18 de fevereiro de 2018

Estudando o Episódio do Bezerro de Ouro




Leitura bíblica: Êxodo 32.1-14

Introdução: As passagens bíblicas estão repletas de ensinamentos e de detalhes que revelam verdades a respeito de Deus e de nós. Quando nos dedicamos e nos aprofundamos em estudar as Escrituras, entendemos que aquilo que aconteceu no passado de alguma forma traz impacto para nossa vida no presente. Hoje estudaremos a passagem que fala do "Bezerro de Ouro." Todavia, antes vamos apresentar um panorama do livro de Êxodo afim de elucidar e de nos situarmos dentro da passagem ao qual estudaremos; depois veremos o contexto histórico em que Êxodo 32.-14 está inserido e por fim, quais lições e verdades práticas podemos extrair a partir desta passagem. Boa leitura!

I- PANORAMA DO LIVRO DE ÊXODO:

1. Quem escreveu? (Autor). A tradição judaica aponta Moisés como o escritor da Toráh (os 5 primeiros livros da Bíblia), incluindo Êxodo (Saída).

2. Quando escreveu? (Data). Os estudiosos mais conservadores datam a escrita de Êxodo por volta de mais ou menos 1445-1405 a.C.

3. Para quem escreveu? (Destinatário). Embora atualmente tenha alcançado milhares de pessoas em todo o mundo, é sabido que o público alvo primário de Êxodo eram os judeus e a sua posteridade, isto é, o povo Israelita.

4. Onde Escreveu? (Lugar). É quase unânime entre os estudiosos, a afirmação de que Moisés escreveu o livro de Êxodo no deserto.

5. Porque escreveu? (Propósito). De modo geral, podemos falar que o propósito de Moisés ao escrever o livro de Êxodo foi registrar e revelar a vontade de Deus para os israelitas com o objetivo de que eles passassem a observar as leis que o SENHOR os havia entregado.

6. Assuntos principais. São vários os assuntos abordados por Moisés, entretanto vamos destacar aqui apenas dois:

A) Libertação do povo de Israel (Saída do Egito).

B) Estabelecimento das leis (Cerimoniais, Civis e Morais).

II- CONTEXTO HISTÓRICO:

Entraremos agora em Êxodo 32 propriamente dizendo, e para compreendermos a passagem, vamos pintar um pouco do cenário daquela época, respondendo algumas perguntas:

Onde Moisés estava? O versículo 1 localiza Moisés no monte (chamado de monte Senai em Exôdo 19.18 e Horebe em Deuteronômio 4.10-15).

O que ele estava fazendo no monte? Moisés não estava ali sem razão, mas sim porque Deus o convocou para anunciar aos Israelitas a sua vontade (Êxodo 19.1-25).

E o povo de Israel, onde estava? Êxodo 19.17 informa que Moisés levou o povo para fora do acampamento e eles ficaram na base do monte. (Cf Ex 20.21).

Desde o capítulo 19 até o 32, o cenário gira em torno deste episódio que durou 40 dias e 40 noites (Êxodo 24.18).

A Bíblia diz que vendo que Moisés demorava para descer, o povo de Israel pediu para que Arão (seu irmão) fizesse um deus que fosse à frente deles, pois não sabiam o que havia acontecido a Moisés. Então Arão pediu que entregassem seus brincos de ouro e recebendo-os derreteu, fazendo um bezerro de ouro e declarou que este os havia tirado da terra do Egito. E mais, fez um altar e disse: Amanhã haverá festa ao SENHOR. No outro dia, se levantaram cedo e sacrificaram ao bezerro de ouro e depois se divertiram.

Porque o povo fez isso? A resposta é simples! Lembremo-no de que Israel passou mais de 400 anos no Egito, e apesar de não habitar no meio dos egípcios, sofreu consideráveis influências por parte deste povo. Para Israel, Moisés (o profeta de Deus, ou seja, alguém responsável por trazer a voz de Deus ao povo), representava o próprio Deus entre eles, e uma vez que Moisés havia sumido, eles se viram sem Deus à frente deles, por isso, sem líder e sem Deus, pediram para Arão fazer um deus para si para que fosse à frente deles. Isto porque a mentalidade daquela época era: um povo sem uma divindade é um povo entregue à ruína.

Interessante que nem mesmo as claras leis de Deus contra a idolatria foram obedecidas mas negligenciadas e esquecidas. 

Fazendo um deus para si, Israel:

A) Quebra um acordo oral feito há poucos dias com Deus (Êxodo 19.7).

B) Quebra dois dos dez mandamentos (Êxodo 20.3-5).

C) Quebra a lei de oferecer sacrifícios somente ao Senhor, pecado este inclusive digno de morte (Êxodo 22.20).

III- O DIÁLOGO DE DEUS COM MOISÉS:

Então Deus relata a situação a Moisés (que estava monte e não sabia o que estava acontecendo). Deus fala que Israel havia se corrompido e desviado do caminho que Ele havia ordenado e que este povo era muito obstinado.

O termo usado por Deus para "corrompeu" é sahath e significa aqui "deteriorado", "arruinado", "perdido", "prejudicado", "danificado", "pervertido", "corrupto".

Para "desviado", ele usa sur que significa "rebelado", "afastado", "deixou de lado", "virar-se", "dar as costas", "ir embora", "partir".

Dito isto, Deus propõe a Moisés que deixasse que Ele destruísse Israel e fizesse dele uma grande nação. Quanto a este ponto, não cabe a nós neste estudo, entrar no mérito de como esse tipo de linguagem de Deus de pedir a Moisés que deixasse-o destruir Israel não entra em choque com a soberania dEle. O ponto crucial aqui não é este mas sim: Deus estava para destruir Israel.

