Mostrando postagens com marcador Interessante. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Interessante. Mostrar todas as postagens

14 de agosto de 2018

Três dificuldades de um cristão com a Bíblia e como lidar com elas




Por Everton Edvaldo.

Introdução: Desde cedo, a humanidade têm dificuldades com relação à entender a si mesmo e ao outro. Todavia, muitas vezes essa dificuldade parte de um desinteresse particular do indivíduo. Acontece que há outros indivíduos que até conseguem entender, mas têm dificuldades em executar o que foi entendido. É bastante comum isso acontecer entre nós. Pois bem, quando se trata da Palavra de Deus, as dificuldades aumentam expressivamente. Isso é natural, pois, estamos lidando com um livro, muito antigo cujo seu último autor- para se ter ideia-  viveu há XX séculos. Nesse tempo, a cultura, a linguagem, e os costumes eram bem diferentes. Portanto, hoje, quais seriam essas dificuldades e como lidar com elas? Bem, neste artigo vamos tratar de três ... Boa leitura!

I- A dificuldade de ler o que está escrito.

Hoje, a leitura é indispensável para o processo de alfabetização e aprendizado do indivíduo. Sabe-se que pela leitura, podemos adquirir conhecimento e que através dela, também melhoramos nossa escrita e comunicação. Ou seja, qualquer um que queira ser bem-educado, falar, compreender e se comunicar bem, precisa ler! Logo, percebemos claramente que ela é extremamente importante para nós.

No que diz respeito à Palavra de Deus, muitas dificuldades surgem. Isto significa que não é fácil ler a Bíblia, mas um grande desafio e isso se dá por algumas razões:

Primeiro, a Bíblia (nas traduções para a Língua Portuguesa), está condicionada a uma série de limitações e obstáculos que vão desde a linguagem, até à diagramação que ela foi sujeita e publicada. Além disso, existem algumas traduções cuja linguagem ou é difícil ou desatualizada. Outras, possuem uma letra pequena demais para serem lidas, etc. Tais coisas, acabam dificultando e fazendo com que as pessoas percam o hábito pela leitura da Bíblia.

Uma segunda dificuldade que podemos abordar aqui é a do desinteresse. Muitas pessoas não têm interesse em ler a Bíblia. Não que ela não seja interessante, mas sim porque a pós-modernidade trouxe consigo ocupações, estresses e entretenimentos que acabam preenchendo nosso tempo. Isto é, quando não estamos trabalhando, estamos ocupados com outras coisas. Há também aqueles que não leem a Bíblia porque (embora ela não seja), acham ela desinteressante mesmo. Sem falar nos cristãos que não leem a Bíblia porque pensam que já sabem demais sobre Deus, ou por outro lado, têm aqueles que quando vão lê-la, não entende-a, desistem e optam por ouvir pregações na sua igreja, ou em rádios, isto é, preferem "comer o pasto já mastigado", "pegar a receita já pronta'', ou em outras palavras: aprender através de terceiros.

Um último ponto que abordaria aqui seria a dificuldade daqueles que não tiveram uma boa educação secular no ensino fundamental e médio.

Sim, uma parcela de cristãos não teve uma boa educação secular na infância e são analfabetos funcionais. Entretanto, esse obstáculo pode ser vencido e, embora o caro leitor não esteja passando por isso, há quem passe e necessite da sua ajuda.

Eu costumo afirmar que a leitura constante da Bíblia, já elimina 25% das nossas dúvidas com relação a Deus, a fé e à salvação. Então é de suma importância que o cristão crie esse hábito, e isso inclui obviamente aqueles que não leem a Bíblia por se sentirem impotentes intelectualmente. 

Então aqui vão algumas dicas para quem sente dificuldade com a leitura bíblica.

