24 de maio de 2018

A queda de Jericó


Por Everton Edvaldo

Leitura Bíblica: (Josué 6.1-27).

Introdução: O relato da conquista de Jericó é mais permeado de lições do que possamos imaginar. Isto porque nessa passagem da Bíblia, tão comumente pregada nas igrejas, podemos ver o quanto Deus estava engajado para dar a terra de Canaã a seu povo, a saber: Israel. Esta cidade, que tem sido alvo de controvérsias históricas e arqueológicas, um dia foi alvo da ação providencial de Deus. A Conquista de Jericó é pré-anunciada em Josué 5.13-6.2 e é um evento que precede todas as outras conquistas descritas no livro de Josué. No estudo de hoje, veremos qual o contexto histórico presente naquela época, bem como o que aconteceu e de que forma isso traz impacto para nossas vidas. Faremos isso debaixo da graça de Deus, trazendo ao longo de todo o estudo, informações valiosas e aplicações espirituais e práticas. Boa leitura!

I- CONTEXTO HISTÓRICO:

Como toda passagem das Escrituras, esse relato em Josué 6 não deve ser lido, à parte do contexto histórico e bíblico da época. Isto significa que "a conquista de Jericó" não é uma ação de mero "capricho" de Deus. Existe uma causa para Deus ter entregado Jericó nas mãos de Josué e do povo de Israel, mas antes, permita-me falar brevemente sobre o contexto histórico e cultural, para depois disso, entrarmos nos detalhes e aplicações da passagem.

1. Finalmente às "portas" de Canaã! Este era o cenário de Israel nos dias de Josué. Uma nova geração, um novo líder, uma nova terra e obviamente, novos desafios. 

Tudo começa com Deus levantando e encorajando Josué a fazer o povo de Israel tomar posse da terra de Canaã¹. Então Josué prepara o povo para passar o Jordão. Depois disso, ele sabiamente envia espias que foram observar a cidade de Jericó. No retorno dos espias, um relatório da terra é transmitido a Josué e ele os faz atravessar o rio Jordão.

Acontece que os reis amorreus e cananeus estavam morrendo de medo , sem ânimo por causa dos israelitas (Josué 5.1,2). Então os israelitas se circuncidaram e celebraram a páscoa. É nesse contexto, que um ser celestial aparece a Josué e ordena que este conquiste a cidade de Jericó.

2. Jericó, que cidade era esta? Localizada às margens do rio Jordão, Jericó é considerada por boa parte dos estudiosos, como sendo a cidade mais antiga do mundo (9.000 a.c).² Nos dias de Josué, era habitada por cananeus e tinha uma infra-estrutura bastante organizada e definida. A Bíblia não diz a quantidade de pessoas que residiam em Jericó, mas deixa bem claro que ela era uma fortaleza. Logo, supõe-se que esta cidade abrigava um bom número de pessoas, pois, fortalezas eram formadas para proteger de possíveis inimigos futuros, a cidade, a população e o patrimônio individual e coletivo, algo que não precisaria se Jericó fosse um povoado ou aldeia com uma pequena população.

Segundo Donald K. Campbell "Na época [de Josué], a cidade de Jericó ocupava uma área de cerca de quarenta mil metros quadrados (200 x 200 metros), e eram necessários menos de trinta minutos para circundar a cidade”  (apud CHAMPIN, p. 921).


Diferente  de um simples povoado, Jericó tinha um rei, e homens guerreiros (essa expressão traz consigo a ideia de que eles eram experimentados em guerras). O erudito R.N. Champlin nos informa que "Jericó tinha um forte rei vassalo e homens valentes, que em si mesmos eram matadores experimentados e brutais ..." (CHAMPLIN, p. 920).

A situação moral. Jericó era a primeira e talvez a pior de todas as cidades de Canaã. 

3. A aparição do ser celestial. A Bíblia fala que estando Josué à frente de Jericó, apareceu-lhe um ser afirmando ser comandante do exército do SENHOR (cf. Josué 5.13-15). A partir daí, começa um diálogo que desencadeia numa série de instruções dadas pelo comandante à Josué. Interessante que Josué demostrou coragem ao ir ao seu encontro. Lembre-se que Deus havia dito a ele:

"Seja forte e corajoso, porque você conduzirá esse povo para herdar a terra que prometi sob juramento aos seus antepassados. Somente seja forte e muito corajoso!" (Josué 1.6,7).

Às margens de Jericó, Josué é um homem de coragem! Reflita comigo: poderia ter sido ali um dos soldados de Jericó, vindo para afrontá-lo ou até mesmo matá-lo. Mesmo não sabendo quem e de onde era este ser, Josué foi ousado ao ir ao seu encontro. Resultado: ele vê diante de si o príncipe do exército do SENHOR.³

Henry faz uma observação bastante pertinente quando diz: ''Até aqui, temos observado Deus falando com frequência a Josué, mas não lemos, até esse ponto, acerca de qualquer aparição da glória de Deus a ele. Agora que suas dificuldades aumentaram, seu ânimo aumentou proporcionalmente.'' (HENRY p. 22). Ou seja, Josué não desanima quando as dificuldades aumentaram. Isto, certamente, é um exemplo a ser seguido.


Bem, o que Josué estava fazendo à frente de Jericó? Não sabemos, a Bíblia não diz! Apesar disso, Matthew Henry especula:

"Lá, pelo que parece, ele estava sozinho, destemido de qualquer perigo, porque estava seguro da proteção divina. Lá, ele estava (alguns pensam) meditando e orando. E àqueles que estão envolvidos dessa forma, Deus freqüentemente se manifesta de maneira graciosa. Ou talvez ele lá estivesse dando uma olhada na cidade, para observar suas fortificações e planejar como atacá-la. E talvez ele estivesse absorvido em como conquistar a cidade, quando Deus veio e o orientou." (HENRY, p. 22).

No tempo presente, enfrentamos batalhas e dificuldades todos dias. Todavia, ter coragem é imprescindível para quem deseja chegar no fim da luta tendo êxito. Quem é corajoso tem outra visão acerca dos problemas! Ele não se sente intimidado e desesperançado diante das barreiras, mas constantemente, tem a percepção de que a solução está no SENHOR. Na caminha com Deus, a coragem nos leva para novos horizontes.

Continuando, quando Josué soube quem era o ser que havia aparecido a ele, pergunta: Que mensagem o meu senhor tem para o seu servo?" (v. 14). Ao dizer isto, fica claro que além de corajoso, Josué tinha outras virtudes como: humildade e submissão. Era ele que naquele momento era o líder de Israel, o seu general. Contudo, não demorou muito para perceber que acima de si, havia um comandante supremo. O general da terra tinha um general do céu ao seu favor. Isso faria toda a diferença no futuro da nação de Israel.

II. DEUS DÁ AS COORDENADAS.

1. Jericó estava fechada.

Em Josué 6.1, o autor do livro começa descrevendo que Jericó estava rigorosamente fechada. O motivo era por causa dos filhos de Israel e como resultado, ninguém saía nem entrava.


Segundo o Comentário Bíblico Beacon, Jericó "operava na base de que se os portões fossem cuidadosamente guardados, Israel seria incapaz de entrar na cidade. Cerrada tem o sentido de “fechada”. O termo abrange a ideia de que os portões estavam fortemente trancados." (BEACON p. 40).


Imagine a cena: O rei manda os soldados trancarem a cidade. Os habitantes se desesperam! Quem está fora não entra, e quem está dentro não sai. Só restava uma esperança: ficar debaixo da proteção dos muros da cidade. Eles tinham certeza de que enquanto elas estivessem de pé, a segurança estaria garantida. Isto significa que toda expectativa de salvação havia sido projetada na força das suas muralhas. Ao fechar a cidade, o rei pensou que evitaria um possível e futuro "desespero público".


Champlin comenta: "Ninguém podia entrar ou sair da cidade, a fim de dificultar ao máximo a conquista por parte dos filhos de Israel. A defesa da cidade era tão absoluta que somente a perda de um grande número de vidas poderia resultar na conquista da cidade fortificada. (...) Os Targuns dizem-nos que os portões de Jericó eram fortificados com barras de ferro e de bronze." (CHAMPLIN p. 920).


2. Deus entrega Jericó a Josué.

"Então o Senhor disse a Josué: "Saiba que entreguei nas suas mãos Jericó, seu rei e seus homens de guerra." (v. 2)


Vejamos o que Deus entregou a Josué:


a) "Jericó". A cidade onde está o povo e as muralhas.


b)"o rei". A maior autoridade, liderança e poder da cidade e do povo.


c) "os seus guerreiros", isto é, o exército, a força física e militar da cidade.