Então a Bíblia diz que Moisés suplicou, ou seja, intercedeu ao Senhor seu Deus e agora vamos mostrar quatro argumentos que Moisés usou para que Deus nao destruísse Israel:

1- Moisés pergunta porque Deus destruiria o seu povo? (v. 11). Deus disse no versículo 7 que povo era de Moisés, e no versículo 11 Moisés diz que o povo era de Deus. É como se Moisés tivesse dizendo: porque o SENHOR se ira? O SENHOR é que é o proprietário deles e não eu. Não é qualquer povo que está jogo, é o teu povo! 

2- Moisés pergunta porque Deus destruiria o seu povo que Ele mesmo tirou do Egito com grande força e com mão forte? (v. 11). No versículo 7, Deus diz que Moisés tirou o povo do Egito, mas no versículo 11, Moisés diz que foi o SENHOR quem os tirou de lá com mão forte (cf Êxodo 19.4; 20.2; 29.46). Ou seja, como irás destruir o teu povo que o Senhor mesmo tirou da terra do Egito com mão forte?

3- Moisés pergunta porque Deus permitiria que os egípcios dissessem que Ele tirou os israelitas de lá para fazer o mal e matá-los (v. 12). 

Até aqui podemos extrair algumas lições para nossas vidas.

A primeira é no que diz respeito a ausência de Moisés entre o povo de Deus. Ou seja, a ausência de um homem de Deus dá oportunidade para o caminho da corrupção. Este é um princípio válido para os dias de hoje. Porque será que muitas igrejas estão se corrompendo? Porque os homens de Deus estão distante das suas dores e das suas necessidades. Homens de Deus precisam estar perto das suas ovelhas.

Outra coisa: Pior que ter homens de Deus distantes é ter homens por perto que contribuem para a corrupção do povo. Este é o caso de Arão que devia repreender o povo porém satisfez seus desejos. Muitos líderes da atualidade dão ao povo o que eles gostam e não o que Deus quer. Triste este tipo de comportamento porque a vida de um líder influencia a vida dos liderados direta e indiretamente. Este é o caso por exemplo da monarquia de Israel, onde a saúde espiritual do rei refletia na saúde espiritual do povo.

A segunda lição diz respeito a Deus estar observando os atos de Israel enquanto Moisés estava no monte. Isto é, todas as nossas ações são observadas por Deus e nada escapa dos seus olhos. E mais: toda ação humana tem uma reação divina. Atentemos seriamente para esta verdade, pois nada foge dos olhos de Deus.

A terceira lição que podemos extrair, é quando Moisés vai interceder num momento delicado. Mais adiante veremos como a intercessão é importante, mas veja como Moisés se comporta diante de uma situação adversa. Isto vale como exemplo para nós, isto é, devemos  sempre recorrer ao Senhor quando "a coisa ficar preta", principalmente quando algo se levantar para ameaçar nosso futuro.

A quarta lição, é quando Moisés diz que o povo é de Deus e que foi ele que os tirou do Egito e não incentiva Deus a destruir o povo de Israel para fazer dele uma grande nação. Aqui, Moisés abre mão de qualquer mérito e privilégio em razão da ruína dos outros. Apesar de Moisés ter sido chamado para ser líder, claramente podemos notar que ele tinha um coração de servo. Que exemplo memorável! Quantas pessoas hoje em dia que para crescer, estão dispostas a ver o mal e a queda de alguém. Moisés não queria ver a queda do seu povo, mas a sua restauração. 

No final do terceiro argumento Moisés diz para Deus:

"Volta-te da tua ira ardente e arrepende-te desse castigo contra o teu povo." (v. 12).

Isto revela o nível de intimidade que Moisés tinha com Deus. Vale lembrar que esse tipo de linguagem só foi usava por Moisés porque o próprio Deus se colocou a disposição dEle. Isto é totalmente diferente das pessoas que hoje querem ensinar Deus a trabalhar e isto geralmente, é feito da pior maneira possível: não possuem intimidade, não sabem dialogar com Deus e fazem tal prática de forma irreverente.

Então, o que está escrito versivers não nos encoraja a ensinarmos Deus a trabalhar, mas a termos um nível de intimidade tão grande com Ele a ponto de quando Ele se colocar à nossa disposição, nós apresentar-mos os nossos argumentos perante Ele. Notou a diferença?

As palavras de Moisés também estão recheadas de um pouco de coragem e também de ousadia. Ao que tudo indica no texto, Deus não se incomodou com as palavras dele.

4- Moisés fala para que Deus lembre-se de Abraão, de Isaque e de Jacó. Ele jurou que multiplicaria a descendência deles como as estrelas do céu. Aqui Moisés está colocando em evidência e como argumento final a questão da incondicionalidade da promessa de Deus feita aos patriarcas. É como se ele estivesse dizendo: foi a eles que o SENHOR jurou que iria multiplicá-los e não a mim, eu estou apenas inserido nesta promessa.

O versículo 14 é incrível! Fala que o Senhor se arrependeu do castigo que disse que traria ao seu povo, derramando mais uma vez a sua misericórdia sobre eles. Ou seja, Deus atendeu a intercessão de Moisés, não primariamente por amor a ele, mas sim em razão do amor pelo seu próprio nome e caráter e por fim e não menos importante, através da súplica do seu servo. 

O que podemos aprender com tudo isso?

Primeiro, que não importa qual seja o problema, quem tem intimidade com Deus encontra solução Nele para todo e qualquer tipo de ameaça que surgir. 

Segundo, a nossa comunhão com Deus gera efeitos em Deus, em nós e nas pessoas que estão ao nosso redor. Lembre-se que a petição de Moisés foi atendida, de maneira que Deus deixou de fazer o que estava para fazer, ou seja, surtiu efeito em Deus. Também surtiu efeito no próprio Moisés que passou a enxergar Deus ainda mais grande e misericordioso e por fim, no povo que iria ser destruído e não foi. Assim é na nossa vida, a oração de um justo pode muito em seus efeitos (Tg 5.16). Portanto, caro leitor, interceda, faça o que está ao seu alcance e deixe os resultados com Deus. As tuas orações (quando atendidas), surtem efeitos em Deus, em você e nas pessoas que estão ao seu redor seja na sua família ou não.