Primeiro, pegue gosto pela leitura! Isso não é algo fácil. É um cultivo diário e vai exigir muita perseverança da parte do cristão até que a leitura da Bíblia se torne um hábito! Eu posso compartilhar uma experiência particular: Eu aprendi a ler um pouco tarde: com 8 anos. Aos 15, eu ainda não tinha gosto pela leitura! Achava a leitura (de qualquer livro) entediante. Quando me converti e passei a ler a Bíblia, fiz disso um hábito e peguei gosto pela leitura até hoje, de modo de gosto de ler não só a Bíblia e livros cristãos, mas também outros tipos de literatura. Se funcionou comigo, com certeza vai funcionar com você!  A perseverança aqui é extremamente fundamental e é a chave para o êxito.

Segundo, se o cristão ainda não sabe ler, não deve desistir e ''jogar a toalha''. Vários cristãos já testemunharam que aprenderam a ler, lendo a Bíblia. Não é maravilhoso isso? Certa vez um irmão testemunhou que chorava ao tentar ler a Bíblia de joelhos até que conseguiu e aprendeu a ler! Isto nos prova que nunca é tarde para recomeçar, não importa a idade! Se você precisar de ajuda peça, e se você pode ajudar alguém, ajude. Hoje, existem muitos vídeos no YouTube que podem lhe fornecer ferramentas para isso.

Terceiro, reserve um tempo diário para a leitura! Não adianta querer ler, saber ler e não ter tempo para ler a Bíblia. No mínimo, tire 15 minutos do seu dia para fazer isso e exercite. 

Quarto, use uma tradução que lhe ajude a ler, não que dificulte. Uma que tenha uma letra do tamanho ideal para a sua visão e cuja diagramação favoreça o seu gosto pessoal.

Quinto, procure um lugar da casa, do trabalho ou da escola calmo e propício para você se concentrar! Tenham em mente que o ambiente, a iluminação e até mesmo as cores da parede podem influenciar positiva ou negativamente. Por isso, a escolha do local é de suma importância.

Sexto, leia devagar. Uma leitura apressada só atrapalha e deixa muito a desejar.

Sétimo, leia com foco e propósito, pois, sem objetivo não chegamos a lugar nenhum!

II- A dificuldade de entender o que está escrito.

"Não entender" a Bíblia não está condicionado somente à questão de alfabetização. Existem outros fatores que contribuem para isso. Por exemplo: estamos diante de 66 livros, escritos por mais ou menos 40 pessoas, num período de 16 séculos, e em três línguas diferentes. É claro que isso dificulta nosso entendimento.

A menos que você seja um superdotado intelectualmente, hoje, é impossível entender exatamente todos os versículos da Bíblia. Mas apesar disso, ela foi escrita para que possamos entendê-la. É verdade que jamais entenderemos tudo que está escrito nela, mas aquilo que é crucial para nossa salvação e modo de vida aqui na terra, está ao nosso alcance e disponível para quem o busca através do estudo e da oração.

Porque esses dois? Bem...

A primeira coisa que devemos ter em mente, quando estamos lendo a Bíblia, é que ela é um livro "divino-humano". Por isso, precisamos ter intimidade com esses dois elementos.

Partindo desse princípio, a primeira coisa a fazer é orar! Sim, orar a Deus para que O autor Supremo possa estar lhe abrindo a mente afim de que você compreenda Sua mensagem. A oração deve regar toda a nossa busca pelo conhecimento e ao fazer isso com fé, o Senhor tratará de nos ajudar. Amém?

Em segundo lugar, o estudo! Esse é um caminho que tem um custo a se pagar. Exige disposição, tempo, concentração e até mesmo dinheiro. Só nesse ponto, eu poderia discorrer páginas e páginas sobre como podemos estudar a Bíblia de forma efetiva, mas já existem excelentes livros discorrendo sobre esse assunto. Aqui serei genérico e prático quanto às dicas e opções. Vamos lá?

a) Leia versículos devagar e caso não os entenda, leia de novo.

b) Marque termos/palavras-chave intrigantes e pesquise seus significados de acordo com a língua original. Depois disso, reflita sobre seus significados à luz do contexto da passagem ou do livro. Para isso, é bom ter em mãos um dicionário bíblico para o auxílio.

