26 de junho de 2017

A comunicação de Deus com o homem e como se transmitia a Palavra Dele na época que a escrita ainda não era desenvolvida.



Por Everton Edvaldo.

A linguagem é um dos meios mais eficientes para que haja comunicação entre aqueles que Deus criou. Desde o início da humanidade, as pessoas foram criando e desenvolvendo recursos para facilitar e melhorar a comunicação entre si. No entanto, o próprio Deus foi quem dotou a estrutura do homem apta para tal objetivo.

A primeira vez que homem teve uma experiência de comunicação com alguém, foi justamente com Deus. A Bíblia registra que após ter colocado o homem no jardim do Éden para o cultivar e o guardar, lhe deu esta ordem: 

"De toda árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás; porque, no dia em que dela comerdes, certamente morrerás." (Gn 2. 16,17). 

Aqui é Deus quem se comunica com o homem. Podemos inferir a partir de toda a Escritura que Adão entendeu essa mensagem. Visto que Adão foi criado um ser racional, concluímos que ele era capaz de entender e de obedecer qualquer tipo de direcionamento vindo de Deus.

É basicamente no Éden que se inicia todo o processo de comunicação de Deus com o homem. Lá, Ele se auto-revelou oralmente para Adão que memorizou várias coisas transmitidas pelo criador, a ele, por exemplo: o relato da criação.

Esse tipo de comunicação, isto é, oral se repercutiria por longos anos se tornando nesse período o único tipo de linguagem usada por Deus para com o homem. Isso duraria até que a escrita fosse desenvolvida. 

Assim, a Palavra de Deus, ainda sem ser escrita passou a ser propagada entre muitas pessoas. Por vezes, e primariamente vindo de Deus para com os homens e por seguinte, sendo transmitida pelos homens a outras pessoas. Essa via dupla era oral. 

Para essa época, nos cabe fazer a seguinte pergunta: como o homem tinha acessoa à Palavra de Deus? A resposta é a seguinte: 

a) Através do próprio Deus. Deus continuou se comunicando oralmente com algumas pessoas e revelando progressivamente sua vontade. 

b) Através de alguns homens. Inferindo que Adão transmitiu à sua descendência aquilo que aprendeu com Deus, não resta dúvida de que muitos daqueles que não tiveram nenhum tipo de comunicação direta e oral com Deus, tiveram acesso e conhecimento (pelo menos parcial) Dele por intermédio de pessoas confiáveis e piedosas.

Essa teoria, que é bastante provável, esclarece que conforme as famílias iam crescendo, o conhecimento de Deus foi sendo transmitido de geração a geração e foi preservado piedosamente por seus servos. 

Agora iremos acompanhar esse processo ao londo do livro de Gênesis que é a base para a presente argumentação deste artigo. Vamos identificar as vezes em que Deus disse algo aos homens, nas páginas Gênesis. Se possível, vamos refletir acerca da variação do tempo e da frequência em que Deus se comunicou com ele, a motivação, e os métodos usado com os personagens. Porém, antes disso, gostaria de esclarecer um contraponto. Iremos pautar nossa argumentação baseado naquilo que foi revelado. Sendo assim, vamos aos fatos:

Em momento algum podemos afirmar que Deus se comunicou apenas e exclusivamente com os personagens que estão registrados no Gênesis. O propósito de Gênesis não é esse, isto é, revelar tudo quanto Deus falava ao homem. Possa ser que Deus se comunicou com outras pessoas e de outras formas, entretanto, o conteúdo não foi relevante para entrar no enredo de Gênesis. Contudo, Gênesis é o que temos e o que nele está registrado será a pista para nossa argumentação.

Partindo desse princípio, reuni todos os versículos de Gênesis em que Deus de alguma forma se comunica com homem. Aos nossos olhos, parece algo natural e que foi se repetindo frequentemente na humanidade, mas ao parar para estudar e meditar nas entrelinhas, certamente iremos descobrir muitas coisas. 

Primeiro, temos que ter em mente que não existiam profetas no mesmo sentido que se levantaram na época de Moisés e posteriormente a ele. Em Gênesis há apenas uma referência a Abraão como profeta (Gn.20:7) e Enoque profetizando (Jd.14). 