Podemos perceber que o rei e o exército de Jericó compunham as "defesas humanas e físicas", enquanto que as muralhas representavam as "defesas materiais". Juntos, eles formavam "a cidade de Jericó". Ao dizer que estava entregando  nas mãos de Josué, Jericó, o rei e seus guerreiros,  Deus estava dando a certeza de que a vitória seria completa/total e não parcial, isto é, nenhum tipo de defesa, recurso e socorro da cidade resistiria ao poder de Deus.


Outro detalhe interessante que podemos notar aqui é que a vitória já estava entregue à Josué, todavia, efetivamente, eles só iriam desfrutá-la depois de 7 dias, ou seja, no tempo determinado pelo SENHOR. Isto significa que embora o resultado não viesse de imediato, a vitória já era certa! Na vida cristã, muitas vezes não vemos de imediato, o resultado, a concretização das bençãos e vitórias do SENHOR na nossa vida, porém, isso não se constitui um motivo para desanimarmos e desfalecermos na fé. Devemos entender que embora Deus seja atemporal, (ou seja, esteja fora do tempo humano e de forma alguma está sujeito à ele), não abre mão de utilizar o tempo humano para  cumprir seus  objetivos e propósitos. Se Deus disse que a vitória só seria desfrutada após "7 dias", não espere que isso seja cumprido no "terceiro, quarto ou quinto dia". O SENHOR sabe como trabalhar na vida dos Seus e também costuma usar o tempo para moldar e amadurecer a nossa paciência. Se Deus desse resposta imediata a todos os nossos problemas, certamente, o nosso íntimo cairia numa mesmice de vida com prejuízos irreparáveis e incalculáveis, difíceis até mesmo de enumerar aqui. Por isso, fiquemos cientes de que Deus trabalha no mínimo, com três tipos de resultados no tempo: a curto prazo, médio prazo e longo prazo. Seja lá qual seja o prazo que Deus determinou para que você desfrutasse de uma benção, o importante é que: "... em todas estas coisas somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou." (Romanos 8.37).


Continuando, o príncipe do exército do SENHOR começa a dar as coordenadas a Josué um dia antes da investida. Todas as recomendações, instruções e estratégias necessárias são transmitidas a Josué para que este repassasse ao povo (4). Não havia muito tempo para que o povo de Israel se preparasse fisicamente, psicologicamente e espiritualmente. Entretanto, o Deus que já havia garantido a vitória estava cuidando de tudo. Aqui podemos extrair uma lição para nós: Deus não costuma ordenar para irmos à guerra, sem antes nos dá instruções, estratégias e planos. Existe uma ação prévia de Deus em nós! Uma das piores coisas que pode acontecer na vida de um militar, é entrar num confronto sem um plano, ou aplicar na batalha um plano próprio (
que pode ter falhas e na maioria das vezes, é projetado apenas para si próprio e não traz resultado para todos os guerreiro) e não do seu superior (que tem uma visão bem mais abrangente e corporativa). Por isso, bom é entrar na guerra com os planos do SENHOR!

III- RODEAR A CIDADE CONTORNANDO-A UMA VEZ POR DIA, DURANTE 6 DIAS:


"Marche uma vez ao redor da cidade, com todos os homens armados. Faça isso durante seis dias. (v 3).


Agora são dadas as recomendações diretas (5). Neste versículo, Deus diz o que Seu povo deveria fazer. Veja que interessante, Deus poderia ter destruído Jericó sem exigir nada de Seu povo, porém, Ele não fez assim. Existia uma pluralidade de possibilidades onde Deus acabaria com Jericó (sem precisar de Israel) num piscar de olhos. Por exemplo: 


- Deus podia ter matado o rei

- Deus podia ter matado o exército do rei e o povo

- Deus podia ter incendiado a cidade

- Deus podia ter feito com que o terremoto destruísse tanto as muralhas, quanto matasse toda a população de Jericó.

Contudo, a realidade foi totalmente outra, pois Deus não fez nada disso, pelo contrário, Ele contou com a participação do Seu povo. Isso evidencia que não existe uma fórmula a qual Deus está preso na qual tenha que trabalhar sempre de uma única forma/maneira. Ele também usa Seu povo para manisfestar a sua própria glória. (6)

Outra coisa que podemos observar é que Deus não pede algo que esteja além das forças dos israelitas. Isto é, tudo que Deus pede a nós, é porque podemos, temos estrutura e condições de fazer. Sim, Deus só exige de nós o que podemos fazer. O impossível fica com Ele!

Prosseguindo com nosso estudo, uma das coisas que o povo deveria fazer era rodear a cidade (7), contornando-a por 6 dias. Conforme já vimos outrora, existe um tempo/ uma constante em que o povo deveria fazer isso. Esse tempo foi determinado pelo SENHOR. A participação do povo (especificamente dos homens de guerra) era em contornar a cidade e segundo o Comentário Bíblico Beacon, isso significa "cercar totalmente a cidade." (BEACON, p. 40). 


Observe: eles deveriam contornar o obstáculo que estava à sua frente. Esse é um dos primeiros passos, para quem deseja se apropriar da vitória do SENHOR. Se por enquanto não existem ou você não consegue visualizar as aberturas (como no caso de Jericó que estava totalmente fechada), a alternativa é contornar os problemas, dificuldades e desafios que estejam à sua frente. Esse tipo de atitude é um exercício que requer paciência, fé e coragem. Talvez você não tenha expectativa de chegar até o fim e de ter em suas mãos aquilo que Deus tem para você, porque acredita que a oportunidade não é real enquanto as portas estiverem fechadas, mas essa passagem de Josué nos mostra que contornar também é uma oportunidade! Aliás, são várias: oportunidade de não desistir/dar meia volta, de não se acomodar, de mostrar que confia no SENHOR, etc.



IV- O ENIGMA DOS QUATRO SETES:

"Sete sacerdotes levarão sete trombetas de chifre de carneiro adiante da arca; e no sétimo dia rodeareis a cidade sete vezes, e os sacerdotes tocarão as trombetas." (v. 4). (8)

Perceba que Deus diz:

• Quem deveria fazer isso (7 sacerdotes).

• O tempo (7 dias);

• A frequência (7x);

• O que eles deveriam levar (7 trombetas).

Ou seja, Deus diz o que eles vão levar, a quantidade, o que deveriam fazer e até o tempo. Este versículo está repleto de significados e aplicações. Por exemplo:

• Deus também tem Seus planos para nós

• Ele faz questão de revelar Seus planos para nós.

• Ele conta com nossa obediência para acatar o plano e executá-lo.

1- Os 7 sacerdotes:

Na época em que esse episódio aconteceu, haviam três grupos no meio do povo de Israel: os sacerdotes, os homens de guerra e o restante do povo. Os sacerdotes representam a liderança e a parte mais espiritual do povo, enquanto que os homens de guerra representam a força física de Israel. Interessante que Deus conta com todos os três grupos e tem um papel para cada um, mesmo não precisando efetivamente de nenhum deles.

Após ter dito qual seria o papel dos homens de guerra no versículo 3, Deus agora fala qual é o papel dos sacerdotes. Eles deveriam tocar as trombetas e levar  arca do SENHOR. (9)

Segundo Craig Keener:

"Os sacerdotes eram necessários para manter a santidade da arca. Seu papel era fundamental porque lembravam ao povo que a batalha era de Yahweh e não dos israelitas. ( KEENER p. 280).

Eles representavam a majestade divina diante do povo, e o povo diante de Deus. A presença de sacerdotes naquele contexto significava que Deus estava conduzindo Seu povo.

Porque "7"? A Bíblia não é clara nesta passagem quanto a isso, todavia inferimos a partir de outras passagens bíblicas, que nesta época, esse número já vinha ganhando um significado enorme entre o povo de Israel, e simbolizava a completude, a perfeição a exatidão divina.

Aqui as Escrituras nos mostra Deus trabalhando com a liderança do seu povo, em conjunto com eles.

2- As sete trombetas:

Segundo o Comentário Histórico-Cultural do Antigo Testamento:

"A trombeta mencionada aqui era feita de chifre de carneiro (shofar). O shofar era capaz de produzir uma variedade de sons, mas não tocava uma melodia; assim era usado primordialmente para emitir sons tanto na adoração como na guerra. O chifre de carneiro era amolecido na água quente, entornado e achatado para emitir sons diferentes." (KEENER p. 280-281).