c) Faça perguntas ao texto que está lendo e estudando. Faça várias, ex: O que o texto diz? Quando foi escrito? Para quem foi escrito? Porque foi escrito? Quem foi fulano de tal? Etc. Isso te ajudará a entender o contexto histórico e cultural da passagem e do livro, e lançará luz à compreensão da passagem em foco.

d) Leia Bíblias de Estudo. No modo geral, te ajudam a entender as doutrinas básicas das Escrituras.

e) Compre bons livros que falem sobre a Bíblia. Livros de Teologia Sistemática; Teologia Bíblica do Novo Testamento, Teologia Bíblica do Antigo Testamento; Exegese, Hermenêutica, etc. Livros que tratem da cultura e da geografia bíblica também são bons.

f) Medite! Sem reflexão, o estudo fica seco e a compreensão obliterada.

g) Por fim, não deixe de ir aos cultos de doutrina/ensino e escola dominical da sua congregação. Sim, seu pastor ou professor pode contribuir muito para seu aprendizado!

III- A dificuldade de colocar em prática o que está escrito.

Praticar a Palavra de Deus é ainda mais difícil que todas as outras coisas que abordamos acima, pois ela não massageia o nosso ego. Pelo contrário, denuncia nossos pecados e atesta contra nossa natureza. Podemos até escolher uma interpretação que encubra nossas práticas ou justifique elas de modo que suavize nossa culpa, mas jamais mudar o que está escrito e o que está escrito várias vezes atesta contra nossa natureza. Por isso, temos uma geração de crentes que lê, e até entende a Bíblia, mas não coloca suas palavras em prática.

Na época de Jesus, haviam os fariseus. Estes, eram conhecidos por serem doutores da lei. Conheciam o Antigo Testamento de capa a capa, memorizado. Todavia, suas atitudes mostravam que eles não eram praticantes do que conheciam. Jesus nos alertou contra isso várias vezes nos evangelhos, mas nem sempre, não praticamos as Escrituras por que somos hipócritas. Existem outros fatores como por exemplo:

Fé enfraquecida, desânimo, falta de forças, frustração com algo ou alguém; mágoa no coração, medo, etc. Por isso, essa é uma área muito delicada.

Pois bem, aos que querem colocar em prática e possuem esse desejo de agradar a Deus, deve entender que esse processo leva tempo, é diário, progressivo, doloroso, angustiante, mas glorioso e gratificante, pois Deus está conosco e nos cercará de todas as condições necessárias para que possamos vencer e viver o que está Escrito, mesmo com nossas fraquezas.

Tentações virão, desânimo também, mas o Senhor proverá o escape! Ele também nos revestirá de forças e usará sua própria Palavra para revigorar nosso ser e nos encher de alegria.

Por isso, tenha em mente que você não está só nessa guerra. Deus, o Espírito Santo e Cristo, irá orientar e capacitar os seus servos para vencer a sua natureza, o mundo, e o diabo. Se ele venceu na cruz, é certo que nEle, nós já somos mais que vencedores. Mas antes de finalizar, vamos às nossas dicas:

a) Ore. A oração deve estar presente desde o processo de leitura, à parte prática. A oração é o oxigênio da alma! É impossível viver uma de comunhão com Deus sem orar!

b) Jejue. O jejum nos disciplina e humilha nosso ego. Porém, o jejum deve ser feito de forma correta e sincera e não torturante.

c) Comunhão com os santos. Sim, pedir ajuda aos outros, congregando e partilhando das bênçãos espirituais fará com que você se sinta motivado a também viver a Palavra de Deus.

d) Busque a comunhão com o Espírito Santo. Este, irá te dotar com dons espirituais e poder do céu contra as hostes malignas.