Terceiro, o Deus ao qual nós servimos leva em consideração as nossas palavras e se dispõe a derramar da sua misericórdia sobre nós novamente.

O povo era digno de ser destruído pois havia transgredido os mandamentos de Deus, todavia Ele optou por usar da sua misericórdia sobre eles novamente. Se Deus tivesse destruído Israel e quisesse levantar de Moisés uma grande nação, não estaria incorrendo em nenhum erro, mas satisfazendo a sua justiça imediata. Contudo, sua misericórdia se mostrou ativa no momento em que os israelitas mais careciam dela.

Este é um claro exemplo de que devemos interceder por aqueles que necessitam de misericórdia, principalmente por aqueles que estão no mundo sem salvação e já estão condenados.

A passagem começa com corrupção e termina com misericórdia para mostrar que a restauração de Deus está ao nosso alcance.

Conclusão:  Sem dúvida, o foco dessa passagem está na intercessão. A intercessão de quem tem intimidade abre as portas para que a solução de Deus desça sobre os problemas que surgem. Por isso, não importa qual seja a dificuldade que esteja na sua vida, ore! Deus está de prontidão para te atender e melhorar o seu relacionamento com Ele. Que Deus te abençoe!

20 de janeiro de 2018

3 Verdades Extraídas a partir de Genesis I



Por Everton Edvaldo.

Meditando em Gênesis 1, texto que relata a respeito a criação dos céus e da terra, percebi que existem expressões que se repetem com frequência em vários momentos do ato criacional de Deus. Por exemplo, a expressão "E disse Deus", aparece 10 vezes nesta passagem. Usada para indicar que Deus criou as coisas pelo poder da sua Palavra. A expressão "assim foi" se repete 4 vezes neste capítulo, indicando que tudo que Deus ia falando, vinha à tona. Já a expressão "Viu de Deus que era bom/muito bom" se repete 7 vezes neste capítulo. Sem dúvida, as repetições destas expressões quando analisadas mais profundamente tem algo a nos ensinar. A partir destas três expressões, vamos extrair três verdades que podem ser aplicadas na nossa vida.

I- DEUS FALA:

É o que concluímos a partir da expressão "E disse Deus." Gênesis nos fornece algumas pistas de como Deus fala, por exemplo.

1. Deus fala de modo inédito. A primeira vez que encontramos Deus falando algo na Bíblia é em Gênesis 1.3: "Haja luz e houve luz."

2. Deus fala de modo soberano. Não é qualquer pessoa quem está falando, é Deus. O próprio termo Elohim traduzido como Deus em Gênesis 1, implica nessa conclusão. Deus é soberano e sua fala também.

3. Deus fala de modo constante. Conforme já vimos nesta introdução, a expressão "E disse Deus" se repete 10 vezes no capítulo 1.

II- O DEUS QUE FALA É O MESMO DEUS QUE FAZ ACONTECER:

1. Ele faz acontecer para cumprir sua palavra. "E assim foi" é o cumprimento do que Deus havia dito. Deus cumpre tudo o que fala de modo soberano.

2. Ele faz acontecer coisas extraordinárias (v. 6). Isto é, coisas surpreendentes. Ele traz à existência aquilo que não existe. Todas as coisas que estão em Gênesis 1, não existiam antes.

3. Ele faz acontecer coisas grandes (v. 14). Por exemplo, quando criou o Sol e a Lua.

III- O QUE DEUS FAZ ACONTECER E SURGIR É BOM:

É o podemos concluir a partir da expressão: "E viu Deus que era bom." O que ele faz acontecer é:

1. Bom para Ele (v. 31). Ele se apraz nas coisas que realiza.

2. Bom para nós (v. 12). Todas as coisas que Deus criou na terra são para o nosso benefício.

3. Bom para as demais coisas (v. 18). As coisas que Deus criou funcionam de forma que toda a criação desfrute bondosamente deste poder maravilhoso. Isto é, tudo que Deus criou é bom para a sua criação.

19 de janeiro de 2018

O dom de cura cessou?



Por Everton Edvaldo.

Introdução: Deus cura! Esta é uma verdade ensinada nas Escrituras desde o Gênesis ao Apocalipse. Todavia, os meios pelos quais Deus traz uma cura tanto física quanto espiritual nem sempre ocorrem de forma direta ou da mesma maneira. Na Bíblia, Deus em diversas ocasiões concedeu o dom de cura a homens que lhe serviam. Eles impunham as mãos sobre sobre alguém, ou às vezes, só falavam e a pessoa era curada da enfermidade da qual padecia. Que dádiva não é mesmo? Pois bem, será que esse dom está disponível para os nossos dias? Ou ele só foi distribuído para os apóstolos e seus associados de modo que cessou no I século? Existem relatos que possamos verificar com segurança a manifestação desse dom ao longo da história da igreja? Quais são as principais objeções com relação a esse dom e quais respostas podemos dar a elas? Essas e outras perguntas serão respondidas no desenvolvimento deste estudo! Boa leitura!

I- A MANIFESTAÇÃO DO DOM DE CURA NAS ESCRITURAS:

Conforme já dissemos na introdução, Deus tem o poder de curar. No Antigo Testamento, várias curas foram efetuadas por Ele de modo que Seu nome e majestade pudessem ser engradecidos. Entretanto, é no Novo Testamento que encontramos uma maior manifestação das curas divinas da parte de Jesus em favor das pessoas. A Bíblia diz que Jesus curava multidões. Todavia, o ministério de cura não ficou restrito a Jesus. Ele concedeu essa dádiva aos apóstolos e a seus discípulos que andavam com ele. De modo que quando a igreja foi fundada, milagres e maravilhas eram ministradas sobre a vida das pessoas que eram libertas da sua enfermidade e da opressão maligna.