A expressão: "Assim diz o Senhor..." tão frequentemente notada e ditas pelos profetas posteriores a Moisés é inexistente no Gênesis. Entretanto, "profecias" e "predições" eram anunciadas da seguinte forma: 

a) Através do próprio Deus, que revelava as coisas, ora "pessoalmente", ora em forma de teofania. 

b) Através de sonhos e visões. 

c) Através de bençãos e maldições pronunciadas pelos pais aos filhos e descendência. Nesse caso, havia um certo tipo de inspiração divina. Percebemos isso em personagens como Noé, Isaque, Jacó, etc, ou seja, pessoas piedosas. Quanto às outras pessoas, podemos inferir que estava nas mãos de Deus o poder de cumprir ou não, aquilo que um pai desejava para seu filho. 

d) Através de anjos.

Agora que isso foi esclarecido, voltaremos aquela questão que foi abordada mais acima: as vezes em que Deus falou com o homem ou sobre ele. Vejam os versículos:

Gn 2.16-18;
Gn 3.8,9,11,13-19, 22; 
Gn 4.6,7,9-12,15; 
Gn 6.3,7,13-21;
Gn 7.1-4;
Gn 8.15-17,21,22;
Gn 9.1-17;
Gn 11.6,7;
Gn 12.1-3, 7;
Gn 13.14-17;
Gn 15.1,4,7, 9,18-21;
Gn 16.9-12;
Gn 17.19-22;
Gn 18.5,9,13,14,17-21,26,28-32;
Gn 20.3,6,7;
Gn 21.17,18;
Gn 22.1-3,12,15-18;
Gn 25.23;
Gn 26.2-5,24;
Gn 28.13-15;
Gn 31.3,11-13,24;
Gn 32.26-28;
Gn 35.1,10-12;
Gn 41.25;
Gn 46.2-4.

São mais de 25 intervenções de Deus para falar algo com alguém no Gênesis. Neste livro, além de falar consigo mesmo, Ele fala com Adão, Eva, serpente, Caim, Noé e seus filhos, Abraão, Agar, Abimeleque, Rebeca, Isaque, Jacó, Labão, Faraó. 

Leia os versículos e verá que a variação é notável e os métodos multiformes. A princípio, Deus vinha falar com o homem, e quando terminava, elevava-se. Depois passou a enviar Seu anjo para entregar determinada mensagem e então se manifestava. Também falava por sonhos e visões. 

O que se percebe claramente ao longo desses versículos é que o homem escutava cada vez menos a Palavra de Deus da maneira que se manifestava no Éden para Adão e Eva. Isso foi se repetindo a ponto de Deus ter que se aproximar da linguagem e forma humana, infiltrar sua revelação em sonhos e visões. A frequência caiu bastante...

Para termos noção de como esse quadro mudou, é só refletir acerca da geração de José. Ao que parece, Jacó foi um dos últimos que ouviu oralmente a voz de Deus. Já com José, Deus se manifestava por sonhos e visões. Pelo menos isso é o que está revelado. Da geração de José, somado aos 430 anos em que o povo de Israel passou escravizado no Egito, nada está registrado sobre Deus ter falado com outras pessoas. 

Depois de Jacó, está registrado que Moisés ouviu a voz de Deus oralmente. São mais de 500 anos que ficaram desconhecidos. Nesse período, se o silêncio é real ou não para todas as pessoas, não podemos comprovar, mas sem dúvida, ele é notável. 

Porque isso estava acontecendo? Podemos inferir a partir de outras passagens das Escrituras que a razão dessa quebra de comunicação repousava inteiramente no homem. Ainda nos dias de Noé, os homens estavam preocupados demais com as coisas aqui da terra. O que era celestial estava sendo desprezado e assim a essência de desejo pelas coisas divinas foi desaparecendo. Não é porque Deus não queria falar com o homem, mas sim porque o homem não queria ouvir mais a Deus. O agravamento do pecado fez com que os ouvidos do homem ficassem bastante surdos espiritualmente. E Deus, que é pré-conhecedor de todas as coisas, manifestou-se de outras formas até que a escrita fosse desenvolvida e chegasse o tempo de usar Moisés para conservar e registrar a Sua Palavra. Sem falar que Deus também sabia que a memória do homem não permaneceria estável por muito tempo e que as gerações poderiam corromper sua mensagem no processo de transmissão.

Com isso, temos dois problemas:

a) Deus já não podia se comunicar oralmente com a humanidade, da mesma forma que fazia no Éden. 

b) As transmissão da Palavra Dele oral de Pai para filhos e de "geração a geração" não seria por muito tempo um método fidedigno já que estava sujeito à fraqueza da memória humana, corrupção e acréscimo.