Conclusão: Mais que simplesmente mostrar os problemas, este artigo foi escrito também para mostrar algumas alternativas que podemos usar para melhorarmos o nosso relacionamento com a Palavra de Deus e com o Deus da Palavra. Então caro leitor, dificuldade não é sinal de derrota, mas de oportunidade para vencer, crescer e se desenvolver. Se se levantou um "Golias" na sua vida, você pode vencê-lo. Hoje, eu tenho uma visão melhor das Escrituras, mas isso não foi algo que veio de um dia para o outro. É uma construção! O ouro, todos podem achar, mas só o encontra aquele que o busca, cava e soa. Deus está nessa peleja com você, portanto, não demore em pegar sua Bíblia e começar a ler! Deus abençoe a todos!

18 de fevereiro de 2018

Estudando o Episódio do Bezerro de Ouro



Por Everton Edvaldo

Leitura bíblica: Êxodo 32.1-14

Introdução: As passagens bíblicas estão repletas de ensinamentos e de detalhes que revelam verdades a respeito de Deus e de nós. Quando nos dedicamos e nos aprofundamos em estudar as Escrituras, entendemos que aquilo que aconteceu no passado de alguma forma traz impacto para nossa vida no presente. Hoje estudaremos a passagem que fala do "Bezerro de Ouro." Todavia, antes vamos apresentar um panorama do livro de Êxodo afim de elucidar e de nos situarmos dentro da passagem ao qual estudaremos; depois veremos o contexto histórico em que Êxodo 32.-14 está inserido e por fim, quais lições e verdades práticas podemos extrair a partir desta passagem. Boa leitura!

I- PANORAMA DO LIVRO DE ÊXODO:

1. Quem escreveu? (Autor). A tradição judaica aponta Moisés como o escritor da Toráh (os 5 primeiros livros da Bíblia), incluindo Êxodo (Saída).

2. Quando escreveu? (Data). Os estudiosos mais conservadores datam a escrita de Êxodo por volta de mais ou menos 1445-1405 a.C.

3. Para quem escreveu? (Destinatário). Embora atualmente tenha alcançado milhares de pessoas em todo o mundo, é sabido que o público alvo primário de Êxodo eram os judeus e a sua posteridade, isto é, o povo Israelita.

4. Onde Escreveu? (Lugar). É quase unânime entre os estudiosos, a afirmação de que Moisés escreveu o livro de Êxodo no deserto.

5. Porque escreveu? (Propósito). De modo geral, podemos falar que o propósito de Moisés ao escrever o livro de Êxodo foi registrar e revelar a vontade de Deus para os israelitas com o objetivo de que eles passassem a observar as leis que o SENHOR os havia entregado.

6. Assuntos principais. São vários os assuntos abordados por Moisés, entretanto vamos destacar aqui apenas dois:

A) Libertação do povo de Israel (Saída do Egito).

B) Estabelecimento das leis (Cerimoniais, Civis e Morais).

II- CONTEXTO HISTÓRICO:

Entraremos agora em Êxodo 32 propriamente dizendo, e para compreendermos a passagem, vamos pintar um pouco do cenário daquela época, respondendo algumas perguntas:

Onde Moisés estava? O versículo 1 localiza Moisés no monte (chamado de monte Senai em Exôdo 19.18 e Horebe em Deuteronômio 4.10-15).

O que ele estava fazendo no monte? Moisés não estava ali sem razão, mas sim porque Deus o convocou para anunciar aos Israelitas a sua vontade (Êxodo 19.1-25).

E o povo de Israel, onde estava? Êxodo 19.17 informa que Moisés levou o povo para fora do acampamento e eles ficaram na base do monte. (Cf Ex 20.21).

Desde o capítulo 19 até o 32, o cenário gira em torno deste episódio que durou 40 dias e 40 noites (Êxodo 24.18).

A Bíblia diz que vendo que Moisés demorava para descer, o povo de Israel pediu para que Arão (seu irmão) fizesse um deus que fosse à frente deles, pois não sabiam o que havia acontecido a Moisés. Então Arão pediu que entregassem seus brincos de ouro e recebendo-os derreteu, fazendo um bezerro de ouro e declarou que este os havia tirado da terra do Egito. E mais, fez um altar e disse: Amanhã haverá festa ao SENHOR. No outro dia, se levantaram cedo e sacrificaram ao bezerro de ouro e depois se divertiram.