O tempo foi passando e toda aquela geração de apóstolos que viram o Senhor morreu e há quem ensine que com o fim dessa geração, o dom de cura cessou e não se manifesta mais. Tais pessoas acreditam que Deus cura, mas que o dom não existe mais. O que a Bíblia diz sobre isso? É o que veremos agora.

II- A CONTINUIDADE DO DOM DE CURA:

Primeiro é preciso pontuar que não existe nenhum versículo bíblico que afirme direta ou indiretamente que o dom de cura cessou. Talvez isso já seria suficiente para crermos na sua disponibilidade haja vista que Deus concedeu dons aos homens para manutenção do corpo de Cristo. Entretanto, mais que isso, existem versículos bíblicos que falam claramente a respeito da continuidade do dom de cura no período da igreja.

Vamos começar com Marcos 16.17,18.

"Estes sinais hão de acompanhar aqueles que creem: em meu nome, expelirão demônios, falarão novas línguas, pegarão em serpentes; e, se alguma coisa mortífera beberem, não lhes fará mal; se impuserem as mãos sobre enfermos, eles ficarão curados."

Primeiro, é preciso pontuar que não existe restrição de crentes aqui nem de tempo. Longe de apoiar a suspensão do dom de cura, Jesus está dizendo que aqueles que creem vão impor as mãos sobre os enfermos e eles ficarão curados. Se o dom de cura cessou, como fica esta declaração de Jesus?

O segundo versículo se encontra em João 14.11-14.

"Em verdade, em verdade vos digo que aquele que crê em mim fará também as obras que eu faço outras maiores fará porque eu vou para junto do Pai e tudo quanto pedirdes em meu nome, isso farei, afim de que o Pai seja glorificado no Filho. Se me pedirdes alguma coisa em meu nome, eu o farei."

Veja que semelhante a Marcos 16.17,18; Jesus fala tanto em Marcos quanto em João que os que creem poderão fazer estas coisas. Essa palavra é destinada aos crentes indiscriminadamente. Outra coisa que se repete é a referência à seu nome. É no nome de Jesus que podemos fazer todas estas coisas grandiosas. Jesus está dizendo que o que crê nele, fará as obras que ele faz, e outras maiores fará. Uma das obras de Jesus era curar os enfermos. Será que quando Jesus disse que faríamos as suas obras e até maiores, ele estava excluindo a ministração da cura sobre as pessoas? Bem, pelo menos não é isso que encontramos no texto. Então porque concluir que a manifestação do dom de cura cessou?

Escrevendo aos Coríntios, o apóstolo Paulo escreveu:

"A manifestação do Espírito é concedida a cada um visando um fim proveitoso. Porque a um é dada, mediante o Espírito, a palavra da sabedoria; e a outro, segundo o mesmo Espírito, a palavra do conhecimento; a outro, no mesmo Espírito, a fé, e a outro, no mesmo Espírito, dons de curar, a outro, operações de milagres, a outro, profecia, a outro, discernimento de espíritos, a um variedade de línguas, e a outro, capacidade de interpretá-las. Mas um só é o mesmo Espírito realiza todas estas coisas, distribuindo-as como lhe apraz, a cada um, individualmente." (1 Coríntios 12.7-11).

Primeiro Paulo está dizendo que a manifestação do Espírito Santo é concedida a cada um visando um fim proveitoso. Ou seja, os dons espirituais existem com uma finalidade na igreja do Senhor. Segundo, é o Espírito quem concede como lhe apraz. Terceiro, ele concede a pessoas. Mais uma vez, não há nenhuma especificação quanto a esses dons estarem restritos a apóstolos e seus associados. Lembre-se que os Coríntios não tinham visto o Senhor e já faziam parte da segunda geração de crentes.

Outra coisa interessante que vale a pena observar é que Paulo usa a expressão: "dons de curar." Veja que aqui se manifesta a multiforme sabedoria de Deus, fazendo-nos lembrar que ele pode usar pessoas de variadas formas. Por isso, a partir de agora, vamos usar essa expressão durante o nosso estudo.

Em Tiago 5.13-16, está escrito:

"Está alguém entre vós sofrendo? Faça oração. Está alguém alegre? Cante louvores. Está alguém doente? Chame os presbíteros da igreja, e estes façam oração sobre ele, ungindo-o com óleo, em nome do Senhor. E a oração da fé salvará o enfermo, e o Senhor o levantará; e, se houver cometido pecados, ser-lhe-ão perdoados. Confessai, pois, os vossos pecados uns aos outros e orai uns pelos outros, para serdes curados. Muito pode, por sua eficácia, a súplica de um justo."

Com certeza, a recomendação de Tiago diz respeito a uma das manifestações dos dons de cura (veja também Mc 6.13). Neste caso, através ministração de um presbítero e também por meio da oração. Se é verdade que os dons de cura cessaram, como fica a recomendação de Tiago?

Por fim, em Mateus 7.22,23 está escrito:

"Muitos naquele dia, hão de dizer-me: Senhor, Senhor! Porventura, não temos nós profetizado em teu nome, e em teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então, lhes direi explicitamente: nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniquidade."

Realizar milagres em nome de Jesus é uma dádiva! O poder sem dúvida alguma vem do alto, mas a ministração neste caso, estava vindo através de pessoas que no Juízo Final serão rejeitadas pelo Senhor. Veja, não são apóstolos, nem seus associados. São pessoas que no nome de Jesus fazem todas estas coisas. Este versículo por acaso não se refere a todas as pessoas que viveriam desde o ministério de Cristo na terra, até o fim da era da igreja? Sim! Isto significa que os dons de realizar milhares, incluindo cura estão disponíveis para serem feitos no nome de Jesus.

