coração.
Por fim, Deus pode mais uma vez incendiar a América do Norte e a Europa com Seu poder e para isso, é preciso que os cristãos deem mais ênfase à atuação do Espírito Santo, bem como sua liberdade em nossas vidas; expulsando das igrejas e dos seminários, as crenças que ensinam um evangelho morto, estagnado e engessado. Se não revertemos isso a tempo, será tarde demais.
Sobre o autor: Everton Edvaldo é editor do blog Esquina da Teologia Pentecostal e professor de Escola Bíblica Dominical da IEAD-PE. Bacharelando em Teologia pelo IALTH. Em seu blog, contribui com traduções na área de Teologia Carismática-Pentecostal e com artigos sobre os mais variados assuntos da Bíblia.
Publicado originalmente na Revista Holy Magazine. 1 Ediçaõ

[2] Ibid
[3] Ibid
[4] Rodney Stark, triunfo da fé: por que o mundo é mais religioso do que nunca (Instituto de Estudos Intercolegiais, 2015), 19.
[6] Ibid
[8] Ibid

14 de junho de 2019

11 tipos de pregadores que são prejudiciais à igreja de Cristo




 Por Everton Edvaldo

Certo dia eu tava lendo numa revista que os evangélicos já totalizam 35% da população brasileira. Eu ficaria muito feliz se esses números correspondesse à realidade. Cada vez mais, cresce o número de simpatizantes do cristianismo que se dizem evangélicos na teoria, mas que na prática, são ateus. Isso acontece porque muitos são convencidos no lugar de convertidos. Esse fenômeno tem como uma das suas causas, a pregação franzina de muitas igrejas. É verdade que as igrejas estão crescendo assustadoramente, mas será que a qualidade acompanha a quantidade? Certamente não!

Em muitos púlpitos, encontramos facilmente o famoso pregador industrializado. Este, tem várias modalidades como por exemplo:

1- Pregador Ostentação.

É aquele que fala muito e comunica pouco. Ele conhece de Gênesis à Apocalipse e despeja muita informação na durante a Pregação, porém o povo sai sem entender nada e mal se lembra em que passagem a pregação se baseou. Geralmente, esse tipo de pregação consegue prender a atenção e admiração da igreja para com o pregador que ao mesmo tempo se sente realizado quando vê a igreja cheia de manifestações emotivas.

2-  Pregador Caldo de Cana.

É aquele que só prega mensagens açucaradas. Ele adora pregar que Deus é amor e geralmente recheia sua pregação do seguinte jargão: "venha como estás e continue como estás. Deus te ama assim  como você é." Esse tipo de pregador ama massagear o ego da igreja, dizendo coisas que ela se agrada e que todo mundo deseja.

3- Pregador Corretor dos imóveis de Deus.

Ele passa a pregação todinha distribuindo chaves de carro, apartamento e transferência de dinheiro da conta de "Deus" para a conta dos crentes. Para eles, a fé precisa ser materializada em bençãos físicas e financeiras. Por isso, eles tem uma preferência por passagens do Antigo Testamento.

4- Pregador Panela de Pressão.

A pregação dele é "fervorosa". Ele muda o tom da voz, para mostrar mais autoridade e espiritualidade. Às vezes, fala que a unção de Deus tá tão grande que ele sente vontade de pular. Ele faz movimentos bruscos no púlpito e alega que não consegue se controlar, pois a pressão de Deus é forte!

5- Pregador Tiririca.

Este gosta de pregar com animação. Conta piadinhas e adora fazer a igreja sorrir. Também conhecido como animador de auditório, ele ama uma pregação interativa e desprendida.

6- Pregador Nostradamus. 

A pregação dele foi fruto de uma revelação divina. Nela, "Deus" diz seu endereço, onde você mora, a cor da sua roupa e até o número da sua conta bancária. 

7- Pregador Boxeador.

Esse prega dando murros no púlpito e na Bíblia. Ele também gosta de propor grandes desafios. "Se não se cumprir o que eu profetizei, eu rasgo a Bíblia" são frases típicas desses pregadores.

8- Pregador a última bolacha do pacote.

São aqueles que acham que só as suas pregações são verdadeiras. Todos os outros não sabem pregar ou falam mentiras.

9- Pregador secretário do Satanás.

Passa a pregação todinha acusando a igreja. Usa o púlpito como plataforma para desabafar. Sem falar que ele fala mais do diabo que de Jesus. Conhece o inferno de um lado para outro, pois já o visitou várias vezes através de arrebatamentos e visões.

10- Pregador João de Barro.

Aproveita o momento da pregação para entoar vários hinos. Gosta de esbanjar uma bela voz e até executa performances no púlpito. Gasta boa parte do tempo dizendo coisas que não tem nada a ver com o texto que leu.


11- Pregador com a Síndrome de Jonas.

Foge do texto que leu e nunca mais volta.