Moody também explica:

" Sete trombetas de chifres de camelos. Literalmente, sete trombetas do jubileu. O hebraico yobel ("chifre de carneiro"), de origem incerta, foi usado pela primeira vez em Êx. 19:13, antes mesmo das referências feitas ao ano do jubileu (Lv. 25:8-54; 27:17-24; Nm. 36:4); parece ter um significado religioso-cerimonial, anunciando a chegada de Jeová como Rei, quer para o Seu povo a fim de completar Sua aliança ou para proclamar remissão e liberdade ..." (MOODY p. 20).

Já "James Millar destaca que “a verdadeira buzina de chifre de carneiro era reservada para certos propósitos. Ela possuía um sonido alto e penetrante, tinha uma extensão limitada e era totalmente inadequada para uma apresentação musical. Era usada para chamar a atenção do povo e para dar sinais”. Desse modo, todas as pessoas de Jericó ouviram o guincho agudo daquele instrumento e sabiam do seu propósito." (Apud BEACON p. 40, 41).

Ao rodear a cidade, tocando as trombetas, a presença física deles se tornaria um espetáculo de som e imagem. Assim como a trombeta era um recurso a ser utilizado naquela circunstância e para aquele propósito, em determinados momentos da nossa vida, Deus nos incumbe de "tocar trombeta" diante das adversidades. Esse ato significa que estamos fazendo alguma coisa, que estamos tendo atitude, etc.  

Detalhe: os sacerdotes deveriam fazer isso adiante da arca (10), ou seja, na frente dela. No versículo 7, a Bíblia vai dizer que além desses 7 sacerdotes, os homens armados também iam adiante da arca. Ao que tudo indica, a arca ficou no meio do arraial, entre os sacerdotes /homens armados (vanguarda) (11) e a retaguarda. Esse talvez seja um dos únicos casos da Bíblia, em que a arca foi conduzida pelo meio do povo, pois geralmente, a arca ia na frente, haja vista que não era costume ficar no meio, muito menos atrás. Isto tem uma aplicação profunda para nós! Partindo do pressuposto de que a arca simboliza a presença de Deus, assim como nesta passagem, a presença de Deus nunca deve estar em último lugar na nossa vida, mas constantemente na frente ou no meio/centro. Este é o segredo de quem quer ter uma vida vitoriosa.

3. No sétimo dia. Alguns judeus dirão que o sétimo dia, caiu justamente no sábado, todavia, isso é algo que não está explícito no texto bíblico. De qualquer forma, existe algo interessante aqui que é digno de nossa atenção. O sábado caiu em algum desses dias, seja no sétimo ou não, e o povo teve que executar as ordens de Deus mesmo no dia que caiu no sábado, ao qual deveriam descansar e guardá-lo segundo a lei. Todavia, aqui vemos um caso de exceção à regra, onde o próprio Deus determina que eles façam algo no dia que deveriam descansar. Só Deus tem esse poder, isto é, de nos pedir que façamos algo justamente num tempo em que não é favorável que façamos isso.

4. Sete vezes. Ou seja, eles deveriam rodear a cidade sete vezes no sétimo dia. Até lá, teriam que guardar fôlego para o último dia, onde a empreitada seria mais agitada e movimentada. O melhor, e neste caso, a parte mais trabalhosa estava no final. Refletindo sobre isso, podemos concluir que existem batalhas em que o final será mais trabalhoso e até lá, é bom que conservemos intacta a nossa fé e paciência. Geralmente, quanto mais perto chegamos de desfrutar da vitória, mais trabalhosa a nossa jornada fica.

Sobre essas coisas o Comentário Bíblico Beacon explica:

"A ordem dos eventos provavelmente não fazia sentido para os habitantes não arrependidos de Jericó. Diante deles passaram os homens de Deus armados, os sacerdotes com trombetas, a arca do concerto e a retaguarda muda (8-10). Mui provavelmente esses acontecimentos confundiram os defensores de Jericó, mas os obedientes israelitas sabiam o que faziam e para quem o realizavam. Talvez eles não tivessem plena compreensão da razão pela qual esse padrão deveria ser seguido e não havia demonstração de que desejavam saber as razões. Mas eles estavam convencidos de que o jeito de Deus seria vitorioso." (BEACON, p.40).

O jeito de Deus era justamente o plano divino que além de ser estranho à princípio, descartava muitos dos recursos que era esperado que se utilizasse numa invasão! Como disse Champlin:

"Eles não usaram aríetes, nem escadas de escalar, nem outra espécie de artifício. O divino plano de ação pode ter parecido uma tolice para os homens; mas a verdade é que aqueles quatro setes tiveram um efeito tremendo. Havia poder ali, porquanto o número sete simbolizava a presença e a intervenção de Yahweh." (CHAMPLIN, p. 920). 

Aqui podemos extrair mais uma lição: existem certas estratégias de Deus que aos nossos olhos podem parecer estranhas e não tão comuns, porém, devemos confiar que as estratégias de Deus, ainda que sejam estranhas e aparentemente frágeis, são melhores que as nossas. 

V-  O TOQUE DAS TROMBETAS:

"Quando as trombetas soarem um longo toque, todo o povo dará um forte grito; o muro da cidade cairá e o povo atacará, cada um do lugar onde estiver". (v. 5). (12)

No  sétimo dia, na sétima volta, quando ouvissem o som prolongado da trombeta, eles deveriam gritar, e como resultado, a muralha iria cair.  De posse de vitória, o povo deveria avançar e entrar na cidade. Aqui encerram-se as palavras do SENHOR. 


Nesse momento, 
quando transmite o plano divino ao povo, juntamente com seus respectivos papéis, o general Josué desenvolve um dos papéis de um profeta (13),  .  No versículo 7, ele encoraja os israelitas a prosseguir e rodear a cidade. E assim o povo fez: obedeceu a Josué e a Deus.  Agora começa a parte prática! O quadro fica mais ou menos assim:


  • Josué x rei de Jericó;
  • Soldados (vanguarda) e Sacerdotes x soldados de Jericó;
  • retaguarda x povo de Jericó.                                             
Podemos tirar uma lição deste quadro: o mundo tem seus protagonistas, mas Deus também têm os Seus. Todavia, é importante enfatizarmos que o fator indispensável para a vitória não estava essencialmente no povo, mas em quem comandava soberanamente cada um deles. A verdade é que Israel tinha Deus ao seu lado, enquanto que Jericó estava longe e afastada de Deus.

Continuando, a formação ficou como se descreve no versículo 9: os homens armados na frente, os sacerdotes que tocavam as trombetas e a retaguarda (14) que seguia atrás da arca. Então Josué dá uma ordem ao povo:  "Não deem o brado de guerra, não levantem a voz, não digam palavra alguma, até ao dia em que eu lhes ordenar. Então vocês gritarão! " (v. 10). O silêncio do povo nesse momento ilustra uma "força disciplinada". O silêncio em alguns momentos pertinentes é sinal de que somos fortes não só por fora, mas também por dentro. Quem não domina a arte de calar certamente não obterá êxito na arte de falar.

A rotina diária dos israelitas era contornar a cidade. À noite, eles entravam no acampamento e pela madrugada (15) se levantavam e faziam o mesmo percurso até o sétimo dia.


No sétimo dia, eles rodearam a cidade sete vezes (16) e Josué disse ao povo: "Gritai, porque o Senhor vos tem dado a cidade." (v. 16). Neste momento, duas ordens são dadas ao povo: 


- Quando entrassem na cidade, não deveriam tomar nada dela, exceto a riqueza que seria destinada ao tesouro do SENHOR. (vv. 17-19), pois a cidade seria anátema (17).



- Somente Raabe e sua família deveriam ficar vivos. (v. 17). Isso ilustra para nós que até mesmo os juízos divinos não são desprovidos de misericórdia. Ele irá derramá-la sobre todos aqueles que estão dispostos a quebrar seus compromissos com o mundo.

VI- O GRITO DO POVO E A QUEDA DAS MURALHAS:

1. Três características sobre o grito do povo.

"Gritou, pois, o povo, tocando os sacerdotes as buzinas; e sucedeu que, ouvindo o povo o sonido da buzina, gritou o povo com grande brado; e o muro caiu abaixo, e o povo subiu à cidade, cada um em frente de si, e tomaram a cidade." (v. 20).


Eu consigo localizar pelo menos três características a respeito desse grito.

• O grito dos israelitas foi de vitória e não de desespero.

• O grito dos israelitas foi um grito de fé.

• O grito dos israelitas foi de triunfo.

Quando gritaram, as muralhas caíram. Jericó que não queria render-se, nem negociar, viu cair por terra toda sua esperança visto que a maior confiança de Jericó naquele momento, eram seus muros.

Por outro lado, Israel depositou sua confiança em Deus, por isso, contemplou o poder de Deus. Em Hebreus 11.30, o autor fala que foi pela fé e não pela força física que os muros de Jericó caíram.