III- ALGUMAS OBJEÇÕES AO DOM DE CURA:

Os proponentes da pneumatologia costumam alegar objeções para embasar a idea de que os dons de cura cessaram no primeiro século. Vejamos aqui algumas:

1. Se o dom de cura ainda existe porque os hospitais estão lotados de enfermos?

Ou seja, os que formulam esta objeção partem do pressuposto errado de que quem tem os dons de cura deviam usá-lo da forma como bem queiram. O problema esta justamente no pressuposto. Os dons de cura não tem a finalidade de serem usados ao bel prazer de quem o possui. Sem falar que ele serve para a manutenção do corpo de Cristo e também a confirmação da mensagem do Evangelho. Então, as circunstâncias em que ele se pode se manifestar são diversas. Os ateus usam um argumento semelhante quando dizem: "Se Deus existe porque ele não acaba com a miséria, guerras e fome no mundo?" Para eles, Deus só é justo, amoroso e bom se dizer tais coisas. Da mesma forma, os proponentes dessa objeção alegam que os hospitais não deveriam estar lotados se o dom de cura ainda existisse. A resposta é simples: o objetivo dos dons de cura não é esse!

Nem o próprio Jesus fez isso! Lembre-se que na passagem da cura do paralítico do tanque de Betesda, "jazia uma multidão de enfermos, cegos, coxos, paralíticos." (João 5.3). Todavia, Jesus só curou um homem que estava enfermo há 38 anos.

Segundo Eurico Bergstén:

"Esse dom não significa uma capacidade de curar quando e como a pessoa quer, porém, é sempre uma transmissão de poder do Espírito Santo. Por isso, é indispensável que o portador do dom esteja ligado a Cristo e siga a sua direção..." (Apud RENOVATO, p. 48).

O fato de existir hospitais lotados não significa que o dons de cura não estejam presentes na vida de quem Deus concede. Da mesma forma que a existência de guerras, fomes e miséria não comprova a inexistência de Deus.

2. Timóteo tinha uma enfermidade, porque Paulo não usou os dons de cura? 

Recentemente vi esse tipo de objeção nas redes sociais. Segundo o proponente desta objeção, já nos dias do apóstolo Paulo, os dons de cura estavam começando a cessar.

Bem, o fato de Paulo não ter curado Timóteo não prova que o dons de cura começam a cessar nos dias dele. Primeiramente, é preciso pontuar que o apóstolo Paulo tinha os dons de cura (Atos 14.3,8-10; 19.11,12; 28.8,9). Todavia, isto não significa que ele tivesse que curar todos que estivessem enfermos.

Este é o caso por exemplo de Trófimo. O apóstolo Paulo diz que o deixou doente em Mileto (2 Timóteo 4.20) e também de Timóteo. A Timóteo, ele diz: "Não continues a beber somente água, usa um pouco de vinho, por causa do teu estômago e das tuas frequentes enfermidades." (1 Timóteo 5.23). No caso de Timóteo, Paulo viu que sua recomendação já bastava. Existem enfermidades que não precisam de uma intervenção divina, um tratamento medicinal já é o suficiente. Este é um ponto que gostaria de falar. Deus tem outros meios de cuidar da nossa saúde e uma delas é a medicina. Deus pode usar a medicina também para tratar das nossas enfermidades. Concordo com a declaração de fé das Assembleias de Deus quando afirma: "A oração pelos enfermos não entra em conflito com o tratamento médico." (SOARES, p. 182). O próprio Paulo tinha entre os seus colaboradores um médico (Cl 4.14).

Devemos entender que Deus nem sempre se manifesta de forma extraordinária na nossa vida. Isso não quer dizer que não os dons de cura tenham cessado. Deus tem os seus meios de trabalhar!

O fato que não podemos concluir a partir desse caso que os dons de cura começaram a cessar já nos dias do apóstolo Paulo haja vista que a que a Bíblia nem menciona que ele tentou curar Trófimo e Timóteo e não foi bem sucedido.

3. Não existem indícios históricos de que os dons de cura continuaram após o I século da era cristã.

Essa objeção é clássica! Os proponentes dela vendo que não tem como provar biblicamente que os dons de cura cessaram apelam tendenciosamente para o testemunho histórico. Porém, será mesmo que a história não está a favor da continuidade desses dons? 

Não quero ser exaustivo neste ponto, mas vamos recorrer alguns registros históricos. Segundo Norman Champlin:

"Os escritos dos chamados pais da igreja mostram-nos que esse dom persistiu até mesmo depois que outros haviam desaparecido, nos séculos que se seguiram ao período apostólico." (CHAMPLIN, p. 220).

De fato, é isto que a história da igreja registra. Por exemplo, o historiador da igreja Eusébio de Cesaréia (263-340 d.C) cita os relatos de Irineu (130-200 d.C), um dos pais da igreja. Irineu diz assim:

"Até agora estão ressuscitando mortos, como ressuscitava o Senhor, e como os apóstolos, por meio da oração, pois mesmo entre os irmãos, com frequência, em caso de necessidade, com toda a igreja unida em muito jejum e oração, o espírito tem retornado ao corpo antes morto, e o homem concedido às orações dos santos." Ele continua:  "(...) Assim também, os que eram verdadeiramente seus discípulos, recebendo dele graça, em seu nome realizavam estas coisas para o bem dos melhores dos homens, uma vez que cada um recebeu dEle a dádiva gratuita. Alguns, aliás, certa e verdadeiramente expulsam os demônios, de modo que com frequência essas mesmas pessoas purificadas de espíritos perversos criam e eram recebidas na Igreja. Outros têm conhecimento das coisas por vir, bem como visões e comunicações proféticas; outros curam os enfermos pela imposição das mãos e lhes restauram a saúde. E, além disso, como mencionamos acima, mesmo os mortos têm sido levantados e continuam conosco muitos anos. E porque dizer mais? É impossível enumerar as dádivas que a Igreja por todo o mundo recebeu de Deus e os feitos realizados no nome de Jesus Cristo que foi crucificado sob Pôncio Pilatos, e também isso todos os dias para bem dos pagãos, sem enganar a ninguém nem exigir algum dinheiro. Pois assim como as recebeu de graça de Deus, assim também as ministra de graça." (CESARÉIA p. 174).