Assim, surge a necessidade de Deus usar um dos maiores recursos que a humanidade iria possuir para se comunicar poderosa e gloriosamente com o homem, isto é, a escrita! 

22 de junho de 2017

Deus, o principal anunciante da chegada do Salvador ao mundo!



Por Everton Edvaldo 

Durante a leitura dos três primeiros capítulos do evangelho de Lucas, notei algo glorioso nas entrelinhas dessas passagens. Algo que geralmente passa desapercebido aos nossos olhos quando vamos estudar acerda do nascimento de Jesus: o papel primário executado por Deus entre seu povo.

É bastante interessante o método que Deus usou para revelar Jesus ao Seu povo antes mesmo de João Batista. A gente costuma entender que João Batista é a grande jogada de Marketing de Deus para anunciar o Messias. Isso é verdade, no entanto, Batista é só a consumação dessa revelação. Antes dele, Deus foi o primeiro propagador da chegada do Messias ao mundo. Deus revelou a chegada de Jesus de múltiplas formas ao Seu povo e o que eu acho engraçado, ou melhor, gratificante é que todos esses acontecimentos foram marcados com louvor e adoração a Deus. O evangelista Lucas nos apresenta detalhes dessas revelações da seguinte forma:

-Deus usa o anjo Gabriel para anunciar o nascimento de Jesus a Maria. (Lc 1.26-35).

-Deus usa Isabel para Maria, falando acerca do fruto do seu ventre, isto é, Jesus. (Lc 1 .41,42). Detalhe: João Batista ainda no ventre se alegrou e Maria entoou um cântico a Deus. (Lc 1. 44; 46-55).

-Deus envia um anjo e faz brilhar sua glória ao redor de pastores que viviam nos campos. A eles, Deus revela, através do anjo, que nasceu o Salvador. (Lc 2. 8-11). A eles, também aparece uma multidão da milícia celestial de anjos adorando a Deus nas maiores alturas (Lc 2.14). Detalhe: os pastores glorificaram e louvaram a Deus (Lc 2.20).

-Deus revela a Simeão, um homem justo e piedoso que ele não morreria antes de ver o Messias. Quando Jesus foi ser circuncidado, ele o tomou nos braços e louvou a Deus. (Lc 2. 25-30).

- Por fim, Deus usa Ana, uma profetiza e viúva de 84 anos, que dando graças a Deus, falava do menino a todos que esperavam a redenção de Jerusalém (Lc 2. 36-38).

E foi assim que a chegada do Messias foi anunciada: cheia de revelações, alegria e louvor. Nessas passagens, Deus usa anjos, homens/mulheres e circunstâncias a seu favor, mas nenhum deles é adorado, pelo contrário, a adoração é voltada única e exclusivamente para Deus. Creio que o próprio Deus se alegrava com isso, já que toda glorificação estava circulando em torno Dele e para Ele. 

Com isso se ratifica ainda mais a afirmação de que Deus é o maior evangelista de toda a história. Suas ações e intervenções na humanidade sempre resultam em louvor, avivamento e alegria. 

E assim "crescia o menino e se fortalecia, enchendo-se de sabedoria; e a graça de Deus estava sobre ele." (Lc 2. 40).

Essas coisas foram necessárias até que João Batista crescesse e exercesse seu ministério dado por Deus de ser precursor do Messias. João Batista também é fruto dessa obra grandiosa de Deus e um instrumento nas mãos dele. 

O que Deus fez antes de Batista marcou a vida de muitas pessoas. Isto significa que quando João Batista iniciou seu ministério, várias pessoas já tinham conhecimento de que o Salvador havia chegado para eles. Ciente disto, o terreno estava pronto para que a "...voz que clama no deserto" (João 1.23), fizesse a vontade de Deus. Toda essa perfeição e obra iniciada pelo Senhor foi contemplada por João Batista e é por esse motivo que ele pode afirmar com segurança as seguintes verdades: 

"... todos nós temos recebido da sua plenitude e graça sobre graça." (João 1.17).

"Ninguém jamais viu a Deus; o Deus unigênito, que está no seio do Pai, é quem o revelou." (João 1.18).

"Eis o cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!" (João 1.29).