Fé e obediência andam juntos e quando executadas no tempo certo, contribuem para a manifestação da glória de Deus na nossa vida.

2. A queda das muralhas.

A Bíblia diz que as muralhas caíram (18). Após o grito houve uma intervenção poderosa e sobrenatural de Deus que fez com que as muralhas caíssem.

Sobre isso, Champlin comenta: " O som combinado das trombetas com os gritos dos homens de guerra resultou na destruição das muralhas de Jericó. As muralhas não foram engolidas por abismos que se teriam formado por baixo de seus fundamentos, conforme imaginaram alguns intérpretes judeus (...). A arqueologia tem demonstrado que a Jericó dos dias de Josué (perto da moderna cidade que tem esse nome) tinha uma muralha dupla (...) A muralha externa caiu principalmente colina abaixo, ao passo que a muralha interior, que era mais forte que a outra, ruiu dentro do espaço que havia entre as duas muralhas." (CHAMPLIN. p. 922).

Aquelas muralhas (19) que traziam uma aparente segurança para os habitantes de jericó estavam no chão. Então os israelitas entraram na cidade e destruíram tudo. Toda a cidade foi queimada (20), somente a prata, o ouro e os objetos de bronze e ferro colocados no tesouro da casa do SENHOR (21). Raabe e sua família foram poupados conforme a ordem de Josué. Por fim, ele amaldiçoa (22) o homem que reedifica-se Jericó (v. 26).

Segundo o Comentário Bíblico Beacon:

" A representação da impiedade não deveria ser revivida. Esconjurou tem o sentido de “mandar, fazer ou ordenar por juramento ou debaixo de pena de uma maldição”. A violação desta ordem custaria a morte de todos os filhos daquele que se atrevesse a reconstruir Jericó. De acordo com 1 Reis 16.34, essa afirmação se cumpriu no caso de Hiel, de uma região próxima a Betei, durante o reinado de Acabe. Evidências arqueológicas apontam para o fato de que Jericó realmente permaneceu em ruínas no período que vai desde a invasão israelita da Palestina até o século nono." (BEACON p. 42).

Aqui aprendemos que o nosso Deus é especialista em derrubar muralhas. Nenhum problema é difícil para ele.

Também podemos extrair a partir dessa passagem que existem conquistas que não vão acrescentar em nada na nossa caminhada, por isso, devemos abrir mão afim de glorificarmos ao SENHOR com este ato de renúncia. Tal atitude, por exemplo, revela se estamos apegado às coisas do mundo ou às coisas de Deus.

3. A presença do SENHOR com Josué. 

O SENHOR era com Josué, por isso sua fama corria por toda a região cananéia. Deus honrou Josué fazendo com que seu nome fosse conhecido tanto quanto o de Moisés. Esse ato trouxe ainda mais respeito do povo por Josué, pois, não só os israelitas viam Deus em sua vida, mas também outras cidades.

O Comentário Bíblico Beacon explica:  "Uma vida centrada em Deus não poderia ficar oculta. Raramente o mundo testemunhou uma pessoa que teve uma vida totalmente dedicada Deus. Contudo, aqui estava um homem que dava ao Senhor o crédito de todos os planos que executava. Ele não buscava o favor de ninguém acima da aprovação de Deus. Esta prática de ter uma existência santificada era tão incomum que fez com que sua fama corresse por toda a terra. O mundo ainda tem dificuldades para considerar pessoas que seguem esse padrão em suas vidas." (BEACON p. 43).

Conclusão: Certamente temos muito o que aprender com Josué 6. Esta é uma passagem que tem muito a nos dizer sobre o tempo passado, mas também ilustra como deveríamos proceder em situações de adversidades no presente. Ninguém gosta de obstáculos à sua frente, entretanto, na nossa trajetória será comum encontrar vários pelo caminho. Contudo, podemos contar com a ajuda de Deus para não só sobreviver, mais também para vencer todos eles. Assim como nesta passagem, a ajuda de Deus pode vir agora ou depois, mas é certo que virá seja sobrenaturalmente ou não. A Sua presença já está conosco, por isso, não devemos desanimar, mas reagir e lutar tendo em mente que Deus está no controle de tudo. Amém!

Deus abençoe a todos!

NOTAS:


1- "Faraó Tutmés III alista mais de cem cidades de Canaã." (KEENERp. 279).

2- "A ocupação de Jericó remonta ao nono milênio a. C., o que garante a ela o título de cidade mais antiga do mundo." (KEENER p. 280).                     


3- Alguns judeus entendem que aqui apareceu o anjo chefe (arcanjo) Miguel, enquanto que a tradição cristã de modo geral, acredita que foi uma teofania, ou seja, uma pré-aparição de Cristo antes de encarnar.              


4- "A mensagem trazida pelo comandante inclui a estratégia para a tomada de Jericó (cujo relato se inicia em 6.2). No antigo Oriente Próximo, considerava-se que as guerras geralmente eram dirigidas pelos deuses e seguiam os planos divinos. Porém, a aparição da divindade na véspera das batalhas não era comum na literatura do antigo Oriente Próximo. Em vez disso, a palavra divina ordenando a batalha era dada por meio de um oráculo, ao passo que a presença divina era vista na batalha em si. Na Epopeia ugarítica de Keret, entretanto, o deus El aparece ao rei Keret num sonho com instruções específicas sobre a batalha. Outro pararelo bastante semelhante é quando o rei babilônio Samsuiluna (século 18 a.C.) recebe mensageiros sobrenaturais de Enlil que dão instruções sobre uma série de campanhas contra Larsa e Eshnuna. Nenhuma dessas aparições divinas, entretanto, ocorreu na véspera da batalha - as tropas ainda tinham de ser reunidas." (p. 280) (N.P: Além de ser algo inédito na literatura antiga, e talvez na história, o fato de Deus anunciar uma batalha nas vésperas da mesma, aponta para a grandeza de Deus que apesar de se utilizar, por vezes, da força humana para obter algum fim, não precisa necessariamente dela para dar vitória a seu povo. Neste sentido, o de repente de Deus não deve causar espanto, surpresa e medo em ninguém, pois o Deus que anuncia a batalha, é o mesmo que assegura a vitória. (KEENER p. 280).


5- Nesse e nos próximos versículos "... a estratégia para a tomada de Jerico foi revelada em detalhes (2-5). (BEACON, p. 40).


6- Todavia, queremos deixar claro que a participação de um indivíduo, de algo ou de um povo como sendo utilizado para manifestar a glória de Deus não faz desta glória maior ou menor. Lembre-se que embora o povo participe da conquista de Jericó, é o poder de Deus que derrubará as muralhas. O mérito e a honra de forma alguma é de quem executa instruções, mas de quem ordena, planeja e faz o sobrenatural acontecer. Veremos isso com mais nitidez no final desse estudo.


7- A Bíblia não diz a que distância eles rodeavam a cidade. Provavelmente, eles rodearam a cidade a uma distância longe o suficiente para que as flechas dos inimigos não os atingissem.


8- Na Epopeia ugarítica de Keret (que provavelmente era conhecido pelos habitantes de Jericó), o exército de Keret chega à cidade de Udm e é instruído pelo deus El a permanecer em silêncio por seis dias e a não usar nenhuma arma; no sétimo dia, a cidade enviaria mensageiros e ofereceria tributos pedindo que eles se retirassem." (KEENER p. 280).


9- "Normalmente, cabia aos levitas transportar a arca. Porém, em uma guerra santa, os sacerdotes, descendentes diretos de Arão, eram os encarregados dessa tarefa. Os varais foram postos nas argolas da arca, e ela foi carregada pelos sacerdotes por esse intermédio.  (CHAMPLIN p. 921).


10- "A arca da aliança do Senhor ia atrás deles. Mencionada nove vezes em 6:6-13, a arca certamente simbolizava para Israel que Jeová estava com eles e os conduzia nessa manobra estranha." (MOODY, p. 22).

11- "A vanguarda, mui provavelmente, era formada por representantes das tribos de Rúben e Gade, e pela meia tribo de Manassés; seguiam atrás os sete sacerdotes que transportavam a arca (vs. 8), a qual ia à frente, porque manifestava a presença do Senhor." (CHAMPLIN, p. 921).


12- "Por meio desses dois grandes sons — o toque das sete trombetas e a gritaria dos guerreiros — as muralhas de Jericó haveriam de ruir, pelo menos aparentemente." (CHAMPLIN p. 920).

13- Profeta. Era alguém responsável por transmitir a Palavra de Deus aos homens. Geralmente, denunciava os pecados do povo, fazia predições, revelações e pelo poder de Deus realizava maravilhas.