Porque o povo fez isso? A resposta é simples! Lembremo-no de que Israel passou mais de 400 anos no Egito, e apesar de não habitar no meio dos egípcios, sofreu consideráveis influências por parte deste povo. Para Israel, Moisés (o profeta de Deus, ou seja, alguém responsável por trazer a voz de Deus ao povo), representava o próprio Deus entre eles, e uma vez que Moisés havia sumido, eles se viram sem Deus à frente deles, por isso, sem líder e sem Deus, pediram para Arão fazer um deus para si para que fosse à frente deles. Isto porque a mentalidade daquela época era: um povo sem uma divindade é um povo entregue à ruína.

Interessante que nem mesmo as claras leis de Deus contra a idolatria foram obedecidas mas negligenciadas e esquecidas. 

Fazendo um deus para si, Israel:

A) Quebra um acordo oral feito há poucos dias com Deus (Êxodo 19.7).

B) Quebra dois dos dez mandamentos (Êxodo 20.3-5).

C) Quebra a lei de oferecer sacrifícios somente ao Senhor, pecado este inclusive digno de morte (Êxodo 22.20).

III- O DIÁLOGO DE DEUS COM MOISÉS:

Então Deus relata a situação a Moisés (que estava monte e não sabia o que estava acontecendo). Deus fala que Israel havia se corrompido e desviado do caminho que Ele havia ordenado e que este povo era muito obstinado.

O termo usado por Deus para "corrompeu" é sahath e significa aqui "deteriorado", "arruinado", "perdido", "prejudicado", "danificado", "pervertido", "corrupto".

Para "desviado", ele usa sur que significa "rebelado", "afastado", "deixou de lado", "virar-se", "dar as costas", "ir embora", "partir".

Dito isto, Deus propõe a Moisés que deixasse que Ele destruísse Israel e fizesse dele uma grande nação. Quanto a este ponto, não cabe a nós neste estudo, entrar no mérito de como esse tipo de linguagem de Deus de pedir a Moisés que deixasse-o destruir Israel não entra em choque com a soberania dEle. O ponto crucial aqui não é este mas sim: Deus estava para destruir Israel.

Então a Bíblia diz que Moisés suplicou, ou seja, intercedeu ao Senhor seu Deus e agora vamos mostrar quatro argumentos que Moisés usou para que Deus nao destruísse Israel:

1- Moisés pergunta porque Deus destruiria o seu povo? (v. 11). Deus disse no versículo 7 que povo era de Moisés, e no versículo 11 Moisés diz que o povo era de Deus. É como se Moisés tivesse dizendo: porque o SENHOR se ira? O SENHOR é que é o proprietário deles e não eu. Não é qualquer povo que está jogo, é o teu povo! 

2- Moisés pergunta porque Deus destruiria o seu povo que Ele mesmo tirou do Egito com grande força e com mão forte? (v. 11). No versículo 7, Deus diz que Moisés tirou o povo do Egito, mas no versículo 11, Moisés diz que foi o SENHOR quem os tirou de lá com mão forte (cf Êxodo 19.4; 20.2; 29.46). Ou seja, como irás destruir o teu povo que o Senhor mesmo tirou da terra do Egito com mão forte?

3- Moisés pergunta porque Deus permitiria que os egípcios dissessem que Ele tirou os israelitas de lá para fazer o mal e matá-los (v. 12). 

Até aqui podemos extrair algumas lições para nossas vidas.

A primeira é no que diz respeito a ausência de Moisés entre o povo de Deus. Ou seja, a ausência de um homem de Deus dá oportunidade para o caminho da corrupção. Este é um princípio válido para os dias de hoje. Porque será que muitas igrejas estão se corrompendo? Porque os homens de Deus estão distante das suas dores e das suas necessidades. Homens de Deus precisam estar perto das suas ovelhas.