Esses são apenas alguns dos tipos de pregadores que existem. Infelizmente, estamos sentido fome espiritual e Deus conta conosco para orar e protestar contra esses tipos de pregações que são danosas ao corpo de Cristo e faz com que ele sofra de inanição.

13 de junho de 2019

Precisamos falar sobre os Neoreformados!


Por Everton Edvaldo

Chamo de Neoreformados, a geração de novos adeptos da reforma nos dias de hoje. Quem são? Onde estão? Quais são suas características? Eles estão trazendo alguma contribuição para o evangelicalismo no Brasil? Nesse breve texto vamos fazer um pequeno mapeamento desse novo movimento. 

Pois bem... Todos nós sabemos que o cristianismo no Brasil tem se tornado cada vez mais distante daquele bíblico, e isso faz com que vários cristãos despertem para lutar contra isso e defender a fé bíblica.

Na ânsia de voltar às origens, alguns acabam conhecendo a teologia reformada. Graças a ela, no passado, muitas plataformas e ferramentas foram extraídas das Escrituras para prevenir, tratar e combater os excessos da fé cristã. Mas a Reforma Protestante foi um Movimento Singular na história e ao mesmo tempo inacabado. 

O lema: "igreja reformada continuamente se reformando" não acompanhou o crescimento dos protestantes no mundo, fazendo com que as novas demandas e desafios se tornassem cada vez maiores.

Em razão disso, um grupo de pessoas cresce assustadoramente todos os anos e tenta retornar aos marcos antigos. São intitulados de "Neoreformados" porque derivam do novo Movimento Reformado, dizem eles. 

Esses, (não todos) são bastante diferente da geração reformada do passado. Nesse breve texto, eu vou fazer um contraste entre ambos. Pois bem, qual seria a diferença entre eles?

A começar, os antigos reformados evangelizavam, a criavam juntas de missões, investiam dinheiro e capacitavam pessoas para ganhar almas para Cristo. Pessoas como Whitfield, Spurgeon e Calvino são claros exemplos disso.

Os Neoreformados não gostam de evangelizar. Eles criticam todos os métodos de evangelismo que existem e não investem em missões.

Segundo, os antigos reformadores apesar de ter uma dada aversão à manifestações sobrenaturais em seus escritos, viviam experiências extraordinárias com Deus e na igreja. 

Já os novos reformados são cessacionistas radicais, militam contra as manifestações espirituais e ridicularizam as igrejas que acreditam nos dons. 

Os antigos reformados tinham uma vida de oração de admirar. Os novos, não oram muito e passam o dia todo na internet murmurando.

Os antigos reformados estudavam um pouco de tudo, os novos só estudam teologia reformada e olhe lá...

Os antigos davam respostas aos dilemas do seu tempo. Os novos insistem em dar resoluções para dilemas do passado enquanto que polemizam as novas demandas.

Os velhos produziam teologia. Os novos repetem o que os outros disseram e não são originais/autênticos.

Os antigos se preocupavam em ajudar seus líderes. Os novos mal aparecem na igreja e dão problemas aos seus pastores.

Os antigos desejavam se assemelhar à imagem de Cristo, os novos gostam de ficar parecidos com a aparência física dos antigos reformadores. Usam barba grande, colocam a foto de João Calvino no perfil do Facebook e usam sobrenomes nas redes sociais como: Funalo Monergista, Ciclano Calvinista, Beltrano Reformado.

Bem... Lamentavelmente é isso que o Movimento de Neoreformados está se tornando. De qualquer forma, eu gostaria de falar que ainda há um remanescente. Eu não sou louco de generalizar e dizer que todos eles estão andando por esse caminho.

Porém, a verdade é que de modo geral, os Neoreformados tem uma motivação certa e justa, contudo, sua conduta é extremista, fundamentalista e às vezes, beira ao sectarismo. 

Meu desejo é que essa geração de novos reformados sejam autênticos, originais, atentos às demandas do seu tempo, verdadeiros estudantes das Escrituras e acima tudo, que sejam servos de Deus.

11 de junho de 2019

O que eu tenho contra a Pregação Expositiva?




Por Everton Edvaldo

Em razão da polêmica sobre meu primeiro texto (Pentecostais, cuidado com o culto à  Pregação Expositiva), resolvi escrever outro texto a fim de esclarecer algumas coisas. Muitas pessoas não leram o primeiro texto e já teceram vários comentários discordando de algo que não leram. Eu não tenho problemas com quem discorda de mim, eu só não acho justo alguém discordar de algo que não leu. Eu costumo falar que as criticas sempre são bem-vindas, pois, é com elas que evoluo e me motivo a buscar mais informações e conhecimento.

Bem, eu acredito que muitas pessoas tenham entendido de forma errada meu primeiro texto por causa do título. Porém, o título em si é apenas uma “provocação teológica” (entenda provocação no bom sentido) para que as pessoas pensem e reflitam no que foi dito. Então espero que nesse segundo texto, as coisas fiquem mais claras. Vamos lá?