14- " Talvez a retaguarda fosse formada pela tribo de Dã, visto que, nas perambulações pelo deserto, essa era a tribo que ocupava a última posição. Ver Núm. 2.31. Por isso mesmo, os Targuns situam os homens armados da tribo de Dã nessa posição. Entretanto, John Gill opinou que homens desarmados é que ocupavam a retaguarda. Todavia, convém não esquecer que temos aqui um plano de batalha, e não um mero cortejo, o que significa que não havia homens desarmados nessa marcha. “... o sentido é que a retaguarda era idêntica à vanguarda... somente os sacerdotes tocavam as trombetas (vs. 4), ao passo que os demais homens (vs. 10) tinham de permanecer em estrito silêncio" (John Bright, in loc.). (CHAMPLIN p. 921). 


15- "As horas matutinas são sempre as melhores para cuidar de tarefas difíceis." (CHAMPLIN p. 921).


16- "Pode-se facilmente contornar a elevação de 2,30 kms em quinze ou vinte minutos." (MOODY p. 22)


17- "...o anátema (hebr. hêrem; a raiz é "colocar de lado", especialmente como consagrado [cf. o árabe haram e o inglês "harem"]) era um componente teorético da prática da guerra santa de acordo como qual todos os espólios, animados e inanimados, animais e humanos, eram propriedade efetiva da deidade que tinha obtido a vitória. Propriedades materiais eram revertidas para o templo (ver v. 14) e as propriedades vivas eram mortas." (JERÔNIMO p. 265). O comentário Bíblico Beacon explica: "O termo “anátema” é usado para traduzir a palavra hebraica cherem, um termo que significa separado para a destruição ou passível de expulsão. Era um conceito religioso e não uma questão de pilhagem ou saque. Esta expressão envolvia morte para aquele que estava vivo, a queima de tudo que pudesse ser queimado e o ato de levar ao tesouro do Tabernáculo todos os metais e pedras preciosas." (BEACON p. 41)."

18- "As fábulas judaicas dizem que as muralhas de Jericó foram engolidas pelos abismos que se formaram debaixo dos seus alicerces, conforme tinha sucedido antes a Coré e seus apoiadores (ver Núm. 16.32,33)." (CHAMPLIN p. 921).

19- Muros da cidade. "As técnicas de fortificação foram desenvolvidas na Idade do Bronze Médio e continuaram a ser usadas na Idade do Bronze Tardio. Essas técnicas incluíam íngremes aclives aclives de terra (alguns chegavam a atingir  15 metros de altura) na base dos muros, rodeados por um profundo fosse que atingia o leito rochoso. Esses recursos serviam tanto para evitar a aproximação de instrumentos usados no cerco a cidades quanto para dificultar a escavação de túneis. Os muros, feitos de tijolos sobre fundações de pedra, eram de largura de 3 metros a 7,5 metros, com uma altura de aproximadamente 9 metros. Textos hititas também relatam, de modo bastante semelhante, a história de uma divindade que envia um castigo provocando a queda dos muros (no caso, tapumes de madeira). (KEENER p. 281).

20-  "A ordem dada no versículo 17 e depois obedecida nos versículos 21-24 era a de que todos os seres vivos que habitavam naquela cidade fossem totalmente destruídos (exceto a prostituta Raabe e sua família, que foram poupadas). Certos sacrifícios dedicados a Deus podiam ser compartilhados pelo sacerdote oficiante e pelo ofertante. Outros, no entanto, eram exclusivos do Senhor. Do mesmo modo, alguns despojos eram separados exclusivamente para o Senhor. A oferta queimada (holocausto), por exemplo, devia ser consumida totalmente no altar; assim também os inimigos deviam ser aniquilados. As batalhas eram comandadas por Yahweh e representavam seu juízo sobre os cananeus; os israelitas estavam em uma missão divina, numa batalha do Senhor. Logo, não só o mérito da vitória era de Deus mas também o espólio pertencia a ele. Embora o tema da divindade guerreira apareça em todo o antigo Oriente Próximo, o conceito de herem é mais limitado - a única ocorrência do termo está numa inscrição moabita de Mesa, ainda que a ideia de destruição total também se encontre em textos HITITAS. Em alguns lugares, como Gezer, há uma camada bastante peculiar de cinzas, relacionadas à Idade do Bronze Tardio. Quando as cidades eram sitiadas, as condições sanitárias se tornavam extremamente precárias, provocando doenças devastadoras. Assim, a prática de queimar tudo após derrotar a cidade também tinha um caráter sanitário. (KEENER p. 281).

21- "Os metais preciosos encontrados em Jericó foram dedicados ao Senhor (19,24). Ele tinha todo o direito sobre eles. Foi Deus quem delineou a prática para a conquista desta primeira fortaleza. Desse modo, os espólios eram dele por direito de conquista, mas eles também eram peculiarmente seus por direito de criação. Aquelas coisas que foram mal usadas seriam agora usadas por Deus. Israel deveria se lembrar daquele a quem pertencem todas as coisas." (BEACON p. 42).

22-  "Inscrições assírias geralmente expressam a intenção de que uma cidade destruída jamais deveria ser reconstruída, mas não são acompanhadas de um juramento como nesse caso." (KEENER p. 281).

APÊNDICE TEOLÓGICO:


"Explicações sobre a Queda das Muralhas:

1. Algum terremoto extremamente oportuno teria sido a causa do nivelamento das muralhas de Jericó, mais ou menos como sucedera por ocasião do represamento das águas do rio Jordão (ver sobre isso nas notas de Jos.3.16). Se algum milagre esteve envolvido, somente o elemento tempo foi miraculoso. Os céticos vêem aqui que o povo de Israel apenas teve muita sorte, pois, quando eles estavam prestes a aproximar-se da cidade (tendo tudo sido adredemente planejado), um terremoto facilitou as coisas. Para esses céticos, todo o resto do relato é apenas invenção bem imaginada. Para esses críticos, o mesmo terremoto que explica o “milagre” do rio Jordão também derrubou as muralhas de Jericó, facilitando assim a conquista.

2. Ou, então, o acontecimento deveu-se a um incidente muito incomum de ressonância, produzido pelo sonido das trombetas e pelos gritos dos soldados de Israel. Sabemos que certos sons, por meio da ressonância, podem ter grande poder destrutivo. Aquilo que ocorreu em Jericó, pois, de acordo com essa segunda explicação, seria um notável incidente histórico que ilustra esse raro fenômeno. Alguns céticos, críticos e até estudiosos conservadores têm aceitado essa teoria.

3. A maioria dos eruditos conservadores vêem em tudo isso uma intervenção divina, que não pode ser explicada simplesmente como um mito ou como um acontecimento natural. O povo cumpriu o seu papel, seguindo as ordens dadas por Josué, mas o colapso das muralhas requereu o poder de Yahweh. Ver as notas em Jos. 6.5, quanto a uma explicação de natureza sobrenatural, que dá apoio à idéia do teísmo, e não do deísmo.' (CHAMPLIN p. 922)."

8 de abril de 2018

Entrevista Exclusiva com Pastor Renato Cunha



Por Everton Edvaldo.

O blog Esquina da Teologia Pentecostal entrevista hoje o Pastor Renato Cunha. Ele que é autor do livro "Sob os céus da Escócia" (CPAD), articulista, professor  e diretor da Editora Carisma. 

1) Pastor Renato Cunha, primeiramente gostaríamos de dizer que é uma honra tê- lo aqui conosco, e que admiramos bastante os trabalhos que o senhor têm desenvolvido e feito nesses últimos anos, principalmente no que diz respeito à contribuição literária e teológica para os continuístas, carismáticos e pentecostais. Dito isto, gostaríamos de saber, quando e o que motivou o senhor a dedicar-se e investir na produção/tradução de livros na área da Paracletologia e Soteriologia?

Pastor Renato Cunha: A honra é toda minha, Everton. Minha gratidão a Deus pelo reconhecimento de muitos irmãos ao meu trabalho em honra ao Espírito do Senhor. Bem, entendo que recebi um chamado. Havia uma grande lacuna no cenário teológico brasileiro que desfavorecia alguns setores importantes do evangelicalismo, especialmente o pentecostal. E muitos se aproveitaram disso. Eu entendi que era hora de reagir no sentido de demonstrar que os carismáticos e pentecostais possuem um legado doutrinário especialmente rico e alicerçado nas Sagradas Escrituras. Os cristãos brasileiros precisavam tomar conhecimento disto. 