Outra coisa: Pior que ter homens de Deus distantes é ter homens por perto que contribuem para a corrupção do povo. Este é o caso de Arão que devia repreender o povo porém satisfez seus desejos. Muitos líderes da atualidade dão ao povo o que eles gostam e não o que Deus quer. Triste este tipo de comportamento porque a vida de um líder influencia a vida dos liderados direta e indiretamente. Este é o caso por exemplo da monarquia de Israel, onde a saúde espiritual do rei refletia na saúde espiritual do povo.

A segunda lição diz respeito a Deus estar observando os atos de Israel enquanto Moisés estava no monte. Isto é, todas as nossas ações são observadas por Deus e nada escapa dos seus olhos. E mais: toda ação humana tem uma reação divina. Atentemos seriamente para esta verdade, pois nada foge dos olhos de Deus.

A terceira lição que podemos extrair, é quando Moisés vai interceder num momento delicado. Mais adiante veremos como a intercessão é importante, mas veja como Moisés se comporta diante de uma situação adversa. Isto vale como exemplo para nós, isto é, devemos  sempre recorrer ao Senhor quando "a coisa ficar preta", principalmente quando algo se levantar para ameaçar nosso futuro.

A quarta lição, é quando Moisés diz que o povo é de Deus e que foi ele que os tirou do Egito e não incentiva Deus a destruir o povo de Israel para fazer dele uma grande nação. Aqui, Moisés abre mão de qualquer mérito e privilégio em razão da ruína dos outros. Apesar de Moisés ter sido chamado para ser líder, claramente podemos notar que ele tinha um coração de servo. Que exemplo memorável! Quantas pessoas hoje em dia que para crescer, estão dispostas a ver o mal e a queda de alguém. Moisés não queria ver a queda do seu povo, mas a sua restauração. 

No final do terceiro argumento Moisés diz para Deus:

"Volta-te da tua ira ardente e arrepende-te desse castigo contra o teu povo." (v. 12).

Isto revela o nível de intimidade que Moisés tinha com Deus. Vale lembrar que esse tipo de linguagem só foi usava por Moisés porque o próprio Deus se colocou a disposição dEle. Isto é totalmente diferente das pessoas que hoje querem ensinar Deus a trabalhar e isto geralmente, é feito da pior maneira possível: não possuem intimidade, não sabem dialogar com Deus e fazem tal prática de forma irreverente.

Então, o que está escrito neste versículo não nos encoraja a ensinarmos Deus a trabalhar, mas a termos um nível de intimidade tão grande com Ele a ponto de quando Ele se colocar à nossa disposição, nós apresentar-mos os nossos argumentos perante Ele. Notou a diferença?

As palavras de Moisés também estão recheadas de um pouco de coragem e também de ousadia. Ao que tudo indica no texto, Deus não se incomodou com as palavras dele.

4- Moisés fala para que Deus lembre-se de Abraão, de Isaque e de Jacó. Ele jurou que multiplicaria a descendência deles como as estrelas do céu. Aqui Moisés está colocando em evidência e como argumento final a questão da incondicionalidade da promessa de Deus feita aos patriarcas. É como se ele estivesse dizendo: foi a eles que o SENHOR jurou que iria multiplicá-los e não a mim, eu estou apenas inserido nesta promessa.

O versículo 14 é incrível! Fala que o Senhor se arrependeu do castigo que disse que traria ao seu povo, derramando mais uma vez a sua misericórdia sobre eles. Ou seja, Deus atendeu a intercessão de Moisés, não primariamente por amor a ele, mas sim em razão do amor pelo seu próprio nome e caráter e por fim e não menos importante, através da súplica do seu servo. 

O que podemos aprender com tudo isso?

Primeiro, que não importa qual seja o problema, quem tem intimidade com Deus encontra solução Nele para todo e qualquer tipo de ameaça que surgir. 