Então... Afinal, o que eu tenho contra a pregação expositiva? Nada propriamente dito, mas eu tenho algumas observações a fazer sobre seu uso nos púlpitos. 

Em primeiro lugar, em nenhum momento eu critico o uso da Pregação Expositiva nos púlpitos pentecostais. Eu sou a favor, aliás eu sou a favor do uso de todos os estilos e tipos de pregação. O que eu critico é o engessamento que já notório em alguns círculos de pregadores pentecostais que cansados de ouvir pregadores sem mensagem e que espiritualizam tudo, acabam indo para o outro extremo: agora só querem pregar expositivamente, como se isso fosse algo canônico. É como se o remédio para as pregações triunfalistas, alegóricas, místicas, espiritualistas, de auto-ajuda e coach, fosse somente a pregação expositiva, quando na verdade, é possível pregar bem e biblicamente com outros estilos de pregação.

Outra coisa que critico é a centralização, supervalorização  e exagero no uso da pregação expositiva, enquanto que outras plataformas são desprezadas e têm seu valor e papel diminuídos. 

Há quem diga que essa minha preocupação é desnecessária, pois a pregação expositiva é eficaz de qualquer forma. Isto é, tais pessoas imaginam que mesmo que haja um engessamento, qualquer pregação expositiva é melhor que as pregações bizarras que ouvimos nos púlpitos assembleanos. Porém, eu digo que essa preocupação é necessária sim! Nós Pentecostais já temos problemas demais para resolver e não se pode resolver um extremo com outro, sem falar que prevenir é melhor do remediar. Quem disser que qualquer pregação expositiva é melhor que as pregações bizarras não discerniu que não é a coisa em si que é eficaz, mas o uso que se faz dela. Isto é, uma pregação expositiva pode ser um verdadeiro fracasso se for mal feita e pode até esvaziar uma igreja (em todos os sentidos). E no lugar de ser algo prazeroso de ouvir e divinamente comunicativo, acaba sendo cansativo, rotineiro e forçado. 

Um caminho mais sábio seria pregar de acordo com a natureza das passagens bíblicas. Há textos na Bíblia que só podem ser bem comunicados se forem pregados de forma expositiva, porém, há textos que apelam ´para outros métodos e isso sim é quem determinará se será o método mais eficaz naquele momento ou não.

Quem diz que a pregação expositiva é o melhor método, precisa levar em consideração não apenas essas coisas que disse acima mas  também o momento pós-pregação. O momento pós-pregação nos permitirá fazer uma breve avaliação sobre o que a gente pode melhorar na próxima pregação e se a escolha daquele tipo de sermão foi mesmo eficaz. Bem, se houve comunicação entre a Palavra de Deus e o Seu povo, já temos meio caminho andado. As demais coisas que acontecerem no culto são apenas consequências de como o povo de Deus recebeu essa Palavra. Tendo essas coisas em mente, haverá momentos que a pregação temática, textual ou qualquer outra será mais eficaz que a expositiva, e nós devemos nos alegrar nisso, pois não é um método que opera, mas o Espírito Santo de Deus através da Sua Palavra. Ou seja, desde que seja bíblica e cristocêntrica, Deus pode operar eficazmente da mesma forma, intensidade e proporção nos mais diversos métodos. 

Alguns reformados tem feito da pregação expositiva um bezerro de ouro, e nós Pentecostais não podemos cair no mesmo erro, pois mesmo sendo um método bastante eficaz de modo geral, a pregação expositiva por não ser canônica, é uma plataforma humana, possuindo com isso uma série de limitações. Por exemplo, a Europa foi saturada durante vários anos pela pregação expositiva e hoje está morta espiritualmente. É verdade que não foi ela quem matou a Europa, porém, no mínimo, ela foi insuficiente para salvar aquele continente do liberalismo teológico. Isto é, a conta chegou para os reformados, contudo, a pregação expositiva, não foi suficiente para pagá-la. Ou seja, você consegue entender que até mesmo a pregação expositiva possui limitações? E é natural que haja isso, pois ela é um método humano.

Enquanto isso, nós Pentecostais estamos há décadas avançando com as missões pelo mundo,  pregando de forma expositiva, textual e temática, ganhando milhares de almas para Cristo todos os anos. Acredito que isso represente bem a liberdade do Espirito Santo em nosso meio. Ele é livre e não está preso a métodos humanos. À essa altura do campeonato, cair no mesmo erro dos reformados, talvez seria um retrocesso.

Por fim, existe algo  muito mais importante que o tipo do sermão,  que é a vida do pregador. Esta, deve ser um sermão vivo e móvel de Deus sobre esta terra. Um pregador que tem vida com Deus, rega seu sermão com lágrimas, fogo do Espírito Santo e gotas do sangue de Jesus.

Que Deus abençoe a vida de vocês!