Perceba que os dons de cura permaneciam em plena atividade durante a época de Irineu.

Mas será que temos relatos contemporâneos da manifestação dos dons de cura em nosso tempo?

O Evangelista Smith Wigglesworth relata que certa vez, um homem tinha quebrado seu corpo num desastre, ferindo o estômago em dois lugares. As feridas inflamaram e o sangue ficou envenenado de tal maneira, que eles estava prestes a morrer. Estou resumindo seu relato, mas ele conta que  juntamente com um amigos, pediu à esposa para ungir o moribundo que já não falava mais. Ele o deixou. Eles o ungiram e oraram para  que o Senhor viesse restabelecer sua saúde. A princípio, nada aconteceu. Os médicos queriam operá-lo, mas o Evangelista pediu à mulher que não deixasse os médicos operá-lo, mas que confiasse no Senhor. Os médicos que também estavam ali preparavam os instrumentos para operá-lo, mas ela pediu 10 minutos e os impediu de fazer isso. Repentinamente, o enfermo prostrado naquela cama, começou a falar, dizendo: -"Agora Deus operou." Os médicos o examinaram e sua enfermidade verdadeiramente havia desaparecido. (MESQUITA, p. 119). Smith relata também muitas outras curam que foram realizadas por seu intermédio.

Além destes relatos, podemos acrescentar aqueles que tenho visto. Tenho contemplado homens de Deus impor as mãos sobre pessoas enfermas e elas ficarem curadas! A verdade é que a história da igreja não está a favor do cessacionismo. O que dizer por exemplo dos relatos do Movimento Pentecostal, onde grandes curas e manifestações espirituais foram registradas?

Diante desses fatos e de tantos outros relatos que não coloquei aqui, concluímos que a incredulidade tem falado mais alto que a fé no que a Bíblia e garante.

4. Se o dom de cura existe, porque muitas pessoas não são curadas?

As razões são diversas. Em seu conselho secreto, Deus sabe como agir e trabalhar na vida de cada um. Há pessoas que estão perto de Deus levar e nesse caso, o dons de cura não há de manifestar-se sobre a vida delas.

Para Raimundo de Oliveira, a pluralidade dos dons de cura, "dá a entender que existe uma variedade de modos na operação deste dom. Assim, um servo de Deus pode não ter todos os dons de curar, e, por isso, às vezes, muitos não são curados por sua intercessão. (...) Como são diferentes os tipos de enfermidades, é evidente que há um um de cura para cada tipo de enfermidade: orgânica, pssicossomática ou de patogenia espiritual." (OLIVEIRA, p. 136).

Existem outros casos em que os dons de curar podem não manifesta-se como por exemplo: Deus usar a enfermidade para forjar o caráter de uma pessoa, lhe dar experiência, maturidade, etc. Neste caso, a pessoa tem os dons, mas Deus não cura.

Todavia, uma das grandes razões pelas quais dons de cura não se manifestam na vida das pessoas é falta de fé. É bem verdade que houveram milhares que Jesus operou em pessoas que tinham pouca fé ou até mesmo nenhuma. Entretanto, não podemos negar que a fé exerce um papel importante na cura de uma pessoa (cf Lc 7.50; 8.12, 48,50; 17.19; 18.42).

A fé é importante, veja At 3.16; 14.8-10; Tg 5.15.

Por outro lado, a Bíblia também aponta a incredulidade como a causa de muitos milagres não terem acontecido no período neotestamentário (Mt 13.58; Mc 6.5,6).

A incredulidade fecha as portas para muitas operações da parte de Deus na nossa vida. Lembre-se que sem fé, é impossível agradar a Deus (Hb 11.6). Deus não depende apenas da fé para operar maravilhas na nossa vida, mas em muitas circunstâncias ela é o requisito, o instrumento para recebermos alguma benção do SENHOR.

O fato de algumas pessoas não serem curadas não significa que o dons de cura tenham cessado. Isto porque ele não se manifesta em certas pessoas mas se manifesta em outras e isto é plenamente bíblico. Teria cessado se não se manifestasse em ninguém. Devemos entender que existem meios pelos quais a cura vem, e muitas vezes esses meios são negligenciados pelo homem ou às vezes, Deus tem um propósito/motivo em não curar alguém (Lc 4.25-27). Estas são algumas razões pelas quais certas pessoas não são curadas.

Isto de forma alguma macula a manifestação dos dons de cura, pois, nunca foi dito que ele tem que ser usado de forma irregular e irrefreadamente.

5. Não acredito nos dons de cura, pois, o mesmo tem sido usado para explorar fiéis, sem falar que falsos milagres têm acontecido e enganado a muitos.

Esse tipo de objeção falha em usar uma circunstância falsa para desaprovar uma verdadeira. É verdade que muitos usam o nome de Jesus para explorar as pessoas e ganhar dinheiro em cima disso. Em muitos casos, ocorre uma falsa manifestação dos dons, porém não é desacreditando dos dons que se resolve. O caminho bíblico é orientar os cristãos para que sejam aptos a discernir entre o falso e o verdadeiro. No caso daqueles que usam os dons para lucrar de alguma forma, entendemos que estão usando o dom de forma errada.

Aqueles que propõem esta objeção, entendem que por prevenção, Deus teria suspenso os dons de cura para que seu povo não fosse enganado. O problema com esse tipo de interpretação é que ela não é bíblica. A Bíblia fala que já na era apostólica existiam essas que faziam falsos milagres e maravilhas. A Bíblia também fala de uma igreja que cheia de dons espirituais, porém repleta de problemas. Em ambos os casos, o caminho da instrução é sempre melhor e não o da incredulidade.

6. Uma pessoa com esses dons nos dias de hoje seria tratado como semideus.

Essa objeção alega que se existisse alguém com esses dons nos dias de hoje, certamente essa pessoa estaria na mídia, nos jornais e programas de TV.