Segundo, a nossa comunhão com Deus gera efeitos em Deus, em nós e nas pessoas que estão ao nosso redor. Lembre-se que a petição de Moisés foi atendida, de maneira que Deus deixou de fazer o que estava para fazer, ou seja, surtiu efeito em Deus. Também surtiu efeito no próprio Moisés que passou a enxergar Deus ainda mais grande e misericordioso e por fim, no povo que iria ser destruído e não foi. Assim é na nossa vida, a oração de um justo pode muito em seus efeitos (Tg 5.16). Portanto, caro leitor, interceda, faça o que está ao seu alcance e deixe os resultados com Deus. As tuas orações (quando atendidas), surtem efeitos em Deus, em você e nas pessoas que estão ao seu redor seja na sua família ou não.

Terceiro, o Deus ao qual nós servimos leva em consideração as nossas palavras e se dispõe a derramar da sua misericórdia sobre nós novamente.

O povo era digno de ser destruído pois havia transgredido os mandamentos de Deus, todavia Ele optou por usar da sua misericórdia sobre eles novamente. Se Deus tivesse destruído Israel e quisesse levantar de Moisés uma grande nação, não estaria incorrendo em nenhum erro, mas satisfazendo a sua justiça imediata. Contudo, sua misericórdia se mostrou ativa no momento em que os israelitas mais careciam dela.

Este é um claro exemplo de que devemos interceder por aqueles que necessitam de misericórdia, principalmente por aqueles que estão no mundo sem salvação e já estão condenados.

A passagem começa com corrupção e termina com misericórdia para mostrar que a restauração de Deus está ao nosso alcance.

Conclusão:  Sem dúvida, o foco dessa passagem está na intercessão. A intercessão de quem tem intimidade abre as portas para que a solução de Deus desça sobre os problemas que surgem. Por isso, não importa qual seja a dificuldade que esteja na sua vida, ore! Deus está de prontidão para te atender e melhorar o seu relacionamento com Ele. Que Deus te abençoe!

6 de janeiro de 2017

Mark Zuckerberg não é mais ateu



O fundador do Facebook, que era anteriormente identificado como um ateu, revelou na semana passada uma informação que chocou muitas pessoas. Isto porque Zuckerberg postou uma mensagem curta no Facebook desejando a seus seguidores um Feliz Natal.

Um de seus devotos fãs questionou suas opiniões religiosas, escrevendo em um comentário: "Você não é ateu?" Então Zuckerberg respondeu:

"Não. Eu fui criado judeu e depois passei por um período em que eu questionei as coisas, mas agora eu acredito que a religião é muito importante ", escreveu ele.

7 de outubro de 2016

"TAL PAI, TAL FILHO"


por Everton Edvaldo

É incrível como as palavras tem um "poder" de repercutir por centenas de gerações. É muito comum ouvirmos o ditado popular: "tal pai, tal filho."

Parece algo simples, que se popularizou em nosso meio, e que é próprio da nossa cultura, mas quem pensa assim está enganado. Não se sabe ao certo quando esse provérbio apareceu. O que se sabe é que há mais de 2.600 anos ele já era presente na cultura judia.

A expressao: "Tal pai, tal filho", tende a demonstrar que os filhos em geral reproduzem as qualidades e os defeitos paternos. Luis de Camões (poeta português) no século XVI a usou em sua obra: "Os Lusíadas."

Em francês, também existe o mesmo provérbio: "Tel père, tel fils." Em português, o ditado ganhou novos contornos e até um novo jeito de se comunicar, por exemplo: "Filho de peixe, peixinho é."

No livro do profeta Ezequiel, Deus vaticina esse provérbio para o povo hebreu, mantendo o princípio e mudando apenas o gênero:

"Eis que todo o que usa de provérbios usará contra ti este, dizendo: tal mãe, tal filha." (Ezequiel 15.44).

Este ditado é algo que tá implícito na mente das famílias no mundo inteiro. É antigo, mas não perdeu a maestria. Continua sendo comunicado de forma oral ou escrita.

Ao que parece, esse é um dos ditados que tem o potencial de marcar gerações. Se continuar assim, vai perdurar nas nossas mentes por muito tempo. Não sabemos quem escreveu ou quem foi o primeiro a dizer este provérbio . O que temos certeza é que ele se eternizou.