E por fim dizer: "Convém que ele cresça e que eu diminua." (João 3.30).

Amém! 

14 de junho de 2017

20 frases de Armínio sobre Romanos 9



Por Everton Edvaldo

"Eu confesso, francamente, que este capítulo sempre me pareceu estar envolvido na maior obscuridade e sua explicação tem se mostrado difícil..." (p. 14).

"... a justiça e a salvação devem ser obtidas pela fé em Cristo, não pelas obras da lei." (p. 16).

"Mas os filhos da promessa são aqueles que buscam a justiça e a salvação pela fé em Cristo." (p. 24)

"... Deus colocou a condição do pacto da graça, não em uma perfeita obediência à lei, como previamente visto, mas na fé em Cristo." (p. 36).

"...  Deus ama aqueles que buscam a justiça e a salvação pela fé em Cristo, mas odeia aqueles que buscam a mesma coisa pelas obras da lei." (p. 37).

"... todos aqueles que buscam a salvação pelas obras da lei, estão condenados à servidão e são odiados por Deus." (p. 38).

"Deus tem determinado salvar, imutavelmente , desde a eternidade, aqueles que creem em Cristo..." (p. 42).

"... não devemos de modo algum admitir o pensamento de que há injustiça em Deus."(p. 48).

"... por culpa do homem, a aliança, firmada na criação, foi anulada, e, portanto, Deus, livre de sua obrigação, poderia ter punido o homem de acordo com o seu demérito, ou ter instituído outro propósito em Sua própria mente. Para que isso pudesse ser para o bem do homem, era necessário que a misericórdia devesse intervir, a qual deveria perdoar o pecado e organizar uma condição que Ele pode, pelo auxílio da própria misericórdia, ser capaz de executar." (p. 48).

"Um ato que é inevitável por causa da determinação de qualquer decreto, não merece o nome de pecado." (p. 57, 58).

"Nada é mais comum na Escritura, do que [o fato de que] os pecadores, ao perseverarem em seus pecados contra a longanimidade de Deus, que os convida ao arrependimento, são aqueles a quem Deus quer endurecer." (p. 62).

"... Deus é Aquele que te fez e que te formou." (p. 67).

"... Deus tem o mesmo direito sobre a Sua própria criatura que o oleiro tem sobre aquilo que ele faz." (p. 68).

"Deus fez o homem para a Sua própria glória, isto é, não que Ele devesse receber glória do homem, mas para que Ele pudesse demostrar Sua própria glória de uma forma muito mais distinta, pelo homem, do que por Suas outras criaturas." (p. 75).

"Mas o homem foi feito, apenas, para que ele pudesse ser um vaso daquela bondade, justiça, sabedoria e poder, e, assim, ele foi um vaso para demostrar a gloria divina." (p. 77).

"Deus não fez o homem para que ele pudesse ser somente aquilo para o qual ele foi feito, mas para que ele pudesse tender à maior perfeição." (p. 77).

"... Deus faz o homem um vaso; O homem faz a si mesmo um vaso mau, ou um pecador, Deus determina fazer o homem, de acordo com as condições, satisfatórias para Si mesmo, um vaso de ira ou de misericórdia, e isso Ele na verdade faz, quando a condição é ou cumprida, ou perseveradamente negligenciada."(p. 82).

"Se alguém disser que Deus tem poder absolutamente ou incondicionalmente para tornar um homem um vaso para desonra e ira, ele fará a maior injustiça à Divindade, e irá contradizer a clara declaração da Escritura." (p. 83).

"Pois Ele não está irado com eles, [os endurecidos] a menos que eles já tenham se tornado vasos de ira; nem Ele, quando, por seus próprios méritos, eles foram preparados para a destruição, imediatamente, de acordo com o Seu próprio direito, leva a cabo a Sua ira na sua destruição, mas Ele os suporta, com muita longanimidade e paciência, convidando-os à penitência e esperando por seu arrependimento..." (p. 92).

"Se alguém me mostrar que essas coisas não estão em conformidade com o sentimento de Paulo, eu estarei pronto para dar a questão por vencida; e, se alguém provar que elas são incompatíveis com a analogia da fé, eu estarei pronto para reconhecer a falha e abandonar o erro." (p. 96).

Bibliografia: 

ARMÍNIO, Jacó. Uma análise de Romanos 9. [tradução e notas de Carlos Augusto Vailatti]. São Paulo: Reflexão, 2016.