Seria isto uma razão suficiente para Deus suspender este dom? Não necessariamente. Em Atos 14.8-18 está relatado que os habitantes de Listra achavam que Paulo e Barnabé eram deuses por terem curado um coxo. Porém, Paulo e Barnabé os repreenderam severamente.

Tratar alguém com os dons de cura como se fosse um ser poderoso é uma prática errada. É desmerecer a glória divina. Toda glória e louvor deve ser dada a Deus pois ele é quem concede os dons. Aqueles que tomam a glória para si, estão no caminho oposto de apóstolo Paulo e Barnabé. Em nosso tempo, muitos homens que se auto proclamam Apóstolos, bispos, etc, são tratados como semideuses.

Nas palavras do Pastor, Teólogo e escritor Elinaldo Renovato:

"Infelizmente, o que se vê, em muitos programas de TV, de determinadas igrejas, é o endeusamento do pastor, do bispo ou apóstolo, que ministra curas de maneira cotidiana. Não ousamos dizer que tais pessoas não são curadas, em tais igrejas. Nada exaltação do ministrante de curas ofusca a glória que só pertence a Deus." (RENOVATO, p. 47).

Estas pessoas estão erradas e se encaixam na categoria da versículo que lemos em Mt 7.22, 23. Mas o que vale dizer é que Deus jamais suspenderia seus dons em razão disso, deixando de abençoar a vida das pessoas por conta de  alguns que recebem a glória para si.

7. Jesus não veio ser milagreiro, ele veio nos ensinar a viver a Palavra de Deus.

Esse tipo de objeção se dá devido à dedicação excessiva de igrejas em busca de curas divina e milagres. Deixe-me explicar melhor. É mais ou menos assim: "Jesus não dedicou-se tanto a curas e milagres, porque os seus discípulos fazem isso?"

É verdade que a principal missão de Jesus aqui na terra é a de salvar pecadores, todavia quando esteve aqui na terra, ele curou muitos deles. Acontece que o mesmo propósito continua para os nossos dias. Antes de curar alguém fisicamente, Jesus quer salvar esta pessoa e fazer vivê-la uma vida em consonância com a Palavra de Deus. Todavia, o que lhe impede de usar pessoas para ministrar cura aqueles que precisam? Uma coisa não anula a outra! Ele salva e cura! Da mesma maneira, ele usa pessoas para pregar o evangelho e para curar os enfermos. Simples assim!

8. Não acredito na atualidade dos dons de cura porque nunca vi uma pessoa sendo curada desta forma.

"Ver para crer" não é o dilema das Escrituras. Já dizia Jesus: "Bem aventurado os que não viram e creram." (Jo 20.29). Nenhum cristão do nosso século viu Jesus ressuscitado e mesmo assim acreditamos em sua ressurreição. Nao é porque alguém não viu uma pessoa sendo curada por intermédio de outra que deve desacreditar da atualidade desses dons. Pensar desta forma tem mais a ver com incredulidade do que com o ensino das Escrituras. Em outras palavras, você não precisa ver os dons espirituais para eles poder existir. Você não precisa ver, mas crer!

9. Não creio na atualidade dos dons de cura, pois na época de Jesus e seus apóstolos, eles entravam em ação na mesma hora, isto é, quando ministravam a cura, o enfermo era curado instantaneamente, algo que não vemos em nossos dias.

Primeiramente, não é verdade que as curas aconteciam instantaneamente, pelo menos não em todos os casos. As curas podiam ser ministradas e entrar em ação algum tempo depois.

Por exemplo, Jesus aplicou saliva nos olhos do cego de Betsaida, ele porém foi teve sua vista recuperada parcialmente. Em um segundo momento Jesus teve que lhe impor as mãos novamente e assim ele passou a ver claramente (Mc 8.22-25).

Em Lucas 17.11-14, fala de dez leprosos. Jesus os mandou se mostrar aos sacerdotes. Aconteceu que indo eles, foram purificados. Veja que não ficaram purificados na mesma hora que Jesus falou, mas durante o caminho.

Por fim, vejamos João 9.5-11. Jesus aplica lodo juntamente com sua saliva nos olhos de um cego de nascença e disse-lhe: Vai, lava-te no tanque de Siloé. Ele foi, lavou-se e voltou vendo. A cura aconteceu quando ele lavou-se no tanque e não quando Jesus lhe aplicou a saliva nos olhos.

Nós temos o hábito de pensar que a cura sempre vinha instantaneamente porque esta pratica ocorreu na maioria das vezes em que Jesus ministrou a cura sobre uma pessoa. Todavia, não é regra que em todos os casos aconteçam desta forma.

Sendo assim, é possível que alguém com os dons de curar ministre esta benção sobre uma pessoa e ela só venha ser curada em outro momento, em casa, no trabalho, etc.

Isto não se constitui num motivo para não se acreditar neles, pois é algo que está na multiforme sabedoria de Deus. Em resumo, Jesus concede dos de curar a seus servos, eles ministram sobre as pessoas e essas curam podem vir instantaneamente ou em alguma outra ocasião.

10. Porque os que se dizem ter os dons de cura correm para os médicos quando precisam?

Essa objeção é mais ou menos assim, se existem mesmo homens com dons de cura, porque eles não se curam quando estão enfermos? Ou ainda, porque muitos deles morrem de enfermidades?

Bem, nada impede um homem de Deus de buscar auxílio da medicina quando necessário e isto vale mesmo para aqueles que possuem dons de Deus. Assim como também nada lhe impede de orar para que o Pai lhe cure. Quanto aos que morrem de enfermidade, não existe incoerência nenhuma nisso. Deus sabe como recolher os seus servos e faz isto da forma como lhe apraz. Lembre-mo-nos de Eliseu que por intermédio do poder de Deus fez milagres e maravilhas, porém adoeceu gravemente e veio a morrer (2 Reis 13.14).