2) Graças a Editora Carisma, continuístas, carismáticos e pentecostais brasileiros estão acessando em língua portuguesa, muitos livros, autores e posicionamentos que por muito tempo ficaram em oculto. Sem dúvida, é um novo tempo para todos nós e acredito que pelo menos a barreira linguística nós já estamos rompendo. Além deste fato que até então era um desafio, quais outros desafios estão presentes na tradução de um livro para a nossa língua? 

Pastor Renato Cunha: Primeiro, toda glória é de Deus que tem levantado a Carisma para cumprir um propósito. Sem ele não faríamos nada, absolutamente nada. Não tínhamos dinheiro, nem pessoal treinado, nem estrutura física. Mas o Senhor fez tudo para provar que sua mão poderosa tem nos conduzido pelo caminho. Até aqui ele tem nos ajudado. Mas um dos principais desafios é a escassez de tradutores especializados. A teologia pentecostal é riquíssima em expressões teológicas muito próprias do movimento. Não basta saber inglês, tem que conhecer o background da teologia pentecostal. Por exemplo, o termo “Spirit Baptism” não se traduz simplesmente como “batismo espiritual”, mas “batismo no Espírito”. É um neologismo próprio do movimento que se apresenta muito mais que um mero verbete. É muitas vezes o âmago do raciocínio que pode ser perdido se o tradutor desconhecer essas questões. 

3) Desde que foi fundada, a Editora Carisma, tem trabalhado intensamente na tradução de livros que sejam de boa qualidade, relevantes e de linguagem acessível. Além disso, que mais podemos esperar da Editora Carisma? Existem outros projetos? Vocês pretendem investir também em autores nacionais?

Pastor Renato Cunha: Muitas surpresas. Iremos atuar em outras áreas além da pneumatologia. Negociamos grandes títulos nas áreas da soteriologia, escatologia, filosofia, etc. O leitor da Carisma pode esperar a qualificação do debate teológico no país. Por exemplo, iremos publicar em parceria com a Associação Brasileira de Filosofia da Religião a magnum opus do filósofo calvinista William Alston, sistematizador da epistemologia reformada. Mas por que este livro do Alston, lançado em 1991, é importante para movimentos como o Pentecostalsimo? Porque neste livro Alston trata sobre as percepções humanas da realidade divina a partir de experiências sensoriais na experiência religiosa. É um tiro certeiro nas teses que refutam o pentecostalismo em razão de sua ênfase nas experiências religiosas. Iremos publicar obras de Robert Menzies, Roger Stronstad, Harold Hunter, Donald Dayton. Essa gente é peso-pesado no cenário pentecostal.  

4) Na sua obra "Sob os céus da Escócia", o senhor nos mostra detalhadamente, através de um vasto material histórico, como alguns reformados eram continuístas e até como existiram manifestações carismáticas entre muitos destes. Hoje, muitas pessoas associam a reforma ao cessacionismo e o senhor é uma das pessoas aptas para responder esta pergunta: porque no Brasil essa ideia tem se consolidado tanto visto que nos exterior (por exemplo nos Estados Unidos), dezenas de teólogos reformados são continuístas? Seria porque a maioria dos teólogos reformados são cessacionistas ou existe outro motivo? 

Pastor Renato Cunha: Esta associação se dá no Brasil por absoluta ignorância histórica. Até mesmo calvinistas, por exemplo, desconhecem que João Calvino recebeu revelação especial extrabíblica. Como o próprio Calvino relata, ele mesmo não sabia explicar o que acontecera, apenas mencionar que ouviu um som inconfundível de que algo muito importante havia acontecido naquela noite. E tudo foi dito por ele na presença de inúmeros ministros que o visitavam em sua casa em Genebra por ocasião de uma enfermidade que o acometia. Estes relatos foram registrados por Beza e por ele mesmo publicados após a morte de Calvino. Fazia parte de uma biografia anexada às Institutas. Mas por alguma razão sombria, este documento foi extirpado das Institutas. Este livro foi inclusive publicado em inglês pela Calvin Translation Society em 1844, a partir de uma tradução da obra original em latim. Deus está trazendo de volta à lume estas coisas. Isso pode ser notado a partir da publicação de livros como o meu. As pessoas estão sendo esclarecidas pelo Espírito do Senhor. 

5) Já que falamos em cessacionismo, bem sabemos que cessacionistas pressupõem que se os dons de revelação vigoram ainda nos dias de hoje, um dos princípios da reforma Protestante, (o Sola Scriptura) é ferido severamente. Isto é verdade? É possível ser reformado e ainda assim acreditar em dons de revelação? 

Pastor Renato Cunha: Muitos reformados já refutaram essa hediondez. Embora atraente de início, a teoria de que o Sola Scriptura é um princípio que afeta qualquer noção de coexistência com os dons de revelação, é esdrúxula, sem qualquer amparo bíblico. D.A. Carson, Vern Poythress, John Frame, Wayne Grudem, Sam Storms, já escreveram diversos livros renegando a interpretação cessacionista de textos como Hebreus 1, 1 Corintios 13, et al.. Puritanos importantes como George Gillespie e Samuel Rutherford, a meu ver os dois mais importantes delegados na Assembleia de Westminister, escreveram livros e artigos defendendo a possibilidade de revelação especial extrabíblica após o encerramento do Cânon. Mas muitos desconhecem isso. E quando digo muitos, refiro-me à quase totalidade de irmãos calvinistas neste país. Além do mais, a Carisma publicou um livro chamado “Sola Scriptura e os Dons de Revelação” de Don Codling. É a dissertação dele no Westminister Theological Seminary. Um trabalho que calou vozes importantes daquele que ficou conhecido como o maior reduto do academicismo reformado norte-americano. Codling é presbiteriano canadense, uma das mentes mais brilhantes que já conheci. Precisa ser lido, conhecido. 

6) É impossível estudar Paracletologia sem enxergar a questão da atuação do Espírito Santo através dos crentes, por exemplo por meios de dons espirituais. Acontece que muitos hoje, tem abusado dos dons espirituais, usando-os de forma irreverente, desequilibrada e sem moderação. Quais recomendações o senhor nos daria para que possamos enfrentar este problema?

Pastor Renato Cunha: É fazer como Paulo fez, porque a mesma autoridade nós temos hoje, ostentamos as mesmas credenciais, seremos cobrados pelas mesmas coisas e princípios. Para isso Deus escolheu uns para pastores, outros para apóstolos, outros para pastores-mestres. Os que ensinam a igreja devem aprender o que a Bíblia diz a respeito dos dons espirituais (todos eles) e ensinar ao povo, sua abrangência, extensão, uso, propósitos. Simples assim. Ora, Paulo não proibiu as manifestações dos dons na igreja de Corinto, que era tão problemática quanto qualquer outra em nossos dias. E olha que os crentes em Corinto precisavam ser ensinados até mesmo sobre as verdades mais básicas da Ceia. Tinha gente abusando em todas as áreas, incluindo na área sexual a ponto de alguém relacionar-se sexualmente com a mulher de seu próprio pai. Mas Paulo fez o que poucos líderes de nosso tempo estão dispostos a fazer. Dedicou seu tempo a ensinar e exercer autoridade entre aqueles que estavam sob sua liderança. Mas isso envolve serviço abnegado, intimidade com o Espírito, paciência com o povo, estudo exaustivo, etc. Entretanto, alguns homens de hoje, que deveriam estar ensinando diligentemente suas igrejas locais, que deveriam jejuar e orar constantemente, que deveriam buscar ardentemente os dons do Espírito, estão mais preocupados com a audiência nas redes sociais. Eu não imagino Paulo perdendo tempo com a maioria das coisas com as quais desperdiçamos tempo hoje. O tempo é um dom gracioso de Deus, especialmente diante da afirmação de que devemos remi-lo para o melhor serviço ao Senhor e sua obra.  

7) Alguns cristãos ainda não estão familiarizados com o termo "carismático". Então, gostaríamos saber do senhor, em rápidas palavras, existe diferença de crença entre carismáticos e pentecostais? Ou ambos são a mesma coisa?

Pastor Renato Cunha: Basicamente, um pentecostal e um carismático creem na contemporaneidade de todos os dons do Espírito. As distinções ocorrem mais significativamente em doutrinas como o batismo no Espírito, evidência inicial desse batismo, etc. Por exemplo, todo carismático crê na contemporaneidade do dom de línguas. Mas nem todo ele crê que este dom é a evidência do batismo no Espírito. Então, grosso modo, todo pentecostal é carismático, mas nem todo carismático é um pentecostal.

8) Infelizmente, muitos jovens pentecostais ao perceberem uma falta de equilíbrio nas manifestações espirituais, estão aderindo ao cessacionismo com o uma alternativa que solucione este problema. Ou seja, estão trocando um buraco por um abismo, e nem de longe isso deveria acontecer. Mas neste caso, o senhor acredita que ainda é possível reverter o quadro? Digo, resgatando o pentecostalismo sadio? Ou teria outra alternativa? 

Pastor Renato Cunha: As defecções que ocorrem no Pentecostalismo em direção ao cessacionismo são naturais e até esperadas. Elas são benção se entendermos que ensinos como este são purificadores em certo sentido. Veja o que Paulo diz em 1Coríntios 11.19. Ou leia o que o Senhor disse sobre a razão de existir dos falsos profetas no antigo Israel (Dt 13.3). A descrença é companheira contumaz no caminho do povo santo. Ela não se revelou apenas às portas de Canaã.

9) Alguns Pentecostais defendem que a evidência inicial do Batismo com o Espírito Santo é o falar em línguas. Particularmente, o senhor defende esta posição, ou alguma outra? 

Pastor Renato Cunha: Eu defendo que é um dom paradigmático, mas não normativo como sinalizador exclusivo do batismo no Espírito. Eu creio que o batismo pode se revelar até mesmo na potencialização de algum dom já recebido. Precisamos entender que os dons têm um propósito, isto é, o de edificar o povo de Deus. Então, a meu ver, o dom de línguas está vinculado a outro dom, o de interpretação, com um propósito: edificar, seja o falante, seja a comunidade de remidos reunida em assembleia. Paulo recomenda a que o falante de línguas ore para que não apenas fale em línguas, mas especialmente para que interprete. O dom de interpretação de línguas, especialmente no culto, serve para validar se tal ou qual pessoa se apresenta falando em línguas, realmente está falando pelo Espírito do Senhor. E com isso, a igreja atente para o que está sendo dito. Mas hoje, qual o teste para confirmar que alguém realmente fala em línguas? Quem hoje pode atestar que a tal ou qual declaração do falante é de fato verdadeira? Logo, muitos obreiros estão sendo ordenados ao ministério sagrado endossados por um testemunho exclusivo daquele que diz falar em línguas. E nem sempre os que dizem falar em línguas, realmente falam em línguas a partir de um dom genuíno do Senhor. No NT os apóstolos certificavam que o dom de línguas era legítimo. Eles expressavam isso claramente. Mas e hoje? Quem está atestando isso? Precisamos de gente santa, guiada pelo Espírito do Senhor, com dom de discernir espíritos, a fim de governar a igreja.

10) Quanto aos dons ministeriais, atualmente, alguns cristãos são chamados de "profetas do Senhor". Então, de um lado, os críticos dizem que não existem mais profetas, e que é errado chamar alguém assim. O que o senhor pensa sobre isso, tendo em vista que no Novo Testamento encontramos o termo "profeta" também sendo atribuído a cristãos? 

Pastor Renato Cunha: As pessoas focam demasiadamente no mensageiro, não na mensagem. Há muito desentendimento porque não se tem dado atenção ao que realmente importa. A busca das pessoas também está centrada em ouvir respostas aos seus anseios, não necessariamente ao que o Senhor deseja dizer ou fazer. Quem, dentre nós hoje, tem a mesma disposição de Habacuque? (Hb 2.1). É preciso entender que rotular alguém como profeta do Senhor não há mal algum. O mal está quando prestigiamos mais o mensageiro em detrimento do Senhor da mensagem. É isto que aprendo do texto em que a glória do Senhor fazia resplandecer o rosto de Moisés. Eu penso que era para que as pessoas não idolatrassem Moisés, mas que temessem ao Senhor, que atentassem para sua glória, não que ela desvanecia revelando a dissipação da glória celeste. Por isso Moisés encobria o rosto com um véu para que os israelitas quando vissem seu rosto, vissem a glória resplandecente. Moisés sabia que a percepção visual da glória de Deus manteria animados os israelitas; em razão disto ele cobria o rosto com o véu, a fim de que o povo não visse a glória se desvanecer (Gn 34.33, 35). É a glória do Senhor, não Moisés (nem qualquer outro agente humano), que renova o espírito do povo. 

16 de março de 2018

Você já conhece a Holy Box?



Que tal receber todo mês uma caixa com itens super exclusivos? Então, agora temos a Holy Box, um clube de assinatura mensal com itens decorativos/colecionáveis e um livro lançamento com o conteúdo é puramente Pentecostal/Carismático e Arminiano! Na minha opinião, nenhum Pentecostal devia ficar de fora da Holy Box, pois é uma caixa genial pensada para nós Pentecostais e Arminianos. Por isso, nós da Esquina da Teologia Pentecostal também apoiamos este projeto e recomendamos! Conheça já a Holy Box e faça você também a sua assinatura!

Vou deixar o site aqui pra vocês acessar e lá vocês podem obter mais informações e também fazer sua assinatura:



13 de março de 2018

20 jargões usados no púlpito por pregadores sem mensagem



Por Everton Edvaldo

Hoje veremos 20 jargões que são ditos em púlpitos frequentemente por pregadores que não têm mensagem. (Obs: não é que quem usa tais frases não tem mensagem, pois pode acontecer de pregadores estarem cheios de conteúdo, e por algum motivo falar alguma delas; mas sim, aquele pregador que previamente já não tem mensagem e as usa durante o momento da Palavra).

1- "Olhe para o irmão que tá do seu lado e diga..."

2- "O melhor de Deus está por vir!"

3- "A ciência diz que quem repete, grava, então repita comigo."

4- "Cada glória que você dá, é um demônio que cai na sua casa."

5- "Hoje eu tô no óleo."

6- "Faça estremecer o inferno com seu brado".

7- "Começa a dar uma rajada de línguas estranhas onde tu estás."

8- "Ah, você não entendeu, senão teria dado um glória."

9- "Receba, Receba, Recebaaaaa..."

10- "O fogo vai pegar aqui nessa noite."

11- "Quem diz amém por isso?"

12- "Mas nesta noite eu vim aqui te dizer..."

13- "Perdeu a oportunidade de dar um glória, eu vou repetir pra você entender."

14- "Eis que te falo nessa noite..."

15- "Começa a dar Glóriaaa..."

16- "Manda glória para o alto, que Deus manda bênção para baixo."

17- "Hoje você está por baixo, mas amanhã você estará por cima, porque a roda gigante gira."

18- "É forte demais esse negócio".

19- "Hoje é noite de mistério."

20- "Apartir de hoje a tua vida nunca mais será a mesma."

Dons de Poder: Fé, Curar e Operação de Maravilhas- Uma perspectiva Pentecostal



Por Everton Edvaldo.

Leitura bíblica: (1 Coríntios 12.9,10)

Introdução: Quando estudamos as Escrituras, observamos que existem muitos assuntos para serem compreendidos. Entre eles, encontramos a temática que trata acerca da atuação do Espírito Santo. Entender à luz da Bíblia, como o Espírito de Deus atua, é crucial para nossa vida, haja vista que uma má compreensão resulta em conclusões erradas ou desfocadas e esses resultados geram implicações práticas erradas para nós. Por isso, estudar esse assunto é bastante importante! Hoje falaremos um pouco da atuação do Espírito Santo por meio de crentes, todavia, no presente texto, nos limitaremos a falar apenas a respeito do tema proposto pelo título.

Vejamos um quadro informativo afim de nos situarmos dentro dos Estudos Teológicos. 

Teologia Sistemática > Pneumatologia/
Paracletologia > Dons do Espírito Santo > Dons Espirituais > Dons de Poder

Pois bem, falaremos sobre os dons espirituais, especificamente sobre os dons de poder, isto é, dom da Fé, dons de curar e dom de operação de maravilhas.

Questões que serão abordadas sobre o tema:

• O que são dons de poder?
• Quais são eles? 
• Como funcionam? 
• A quem são dados?  
• Para que servem? 
• De onde eles vem? 
• Porque devemos buscá-los?  
• Quais cuidados devemos ter?

I- O que são dons de poder e quais são eles?

São dádivas divinas concedidas aos crentes com o objetivo de manifestar a glória e o poder de Deus entre os homens. 

Segundo o pastor e escritor Elienai Cabral, os dons de poder “são capacitações extraordinárias concedidas à Igreja de Cristo para a realização da missão proclamadora do evangelho da graça.” (CABRAL, p. 49). E diz mais:

“Sem dúvida, por meio desses dons, a Igreja de Cristo habilita-se a realizar o sobrenatural no reino natural, levando os pecadores a aceitar o evangelho e demonstrar ao mundo o poder de Deus.” (CABRAL, p. 50).