Isto significa que um homem portador de dons de cura está passível de buscar auxílio na medicina quando preciso, e até mesmo sujeito a morrer de uma enfermidade.

IV- UMA REFLEXÃO PENTECOSTAL DOS DONS DE CURA:

1. Definição.

Segundo Antônio Gilberto, os dons de cura, "são um dom no plural na sua constituição e operação. A palavra "curar" está no plural no texto grego, indicando diferentes "curas" para vários tipos de moléstias ou enfermidades." (GILBERTO, p   75).

Atualmente, várias igrejas acreditam na manifestação dos dons de cura. Um bom exemplo disso são os Pentecostais. Segundo Robert P. Menzies:

"Os pentecostais insistem que a cura divina é o sinal da presença do Reino de Deus, e isso não deve ser uma experiência rara e incomum limitada a poucos. Eles chamam todo crente para viver com um sentimento de expectativa, reconhecendo que Jesus se deleita em dar dos de cura e restaurar plenamente o corpo do seu povo." (MENZIES p. 103).

Esse tipo de crença é fruto de uma reflexão séria a respeito do que a Bíblia diz sobre o assunto.

2. Os meios pelos quais os dons de cura se manifestam.

Os Pentecostais entendem que "às vezes Deus cura soberanamente, e as vezes, de conformidade com a fé do enfermo. O que ora pelo enfermo é mero agente; o enfermo (quer tenha enfermidade física ou emocional) é quem precisa do dom e realmente o recebe. Em todas essas ocasiões, a glória deve ser dada exclusivamente a Deus." (HORTON, p. 474).

Isto não abre espaço por exemplo, para a crença ilusória de que todos os enfermos devam ser curados. Segundo Pastor Enaldo Brito:

"As igrejas cheias do Espírito Santo certamente verão dons de curas, mas isto não subentende que alguém recebe poder absoluto para livrar todas as doenças." (BRITO, p. 74).

Em geral, os Pentecostais entendem que a cura divina não restringiu aos dias apostólicos e que é uma intervenção especial da parte de Deus na vida de uma pessoa, livrando-a da doença ou enfermidade.

3. O propósito.

Os Pentecostais veem dois propósitos na manifestação dos dons de cura.

"O primeiro é atestar o poder do evangelho com o objetivo de glorificar a Deus (Lc 5.23-26). O segundo propósito é o de amenizar o sofrimento humano, mediante o grande amor de Deus (Mt 9.36; Mc 1.41)." (CABRAL, p. 53).

4. A relação com a medicina.

Já tivemos a oportunidade de ver um pouco sobre este assunto anteriormente, mas os Pentecostais não enxergam nenhuma incompatibilidade entre os dons de cura a medicina.

"Não há choque entre a ciência e a cura divina." A Bíblia não condena a ciência médica. Pelo contrário, ela estimula essa ciência e até oferece soluções médicas, porque Deus é quem dá inteligência aos homens para ajudar na cura das suas enfermidades. Mas a cura médica jamais tirara o lugar da intervenção divina pela cura espiritual. A Igreja precisa aprender a discernir os valores de cada coisa colocando-as nos seus devidos lugares." (CABRAL p. 53).

Conclusão: Com certeza, a atualidade dos dons de cura é algo bíblico. Não há como ler a Bíblia e não enxergar esta verdade. Nenhuma outra dificuldade pneumatologica ou eclesiástica deveria nos fazer descrer em tal coisa. A crença cessacionista não passa de uma ideologia tendenciosa e descaracterizada de base bíblica, às vezes, beirando até mesmo a incredulidade em relação a manifestação do Espírito. Por outro lado, devemos estar atentos para nossa era, sabendo discernir com cuidado entre aquilo que é do Espírito e aquilo que não é. Muitos curandeiros tem se levantado se fazendo passar por homens de Deus e tem enganado as pessoas afim de lucrar através delas. Devemos nos prevenir para que não haja abuso dos dons espirituais e que ao mesmo tempo haja manifestação livre do Espírito Santo em nosso meio. Por fim, gostaria de reproduzir as palavras do Pastor Elinaldo Renovato: 

"É desejável que os crentes em Jesus procurem 'com zelo os melhores dons' (1 Co 12.31). Certamente, os dons de curar são muito necessários, num mundo em que as enfermidades têm-se multiplicado assustadoramente, a despeito dos notáveis avanços da medicina. Esses dons são recursos especiais à disposição da igreja do Senhor Jesus Cristo, para, sob a soberania de Deus, e segundo a fé, os crentes sejam beneficiados com a cura das enfermidades físicas ou emocionais." (RENOVATO, p. 48).

Que Deus abençoe sua vida!

Bibliografia:

BRITO, Enaldo. Revista da Escola Dominical. 

CABRAL, Elienai. Movimento Pentecostal, as doutrinas da nossa Fé. Rio de Janeiro: CPAD, 2001.

CESAREIA, Eusébio. História Eclesiástica. Rio de Janeiro: CPAD, 2014.

CHAMPLIN, Russel Norman. Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. São Paulo: HAGNOS, 2004.

GILBERTO, Antônio. Lições bíblicas. 2 Trimestre de 2009. Rio de Janeiro: CPAD, 2009.

HORTON, Stanley M. Teologia Sistemática. Rio de Janeiro: CPAD, 2005.

MESQUITA, Antônio. Mensageiro da Paz. Rio de Janeiro: CPAD, 2004.

MENZIES, Robert P. Pentecostes, essa história é a nossa história. Rio de Janeiro: CPAD, 2016.

OLIVEIRA, Raimundo de Oliveira. As grandes doutrinas da Bíblia. Rio de Janeiro: CPAD, 2013. 

RENOVATO, Elinaldo. Dons espirituais e ministeriais. Rio de Janeiro: CPAD, 2014.

SOARES, Ezequias. Declaração de Fé das Assembleias de Deus. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.