São eles: dom da Fé, dons de curar e dom de operação de maravilhas. 

II- O dom da fé. 

Em primeiro lugar, é preciso dizer que a fé como dom, se distingue da fé salvífica e da fé como fruto do Espírito. Segundo a declaração de fé das Assembleias de Deus: “trata-se de uma fé especial usada num momento específico.” (SILVA, p. 174). O pastor Enaldo Brito acrescenta que além dos outros dois tipos de fé citados pela declaração de fé, também “não deve ser confundida com a fé humana comum.” (BRITO, p. 73). Ou seja, o dom da fé não é nem a fé salvadora, nem a fé comum, nem a fé como Fruto do Espírito.

Em segundo lugar, esse dom nos serve como equipamento espiritual para sobreviver às mais cruéis tempestades malignas. Segundo Gordon Chown, “é o equipamento espiritual e sobrenatural do crente, para lhe conceder o poder sobrenatural de confiar em Deus nas ocasiões nas quais só um milagre glorioso poderia alterar a situação. (Apud CABRAL, p. 51).

De acordo com David Lim, na Teologia Sistemática- Uma perspectiva Pentecostal, esse dom é acompanhado de “oração fervorosa, alegria extraordinária e coragem incomum.” (HORTON, p. 474).

Em terceiro lugar, nem todos os crentes possuem tal dom. Para o pastor Elienai Cabral: “Deus não discrimina nenhum crente, mas concede um dom que possa ser exercitado para a sua glória e para o crescimento espiritual da igreja. (...) Esse dom permitiu que os cristãos primitivos se tornassem testemunhas desinibidas e mártires destemidos.” (CABRAL, p. 50). 

“Alguns o definem como 'a fé que remove montanhas' trazendo manifestações incomuns ou extraordinárias do poder de Deus.” (apud LIMA, p. 45). 

Exemplos bíblicos: 

• Moisés perante o mar vermelho (Êx 14.13 14).

• Daniel quando ameaçado de ser jogado na cova dos leões (Dn 6.16,23).

• Elias quando propôs um desafio aos profetas de Baal (1 Rs 18. 22-39). 

• Paulo quando foi vítima de um grande naufrágio (Até 28. 1-6). 

Hoje mais do que nunca precisamos do dom da fé. Na nossa era, muitos crentes vivem desanimados, desencorajados e sensíveis a qualquer tipo de adversidade. Infelizmente, boa parta da geração de hoje é uma geração frouxa. Deus está disposto a derramar do dom da fé sobre aqueles que buscarem. Esse dom irá se manifestar no momento certo, podendo ser instrumento de uma intervenção divina para te livrar de algo ameaçador. Através do dom da fé, e depressão não tem vez e a tristeza crônica e constante não cria raízes mas bate em retirada. 

III- Os dons de curar. 

Segundo a Declaração de Fé das Assembleias de Deus: “Quanto aos dons de curas, são manifestações do poder do Espírito Santo que operam de maneira multiforme para cura de doenças e enfermidades do corpo, da alma ou psicossomáticas, sempre concedidas pelo Espírito Santo à pessoa que irá ministrá-la, pois é Deus quem cura e somente a seleção pertence a glória.” (SILVA, p. 174). 

O ministério de Jesus foi repleto de manifestações de curas! O Senhor livrou muitas pessoas de moléstias e enfermidades. Quando enviou seus discípulos para pregarem o evangelho, ele disse: 

“E disse-lhes: "Vão pelo mundo todo e preguem o evangelho a todas as pessoas. Quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será condenado. Estes sinais acompanharão os que crerem: em meu nome expulsarão demônios; falarão novas línguas;pegarão em serpentes; e, se beberem algum veneno mortal, não lhes fará mal nenhum; imporão as mãos sobre os doentes, e estes ficarão curados". (Marcos 16:15-18).

Ou seja, o Senhor quis usar seus servos para manifestar seu poder entre as pessoas que vivem escravizadas com o pecado. Por isso, os dons de curar são tão importantes. 

Como diz o pastor Elinaldo Renovato: “É interessante notar que todos os outros dons estão no singular. Mas os dons de curar estão no plural. Não há, portanto, um ‘dom de curar', mas uma variedade deles.” (LIMA, p. 47). Para David Lim, “muitos dons de cura estão à disposição para satisfazer as necessidades de casos específicos em ocasiões específicas.” (HORTON, p. 474). Elienai Cabral afirma: “A palavra 'curas' no plural indica que a pessoa dotada de dons de curas tem a graça do Espírito para orar pela cura de tipos distintos de enfermidades em todos o tempo em que a Igreja estiver na terra.” (CABRAL, p. 52). 

Curiosidades sobre os dons de curar:

• Os dons de curar não ficaram restritos aos dias apostólicos. (Segundo a Bíblia e segundo a história). 

• Os dons de curar fazem parte das dádivas de Deus concedidas à igreja. 

• É uma ação especial do Espírito Santo.

• Tem o objetivo de amenizar o sofrimento humano. 

• Mostra o poder de Deus aos incrédulos de modo que muitos se quebrantam e creem em Jesus. 

Cuidados:

• Não devem ser usados para auto-promoção humana, mas divina.

• Deve ser exercido com moderação e conforme os parâmetros bíblicos. 

• Deve ser exercido com discernimento. 

• Não se deve desprezar o auxílio da medicina por conta deste recurso espiritual. 

IV- Dons de Operações de Maravilhas. 

Do grego energemata dunameõn, operação de maravilhas são  da parte de intervenções extraordináriasDeus na esfera espiritual e física. 

David Lim, explica que esse dom “consiste em dois plurais: de dunamis (façanhas de grande poder sobrenatural) e energêma (resultados eficazes). Esse dom pode estar relacionado à proteção, provisão, expulsão de demônios, alteração de circunstâncias ou juízo.” (HORTON, p. 474).

 Segundo Elinaldo Renovato: “ Desses termos gregos derivam as palavras 'energia' é ‘dinamite’. (...) Assim como a dinamite explode rochas consideradas impenetráveis, o dom de milagres anula a ordem natural das coisas. Muitas vezes, é uma verdadeira explosão do poder de Deus, no mundo natural ou na esfera natural.” (LIMA, p. 48, 49).

A declaração de fé das Assembleias de Deus afirma:
“A expressão 'operação de maravilhas' está no plural em grego e significa 'obras poderosas' ou 'de poder', o que sugere grande variedade de milagres.” (SILVA, p. 174).

É quando os recursos do homem acabam, que os de Deus entram em ação.

Vale ressaltar que é um dom muito próximo dos dons de curar, mas diferem na demonstração, os dons de curar são intervenções divinas no corpo físico das pessoas doentes, enquanto que o dom de operação de maravilhas podem extrapolar a esfera física, para a esfera espiritual, natural, (isto é, da natureza), etc. 

Exemplos: A sombra de Pedro “curava” as pessoas (At 15.15). A imunidade de Paulo ao ser picado por uma víbora (At 28.3-6), A vara de Arão se transformando em serpente na presença de Faraó (Ex 7.12). Outros exemplos: expulsão de demônios e ressurreições.  

V- Porque devemos buscar esses dons? 

Poderia enumerar várias razões para isso, todavia falarei apenas de algumas:

• Porque são úteis.

• Porque não devemos nos acomodar com os dons que já possuímos. 

• Porque Deus tem um arsenal celestial aberto para nós. 

• Porque Deus quer nos usar para a edificação da sua igreja e o poder de Deus na proclamação do evangelho. 

VI- Verdades práticas:

• Os dons de poder devem ser exercidos com amor.

• Os portadores dos dons de Poder não são superiores aos que não os possuem.

• A manifestação destes dons não é termômetro para medir a espiritualidade de um crente. 

Conclusão:  Sem dúvida, é da vontade de Deus derramar dons de poder na vida dos crentes. Hoje mais do que nunca, precisamos do poder de Deus para vencer as barreiras que nos sobrevém. Poder! Poder para vencer, poder para perseverar, poder para ter coragem! Por isso, precisamos buscar os dons de poder para nossa vida, afim de que Deus nos use para sua glória, amém! 

Bibliografia:

BRITO, Enaldo. Espírito Santo- lições bíblicas. 

CABRAL, Elienai. Movimento Pentecostal- As doutrinas da nossa fé. Rio de Janeiro: CPAD, 2011.

HORTON, STANLEY. Teologia Sistemática- Uma Perspectiva Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2005.

LIMA, Elinaldo Renovato de. Dons Espirituais e Ministeriais. Rio de Janeiro: CPAD, 2014.

SILVA, Ezequias Soares da. Declaração de Faturamento das Assembleias de Deus. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.